Resenha de Crave a marca – Veronica Roth

Em uma galáxia onde quase todos são beneficiados pelo dom da corrente, Cyra e Akos desenvolvem poderes que parecem não trazer muitas vantagens. O de Cyra pode matar, mas também causa dores que a impedem de viver em paz. Para piorar a situação, seu irmão, o poderoso soberano shotet Ryzek, a usa como instrumento de tortura contra seus inimigos. Já Akos é capaz de interromper a corrente e, depois de sequestrado pelos shotet, decide se unir a Cyra para ter uma chance de resgatar o irmão.

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Divergente é, ao lado de Jogos Vorazes, minha série distópica favorita (três anos se passaram, e eu ainda não consegui decidir qual amo mais). Então, foi impossível não elevar as expectativas em relação a Crave a marca, mesmo sabendo que ele dificilmente se igualaria ao best-seller de Veronica Roth. No entanto, nem mesmo nos meus piores pesadelos, eu imaginaria uma história tão previsível e fraca.

Apesar de Crave a marca não ser uma distopia, as semelhanças com Divergente são óbvias. Primeiro, com a criação de diferentes planetas e sociedades. Embora não segreguem tanto quanto as facções, os habitantes/membros de cada um têm características específicas e personalidades semelhantes. Depois, e principalmente, com Avok e Cyra. Os protagonistas estão longe de ser complexos e tridimensionais como Four e Tris. Mas, para mim, é evidente que a autora tentou recriar o casal de Divergente. E o resultado deu a sensação de uma cópia barata, que, definitivamente, não funcionou. O que mais me incomodou foi a “síndrome do mocinho” de Avok e Cyra, que têm “medo” da capacidade que têm de ferir e matar as pessoas. Alguém lembra dos dilemas de Four e Tris (especialmente ela, em Insurgente)?

A primeira informação sobre Crave a marca era que o novo livro de Veronica Roth teria uma pegada Star Wars. Independentemente de ser coerente ou não, essa comparação sempre será um tiro pela culatra. Afinal, trata-se de uma das franquias mais bem-sucedidas de todos os tempos, que tem os fãs mais “chatos” do mundo. Então, não existe razão para gerar (mais) uma expectativa que nunca será atendida. No entanto, esse foi o primeiro chamariz de Crave a marca e, óbvio, só piorou a situação. Não é só porque a história se passa em outra galáxia, com a disputa entre “o bem e o mal”, e tem um wannabe de Kylo Ren, que podemos compará-la a Star Wars.

Para completar a tragédia, Crave a marca é previsível em tudo: traições, mortes, dramas, confabulações, romance, reencontros… TUDO! Parece que Veronica Roth reuniu as histórias do gênero e decidiu seguir a mesma fórmula e usar todos os clichês. Além disso, tudo é muito conveniente e, em nenhum momento, senti aquela tensão “gostosa” ou a curiosidade de saber o que iria acontecer depois. E sabe aquela vontade de nunca mais largar o livro? Pois é, não se aplica a Crave a marca – pelo contrário, chegar ao fim foi um suplício. Só não dei uma estrela para a obra porque, apesar de todos os problemas no enredo, Veronica Roth escreve muito bem. E com tudo isso, acho que fica claro o quanto detestei Crave a marca e que as chances de eu terminar a série são nulas.

Título original: Carve the mark
Editora: Rocco
Autor: Veronica Roth
Ano: 2017
Páginas: 480
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 2 estrelas

A Coroa (A Seleção #5) – Kiera Cass

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Por pressão do povo de Illéa, Eadlyn é obrigada a iniciar a própria Seleção, mesmo acreditando que jamais será capaz de encontrar o amor verdadeiro entre os 35 rapazes escolhidos. É claro que a princesa descobre estar enganada, no entanto, a escolha será muito mais difícil do que imaginava. E como se tudo isso não bastasse, Eadlyn ainda terá que aprender a lidar com o fato de ter que governar um país.

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Eu nunca fui a favor de A Herdeira e A Coroa, mas, no quarto livro da série, Kiera Cass mostrou que, fazendo certo esforço, até que encontrávamos sentido nestas continuações. Eis que no último livro (que eu não acredito que seja realmente o último), meus medos se tornaram realidade. A America me irritou bastante nos três primeiros volumes, mas a personalidade dela sempre pareceu espontânea e genuína. Já Eadlyn, além de ser pretensiosa, é falsa humilde, o que me irrita ainda mais do que ser cabeça dura como a mãe.

