Bienal do Livro 2016

E lá se foram 2 anos da última Bienal do Livro em São Paulo! E chegou a hora de curtir a 24ª edição do evento <3 A feira acontece entre 26 de agosto e 4 de setembro, ou seja, já começa na próxima sexta-feira! Para entrar no clima, decidi fazer esse post reunindo as programações das duas editoras parceiras do blog, a Intrínseca e a Companhia das Letras, e também meus planos para a Bienal!
EDITORA INTRÍNSECA

27/ago, sábado
Pedro Gabriel
15h – Autógrafos no Estande da Intrínseca

28/ago, domingo
Clarice Freire
15h – Autógrafos no Estande da Intrínseca

Viih Tube
14h às 16h – Autógrafos no Estande da Saraiva

30/ago, terça-feira
Isabela Freitas
Palestra “A relação entre a realidade e a fantasia na autoficção”
Autógrafos dos livros Não se iluda, não e Não se apega, não
11h – Arena Cultural BNDES

31/ago, quarta-feira
Fernanda Gentil
18h – Autógrafos no Estande da Intrínseca

1/set, quinta-feira
Mac Barnett
Palestra “A importância da ilustração na literatura infantil: a identificação das crianças com as imagens”
Autógrafos e lançamento do livro Os Dois Terríveis ainda piores
11h – Arena Cultural BNDES

02/set, sexta-feira
Míriam Leitão

20h – Bate-papo no Salão Ideias
Autógrafos no Estande da Intrínseca

3/set, sábado
Encontro de blogueiros Intrínseca
Bate-papo sobre os lançamentos e assuntos referentes à blogosfera
9h – Sala Jacarandá Branco do Hotel Holiday Inn

Becky Albertalli
Palestra “A diversidade na literatura para jovens adultos”
Autógrafos do livro Simon vs. a agenda Homo Sapiens
19h – Arena Cultural BNDES

04/set, domingo
Becky Albertalli
Autógrafos do livro Simon vs. a agenda Homo Sapiens
12h –Estande da Intrínseca

Localização do estande: F030

Mais informações sobre a programação da Intrínseca aqui!

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EDITORA COMPANHIA DAS LETRAS

Área Cultural BNDES

Mauricio de Sousa
Criador da Turma da Mônica (Companhia das Letrinhas)
Data: sábado, 27 de agosto, às 11h

Jennifer Niven
Autora de Por lugares incríveis (Seguinte)
Data: Sábado, 27 de agosto, às 16h

Ava Dellaria
Autora de Carta de amor aos mortos (Seguinte)
Data: Domingo, 28 de agosto, às 16h

RezendEvil
Autor de Dois mundos, um herói De volta ao jogo (Suma de Letras)
Data: Segunda-feira, 29 de agosto, às 11h e às 16h

Jout Jout e Capitolina
Autora de Tá todo mundo mal (Companhia das Letras) e autoras de Capitolina (Seguinte)
Data: Terça-feira, 30 de agosto, às 14h

Maju Trindade
Autora de Maju (Paralela)
Data: Quarta-feira, 31 de agosto, às 16h

Kéfera Buchmann
Autora de Muito mais que 5inco minutos Tá gravando. E agora? (Paralela)
Data: Quinta-feira, 1ª de setembro, às 17h

Lucas Rangel
Autor de O sensacional livro antitédio do Lucas Rangel (Paralela)
Data: Sexta-feira, 2 de setembro, às 11h

PC Siqueira, Alexandre Matias e Cauê Moura
Alexandre Matias é autor de PC Siqueira está morto (Suma de Letras)
Data: Sexta-feira, 2 de setembro, às 16h

Área de autógrafos 2

Sessão extra de autógrafos com Jennifer Niven e Ava Dellaria
Data: sábado, 27 de agosto, às 16h (Jennifer Niven) e domingo, 28 de agosto, às 16h

Salão de ideias

Alexandre Matias
Autor de PC Siqueira está morto (Suma de Letras)
Palestra: Campeões de audiência: formação de opinião e influência dos youtubers
Data: Sexta-feira, 26 de agosto, às 17h

Ignácio de Loyola Brandão
Autor de O menino que perguntava (Alfaguara)
Palestra: Ignácio de Loyola Brandão – 80 anos de prosa e poesia
Data: Sábado, 27 de agosto, às 20h

