Resenha de O Bazar dos Sonhos Ruins – Stephen King


O Bazar dos Sonhos Ruins reúne 20 contos de Stephen King, que, mais uma vez, mostra toda sua criatividadeversatilidade. A maioria das histórias é inédita no Brasil, no entanto, algumas foram reescritas para serem relançadas na coletânea. Antes de cada conto, o leitor pode se deliciar com as introduções escritas pelo próprio autor, em que ele conta um pouco sobre os “bastidores” de cada história: inspirações, alterações na trama, contextos… Enfim, prato cheio para os fãs de Stephen King!

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Apesar de abordarem diversos temas e serem narrados com diferentes recursos, todos os contos têm o estilo inconfundível da escrita de Stephen King – ou seja, são capazes de aterrorizar, divertir e até emocionar! Sempre democrático, o autor não economizou na quantidade de assuntos abordados: vida após a morterealidade alternativa, criaturas misteriosas, dilemas morais, situações sobrenaturaissuperpoderes… Literalmente, de tudo um pouco!

Meus contos preferidos foram: A Duna, em que um homem descobre uma ilha onde nomes de pessoas que irão morrer em breve aparecem escritos na areia; UR, que fala sobre a existência de milhões de realidades alternativas – algumas bem assustadoras; Indisposta, um conto curto e sem muito propósito, mas com aquele final divertidamente aterrorizante; Obituários, que conta a história de um redator que descobriu o poder de assassinar pessoas ao escrever seus obituários (sim, com uma pegada totalmente Death Note); e Trovão de Verão, que retrata um cenário apocalíptico de maneira inquietante, porém sensível.

Outros contos que me chamaram a atenção foram Milha 81, que me lembrou bastante de CujoMoralidade, em que King coloca o conceito de moral (sempre presente em suas histórias) em perspectiva; e Vida após a morte, que, como o título já diz, especula sobre o que acontece depois que morremos. Enfim, O Bazar dos Sonhos Ruins tem todos os ingredientes principais das tramas assinadas por Stephen King. Ou seja, é boa leitura tanto para quem já ama o autor, quanto para quem quer conhecer um pouco sobre sua obra!

Título original: The Bazaar of Bad Dreams
Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
Ano: 2015
Páginas: 527
Tempo de leitura: 8 dias
Avaliação: 4 estrelas

Resenha de Último Turno (Bill Hodges #3) – Stephen King

Cinco anos se passaram desde que o diabólico Brady Hartsfield entrou em estado vegetativo. De acordo com os médicos, as possibilidades de recuperação são mínimas. No entanto, o Assassino do Mercedes descobriu uma maneira absurdamente assustadora de se vingar de seu inimigo, o detetive aposentado Bill Hodges, e instalar o caos em toda a cidade.

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Vamos à confissão da vez: eu li Último Turno em novembro de 2016, mas, por alguma razão misteriosa, simplesmente esqueci de escrever a resenha. O que é uma pena, porque eu gostei muito de como Stephen King encerrou a trilogia Bill Hodges. Por isso, esse post provavelmente não faz jus ao livro. Mas, como dizem, antes tarde do que nunca, não é?

Diferentemente de Mr. Mercedes e Achados e PerdidosÚltimo Turno engrena logo nos primeiros capítulos. O fato de já conhecermos bem os personagens com certeza contribui para a fluidez. No entanto, o que realmente faz com que fique difícil largar o livro é a forma como Stephen King desenvolve a história, misturando ingredientes de um bom thriller policial com toques sobrenaturais.

Assim como nos dois primeiros volumes, o leitor sabe praticamente de todos os lados da história. Mas é impossível não ficar curioso para saber como o autor irá explicar os acontecimentos extraordinários. E, no melhor estilo Stephen King, ele o faz. Extremamente doentio e sombrio, Último Turno mostra, sim, o pior lado humano (e também sobre-humano), mas não deixa de retratar a bondade, o amor e a lealdade – como King sabe bem fazer. E para tornar a obra um pouco mais leve, o autor lança mão de uma dose certeira de humor.

Com a responsabilidade de fechar a trilogia Bill Hodges, Último Turno segue em uma crescente. Na verdade, já começa em ponto de tensão, graças ao intrigante e inesperado desfecho de Achados e Perdidos. E, ao longo de suas 384 páginas, o livro chega ao clímax da história, que tem de tudo um pouco: drama, suspense, ação, humor… A verdade é que não poderia ter imaginado um final melhor para a série!

