Resenha de Por trás de seus olhos – Sarah Pinborough

Louise é mãe solteira, e sua vida se resume a trabalhar como secretária em um consultório de psiquiatria e cuidar da casa e do filho. Em uma rara ida ao bar, porém, ela conhece um homem misterioso, que deixa o local após trocarem um beijo. Mas Louise não demora a descobrir que ele, na verdade, é David, não apenas casado, mas também seu novo chefe. Os dois tentam esquecer o que aconteceu, mas acabam tendo um caso. Para piorar a situação, Louise faz amizade com Adele, a esposa do amante. E assim, ela descobre que existe algo muito errado neste casamento – algo que talvez nem os olhos possam ver!

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“Nós somos contratualmente proibidos de falar qualquer coisa além da parte do triângulo amoroso”. Foi assim que a Editora Intrínseca nos apresentou Por trás de seus olhos, e aí não teve como resistir à obra de Sarah Pinborough! É difícil resenhar o livro, porque, apesar de não ter sido proibida por contrato (hahaha!), é impossível falar muito sobre ele e não estragar as surpresas e reviravoltas. Então, serei breve.

Pode-se dizer que Por trás de seus olhos é um ótimo thriller, com direito a mind gamespersonagens muito bem construídos. Ao mesmo tempo em que é tridimensional, Louise também é muito transparente e suas atitudes e sentimentos ficam bem claros ao leitor. Já David e Adele são extremamente dúbios, o que é essencial para que a autora manipule tanto a protagonista quanto quem lê. E o resultado é uma história narrada de maneira surpreendente, mas também plausível.

Bom, não posso dizer muito sobre Por trás de seus olhos sem entregar parte da trama. Então vou apenas dizer que o plot twist é um dos mais chocantes que já vi. E que o livro é tão mind fuck que você vai precisar de uns minutos para absorver cada informação das páginas finais.

Título original: Behind her eyes
Editora: Intrínseca
Autor: Sarah Pinborough
Ano: 2017
Páginas: 345
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Resenha de Sempre vivemos no castelo – Shirley Jackson

Uma dose letal de arsênico no pote de açúcar matou quatro membros da família Blackwood. Sobrevivente da tragédia ao lado da irmã, Mary Katherine, e do tio, Julian, Constance é acusada pelo crime, mas logo é inocentada. Quando ela volta para casa, os três passam a viver isolados e Mary Katherine assume a responsabilidade de proteger a irmã da hostilidade dos vizinhos. Conforme os anos passam, Constance, Merricat e tio Julian constroem uma nova dinâmicareencontram o equilíbrio. No entanto, tudo é colocado à prova com a chegada do primo Charles.

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Companhia das Letras/Suma de Letras anunciou que publicaria Sempre vivemos no castelo no Encontro de blogueiros, que aconteceu durante a Bienal do ano passado. E desde então, fiquei louca pelo livro – que teve o lançamento marcado para novembro/17, depois adiantado para o primeiro semestre e, enfim, foi lançado em julho. Ou seja, nem preciso dizer que as expectativas estavam no céu! Afinal, além de ter me interessado pela sinopse, o livro é um clássico e Shirley Jackson é uma lenda, que influenciou muitos atores, inclusive Stephen King.

Mas, como geralmente acontece nesses casos, Sempre vivemos no castelo deixou um pouquinho a desejar. Não me entendam mal! A história é super envolvente e o mistério é muito bem conduzido. Os personagens dúbios mesclam ingenuidade e perversidade, o que apenas aumenta a curiosidade em torno do que realmente aconteceu com os Blackwood. No entanto, o desfecho é quase um anti-clímax e fica aquele gostinho de “quero mais” – e modéstia à parte, eu adivinhei o plot twist, então a história perdeu mais um pouquinho da graça para mim.

De qualquer forma, Shirley Jackson tem todo o mérito por envolver o leitor com uma história construída à base de detalhes e sutilezas. Dessa forma, a autora foi capaz de retratar as neuroses das personagens não só de maneira plausível, como também interessante para quem lê. Não posso explicar exatamente por que não gostei taaaaanto de Sempre vivemos no castelo, porque seria um spoiler. Mas posso dizer que, para muitos, isso talvez não seja um problema. Então, leitura mais do que recomendada!

