Resenha de As coisas que perdemos no fogo – Mariana Enriquez


As coisas que perdemos no fogo reúne 12 contos que levam o terror e a fantasiacenários e situações cotidianos. O livro me chamou a atenção pelo título e, quando vi que a autora, Mariana Enriquez, era argentina, fiquei ainda mais curiosa – afinal, eu nunca resisto a Buenos Aires!

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A orelha do livro já dá uma boa prévia do que iremos encontrar em As coisas que perdemos no fogo: “um menino assassino, uma garota que arranca as unhas e os cílios na sala de aula, adolescentes que fazem pactos sombrios, amigos que parecem destinados à morte, mulheres que ateiam fogo em si mesmas como forma de protesto, casas abandonadas, magia negra, mitos e superstições”. Ou seja, prato cheio para quem gosta de boas doses de terror, fantasia e suspense

E como se os temas já não fossem intrigantes o suficiente, a escrita crua e objetiva de Mariana Enriquez faz com que as histórias se tornem ainda mais envolventes e, claro, assustadoras. Gostei muito de como a autora explora a loucura e faz com que o leitor entre na paranoia dos personagens. A única coisa que me incomodou nos contos de As coisas que perdemos no fogo é o fraco um pouco exagerado que a autora tem por finais inconclusivos, mas que não suscitam muitas reflexões. 

Título original: Las cosas que perdimos en el fuego
Editora: Intrínseca
Autor: Mariana Enriquez
Ano: 2014
Páginas: 192
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 3 estrelas

Semana Especial Para todos os garotos que já amei: carta para o crush

No terceiro dia da Semana Especial Para todos os garotos que já amei, a Intrínseca propõe um post divertido e desafiador – e que tem tudo a ver com a história de Lara Jean: uma carta para o crush ou para o meu eu futuro. Como já escrevi uma carta para o meu eu passado há algum tempo, decidi ir pelo caminho mais romântico – afinal, é Dia dos Namorados!

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Querido Gab,

Você pode até dizer que me falta romantismo e que o mundo não é assim, tão preto no branco, quanto eu vejo. E talvez esteja certo. Mas não consigo deixar de pensar que o amor à primeira vista é algo que simplesmente não existe. “É uma força de expressão, modo de dizer”, muitos diriam. No entanto, se realmente fosse, por que tantas pessoas viveriam à espera desse sentimento que tira o ar, o chão e a razão?

Em paixão à primeira vista, eu acredito. Porque paixão é fogo, que, assim como acende, pode apagar. Arrebata, gira o mundo em 360 graus, mas te devolve no mesmo lugar. Paixão é superfície, um formigamento  na primeira camada da pele. É intensidade, loucura, cegueira e perfeição passageira. O amor é diferente. É tijolo sobre tijolo. Cai um aqui, mais um ali, mas sempre encontramos razões para colocar outro. E outro. E outro. O amor é paradoxo, hipérbole, eufemismo e pleonasmo. Acalma, incomoda, esvazia e transborda.

Entre nós, não foi paixão nem amor à primeira vista. Foi carinho, atenção, afinidade e compreensão. A paixão veio com seus olhos e cabelos cor de outono, o perfume Armani e o sorriso torto. O amor, eu não sei dizer. Talvez porque não tenha sido, mas seja todos os dias. Passado, presente, futuro e pra sempre. O nosso pra sempre.

Você pode até dizer que me falta romantismo e que o mundo não é assim, tão preto no branco, quanto eu vejo. E não é mesmo! Com você, aprendi que romance pode ser simples, espontâneo e corriqueiro e me tornei mais romântica do que as incorrigíveis. Porque, mesmo no meu mundo em preto e branco, aprendi a ver as cores que antes eram invisíveis.

Semana Especial Para todos os garotos que já amei: personagens preferidos

No segundo dia da Semana Especial  Para todos os garotos que já amei, vamos falar sobre nossos personagens favoritos da série! Bom, Lara Jean está “apenas” entre os meus queridinhos de todos os tempos. Dito isso, nem preciso dizer que ela é a minha preferida da série de Jenny Han!

Sempre digo que Lara Jean é romântica, sonhadora e bonzinha demais para o meu gosto. Mas isso não me impediu de amar a personagem desde o começo da história! Talvez porque a personalidade de Lara Jean tenha sido muito bem construída, e a sensação é a de que estamos conhecendo uma pessoa que realmente existe. Por isso, as características da personagem soam sempre genuínas, nunca forçadas ou “para fazer tipo”.

Embora não tenha nem 10% da fofura da Lara  Jean, me identifico demais com a personagem (e AMO quando as pessoas dizem que me acham “parecida” com ela, hahaha! <3 ). Provavelmente pela relação dela com as irmãs (também tenho duas, mas sou a caçula) e pela forma como ela lida com a ausência da mãe. Também tenho um lado apaixonado, mas que expresso de uma maneira diferente, menos romântica e idealizada. Mas isso pode ser porque ela tem 18 anos e eu, quase 29… Para completar, amo o bom gosto e o senso de estilo (embora, obviamente, nunca tenha visto as roupas dela, por exemplo) de Lara Jean, além de sua criatividade, capricho e entrega.