Título original: End of Watch
Editora: Suma de Letras
Volumes anteriors: Mr. Mercedes Achados e Perdidos
Autor: Stephen King
Ano: 2016
Páginas: 384
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Quem era ela – JP Delaney

A casa que ocupa o nº 1 da Folgate Street, em Londres, é uma obra-prima da arquitetura minimalista. Mas, para morar lá, é necessário passar por um exigente processo seletivo e seguir regras extremamente rígidas. Em busca de um novo recomeço, Jane logo se apaixona pela casa e é aprovada pelo arquiteto responsável pela construção. No entanto, logo depois de se mudar, ela descobre que Emma, a inquilina anterior, morreu exatamente ali, na Folgate Street, nº 1, e de maneira misteriosa. Obcecada pela verdade, Jane tenta descobrir a verdade, enquanto tenta evitar que a história de Emma não se repita com ela.

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Quando vi a capa e a sinopse de Quem era ela logo me lembrei dos livros de Harlan Coben. Então, essa foi minha referência de comparação durante a leitura. E, realmente, JP Delaney segue o mesmo estilo do autor, tanto de escrita, quanto de história. No entanto, deixa a desejar no quesito “mirabolância” (enquanto Coben, diga-se de passagem, até exagera), o que acho um desperdício quando se trata de um thriller.

Mas isso não quer dizer que Quem era ela não deixe o leitor louco de curiosidade. Aos poucos, as histórias de Jane e Emma se conectam, criando inúmeras possibilidades para a resolução do mistério. O que, ironicamente, acaba levando a um dos maiores defeitos da obra de JP Delaney: a tentativa de manipular o leitor. Digo “tentativa” porque o final apenas confirma a previsibilidade da história, sem causar aquele efeito “mind fuck”, que eu acho quase obrigatório em se tratando de thrillers.

De qualquer forma, Quem era ela é um livro facílimo de ler e não pode ser considerado uma perda de tempo. Porque, apesar de prometer mais do que cumpre, a história de JP Delaney é super envolvente e realmente intriga o leitor.

Título original: The girl before
Editora: Intrínseca
Autor: JP Delaney
Ano: 2017
Páginas: 336
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 3 estrelas

Resenha de Doutor Sono (O Iluminado #2) – Stephen King

Danny Torrance sobreviveu ao horror do Hotel Overlook. Mas é claro que um pesadelo como aquele deixaria sérias e duradouras sequelas. Décadas depois, Danny, agora Dan, luta para não seguir o mesmo caminho que o pai – o do alcoolismo e da violência. Quando, enfim, retoma o controle de sua vida, ele conhece Abra Stone, uma garota que, aos 12 anos, já é mais iluminada do que ele jamais foi ou será. E Dan terá que enfrentar todos os fantasmas do seu passado – inclusive o Overlook – para impedir que o pior aconteça a Abra.

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O Iluminado foi uma das minhas leituras favoritas de 2016. Então, foi inevitável querer ler Doutor Sono e descobrir o futuro da Danny. Mas também foi impossível não ter certo receio quanto à sequência de uma das histórias mais célebres de Stephen King. Como sempre, a curiosidade falou mais alto e decidi correr o risco. E apesar do início levemente arrastado, não é que Doutor Sono superou minhas expectativas?

É claro que tudo o que aconteceu no Hotel Overlook serve de pano de fundo para a continuação de O Iluminado. No entanto, apesar de estar inevitavelmente ligado ao primeiro livro, o segundo também consegue ser independente e contar uma nova história. A obra gira em torno do passado de Dan e do futuro de Abra, que pode não existir, graças ao Verdadeiro Nó (uma tribo que se alimenta da morte de crianças como ela). A trama é narrada sob três pontos de vista (Dan, Abra e Verdadeiro Nó), o que torna o leitor onisciente, curiosamente aumentando a tensão da leitura.

Em Doutor Sono, Stephen King mostra mais uma vez que é especialista em criar histórias assustadoras e, ao mesmo tempo, emocionantes. Em O Iluminado, é a relação de Danny e Dick Hallorann que retrata a lealdade e a compreensão que podem existir entre duas pessoas. Já na sequência, a missão cabe a Dan e Abra, que não deixam a desejar. E, como sempre, é isso que faz com que Doutor Sono (e todas as obras do autor) não seja apenas um bom livro de terror, mas também uma ótima história sobre companheirismo e amor.