Título original: We have always lived in the castle
Editora: Suma de Letras
Autor: Shirley Jackson
Ano: 1962
Páginas: 193
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 3 estrelas

Resenha de Piano Vermelho – Josh Malerman

Depois de fazer muito sucesso com o hit Be here, os Danes caem no ostracismo e passam a trabalhar com a produção de outras bandas. Até o dia em que o governo dos Estados Unidos os convoca para ir à África investigar a origem de um som desconhecido, poderoso e assustador. Seis meses depois da viagem, o líder da banda, Philip Tonka, acorda em um hospital e descobre que teve todos os ossos do corpo quebrados. No entanto, ninguém parece saber o que realmente aconteceu com ele, tampouco onde estão seus companheiros de Danes.

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Já se tornou redundante dizer isso por aqui, mas vou ter que repetir: ainda não descobri como como controlar as expectativas e não me frustrar. Conheci o trabalho de Josh Malerman em 2015, com seu romance de estreiaCaixa de PássarosEntão, foi praticamente impossível não esperar muito de Piano Vermelho, ainda mais quando a trama se revela intrigante e envolvente desde as primeiras páginas. Mas, como tem se tornado frequente, a história acabou deixando um pouco a desejar da metade para o final.

Se em Caixa de Pássaros, Josh Malerman aflige o leitor com a privação da visão, em Piano Vermelho, o sentido explorado é a audição. Gosto muito da escrita objetivarepleta de detalhes do autor. E mais uma vez, ele consegue traduzir o terror e a angústia em palavras. A história é contada no passado e no presente, sob os pontos de vista de diferentes personagens. Com isso, Piano Vermelho fica não só mais dinâmico, como muito mais intrigante. Além disso, conforme a leitura avança, mais dúvidasmistérios vão surgindo.

Costumo dizer que Caixa de Pássaros é daqueles livros “ame ou odeie”. Isso porque muitas pessoas não gostaram do desfecho do primeiro livro de Josh Malerman. Eu concordo que o final escolhido pelo autor foi um anti-clímax, mas também acho que ele sai do lugar comum sem deixar de fazer sentido. No entanto, a fórmula se repete em Piano Vermelho e, na minha opinião, não funciona. Gosto de finais em aberto, mas, neste caso, me senti ludibriada. O anti-clímax é realmente frustrante e o desfecho deixa muitas pontas soltas.

Título original: Black Mad Wheel
Editora: Intrínseca
Autor: Josh Malerman
Ano: 2017
Páginas: 320
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Resenha de Até que a culpa nos separe – Liane Moriarty


Amigas desde a infânciaClementineErika sempre foram opostos: enquanto a primeira cresceu em uma família bem-estruturada, a segunda teve que aprender, desde cedo, a lidar com as questões da mãe acumuladora. Depois de adultas, as diferenças se mantiveram, e a vida sem filhos e extremamente organizada de Erika não poderia contrastar mais com a rotina quase caótica de Clementine, que se tornou violoncelistamãe de duas meninas. A amizade das duas sempre foi frágil e peculiar. No entanto, depois de um inocente churrasco que se torna palco de uma proposta delicada e de uma tragédia anunciada, a relação das duas é, mais do que nunca, colocada à prova.

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Eu juro que tento, mas é muito difícil controlar as expectativas quando se trata de um autor que já me surpreendeu não apenas uma, mas duas vezes. Conheci Liane Moriarty com O Segredo do Meu Marido, que eu pensava ser um daqueles romances de banca. Então, imagina a minha surpresa quando me deparei com uma história com muito suspense e segredos? Depois, veio Pequenas Grandes Mentiras, que também envolve mistério, com direito até a assassinato. Ou seja, com esse retrospecto, foi impossível não esperar muito de Até que a culpa nos separe.

