A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert – Joël Dicker

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Aos 30 anos, Marcus Goldman já é um escritor de sucesso, no entanto, enfrenta um bloqueio criativo que coloca sua promissora carreira em risco. Desesperado, ele vai à pequena cidade de Aurora, ao encontro de Harry Quebert, um dos autores mais respeitados dos Estados Unidos, além de seu ex-professor e mentor. Durante sua estadia na casa de Quebert, Goldman descobre que, em 1975, há mais de 30 anos, o escritor protagonizou um tórrido caso de amor com Nola Kellergan, uma jovem de 15 anos que desapareceu misteriosamente, sem deixar qualquer rastro, durante aquele mesmo ano. Eis que, em 2008, após a visita de Goldman ao professor, a polícia descobre os restos mortais da garota enterrados na propriedade de Quebert. O escritor é preso e todos em Aurora creem que ele seja o responsável pelo crime. Goldman, no entanto, acredita piamente na inocência de seu mentor e volta à cidade para conduzir uma investigação por conta própria, colocando sua carreira ainda mais em risco.

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A capa de A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert sempre me chamou a atenção, mas confesso que nunca havia me dado o trabalho de ler a sinopse. Até que a Bruna, do Chez B., o indicou no Eles recomendam! e, ao saber que se tratava de um thriller, decidi lê-lo logo. E apesar de ser indiscutivelmente um livro de mistério, a obra de Joël Dicker é, acima de tudo, uma história sobre o amor, não apenas o romântico, mas em todas as suas formas, e as consequências incrivelmente boas e desastrosamente ruins que podem decorrer deste sentimento.

… haverá quem tente convencê-lo de que um livro tem a ver com palavras, mas não é assim: na verdade, um livro tem a ver com pessoas.

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert é narrado em primeira pessoa por Marcus e em terceira por vários outros personagens e em diversas épocas. E este recurso, além de enriquecer a narrativa, torna a trama mais dinâmica ao mesmo tempo em que manipula o leitor, como todo bom thriller deve fazer. Um detalhe peculiar sobre a obra é que os capítulos aparecem em ordem decrescente, dando entender que o que estamos lendo é, na verdade, o verdadeiro processo de produção de um livro.

A verdade não muda nada do que sentimos um pelo outro. Este é o grande drama dos sentimentos.

A obra de Dicker é inteiramente dedicada ao desaparecimento de Nola e à descoberta da verdade sobre o crime, no entanto, ao revisitar o passado por vários ângulos, o autor traça o perfil de Marcus Goldman e Harry Quebert com precisão. Em muitos momentos, Goldman parece um alter-ego de Quebert, mas, aos poucos, as figuras dos dois escritores se distanciam não apenas para o leitor, mas também dentro da história. E, dessa maneira, Dicker aborda a lealdade, a idolatria, a ética, o conceito de sucesso e a importância do status.

Não gosto muito do conceito de arrependimento: ele significa que não assumimos o que fomos.

É regra que todo bom thriller deve ser repleto de reviravoltas, e A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert não deixa nem um pouco a desejar neste quesito. Na verdade, apesar de ser previsível em alguns pontos, a obra de Dicker tem tantos plot twists que, às vezes, a trama soa até um pouco forçada. No entanto, é inegável que, no final, a história se mostra coerente, apesar das mil variáveis, e extremamente bem amarrada. Não quero dar spoilers, mas preciso confessar que o que mais me surpreendeu não tem exatamente a ver com o crime em si, e este foi um ponto super positivo, já que adoro ser surpreendida por um livro. E entre tantos vaivéns, Marcus Goldman e Harry Quebert nos relembram de que fazer justiça com as próprias mãos sempre tem o lado bom e o ruim, como tudo na vida.

Título original: La vérité sur l’affaire Harry Quebert
Editora: Intrínseca
Autor: Joël Dicker
Ano: 2012
Páginas: 566
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 4 estrelas

Se você gostou de A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, leia Não conte a ninguém, de Harlan Coben.

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14 thoughts on “A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert – Joël Dicker

  1. Oi, Ná!

    Já falei no Eles recomendam que já tinha visto esse livro por aí, mas não sei se o leria… Vamos dizer que vc aumentou um pouco as chances de ele entrar para a minha lista, mas nada garantido!
    Não entendi esse negócio dos capítulos decrescentes… Será que só lendo pra entender? Ou eu sou burra mesmo?

    Beijos!

    1. Obaaa!
      Eu gostei bastante da leitura, apesar desse excesso de reviravoltas no final, haha! Mas eu recomendo, ainda mais se estiver a fim de um thriller/suspense.
      Sobre os capítulos: eu tinha pensado em não escrever isso na resenha, mas achei um detalhe legal, sabe? Hahaha! Você não é burra, mas pra especificar bem: o livro começa no capítulo 30 e alguma coisa ou 40 e termina no 1!
      Beijos

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