E se Maxon foi o grande responsável por eu me apaixonar por A Seleção, também foi ele que tornou A Herdeira A Coroa mais fáceis de engolir. Isso porque nenhum pretendente de Eadlyn e nenhum personagem secundário é cativante o suficiente para roubar a cena e realmente marcar o leitor. No final das contas, as melhores cenas ainda são protagonizadas por Maxon.

De qualquer forma, Kiera Cass sabe como escrever tramas fluidas e, em A Coroa, a história não é diferente. No entanto, preferia que a leitura fosse um pouco mais truncada, em troca de reviravoltas e surpresas pelo meio do caminho. Previsível da primeira à última página, o quinto volume de A Seleção deixa a desejar na missão de realmente envolver o leitor com a história e oferece um “felizes para sempre” raso e sem emoções.

Título original: The Crown
Editora: Seguinte
Volumes anteriores: 
A Seleção A Elite, A Escolha e A Herdeira
Leituras complementares: Contos de A Seleção e Felizes para sempre
Autor: Kiera Cass
Ano: 
2016
Páginas:
310
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 
3 estrelas
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Felizes para sempre – Kiera Cass

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Felizes para sempre é a antologia de contos da série A Seleção e, além de O Príncipe O Guarda, que já estavam em Contos da Seleção, traz também A Rainha, A Favorita, Cenas de Celeste, A Criada e Depois de A Escolha (epílogo bônus). Quando vi o livro pessoalmente pela primeira vez, quase morri com tanta beleza. Além da capa que segue o padrão impecável de todas as outras (a minha edição é hardcover <3), o livro conta com ilustrações simplesmente incríveis e que retratam com perfeição a atmosfera mágica e glamourosa que envolve o palácio de Illéa.

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Agora, vamos aos contos. A Rainha conta um pouco sobre a Seleção do rei Clarkson, sob o ponto de vista de Amberly, que seria a escolhida. Na introdução, Kiera Cass afirma que o conto “diminui um pouco a figura” da rainha e ela estava certíssima. Além de mostrar que o rei Clarkson sempre foi violento, machista e elitista, a história retrata uma Amberly apaixonada de forma incondicional e muito mais passiva do que imaginamos ao ler os três primeiros livros da série – mas, afinal, de que outra maneira ela poderia aguenta o rei por tanto tempo? De qualquer forma, se Maxon é gentil, generoso e justo como de fato é, a responsabilidade é toda dela.

Ame a si mesmo um pouco mais, até não aguentar mais a vida sem amar alguém.

A Favorita conta a história de Marlee, que participou da Seleção de Maxon e se tornou a melhor amiga de America. O conto foca em como a Selecionada conheceu e se apaixonou pelo soldado Woodwork e revela o que aconteceu antes, durante e depois do açoitamento público dos dois. A Favorita é fofo e perfeito para quem ama romances e histórias de amor proibido, mas achei um pouco melodramático demais para o meu gosto. Eu já havia lido O Príncipe e O Guarda no ano passado, então, não os li novamente. Mas eles são os mais longos e realmente nos levam a conhecer e compreender um pouco melhor Maxon e Aspen – e, se você ainda estiver dividida entre eles, a se decidir de que time é.

A Criada é o último conto de Felizes para sempre e, para mim, foi o mais interessante, já que narra como Lucy reagiu ao descobrir a história entre Aspen e America. Além dos contos, o livro traz as Cenas de Celeste, que tinham potencial para ser a melhor parte da obra. Isso porque passamos os três primeiros livros da série odiando Celeste loucamente e, no final de A Escolha, ela consegue se redimir. E as cenas seriam uma ótima maneira de mostrar a evolução da personagem e o que a motivou a se regenerar, no entanto, são muito curtinhas e tudo acaba se tornando um pouco superficial. Uma pena!

Depois de A Escolha é o epílogo do terceiro livro da série e nos mostra um pouco da vida de America e Maxon dois anos após o final da Seleção. O clima é de felicidade total e justifica o título, ainda que a história continue quase 20 anos depois, com novas questões e problemáticas, em A Herdeira. Enfim, Felizes para sempre é uma ótima leitura complementar para quem gosta da série A Seleção e a maneira perfeita de matar aquela saudade que sentimos do Maxon!