Seria exagero dizer que o novo livro de Liane Moriarty foi uma decepção. Mas que deixou a desejar, ah, deixou! Em Até que a culpa nos separe, a autora segue a mesma fórmula das obras anteriores: boas doses de mistério com uma pitada de segredo. A isso, adicionamos negligência, culpa e consequências. Ou seja, um prato cheio para uma trama intrigante e envolvente, certo? Sim, mas só até determinado ponto.

Em Até que a culpa nos separe, Liane Moriarty narra os acontecimentos sob diferentes pontos de vista, no passado (dia do churrasco) e no presente. E, realmente, a leitura é super envolvente, até que descobrimos qual foi o acontecimento que transformou a vida de todos os envolvidos. Depois disso, a história fica arrastadaperde um pouco do propósito. Muitas vezes, a sensação chega a ser de que a autora está “enrolando” o leitor, tentando manter um clímax que, na verdade, já se perdeu. E o resultado é um final fácil, simples demais se comparado a tudo o que os personagens enfrentam durante o livro.

O que faz a leitura de Até que a culpa nos separe valer a pena é a habilidade que Liane Moriarty tem de criar personagens tridimensionaishistórias muitos bem amarradas. Também gosto muito de como a autora traz elementos do chick lit (no caso, maternidadevida a dois) para suas obras, mas de uma maneira realista. Apesar de não ter me cativado enquanto trama, Até que a culpa nos separe tem seu valor, por fazer refletir sobre como a culpa transforma as pessoas e, consequentemente, as relações.

Título original: Truly, Madly, Guilty
Editora: Intrínseca
Autor: Liane Moriarty
Ano: 2016
Páginas: 464
Tempo de leitura: 9 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Resenha de O Bazar dos Sonhos Ruins – Stephen King


O Bazar dos Sonhos Ruins reúne 20 contos de Stephen King, que, mais uma vez, mostra toda sua criatividadeversatilidade. A maioria das histórias é inédita no Brasil, no entanto, algumas foram reescritas para serem relançadas na coletânea. Antes de cada conto, o leitor pode se deliciar com as introduções escritas pelo próprio autor, em que ele conta um pouco sobre os “bastidores” de cada história: inspirações, alterações na trama, contextos… Enfim, prato cheio para os fãs de Stephen King!

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Apesar de abordarem diversos temas e serem narrados com diferentes recursos, todos os contos têm o estilo inconfundível da escrita de Stephen King – ou seja, são capazes de aterrorizar, divertir e até emocionar! Sempre democrático, o autor não economizou na quantidade de assuntos abordados: vida após a morterealidade alternativa, criaturas misteriosas, dilemas morais, situações sobrenaturaissuperpoderes… Literalmente, de tudo um pouco!

Meus contos preferidos foram: A Duna, em que um homem descobre uma ilha onde nomes de pessoas que irão morrer em breve aparecem escritos na areia; UR, que fala sobre a existência de milhões de realidades alternativas – algumas bem assustadoras; Indisposta, um conto curto e sem muito propósito, mas com aquele final divertidamente aterrorizante; Obituários, que conta a história de um redator que descobriu o poder de assassinar pessoas ao escrever seus obituários (sim, com uma pegada totalmente Death Note); e Trovão de Verão, que retrata um cenário apocalíptico de maneira inquietante, porém sensível.

Outros contos que me chamaram a atenção foram Milha 81, que me lembrou bastante de CujoMoralidade, em que King coloca o conceito de moral (sempre presente em suas histórias) em perspectiva; e Vida após a morte, que, como o título já diz, especula sobre o que acontece depois que morremos. Enfim, O Bazar dos Sonhos Ruins tem todos os ingredientes principais das tramas assinadas por Stephen King. Ou seja, é boa leitura tanto para quem já ama o autor, quanto para quem quer conhecer um pouco sobre sua obra!

Título original: The Bazaar of Bad Dreams
Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
Ano: 2015
Páginas: 527
Tempo de leitura: 8 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Resenha de Último Turno (Bill Hodges #3) – Stephen King

Cinco anos se passaram desde que o diabólico Brady Hartsfield entrou em estado vegetativo. De acordo com os médicos, as possibilidades de recuperação são mínimas. No entanto, o Assassino do Mercedes descobriu uma maneira absurdamente assustadora de se vingar de seu inimigo, o detetive aposentado Bill Hodges, e instalar o caos em toda a cidade.