Adriana Carranca
Autora de Malala, a menina que queria ir para a escola (Companhia das Letrinhas)
Palestra: A presença de feminino na literatura
Data: Segunda-feira, 29 de agosto, às 20h

Ilan Brenman
Autor de Pai, quem inventou? (Companhia das Letrinhas)
Palestra: Ilustrando sentidos: as relações entre imagens e texto na literatura
Data: Terça-feira, 30 de agosto, às 14h

Paulo Markun e Ana Miranda
Autor de Cabeza de vaca (Companhia das Letras) e autora de Amrik Semíramis (Companhia das Letras)
Palestra: Brasil passado a limpo: outras interpretações
Data: Quarta-feira, 31 de agosto, às 14h

Ruy Castro e Afonso Borges
Autor de Chega de saudade A noite do meu bem (Companhia das Letras) e idealizador do Sempre um Papo
Palestra: Homenagem aos 30 anos do Sempre um Papo com presença de Ruy Castro
Data: Sábado, 3 de setembro, às 20h

Estade do grupo Companhia das Letras

Juliana Parrini
Sessão de autógrafos de Novamente você (Suma de Letras)
Data: Sábado, 27 de agosto, às 18h

Frini Georgakopoulos
Sessão de autógrafos de Sou fã, e agora? (Seguinte)
Data: Domingo, 28 de agosto, às 13h

Raphael Montes
Autor de Dias perfeitos (Companhia das Letras) e O vilarejo (Suma de Letras)
Data: Domingo, 28 de agosto, às 16h

Capitolina
Autoras de Capitolina: o mundo é das garotas (Seguinte)
Data: Sábado, 3 de setembro, às 14h

Juliana Parrini e Camila Moreira
Autora de Novamente você (Suma de Letras) e autora de Minha Melodia (Suma de Letras)
Datas: sábado, 3 de setembro, às 18h, e domingo, 4 de setembro, às 16h30

Localização do estande: H30

Mais informações sobre a programação da Companhia das Letras aqui!

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MINHA PROGRAMAÇÃO

Eu adoro o fato de que as últimas edições da Bienal do Livro estão bombando – e essa provavelmente não será diferente! Mas confesso que não tenho muita paciência para “muvuca”, então abro mão de prestigiar a feira durante o final de semana. Por isso, devo ir à Bienal no dia 30 de agosto, à noite, apenas para conferir as novidades e aproveitar as promoções. Antes disso, no dia 27, vou ao encontro de blogueiros da Companhia das Letras (que será fechado, mas se você também é parceiro e estará lá, me avisa!). E para fechar minha vasta programação, vou ao encontro de blogueiros da Intrínseca, no dia 3 de setembro (se você também vai, me avisa!). E vocês, o que esperam da Bienal do Livro 2016?

O Livro de Memórias – Lara Avery

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Sammie McCoy é uma aluna exemplar e, aprovada para estudar na Universidade de Nova York, não vê a hora de se mudar da pequena cidade onde mora. No entanto, antes de concretizar seus planos, Sammie descobre que sofre de uma doença degenerativa, que irá acabar com sua memória e comprometer sua integridade física. Mesmo assim, ela não desiste de transformar seus sonhos em realidade e, para driblar os sintomas da condição, começa a escrever o Livro de Memórias para a “Sammie do futuro”. Mas a verdade é que a realidade é muito mais implacável do que ela poderia imaginar.

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Vou ser muito sincera: depois de ler tantos livros Young Adult na “temporada” 2013/2014, enjoei um pouco do gênero e passei a me irritar com os personagens. No entanto, quando a Companhia das Letras me ofereceu a prova antecipada de O Livro de Memórias, me interessei pela sinopse. Sabia que existia o risco de que a obra de Lara Avery caísse nos clichês e até fosse pedante, já que a doença degenerativa é o foco da história. No entanto, fui presenteada com uma trama consistente e que, apesar de ser também tocante, tem senso de humor apuradíssimo.

Sammie tem as características de uma adolescente real, mas é seu jeito descontraído de encarar os problemas que se destaca. Com essa característica da personagem, Lara Avery foi capaz de tirar um pouco da carga dramática da história, criando um contraste divertido e necessário com a doença. O estilo de narrativa de O Livro de Memórias, aliás, me lembrou bastante de O Diário da Princesa, de Meg Cabot, e não só por causa do formato: embora existam em universos completamente diferentes, Sammie e Mia têm muito em comum – a teimosia, a determinação e o senso de humor, por exemplo, só para citar alguns.