Título original: Happily Ever After
Editora: Seguinte
Volumes da série: A SeleçãoA Elite, A EscolhaA Herdeira e A Coroa
Autor: Kiera Cass
Ano: 
2015
Páginas:
446
Tempo de leitura:
 2 dias
Avaliação: 
3 estrelas

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Caixa de Pássaros – Josh Malerman

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Malorie levava uma vida tranquila quando um estranho fenômeno matou grande parte da população mundial. Tudo começou com misteriosos casos na Rússia, em que pessoas enlouqueciam sem razão aparente e, fora de controle, cometiam assassinatos para, em seguida, se suicidar. Acreditava-se que criaturas assustadoras, cujas dimensões iam além da compreensão humana,  eram as responsáveis pelos surtos e, por isso, os sobreviventes passaram a manter os olhos vendados. Antes das ruas ficarem absolutamente desertas, Malorie correu para um abrigo com pessoas desconhecidas e, junto com seus dois filhos pequenos, foi uma das poucas sobreviventes da “pandemia”. Cinco anos depois do início do caos, ela decide deixar a casa isolada onde vive e ir para um abrigo bem estruturado e, com sorte, oferecer um futuro melhor para as crianças. No entanto, as criaturas estão mais livres do que nunca e, para chegar ao abrigo, Malorie precisará dos ouvidos bem treinados dos filhos, além de toda a coragem que for capaz de reunir.

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Caixa de Pássaros é tensão e mistério do começo ao fim. Josh Malerman alterna passado e presente, narrando desde o início dos suicídios até a fuga de Malorie cinco anos depois, sempre mantendo o suspense em torno da verdade por trás do caos. Os personagens passam mais da metade da história com os olhos fechados ou vendados, mas, irônica e surpreendentemente, Caixa de Pássaros é um livro que aguça a imaginação, nos fazendo criar e recriar a realidade nesse cenário pós-apocalíptico.

Um dos grandes pontos positivos de Caixa de Pássaros é a tridimensionalidade de Malorie: a protagonista não se destaca por sua coragem e heroísmo, mas sim por ser extremamente humana e real e, consequentemente, dona de falhas, méritos, medos e dúvidas. Em muitos momentos, será automático julgar e até recriminar o comportamento de Malorie, especialmente em relação aos filhos. No entanto, se o leitor fizer o exercício de realmente se colocar no lugar da protagonista, entender e, em alguns momentos, até relevar será mais fácil.

Embora só tenha ouvido elogios sobre Caixa de Pássaros, algumas pessoas comentaram que não gostaram do final, enquanto outras defenderam que o livro tenha uma continuação. Então, durante a leitura, prestei bastante atenção nestes dois pontos. Sobre a sequência, sou veementemente contra, já que não acho interessante saber o que acontece após o final do livro. Já o desfecho, admito que é um pouco anticlímax, já que nem todas as perguntas recebem respostas. No entanto, achei adequado e, apesar de deixar aquele gostinho de “queria saber mais”, nos faz entender que o medo, a coragem, a loucura e, principalmente, a verdade nunca são universais.

Título original: Bird Box
Editora: Intrínseca
Autor: Josh Malerman
Ano: 2014
Páginas: 272
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 4 estrelas

Se você gostou de Caixa de Pássaros, leia também Estação Onze, de Emily St. John Mandel.

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Estação Onze – Emily St. John Mandel

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A atriz mirim Kirsten Raymonde tinha apenas 8 anos quando presenciou a morte do ator Arthur Leander, vítima de um ataque cardíaco durante uma apresentação de Rei Lear. Assim que percebeu o mau súbito de Arthur, o ex-paparazzo e então paramédico, Jeevan Chaudhary, invadiu o palco a fim de reanimá-lo, mas não obteve sucesso. Naquela mesma noite, a Gripe da Geórgia se espalhou com velocidade e letalidade jamais vistas, levando o mundo a um estado de pandemia sem precedentes. Em um cenário completamente destruído, os poucos sobreviventes do que passou a ser chamado de Calamidade tiveram que aprender a viver em condições precárias. Vinte anos depois, Kirsten é  uma das integrantes da Sinfonia Itinerante, que interpreta as obras de Shakespeare em pequenas comunidades de sobreviventes. Durante uma das viagens, o grupo conhece um homem que se autointitula O Profeta e que cava sepulturas para quem decide deixar sua cidade. E, então, o cenário que já era inóspito os torna ainda mais vulneráveis.

