Resenha de Uma bolota molenga e feliz – Sarah Andersen

Depois de Ninguém vira adulto de verdadeSarah Andersen lança Uma bolota molenga e feliz, mais uma compilação de suas tirinhas. Sempre divertida e autêntica, a autora consegue captar muito bem a essência da sociedade atual, por isso, acho quase impossível não se identificar com ela.

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No entanto, apesar de serem extremamente engraçadas, as tirinhas abordam assuntos sérios, como autoestima, depressão, ansiedade, relações interpessoais e coming of age. Um dos temas que ganha destaque são as dificuldades de ser mulher, o que faz com que o livro esbarre no feminismo, mas nunca de uma maneira “caga-regra” (perdão pelo termo!).

Diferente de Ninguém vira adulto de verdadeUma bolota molenga e feliz tem historinhas maioresmais texto – mas sem perder o dinamismo. Uma coisa que AMEI é que, no livro, Sarah Andersen fala muito sobre gatos e conta como passou a gostar deles <3 Enfim, sempre com bom humorótimas sacadasUma bolota molenga e feliz é uma daquelas obras que fazem a gente pensar que não estamos sozinhos no mundo!

E aqui, algumas das minhas tirinhas preferidas:

Título original: Big Mushy Happy Lump (Sarah’s Scribbles #2)
Editora: Seguinte
Autor: Sarah Andersen
Ano: 2017
Páginas: 136
Tempo de leitura: 1 dia
Avaliação: 5 estrelas

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Resenha de Minha vida (não tão) perfeita – Sophie Kinsella 


Cat Brenner nasceu em Somerset, mas sempre sonhou em morar em Londres. Quando finalmente se muda para a capital, ela começa a viver a vida que sempre quis – ou, pelo menos, é nisso que ela quer que os outros acreditem. Mas só Cat – ou seria Katie? – sabe que sua vida não é tão perfeita quanto seu Instagram mostra: o flat que ela divide com outras duas pessoas é minúsculo; seu trabalho em uma agência de publicidade é burocrático e sua chefe, Demeter, é uma megera; e as fotos do Instagram não refletem exatamente sua realidade. Quando a vida (já não tão perfeita) de Cat começa a desmoronar, a começar pela sua demissão, ela decide voltar à cidade natal para ajudar o pai e a madrasta a tocar o novo negócio. Mas é claro que ela não irá revelar à família e aos amigos que, na verdade, sua vida perfeita nunca existiu.

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Assim como Meg CabotSophie Kinsella foi uma das responsáveis por eu me tornar leitora! Então, é claro que a autora tem um lugar especial no meu coração. No entanto, o sexto volume da série Becky BloomO Bebê de Becky Bloom, me cansou de uma forma que eu não consegui terminar a leitura e fiquei um pouco decepcionada com a Sophie. Li os livros que ela lançou depois (Fiquei com seu númeroA Lua de Mel), mas nossa “relação” ficou abalada. Eis que a autora decidiu entrar no universo young adult, com À Procura de Audrey, e, para a minha surpresa e felicidade, me reconquistou. Então, quando ela voltou aos chick lits com Minha vida (não tão) perfeita, não pensei duas vezes antes de adicioná-lo à minha lista de leitura. Claro que rolou aquele medinho de me decepcionar novamente, mas a história de Cat Brenner não deixou a desejar em nada!

Se tem uma coisa que Sophie sabe fazer é ser divertida. E Minha vida (não tão) perfeita já começa arrancando risadas – literalmente. Como todas as personagens da autora, e de chick lits, em geral, Cat é a única culpada pelas encrencas em que se mete – e isso costuma me irritar bastante quando leio livros do gênero. No entanto, ela é tão, mas tão real que, apesar de dar aquela vontade de matá-la, se identificar é quase inevitável! Talvez você não faça as coisas que Cat faz, mas com certeza já se sentiu como ela e já enfrentou os mesmos dilemas.

Como todo bom chick litMinha vida (não tão) perfeita tem doses de romance e o par de Cat convence. Mas o grande ponto alto da trama é Demeter. Assim como Miranda Priestly, de O Diabo Veste Prada, a chefe de Cat é daquelas personagens que você abomina, ao mesmo tempo em que admira. Além disso, Demeter tem uma dubiedade envolvente, que faz com que toda a história não só faça sentido, como também ganhe importância. No entanto, o mais interessante sobre a personagem é que ela representa muito bem a sociedade atual e, apesar de ter uma vida completamente diferente da de Cat, tem um grande ponto em comum com ela: a necessidade de viver de aparências.

A protagonista também tem sua tridimensionalidade, que enriquece ainda mais a história. O medo absurdo de se tornar uma “fracassada” de certa forma faz com que Cat cave a própria cova. E na tentativa de não ferir seu orgulho (na verdade já ferido), ela não se deixa ser ajudada por ninguém. É tudo isso que leva Cat e “mentir” para que seus seguidores do Instagram, amigos e familiares acreditem que ela realmente tem uma vida dos sonhos. Mas, ao mesmo tempo em que não se permite ser menos do que perfeita, a protagonista é ótima em enxergar o melhor das pessoas, ainda que dentro de toda a complexidade e imperfeição.

