Resenha de Battle Royale – Koushun Takami

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Todo ano, o governo totalitário da República da Grande Ásia Oriental organiza uma disputa sangrenta, em que 42 adolescentes da mesma turma escolar devem matar uns aos outros, até que apenas um, que será o vencedor do Programa, sobreviva. A participação dos estudantes não é voluntária e nenhum deles sabe que será um dos competidores até que estejam na isolada ilha que servirá de cenário para a batalha. Quando chegam lá, os estudantes são recebidos pelo sádico e impiedoso Kinpatsu Sakamochi, o administrador do Programa, que tem o prazer de anunciar as rígidas regras e instruções. Antes da batalha começar, os adolescentes recebem um kit de sobrevivência, onde estão, além de água e pão, as diferentes armas que devem usar para matar os colegas.

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Tensão. Esta é a palavra que melhor define Battle Royale. É evidente que, dada a premissa da história, já era de se esperar que este fosse um dos ingredientes fundamentais da trama, mas Koushun Takami consegue levar o leitor praticamente ao limite ao explorar ao máximo os acontecimentos e transformar a disputa, que durou menos de três dias, em mais de 600 páginas. Battle Royale é narrado em terceira pessoa e, embora foque mais em Shuya, Noriko e Shogo, transita pela história de todos os personagens e contextualiza os acontecimentos da batalha por meio de uma análise mais profunda do passado de alguns.

Além da narrativa onisciente e das tragédias sempre iminentes, outro fator que torna Battle Royale um thriller perfeito é a construção dos capítulos, que quase sempre têm o tamanho ideal e, na maioria das vezes, culminam em um cliffhanger enervante e que só será resgatado um ou dois trechos adiante. Outro ponto interessante é a forma com que Koushun Takami, por meio da narrativa em terceira pessoa, explora o que se passa na mente de vários personagens nesta extrema situação: enquanto alguns se mantém fiéis ao desejo de não matar os colegas, outros decidem seguir as sórdidas regras da batalha para sobreviver – e há ainda aqueles que enlouquecem e cedem à paranoia.

Assim como muitas pessoas, meu interesse em relação a Battle Royale surgiu depois de ter lido a trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, que gerou muita polêmica e chegou a ser acusado de plágio pelos leitores de Koushun Takami – falo mais disso aqui. Entre diferenças e similaridades, ambas as obras fazem uma crítica à sociedade do espetáculo e ao universo dos reality shows, que, em 1997, quando Battle Royale foi escrito, ainda engatinhava, mas, em 2008, quando foi lançado Jogos Vorazes, já começava a dominar os canais de televisão. No entanto, a obra de Koushun Takami é muito mais cruel e sangrenta e, sem triângulos amorosos propriamente ditos, dramas familiares e embates diretos com o governo, foca na batalha em si, em uma metáfora extrema, nua e crua à necessidade de confiar e desconfiar para sobreviver.

Título original: Battle Royale
Editora: Globo
Autor: Koushun Takami
Ano: 1999
Páginas: 664
Tempo de leitura: 3 meses*
Avaliação: 5 estrelas

*Como Battle Royale tem mais de 600 páginas, optei por lê-lo apenas em casa, intercalando-o com outros livros. A ideia era ler pelo menos um capítulo por dia, mas isso nem sempre aconteceu, por isso a demora em terminar a leitura.

**Em 2000, Battle Royale foi adaptado ao cinema – no Brasil, o longa recebeu o título de Batalha Real. Apesar de não ser uma produção Hollywoodiana, a adaptação foi elogiada por ninguém menos do que Quentin Tarantino, que, em 2009, a classificou como o melhor filme das duas últimas décadas. 

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17 pensamentos sobre “Resenha de Battle Royale – Koushun Takami

  1. Oi, Ná!!

    Estou muito curiosa pra ler esse livro dp do seu comentário sobre JV. Não vejo a hora de ir pegar o meu.
    Provavelmente vou aceitar o desafio de carregá-lo por aí, já que não leio em casa.

  2. Nossa vi o trailler e já fiquei :O
    Não é a toa q Tarantino curtiu… kkkkkk
    Não tem como não ficar decepcionada com a Collins dps de saber td, ainda bem q não leu antes da trilogia dela, se não a indignação, acredito eu, seria pior.
    Mas não lerei, apenas verei o filme.

    Bjo

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