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Eu confesso que não tinha planos de ler Estação Onze, mas, após receber um exemplar da Intrínseca, pesquisei sobre o livro e me interessei. A história é narrada em terceira pessoa sob os pontos de vista de vários personagens e vai e volta em uma linha do tempo de cerca de 50 anos. Então, para não perder o fio da meada, é preciso prestar muita atenção e, talvez por isso, a leitura demore um pouco para engrenar – no entanto, quando engrena, é difícil parar. Ao longo do livro, Emily St. John Mandel conecta todas as histórias, em todas as épocas, de maneira surpreendente, mas completamente plausível.

Primeiro, só desejamos ser vistos, porém quando somos vistos, isso já não é mais suficiente. Depois, queremos ser lembrados.

Como toda distopia, Estação Onze tem aquele lado “divertido” que nos mostra como seria o mundo sem itens que parecem tão básicos e indispensáveis hoje em dia, como celular, internet e computador. No entanto, diferente da maioria dos livros do gênero, o de Emily St. John Mandel se passa apenas 20 anos após o apocalipse e, por isso, a maioria dos personagens ainda se lembra de como era o mundo como o conhecemos atualmente, o que causa um impacto e, portanto, uma reflexão ainda maiores.

O inferno é a ausência das pessoas de quem temos saudade.

Pandemia, devastação, apocalipse e conspiração à parte, Estação Onze celebra a eternidade das palavras por meio das histórias de Shakespeare (e do Dr. Onze), que atravessaram gerações e mais gerações por quase 500 anos e que, mesmo após a Calamidade, continuaram a se propagar e encantar. Ler Estação Onze me fez pensar muito sobre as guerras e catástrofes que muitos de nós só vemos pela TV e chegar à conclusão de que sobreviver pode não ser suficiente, mas, com tantos pequenos apocalipses diários pelo mundo todo, será que não estamos sempre mais do que sobrevivendo, de alguma forma?

Título original: Station Eleven
Editora: Intrínseca
Autor: 
Emily St. John Mandel
Ano: 2014
Páginas: 320
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 4 estrelas

Se você gostou de Estação Onze, leia também Caixa de Pássaros, de Josh Malerman.

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A Herdeira – Kiera Cass

PODE CONTER SPOILERS DE A SELEÇÃO, A ELITEA ESCOLHA!

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Vinte anos se passaram desde a Seleção que uniu Maxon e America e, como rei e rainha de Illéa, os dois conseguiram eliminar o sistema de castas e trazer a paz de volta ao país. Agora, Maxon e America tem a responsabilidade de preparar a primogênita, a princesa Eadlyn, para assumir o trono em breve. Aos 18 anos, Eadlyn se dedica ao trabalho em tempo integral, é inteligente, orgulhosa e teimosa ao extremo, além de não ter a menor vontade de se apaixonar e casar. No entanto, quando o povo de Illéa começa a se rebelar contra a monarquia, ela é obrigada a ir contra os seus princípios e ser o centro das atenções de uma nova Seleção.

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Assim que a sinopse de A Herdeira foi divulgada, em 2014, eu tive duas preocupações: 1. “encontrar” Maxon quarentão; 2. e ler uma “reprise” dos três livros anteriores. Ok, vamos por partes. Realmente é muito estranho pensar em Maxon e America como adultos com filhos e tudo o mais, mas acredito que Kiera Cass tenha feito um bom trabalho. Nos 20 anos que se passaram, America amadureceu muito e deixou de ser a adolescente cabeça dura que era para se tornar uma mulher digna do posto de rainha. Já Maxon manteve todas as características que me me fizeram ser #TeamMaxon para sempre (hehehe), mas com uma aura ainda mais responsável e, agora, paternal.

Há coisas sobre nós mesmos que só aprendemos quando deixamos alguém se aproximar de verdade.

Sobre as semelhanças entre as tramas dos três primeiros livros e A Herdeira, realmente elas existem, mas não foi algo que me incomodou muito, principalmente porque a autora foi capaz de fazer Eadlyn bem diferente da America jovem. Por ter nascido na realeza e ter sido criada com tudo e todos a seu dispor, Eadlyn é mimada e egocêntrica, mas também é muito forte e tem ideias feministas, uma das grandes sacadas de Kiera neste quarto volume da série. A princesa também é bastante tridimensional, assim como America e Maxon eram, e ao mesmo tempo em que se considera poderosa e independente, também se sente subestimada e pressionada, em aspectos profissionais e pessoais, por ser mulher.