Doutor Sono é também um grande thriller. A tensão está presente em toda a leitura, mas, no confronto final, se eleva a um novo patamar – e fica difícil largar o livro! A trama também surpreende com plot twists realmente inesperados, mas que acabam fazendo todo o sentido e explicando boa parte do enredo. Mas, como de costume quando o assunto é Stephen King, Doutor Sono não é para qualquer um. Isso porque é preciso se entregar completamente à história, mergulhando nas realidades paralelas que só King é capaz de criar.

Título original: Doctor Sleep
Volume anterior: O Iluminado
Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
Ano: 2013
Páginas: 480
Tempo de leitura: 7 dias
Avaliação: 4 estrelas

Resenha de Jantar Secreto – Raphael Montes

Cheios de sonhos, os amigos de infância Dante, Miguel, Leitão e Hugo se mudam de Pingo D’Água, no Paraná, para o Rio de Janeiro para fazer faculdade. Depois de formados, no entanto, nenhum deles está exatamente onde gostaria e manter o apartamento alugado em Copacabana se torna cada vez mais difícil. Como Hugo é chef de cozinha, os amigos têm a ideia de oferecer jantares e, assim, arrecadar o dinheiro que precisam para quitar as dívidas. Na hora de cadastrar no anúncio na internet, porém, Leitão decide fazer uma brincadeira, trocando a carne de boi pela humana. O menu acaba chamando a atenção de pessoas dispostas a pagar caro pelo prato, e aos amigos não resta outra alternativa que não realizar o jantar – que se acabou se tornando extremamente secreto.

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Conheci o trabalho de Raphael Montes com Dias Perfeitos, um ótimo thriller psicológico, mas que deixa um pouco a desejar no quesito surpresas. Já O Vilarejo, que reúne sete contos (um para cada pecado capital), é o típico livro de terror, com muito sangue, finais surpreendentes e foco nas fraquezas e loucuras do homem. E Jantar Secreto combina o melhor dos dois mundos: a atmosfera real com o toque sanguinário; o extremo do comportamento psicopata somado à sutileza da sordidez quase inerente ao ser humano; a descontração do humor negro ao peso sombrio do macabro; e o contexto da história às surpresas ao longo da trama. O resultado é um livro muito bem construído e difícil de largar.

Desde o início (da sinopse, inclusive), o jantar não é nada secreto para o leitor. E é aí que os personagens tridimensionais de Raphael Montes fazem toda a diferença. Se Hugo e Leitão se mostram egoístas, pouco confiáveis e, muitas vezes, detestáveis, Miguel é pura dualidade e “peca” pela ingenuidade. Já Dante é completamente real e representa o mais próximo de uma “pessoa normal” dentro da história: com a corda no pescoço, topa o absurdo do jantar secreto, mas nunca deixa de se questionar.

Mais do que um thriller com toque de terror, Jantar Secreto é também um retrato da geração atual e da alta sociedade do Rio de Janeiro. Além disso, propõe uma interessante reflexão sobre o consumo de carne. Não de uma forma que levanta a bandeira do vegetarianismo, mas sim do ponto de vista “biológico” da questão: se a morte é inevitável, será que existe tanta diferença  assim entre consumir carne humana ou animal?

Título original: Jantar Secreto
Editora: Companhia das Letras
Autor: Raphael Montes
Ano: 2016
Páginas: 368
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de O Livro dos Baltimore – Joël Dicker

Durante a infância e a adolescência, Marcus Goldman viveu momentos inesquecíveis em Baltimore, junto ao lado bem-sucedido da família. Com os primos Hillel e Woody, ele conheceu a amizade e a lealdade que jamais encontraria novamente. Nos tios Saul, seu grande ídolo, e Anita, ele via a beleza da dignidade, da elegância e do amor inabalável. O que Marcus e os Goldman-de-Baltimore não sabiam é que o Drama acabaria com tudo, transformando o sucesso e o glamour em cinzas e decadência. Oito anos depois, já um escritor de sucesso, Marcus decide escrever um livro sobre os tios e primos. Mas, para isso, é necessário revisitar o passado e desencavar segredos sobre aqueles que mais amava.

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Em O Livro dos Baltimore, que mistura passado e presente, conhecemos um lado mais “pessoal” de Marcus Goldman, também protagonista de A verdade sobre o caso Harry Quebert. E se me conquistou com Harry Quebert, Joël Dicker me arrebatou com o novo romance. Mais uma vez, o autor mostra que é dono de uma escrita elegante, porém fluida; detalhada, mas nunca cansativa. E com personagens extremamente complexos e cativantes, contextualiza o enredo, prolonga o suspense e alimenta a expectativa, mas nunca “enrola” o leitor. E é por isso que, também novamente, o resultado é muito mais do que um romance, um suspense ou um drama. É uma história palpável, quase real, justamente porque tem de tudo um pouco, assim como a vida.