Com uma protagonista extremamente cativante, O Livro de Memórias é envolvente e evolui no ritmo certo. No entanto, Stuart e Cooper, os “mocinhos” da história, não me conquistaram muito. Sei que a “competição” entre eles não era o foco da trama, mas acho que poderia ter sido desenvolvida de maneira mais interessante. Gosto de assumir um “team” quando leio um Young Adult com triângulo amoroso e isso não aconteceu com a obra de Lara Avery.

O Livro de Memórias é tão previsível quanto surpreendente e, nessa toada, oferece muitos aprendizados ao leitor. A doença traz dificuldades a Sammie, mas também proporciona a ela a chance de refletir sobre sua vida e seus sonhos. E é até irônico como uma garota inteligente, que pensava saber muito sobre tudo, ainda que não de maneira arrogante, percebe que sabe tão pouco sobre si. Sammie viveu quase toda a vida com os olhos no futuro e, com a condição, aprende a viver mais o presente. No entanto, a maior lição de O Livro de Memórias é entender que ser o melhor aos olhos dos outros nem sempre é ser o melhor para si mesmo.

Título original: The Memory Book
Editora: Seguinte
Autor: Lara Avery
Ano: 2016
Páginas: 346
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Pax – Sara Pennypacker

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Quando é convocado para servir ao exército durante a guerra, o pai de Peter o convence a abandonar sua raposa, Pax, em meio à floresta. O garoto não vê outra alternativa a não ser obedecer à ordem. No entanto, quando se dá conta do erro que cometeu, ele decide consertá-lo, custe o que custar.

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Quando vi a capa de Pax, achei que se tratava de um livro simples e até infantil. E eu não estava errada. A obra de Sara Pennypacker é realmente simples e até infantil, mas no melhor sentido das palavras, porque conta com a beleza de um e a pureza do outro. A primeira coisa que me chamou a atenção no livro foi a carga sensorial que a autora imprimiu na trama, principalmente nas partes narradas por Pax.Se mergulharmos na história, quase somos capazes de sentir o cheiro da grama e o farfalhar das árvores.

Como narra a jornada de Peter em busca da raposa (e vice-versa), Pax tem um tom épico. No entanto, em meio a tantas aventuras e reviravoltas, há muito espaço para mostrar aspectos como as descobertas dos protagonistas, a amizade verdadeira, a confiança inabalável e os valores da sociedade em geral. E pode-se dizer que nada disso seria possível, ou pelo menos não seria tão divertido, se Sara Pennypacker não tivesse construído personagens tão cativantes, tridimensionais e, de alguma forma, reais.

Pax fala bastante sobre aquela história de que nosso lar são aqueles que amamos.Mas, ao mesmo tempo em que reforça essa ideia, Sara Pennypacker também faz questão de mostrar que cada indivíduo permanece único e que sempre há espaço para novas descobertas. A amizade é o grande pilar da história e, com Peter e Pax, a autora mostra que o sentimento tipo poderoso de amor. E o amor é a vontade de estar junto. Mas, acima de tudo, é o desejo de ver a felicidade do outro. Por mais que, ironicamente, isso signifique abrir mão exatamente daquilo que mais amamos. E, com uma relação que transcende as barreiras do tempo e do espaço, Pax mostra tudo isso e mais pouco.

Título original: Pax
Editora: Intrínseca
Autor: Sara Pennypacker
Ano: 2016
Páginas: 288
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 5 estrelas

Veja os outros posts da Semana Especial Pax!

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Semana Especial Pax: a importância da guerra no livro

Pax é o “lançamento-xodó” da Intrínseca e, para espalhar a linda mensagem da obra de Sara Pennypacker, a editora convidou os blogs parceiros a participar de mais uma Semana Especial (já fizemos de LoneyO Regresso Toda luz que não podemos ver).

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Se  eu dissesse que a guerra é o pano de fundo de Pax, não estaria mentindo. No entanto, o papel que ela desempenha na história de Sara Pennypacker é muito maior do que isso. Em primeiro lugar, se não fosse a guerra, o pai de Peter teria que encontrar outro bom motivo para convencer o filho a abandonar Pax – e poucos seriam tão urgentes e determinantes quanto este.