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Vamos à confissão da vez: eu li Último Turno em novembro de 2016, mas, por alguma razão misteriosa, simplesmente esqueci de escrever a resenha. O que é uma pena, porque eu gostei muito de como Stephen King encerrou a trilogia Bill Hodges. Por isso, esse post provavelmente não faz jus ao livro. Mas, como dizem, antes tarde do que nunca, não é?

Diferentemente de Mr. Mercedes e Achados e PerdidosÚltimo Turno engrena logo nos primeiros capítulos. O fato de já conhecermos bem os personagens com certeza contribui para a fluidez. No entanto, o que realmente faz com que fique difícil largar o livro é a forma como Stephen King desenvolve a história, misturando ingredientes de um bom thriller policial com toques sobrenaturais.

Assim como nos dois primeiros volumes, o leitor sabe praticamente de todos os lados da história. Mas é impossível não ficar curioso para saber como o autor irá explicar os acontecimentos extraordinários. E, no melhor estilo Stephen King, ele o faz. Extremamente doentio e sombrio, Último Turno mostra, sim, o pior lado humano (e também sobre-humano), mas não deixa de retratar a bondade, o amor e a lealdade – como King sabe bem fazer. E para tornar a obra um pouco mais leve, o autor lança mão de uma dose certeira de humor.

Com a responsabilidade de fechar a trilogia Bill Hodges, Último Turno segue em uma crescente. Na verdade, já começa em ponto de tensão, graças ao intrigante e inesperado desfecho de Achados e Perdidos. E, ao longo de suas 384 páginas, o livro chega ao clímax da história, que tem de tudo um pouco: drama, suspense, ação, humor… A verdade é que não poderia ter imaginado um final melhor para a série!

Título original: End of Watch
Editora: Suma de Letras
Volumes anteriors: Mr. Mercedes Achados e Perdidos
Autor: Stephen King
Ano: 2016
Páginas: 384
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Resenha de Quem era ela – JP Delaney

A casa que ocupa o nº 1 da Folgate Street, em Londres, é uma obra-prima da arquitetura minimalista. Mas, para morar lá, é necessário passar por um exigente processo seletivo e seguir regras extremamente rígidas. Em busca de um novo recomeço, Jane logo se apaixona pela casa e é aprovada pelo arquiteto responsável pela construção. No entanto, logo depois de se mudar, ela descobre que Emma, a inquilina anterior, morreu exatamente ali, na Folgate Street, nº 1, e de maneira misteriosa. Obcecada pela verdade, Jane tenta descobrir a verdade, enquanto tenta evitar que a história de Emma não se repita com ela.

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Quando vi a capa e a sinopse de Quem era ela logo me lembrei dos livros de Harlan Coben. Então, essa foi minha referência de comparação durante a leitura. E, realmente, JP Delaney segue o mesmo estilo do autor, tanto de escrita, quanto de história. No entanto, deixa a desejar no quesito “mirabolância” (enquanto Coben, diga-se de passagem, até exagera), o que acho um desperdício quando se trata de um thriller.

Mas isso não quer dizer que Quem era ela não deixe o leitor louco de curiosidade. Aos poucos, as histórias de Jane e Emma se conectam, criando inúmeras possibilidades para a resolução do mistério. O que, ironicamente, acaba levando a um dos maiores defeitos da obra de JP Delaney: a tentativa de manipular o leitor. Digo “tentativa” porque o final apenas confirma a previsibilidade da história, sem causar aquele efeito “mind fuck”, que eu acho quase obrigatório em se tratando de thrillers.

De qualquer forma, Quem era ela é um livro facílimo de ler e não pode ser considerado uma perda de tempo. Porque, apesar de prometer mais do que cumpre, a história de JP Delaney é super envolvente e realmente intriga o leitor.

Título original: The girl before
Editora: Intrínseca
Autor: JP Delaney
Ano: 2017
Páginas: 336
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 3 estrelas