Se em Harry Quebert, Dicker nos apresenta a lealdade inabalável de Marcus a Harry, em O Livro dos Baltimore, conhecemos a cumplicidade e a admiração que o protagonista nutre aos Goldman-de-Baltimore. E é por meio dos sentimentos de Marcus em relação aos tios e primos que o autor retrata as linhas tênues que existem entre admiração e inveja, exemplo e competição, auto-confiança e vaidade, obstinação e teimosia. No entanto, é também no meio de tudo isso que encontramos a lealdade incondicional, o amor inabalável e a admiração que contemplam o que as pessoas têm, sim, mas acima de tudo, o que elas são.

Embora tenha lido bons livros nos últimos meses, já fazia um bom tempo que eu estava em busca de um que me arrebatasse. E confesso que, apesar de ter adorado A verdade sobre o caso Harry Quebert, não esperava que a trama arrebatadora que eu procurava estivesse em O Livro dos Baltimore. A história de Marcus e os Goldman-de-Baltimore é amor e traição, é delicadeza e brutalidade, é mentira e honestidade, é passado e presente, é efemeridade e para sempre, é emoção e mais emoção. É sobre o quanto dói aceitar que nem mesmo aqueles que mais amamos são perfeitos. E sobre o quanto é reconfortante saber que, ainda que imperfeitos, continuam sendo aqueles que mais amamos.

Título original: Le Livre des Baltimore
Editora: Intrínseca
Autor: Joël Dicker
Ano: 2015
Páginas: 412
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

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A Garota no Trem – Paula Hawkins

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Todo os dias, Rachel pega o trem para Londres, de onde observa um casal que, para ela, é o símbolo do amor perfeito. No entanto, Rachel faz uma descoberta que pode mudar não apenas sua opinião sobre Jess e Jason (como ela batizou o casal), como também suas vidas. E isso fica mais do que óbvio quando, poucos dias depois, ela se depara com a notícia de que Jess, que na verdade é Megan,está desaparecida. Mas será que alguém irá dar atenção ao que Rachel tem a dizer, depois de tudo o que já fez e já passou?

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A Garota no Trem entrou para minha lista de leituras logo após o lançamento aqui no Brasil, em julho de 2015. Mas, depois de ler alguns comentários negativos sobre a obra de Paula Hawkins, acabei deixando-a para lá. Eis que, há pouco tempo, a Karina, do Cotidiano Aleatório, devorou o livro, ressuscitando minha curiosidade e fazendo com que eu decidisse dar uma chance à história – até porque a adaptação cinematográfica também seria lançada em breve. E fiquei feliz por ter mudado de ideia, já que trata-se de um thriller para ninguém botar defeito!

A escrita de Paula Hawkins é surpreendentemente fluida, o que deixa o livro de certa forma mais leve e faz com que devorar a obra seja inevitável. A maioria dos comentários negativos que li em relação a A Garota no Trem eram sobre a personalidade irritante de Rachel. No entanto, posso dizer que, apesar de me irritar fácil com personagens, a protagonista da vez não me tirou do sério. Pelo contrário! Justamente por seus defeitos e problemas, ela me cativou. É verdade que, às vezes, dá vontade de dar um chacoalhão em Rachel, mas, para mim, foi muito mais empatia do que irritação.

Outra coisa que dizem é que A Garota no Trem lembra Garota Exemplar. Sim e não. O fato de termos uma mulher desaparecida e um marido suspeito nos leva automaticamente a pensar em Amy e Nick Dunne. No entanto, nenhum dos dois aspectos é exclusividade ou inovação da obra de Gillian Flynn. Então, para mim, a maior similaridade entre as duas tramas é o fio condutor, que as transforma em mais do que uma história de crime: enquanto Garota Exemplar disseca a vida a dois, A Garota no Trem aborda a relação das mulheres com a maternidade.

Paula Hawkins narra a história sob três pontos de vista e, assim, manipula o leitor durante todo o livro. Aos poucos, os fragmentos da verdade sobre o crime se conectam, presenteando o leitor com uma trama surpreendente e muito bem amarrada. A única coisa que acho que poderia ter sido melhor desenvolvida é o final. De qualquer forma, A Garota no Trem é uma ótima pedida para os amantes de thrillers e suspenses.

Título original: The Girl on the Train
Editora: Record
Autor: Paula Hawkins
Ano: 2015
Páginas: 378
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 4 estrelas