A guerra também contribui para o clímax da jornada dos protagonistas em busca do reencontro. Além de não saberem nada sobre o paradeiro e a situação um do outro, Peter e Pax veem o tempo se tornar um inimigo implacável. Isso porque os “doentes de guerra” logo irão chegar aos arredores do ponto onde o garoto deixou a raposa, e também onde ele acredita que ela ainda esteja. E por mais que o leitor sempre saiba onde Peter e Pax estão (a obra é narrada sob os pontos de vista dos dois), é angustiante testemunhar as dúvidas e os medos dos protagonistas e também não saber se haverá tempo para um reencontro e um final feliz.

Ao longo do livro, a autora prova que a guerra não foi um ingrediente escolhido por acaso. Além de servir de contexto para a trama, ela expõe completamente a crueldade e o egocentrismo humanos, seja entre os próprios homens ou para com outras espécies. No entanto, para mim, o principal papel da guerra em Pax é transformar a história em uma metáfora da vida e em um espelho dos contrastes da realidade. Porque no mesmo mundo em que existem o egoísmo, a ganância e a violência de uma guerra, há também a lealdade, o respeito e o companheirismo de uma amizade.

Veja os outros posts da Semana Especial Pax!

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Semana Especial Pax: a mensagem da história

Pax é o “lançamento-xodó” da Intrínseca e, para espalhar a linda mensagem da obra de Sara Pennypacker, a editora convidou os blogs parceiros a participar de mais uma Semana Especial (já fizemos de LoneyO Regresso Toda luz que não podemos ver).

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Pax é o tipo de livro que encanta do início ao fim. E, entre tantos aspectos que chamam a atenção na obra de Sara Pennypacker, é justo dizer que a moral da história se destaca. A amizade é o grande pilar da trama, mas a mensagem central não se resume a isso. A primeira lição que aprendemos com Pax é que, por mais que haja amor e lealdade, todos estamos sujeitos a erros – e dos graves. No entanto, justamente porque há amor e lealdade, há humildade para se redimir e disposição para perdoar.

A determinação é outro ponto em que Sara Pennypacker foca bastante, tanto por meio de Pax, quanto de Peter. Mas, mais do que retratar a importância de perseguir um objetivo, a autora mostra que a determinação não vence sem perseverança. E isso os dois protagonistas da história têm de sobra! E é aí que entra Vola, com o papel de fazer Peter (e o leitor) entenderem que nem tudo se resume a seguir o coração. Ser determinado e perseverante é fundamental, mas também é preciso uma dose de racionalidade.

Já diria Stephanie Perkins, em Anna e o Beijo Francês, que lar não é um lugar e, sim, uma pessoa. Pax e Peter sabem disso muito bem. No entanto, durante a jornada narrada no livro, os dois descobrem que, ao mesmo tempo em que dois podem se tornar um, cada indivíduo permanece único. E durante o tempo que passam separados, cada um com suas angústias, dúvidas e medos, Pax e Peter se redescobrem e redefinem seus lugares no mundo.

Não restam dúvidas de que Pax é uma história cheia de mensagens. No entanto, para mim, a obra de Sara Pennypacker é, acima de tudo, sobre o sentimento de pertencer. E sobre a coragem de respeitar a liberdade de quem não nos pertence mais.

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Semana Especial Pax: personagens do livro

Pax é o “lançamento-xodó” da Intrínseca e, para espalhar a linda mensagem da obra de Sara Pennypacker, a editora convidou os blogs parceiros a participar de mais uma Semana Especial (já fizemos de LoneyO Regresso Toda luz que não podemos ver).

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Pax é um livro encantador, e muitos aspectos contribuem para isso. A começar pela edição, com capa dura e ilustrações tão delicadas quanto a história. Mas são os personagens encantadores que fazem com que a obra de Sara Pennypacker se destaque e seja realmente especial.

Pax é uma raposa, mas esse “detalhe” não impediu que a autora criasse um personagem tão tridimensional quanto qualquer outro. Gostei bastante da forma como ela usou a inocência da raposa para explorar toda a sua gama de sentimentos: angústia, tristeza, mágoa, medo, dúvida, raiva, alegria e, acima de tudo, o desejo de reencontrar seu garoto. Em sua busca por Peter, Pax embarca em uma jornada de autoconhecimento tão envolvente e convincente que, em vários momentos, esquecemos que se trata de uma raposa.