Não sei se acredito em destino. Mas posso dizer que às vezes aquilo que você mais deseja vai cruzar sua porta determinado a te evitar a qualquer custo. E, ainda assim, de algum jeito, você descobre que é suficiente para fazê-lo ficar.

Assim como nos três livros anteriores, Kiera peca por não desenvolver assuntos pertinentes e que poderiam resultar em ramificações interessantes, como a própria questão do feminismo/machismo e as facetas da sociedade do espetáculo. A Herdeira também deixa um pouco a desejar em relação aos jogos políticos que, nos outros volumes, são bem desenvolvidos com a guerra velada entre America e o rei Clarkson. No entanto, este é um ponto que – espero – ainda pode ser muito bem explorado no próximo livro da série, já que o quarto foca especificamente na Seleção e nas descobertas que Eadlyn faz sobre si mesma.

Desejo que você encontre o amor, Eadlyn. Um amor inconsequente, incansável, que a consuma.

Apesar de não ter grandes novidades em relação aos volumes anteriores e, definitivamente, não contar com personagens (aka Maxon) tão cativantes, A Herdeira vale como uma leitura fluida e agradável, perfeita para passar o tempo sem precisar pensar demais. O desfecho guarda algumas surpresas e deixa o caminho completamente em aberto para o próximo volume.

Título original: The Heir
Editora: Seguinte
Volumes anteriores: 
A Seleção A Elite A EscolhaFelizes para sempre e A Coroa
Leituras complementares: O Príncipe, O GuardaA Rainha A Favorita (publicação prevista para outubro de 2015)
Autor: Kiera Cass
Ano: 
2015
Páginas: 
387
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 
3 estrelas

O que restou de mim – Kat Zhang

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No futuro, todos nascem com duas almas, que, até certa idade, se alternam no controle do corpo. Aos poucos, uma delas se revela dominante e, ainda na infância, passa a ser a única “habitante”. As pessoas cujas almas recessivas nunca vão embora são chamadas de híbridas e consideradas inconstantes e, portanto, perigosas. Eva e Addie nunca se definiram e ainda dividem o mesmo corpo, embora apenas Addie tenha o controle sobre ele. Para garantir a segurança, as duas mantém o fato em segredo, mas quando Eva descobre que existe uma forma de voltar a se movimentar, elas começam a correr perigo.

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Fiquei curiosa para ler O que restou de mim assim que vi a capa e li a sinopse. No entanto, confesso que, quanto mais a leitura avançava, mais decepcionada eu ficava. Para começar, nenhum personagem, muito  menos as protagonistas, é muito carismático ou envolvente e a história demora bastante para engrenar – e quando o faz não é exatamente a mais empolgante e imprevisível. Talvez eu esteja um pouco saturada de distopias, mas acredito que, de qualquer forma, a trama desenvolvida por Kat Zhang não seja realmente muito cativante.

No entanto, para mim, a falha mais grave de O que restou de mim é o fato da autora não ter aproveitado uma das maiores vantagens das distopias e fantasias, que é poder criar um mundo completamente novo, em que praticamente tudo pode ser explicado por processos científicos que não necessariamente fazem sentido na vida real. Zhang quase abre mão deste artifício e deixa o leitor com dúvidas que, na minha opinião, deveriam ser sanadas logo no primeiro volume da série, como por exemplo: qual a finalidade de cada corpo nascer com duas almas?

E para não dizer que apenas critiquei O que restou de mim, há que se ressaltar que os principais atrativos do livro são a disputa, ainda que involuntária e velada, entre Addie e Eva e o conflito de sentimentos de ambas. No final das contas, ainda não decidi se irei continuar a leitura da saga ou se vou parar por aqui. De qualquer forma, não é um  livro que indico para os amantes de distopias.

Título original: What’s Left of Me
Editora: Galera Record
Volumes seguintes: Once We WereEchoes of Us (ainda não publicados no Brasil)
Autor: Kat Zhang
Ano: 2012
Páginas: 320
Tempo de leitura: 7 dias
Avaliação: 3 estrelas