Previsível? Sim. Fofo? Também. No entanto, o mais interessante em Minha vida (não tão) perfeita é a discussão (divertida, mas pertinente) que a história propõe sobre as redes sociais: devemos compartilhar apenas o incrível ou também o não tão bom, mas real”? Qual é o meio-termo? Damos valor demais à conclusão que as pessoas tiram a partir do nosso feed? Pessoalmente, adoro ver fotos lindas e inspiradoras na timeline, mesmo que não sejam 100% reais. O importante para mim é lembrar sempre que aquela é apenas uma pequena parcela da vida das pessoas. Mas essa é uma looonga discussão…

Título original: My (not so) perfect life
Editora: Record
Autor: Sophie Kinsella
Ano: 2017
Páginas: 406
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Resenha de A Parisiense – Inès de La Fressange 



Paris é uma das capitais mundiais da moda e, como não poderia ser diferente, a parisiense é um ícone fashion. Seu estilo é marcado por uma elegância clássica combinada a um despojamento proposital. E esse é o ponto de partida de A Parisiense, o guia de estilo assinado pela ex-modelo Inès de La Fressange em parceria com a jornalista de moda Sophie Gachet.

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Eu adoro guias de estilo, mas muitas vezes não me identifico com o conteúdo – geralmente, acho tudo glamouroso demais e prático de menos. Por isso, acabo não lendo muitos. Mas, em busca de inspiração para o trabalho, comecei a ler A Parisiense (em PDF mesmo) e gostei do que vi! Solicitei o livro para a Intrínseca e foi fácil devorá-lo!

No guia, Inès de La Fressange dá dicas práticas e que podem ser aplicadas no dia a dia de qualquer pessoa. Ela ensina, por exemplo, a ter um guarda-roupa super funcional a partir de sete itens básicos – e que parece realmente fazer sentido! Como toda amante de moda, a autora sabe que é fácil cair em “armadilhas” e se tornar uma fashion victim e tem “antídotos” para isso também. E para completar o look, o guia tem também dicas de beleza, com produtos indispensáveis e o ritual diário da ex-modelo. O livro inteiro conta com uma dose de sarcasmo e também muito senso de humor.

Para fazer jus ao título, A Parisiense é também um guia sobre Paris. Além de dicas de moda e beleza, Inès de La Fressange sugere lojas de roupas e artigos de decoraçãorestauranteshotéis e até mesmo programas para as crianças. Ou seja, leitura indispensável para quem quer entender (e vivenciar um pouco) do je ne sais quois da parisiense.

Título original: La Parisienne
Editora: Intrínseca
Autor: Inès de La Fressange
Ano: 2010
Páginas: 240
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 4 estrelas

Resenha de A Hora do Lobisomem – Stephen King

A pequena Tarker’s Mill era uma cidade pacata, até que sangrentos e misteriosos ataques passam a aterrorizar seus habitantes. A carnificina acontece sempre sob a lua cheia e os moradores ficam divididos em dois grupos: os que se recusam a acreditar na existência de um lobisomem e os que não enxergam outra alternativa. No entanto, o massacre não tem fim, assim como o apetite inesgotável da criatura.

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Se antes eu quase torcia o nariz para Stephen King, depois de ler It: A Coisa, o autor virou um dos meus preferidos! E como a Suma de Letras está relançando os clássicos do escritor (no projeto Biblioteca Stephen King) em lindas edições de capa dura, aproveitei para solicitar A Hora do Lobisomem. E, como sempre, o rei do terror não decepciona!

Para quem tem estômago fraco, é melhor evitar a leitura, afinal, Stephen King não se preocupa em economizar detalhes sangrentos. As (lindas!) ilustrações de Bernie Wrightson também não poupam o leitor e contribuem para a criação de uma atmosfera sinistraA Hora do Lobisomem é dividido em 12 capítulos/meses, que narram os 12 ataques protagonizados pela criatura ao longo de um ano. Todos os “contos” são curtinhos, como se fizessem alusão à ferocidade e letalidade do lobisomem.

Mais uma vez, Stephen King mostra como a loucura e o mal vêm de dentro e surgem onde já existe um “terreno fértil”. Mas, em A Hora do Lobisomem, o autor brinca com os contrastes entre sagrado e profano, suscitando reflexões e discussões morais – como sempre. Com direito a um anti-herói, o final é surpreendente e mostra como a força é relativa.

Título original: Cycle of the Werewolf
Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
Ano: 1983
Páginas: 152
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Sobre a adaptação de It: A Coisa

Desde que li It: A Coisa, em 2015, soube que o livro dificilmente sairia da minha lista de favoritos de todos os tempos. Então, imagina o meu nível de expectativa em relação à adaptação da obra (-prima, na minha opinião) de Stephen King? Foram dois longos anos de espera, mas posso dizer que cada minutinho valeu a pena!