Peter, além de também ser multifacetado, foi construído sobre um pilar de contrastes. Ao mesmo tempo em que é sensível e inseguro, é também decidido, corajoso e determinado. E, apesar de teimoso e às vezes até intransigente, o garoto sabe escutar e capta cada sutileza daquilo que ouve. Peter é sempre transparente em relação a seus sentimentos, especialmente quando se trata de Pax. Por isso, nunca sobra espaço para interpretar mal suas ações e pensamentos.

Extremamente generosa, Vola é uma espécie de fada madrinha para Peter e faz o estilo durona – e não à toa, afinal, viu e cometeu atrocidades durante a guerra. E é exatamente aí que está a maior virtude da personagem: as experiências traumáticas que viveu endureceram, sim, seu coração. Mas não ao ponto de cegá-la para aquilo que é puro e verdadeiro. É assim que enxergamos toda a vulnerabilidade da personagem, o desejo de se reconstruir e a possibilidade de, de certa forma, se redimir ao guiar Peter ao reencontro com Pax. E, no final das contas, o que ela faz acaba sendo muito mais do que isso!

A mãe de Peter é uma onipresença na história. Mas o pouco que aparece, por meio das memórias do garoto, é o suficiente para que o leitor entenda de onde veio toda a doçura do personagem. Em contrapartida, o pai é desprezível e egoísta, mas também fundamental à trama. Primeiro porque, sem ele, o conflito jamais aconteceria. Mas a verdade é que um dos aspectos que constrói o bom caráter de Peter é justamente o medo de se tornar um homem como o pai.

Além de ter criado personagens coerentes e cativantes, Sara Pennypacker foi capaz de conectá-los de maneira plausível e determinante para a história. Enquanto o pai e a mãe são o background de Peter, ele é o de Pax. E Vola se torna, ao mesmo tempo, a voz da razão, o porto seguro e aquilo que permite que o garoto tenha esperança.

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Semana Especial Pax: a amizade presente na história

Pax é o “lançamento-xodó” da Intrínseca e, para espalhar a linda mensagem da obra de Sara Pennypacker, a editora convidou os blogs parceiros a participar de mais uma Semana Especial (já fizemos de LoneyO Regresso Toda luz que não podemos ver).

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Não há dúvidas de que a amizade é o grande pilar de Pax. No entanto, a forma como Sara Pennypacker escolheu retratar o sentimento pode ser um pouco de tudo, menos óbvia. A primeira peculiaridade da história é o fato de explorar a amizade entre uma raposa e um menino. E a autora é tão competente ao fazê-lo que realmente cativa o leitor com a relação que existe entre Pax e “seu garoto”, Peter.

Ao mesmo tempo em que é obviamente fantasioso, já que a trama também é narrada sob o ponto de vista da raposa e conta com um tom crescente e até épico, Pax é extremamente real. Isso porque retrata a forma mais pura de um sentimento verdadeiro e que todos (espero!) já devem ter vivido. Claro que o livro é muito mais especial para quem tem animais de estimação e os trata como membros da família. No entanto, qualquer um que já teve um amigo pode se identificar, porque Pax poderia muito bem ser um menino, assim como Peter.

Já a amizade entre Pax e as outras raposas, Arrepiada e Miúdo, retrata bem o sentimento de pertencer. O que, para mim, é a pureza da amizade somada a empatia, identificação e companheirismo. Não que a relação entre Pax e Peter não tivesse esses ingredientes. Mas é diferente quando estamos em meio àquelas que são (literalmente) iguais à nós. E isso também fica claro na relação entre Peter e Vola. A troca que existe entre os dois é maior, mas não necessariamente mais importante, do que qualquer uma que poderia existir entre o garoto e a raposa.

Para mim, não tem como falar sobre amizade sem esbarrar na lealdade. Mas Pax vai além. Embora mostre bastante o quanto a raposa e o menino são leais um ao outro, o livro evidencia que amizade, especialmente a que nasce durante a infância, é crescer e amadurecer lado a lado. É se descobrir como um e como um par. É errar, perdoar e ser perdoado.É se transformar, se permitir e e se respeitar. É libertar e ser libertado. E também é, em alguns momentos, escolher caminhos diferentes e sempre ter um bom motivo para olhar para trás.

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