Outro personagem que é impossível não amar é Peter Kavinsky. Porque Josh Sanderson pode ser super fofo, mas Peter é o típico garoto popular: bonito, atlético e extremamente charmoso! No primeiro livro da série, eu já queria amá-lo, mas tinha receio. Já na sequência, virei completamente #TeamPeter! E no terceiro… Bom, não tem como nem “olhar para os lados”. Porque, apesar de ser lindo e saber muito bem disso, Peter é muito mais do que um rostinho bonito: é carinhoso, atencioso, compreensivo e trata Lara Jean da maneira que ela merece. Às vezes, ele pode ser um pouco babaca, mas errar é humano, não é mesmo?

A minha terceira personagem queridinha é Kitty. Primeiro, porque também sou caçula de três e, quando criança, era espevitada exatamente como ela. Me divirto muito com as tiradas de Kitty e acho que ela adiciona bastante para a trama – pois, ao mesmo tempo em que é independente e auto-suficiente, ela ainda é uma criança que perdeu a mãe cedo demais. Além disso tudo, Kitty foi a forma que Jenny Han encontrou de desconstruir alguns estereótipos.

E vocês, quais são os personagens queridinhos de Para todos os garotos que já amei?

Semana Especial Para todos os garotos que já amei: sobre a série

Oba, mais uma Semana Especial da Intrínseca! E, desta vez, o tema é minha amada série Para todos os garotos que já amei, de Jenny Han <3

Até 2015, eu era simplesmente viciada em livros young adult. Mas, como quase sempre acontece, senti que as obras do gênero se repetiam demais e passei a fazer uma seleção mais rigorosa do que eu leria. Quando a Intrínseca lançou Para todos os garotos que já amei, eu me apaixonei pela capa e tentação foi grande, mas me obriguei a resistir. No entanto, não fui forte o suficiente e, quando saiu o segundo livro da série, P.S.: Ainda amo você, me rendi. Bom, e o resultado vocês já sabem: a obra de Jenny Han se tornou uma das minhas séries young adult favoritasLara Jean ocupa um lugar especial entre meus personagens queridos.

Depois da breve historinha que conta como Para todos os garotos que já amei entrou para a minha vida, vamos aos livros em si! A série de Jenny Han é um young adult típico e dos bons. Ou seja, é romântico, leve e divertido, mas não deixa de abordar assuntos mais sérios extremamente pertinentes, como lutocyberbullying e até mesmo um pouco de feminismo. Outro ponto que faz com que a série seja uma ótima obra do gênero é o toque de realismo: Jenny  Han evita os extremos, e não aposta em personagens 100% bons ou ruins, em situações absurdamente incríveis ou loucamente trágicas. E assim, fica ainda mais fácil de se identificar e relacionar com a história.

Mas o que eu realmente amo na série é a forma como a autora retrata as nuances da relação entre irmãs – o companheirismo intrínseco, a inevitável competição, as diferenças e semelhanças… ; e também a ausência da mãe, respeitando a dor do luto, mas sem ser pedante ou dramática demais. E esses dois aspectos pontuam os três livros e, de certa forma, são a base da história.

Em Para todos os garotos que já amei, conhecemos a romântica e sonhadora Lara Jean, que também tem um lado inseguro e levemente imaturo. O triângulo amoroso é o ponto central da história, e Jenny Han deixa o leitor (eu, pelo menos) muito dividido entre o dúbio Peter Kavisnky e o certinho Josh Sanderson.

No segundo volume da série, P.S.: Ainda amo você, nos reencontramos com uma Lara Jean um pouco mais madura, segura e dona de si. Nosso coração (o meu, pelo menos, haha!) já pertence ao ainda dúbio Peter, mas John Ambrose McClaren aparece para formar mais um triângulo amoroso. É também no segundo livro que Jenny Han mostra como a internet mudou o universo dos adolescentes e aborda um pouco de feminismo.

E, para encerrar a série, temos o delicioso Agora e para sempre, Lara Jean, que é um típico livro sobre coming of age. No terceiro volume, a protagonista está muito mais madura e segura sobre suas escolhas, e seu relacionamento com Peter não poderia estar mais estabelecido. Mas e se tudo isso for posto à prova pelas decisões que a vida adulta impõe? E se o futuro for colocado em risco por conta das escolhas erradas? E, no fim, Lara Jean resolve os dilemas como sempre: de maneira realista, mas sempre com aquela pitada de romance e graciosidade!