Preciso confessar que nem sempre acreditei que essa versão cinematográfica seria boa coisa. Nunca neguei que a história merecia um remake, já que a minissérie para a televisão, produzida em 1990, é um tanto obsoleta. Mas, no início, não gostei da ideia de separar a nova adaptação em dois filmes, divididos entre passado e presente. Depois de refletir um pouquinho, porém, cheguei à conclusão de que apenas um “capítulo” provavelmente resultaria em uma trama confusasuperficial. Continue reading “Sobre a adaptação de It: A Coisa”

Resenha de Amor & Gelato – Jenna Evans Welch

Antes de morrer, vítima de uma doença fulminante, a mãe de Lina Emerson a fez prometer que passaria uma temporada na Itália. Quando o pior acontece, Lina se vê obrigada a cumprir a promessa, o que significa morar com Howard, um homem que mal conhece, em uma casa que fica no Cemitério e Memorial Americano, em Florença. A princípio, Lina só pensa em voltar para os Estados Unidos. No entanto, quando começa a ler o diário que sua mãe escreveu quando morava em território italiano, a aventura ganha novos contornos. Com direito a muitas doses de romance, as memórias da mãe trarão muitas surpresas, que irão ajudar Lina a descobrir mais sobre si mesma.

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A capa foi a primeira coisa que me chamou a atenção em Amor & Gelato. Depois de ler a sinopse, achei que o livro parecia ter uma pegada estilo Anna e o Beijo Francês (um dos meus young adults preferidos!) e decidi que merecia uma chance. Bom, não poderia ter acertado mais, já que, com a belíssima Florença como pano de fundo, a obra de Jenna Evans Welch encanta, diverte, emociona e traz aquela sensação deliciosa que só os bons young adults são capazes de proporcionar!

Amor & Gelato é uma leitura leve, mas, por abordar o luto, também tem um tom mais sério e profundo. Esse mix, aliás, é um dos pontos altos do livro! Isso porque a autora consegue ser honesta e realista em relação à perda, ao mesmo tempo em que mantém a aura mágica que a história promete. Não importa o cenário, o livro seria uma graça de qualquer maneira. No entanto, é claro que a viagem por Florença torna tudo ainda mais único e especial – dentro e fora das páginas!

Um young adult típico, no melhor sentido da expressão, Amor & Gelato é previsível, sim, mas também traz  boas reviravoltas. Jenna Evans Welch consegue manipular o leitor tanto em relação à história de Lina, quanto ao conteúdo do diário. E o resultado é um livro difícil de largar, com um clímax que arranca suspiros e não deixa a desejar. Apesar de ter o romance como base, a trama é muito mais sobre as surpresas que a vida traz e como, muitas vezes, perder também significa ganhar.

Título original: Love & Gelato
Editora: Intrínseca
Autor: Jenna Evans Welch
Ano: 2016
Páginas: 320
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Sempre vivemos no castelo – Shirley Jackson

Uma dose letal de arsênico no pote de açúcar matou quatro membros da família Blackwood. Sobrevivente da tragédia ao lado da irmã, Mary Katherine, e do tio, Julian, Constance é acusada pelo crime, mas logo é inocentada. Quando ela volta para casa, os três passam a viver isolados e Mary Katherine assume a responsabilidade de proteger a irmã da hostilidade dos vizinhos. Conforme os anos passam, Constance, Merricat e tio Julian constroem uma nova dinâmicareencontram o equilíbrio. No entanto, tudo é colocado à prova com a chegada do primo Charles.

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Companhia das Letras/Suma de Letras anunciou que publicaria Sempre vivemos no castelo no Encontro de blogueiros, que aconteceu durante a Bienal do ano passado. E desde então, fiquei louca pelo livro – que teve o lançamento marcado para novembro/17, depois adiantado para o primeiro semestre e, enfim, foi lançado em julho. Ou seja, nem preciso dizer que as expectativas estavam no céu! Afinal, além de ter me interessado pela sinopse, o livro é um clássico e Shirley Jackson é uma lenda, que influenciou muitos atores, inclusive Stephen King.

Mas, como geralmente acontece nesses casos, Sempre vivemos no castelo deixou um pouquinho a desejar. Não me entendam mal! A história é super envolvente e o mistério é muito bem conduzido. Os personagens dúbios mesclam ingenuidade e perversidade, o que apenas aumenta a curiosidade em torno do que realmente aconteceu com os Blackwood. No entanto, o desfecho é quase um anti-clímax e fica aquele gostinho de “quero mais” – e modéstia à parte, eu adivinhei o plot twist, então a história perdeu mais um pouquinho da graça para mim.

De qualquer forma, Shirley Jackson tem todo o mérito por envolver o leitor com uma história construída à base de detalhes e sutilezas. Dessa forma, a autora foi capaz de retratar as neuroses das personagens não só de maneira plausível, como também interessante para quem lê. Não posso explicar exatamente por que não gostei taaaaanto de Sempre vivemos no castelo, porque seria um spoiler. Mas posso dizer que, para muitos, isso talvez não seja um problema. Então, leitura mais do que recomendada!

Título original: We have always lived in the castle
Editora: Suma de Letras
Autor: Shirley Jackson
Ano: 1962
Páginas: 193
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 3 estrelas