Bom, acho que deu para entender um pouco do porquê de eu gostar tanto de Para todos os garotos que já amei, não é? Resumindo, a série de Jenny Han foi de “um livro bobinho para ler e espairecer para “eu leria mais uns 10 volumes sobre Lara Jean <3

Resenha de A Cor Púrpura – Alice Walker

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Por ser negra e pobre, Celie não leva uma vida fácil no sul dos Estados Unidos, na primeira metade do século 20. Durante a infância e a adolescência, foi abusada física e psicologicamente por aquele que chamava de pai. Mais tarde, foi separada de seus filhos e de sua irmã, Nettie. E adulta, continuou a sofrer repetidos abusos por parte do marido. Quando conhece a deslumbrante Shug Avery, no entanto, Celie vê tudo se transformar. E descobre que, se houver amor, a vida pode ser leve e deliciosa, ainda que não seja livre de dificuldades e tristezas.

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Eu gosto muito de livros que abordam a segregação racial e adoro narrativas epistolares. Por isso, sempre tive a certeza de que iria gostar de A Cor Púrpura, que rendeu a Alice Walker National Book Award e o Prêmio Pulitzer, em 1983. Mesmo assim, a obra me surpreendeu por retratar não apenas o racismo, como também o “estigma duplo” que as mulheres carregavam (e, infelizmente, ainda carregam) nesse contexto. Ou seja, além de sofrerem com o preconceito por serem negras, elas ainda eram vítimas de machismoabusos de todos os tipos por parte de seus pais, maridos e irmãos também negros.

Por meio de cartas que Celie escreve para Deus e para a irmã, A Cor Púrpura narra 40 anos de história da personagem. E é assim que Alice Walker explora por completo os sentimentos da protagonista, bons e ruins, tornando-os ainda mais intensos e palpáveis para o leitor. Gostei muito de como a autora manteve a dramaticidade e a gravidade da trama, mas também trouxe levezabeleza à história. Tudo na medida certa, tanto para emocionar, quanto para fazer sorrir.

A Cor Púrpura foi lançado em 1982, mas é extremamente atual. Por falar sobre racismo, sim, mas também por abordar o amor em todas as formas e retratar, como poucas obras, a tal da sororidade. No entanto, talvez a maior mensagem da obra de Alice Walker seja sobre a resiliência, que permite que as pessoas mudem, se adaptem e sempre encontrem razões e coragem para amar.

Título original: The Color Purple
Editora: José Olympio
Autor: Alice Walker
Ano: 1982
Páginas: 330
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Agora e para sempre, Lara Jean (Para todos os garotos que já amei #3) – Jenny Han

O último ano escolar de Lara Jean não poderia ser melhor! Ela está mais apaixonada do que nunca por Peter Kavinsky, e é 100% correspondida. E o pai reencontrou o amor e não pensou duas vezes antes de pedir a Sra. Rothschild em casamento! Mas, entre o romance com Peter e a organização do casamento, Lara Jean precisa resolver em que universidade irá estudar. O problema é que essa decisão pode afastá-la de Peter…

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Ler Para todos os garotos que já amei nunca foi um plano. Mas eu sempre amei a capa e, quando a Intrínseca lançou a sequência, P.S.: Ainda amo você, não resisti! E ainda bem que dei uma chance à série de Jenny Han, porque, hoje, sou simplesmente apaixonada por Lara Jean, por Peter e por toda a história! E até arrisco dizer que ela se tornou uma das minhas séries favoritas de young adult.

Como não canso de dizer, adoro forma como a autora retrata as particularidades da relação entre irmãs, mostrando como a racional Margot, a romântica Lara Jean e a espevitada Kitty se completam perfeitamente. A ausência da mãe é outro ponto importante da trama, e simplesmente amo a forma como Jenny Han trata o assunto na história: de maneira natural, real e extremamente sensível!

Em Agora e para sempre, Lara Jean, Jenny Han consegue mostrar tanto o lado bom, quanto o ruim dessa coisa inevitável e irreversível que é crescer. E, como um bom young adult, prova que um pouco de romantismo nunca fez mal a ninguém. E, apesar de ser previsível em alguns momentos, o terceiro livro da série também consegue fugir de alguns clichês – o que torna a previsibilidade não apenas perdoável, como também deliciosa!

Ao mesmo tempo em que é pura magia, o relacionamento de Lara Jean e Peter é também verossímil. E ao final da série, é impossível não pensar no que o futuro reserva para o casal (sim, eu confesso que aceitaria mais uma ou duas sequências!). E é quando eu lembro de Emma Morley, de Um Dia, que diz: “whatever happens tomorrow, we’ve had today”.

Título original: Always and forever, Lara Jean
Editora: Intrínseca
Volumes anteriores: Para todos os garotos que já amei P. S.: Ainda amo você
Autor: Jenny Han
Ano: 
2017
Páginas: 
304
Tempo de leitura:
 3 dias
Avaliação: 
5 estrelas