Entrevista com Jennifer Niven, autora de Por Lugares Incríveis

Existem livros que nos emocionam, se tornam inesquecíveis e até favoritos. E existem outros que nos destroem por dentro, porque nos tocam de maneira extremamente profunda e pessoal. Por Lugares Incríveis foi assim para mim.

Tive o prazer de conhecer Jennifer Niven no Encontro de Blogueiros da Companhia das Letras e tive a certeza de que ela é tão (ou ainda mais)  gentil, humilde e atenciosa quanto parece nas redes sociais. Alguns dias depois do Encontro, entrei em contato com a autora na esperança de conseguir uma entrevista para o blog. Confesso que não estava muito esperançosa (afinal, Jennifer está “apenas” adaptando seu livro para Hollywood). E qual não foi a minha surpresa quando ela topou e, depois, respondeu às minhas perguntas com toda a paciência e dedicação?

Conversamos sobre Por Lugares Incríveis, o Finch da vida real, a adaptação para o cinema, seu novo livro, Juntando os pedaços, influências e inspirações literárias e a importância dos livros de young adult para a discussão de assuntos tão delicados quanto importantes. Fazer essa entrevista foi muito gratificante, pois Por Lugares Incríveis significa muito para mim por ter me ajudado a entender e aceitar melhor questões muito pessoais. Então, espero que vocês também gostem <3

– Você sempre amou escrever e criar histórias. De alguma forma, você sempre soube que iria viver disso?
Quando eu era criança, sabia que escrever era o que eu mais gostava de fazer. Minha mãe (Pamela Niven) também também era escritora e tínhamos nossa “hora de escrever” – ela sentava em sua mesa, eu na minha e, juntas, escrevíamos nossas histórias individuais. Eu acho que parte de mim sempre soube que eu iria crescer e me tornar escritora. Mas, por um longo tempo, eu realmente quis ser uma rock star.

– Quando escreveu Por Lugares Incríveis, você imaginou que o livro se tornaria esse sucesso?
Eu não tinha ideia. Eu escrevi a história porque precisava escrevê-la. Anos atrás, eu amei um garoto como Finch e esse foi o meu jeito de escrever sobre a experiência. Desde que Por Lugares Incríveis foi lançado, tenho ouvido de milhares e milhares de leitores ao redor do mundo que eles se enxergaram na história. Eu pensei que estava escrevendo para mim – para me ajudar a me sentir menos sozinha -, mas, na verdade, eu estava escrevendo para eles, para lembrá-los que não estão sozinhos.

Por Lugares Incríveis é um livro maravilhoso, que tocou muitas pessoas ao redor do mundo. Como é para você dividir uma história tão forte e pessoal?
Foi assustador no começo. Minha relação com o garoto que eu amava foi mágica de muitas maneiras, mas também muito dolorosa. Quando eu estava escrevendo foi difícil evocar novamente essa dor, mas também necessário. O que foi mais difícil no início foi falar sobre o livro com os leitores que queriam saber sobre minha experiência da vida real, que tinham questões sobre Finch e as escolhas que ele fez. Nas primeiras turnês com o livro, fiquei muito emocionada em falar sobre o livro. Agora, fico muito emocionada ao encontrar os adolescentes que dizem que o livro salvou a vida deles. Não tenho palavras para descrever como me sinto honrada por ter ajudado de alguma forma.

– Escrever Por Lugares Incríveis ajudou você a entender/aceitar o que aconteceu com o Finch da vida real? (Pergunta da Karina, do Cotidiano Aleatório)
Com certeza. Escrever o livro e falar sobre ele com os leitores é realmente catártico, especialmente porque o livro salvou vidas. Não posso descrever como isso tudo teria significado para o Finch da vida real. Ele tinha o maior coração de todos que já conheci.

– Como leitora, você deve conhecer o sentimento de amar o livro e odiar a adaptação. O que podemos esperar da versão cinematográfica de Por Lugares Incríveis? Quão difícil é adaptar o seu próprio livro para o cinema?
É realmente muito difícil, muito assustador e muito empolgante! O mais importante para mim é honrar os leitores que abraçaram a causa de Por Lugares Incríveis e ter a certeza de que a essência da história está intacta. Também é essencial para mim incluir as cenas que eles mais amam e as falas que eles mais amam. Eu prometo que estou tomando o maior cuidado possível ao adaptar a história e tenho sorte por estar cercada por um time de cinema – diretor, produtores, a estrela Elle Fanning – que está fazendo o mesmo!

– Você já escreveu romances adultos e livros de não ficção. Quais as principais diferenças entre escrever para jovens adultos e adultos, ficção e não ficção?
Para mim, é tudo sobre a história em particular que você está tentando contar. Com todas as histórias – independente de gênero -, o mais vital para mim é contá-las honesta e responsavelmente. Sinto que fui confiada uma história, com cada personagem, e eu sempre, sempre quero fazer o meu melhor por eles e por meus leitores.

– Quais são as maiores semelhanças e diferenças entre  Por Lugares Incríveis Holding up the universe?
As maiores semelhanças: os dois são narrados sob dois pontos de vista, com um protagonista masculino e outra feminina. Ambos são romances e lidam com personagens que estão lidando com problemas e tentando escondê-los do mundo. Os dois são histórias pessoais que foram inspiradas pela vida real e os dois fazem os leitores chorarem.

As maiores diferenças: sem dar spoilers,um deles irá fazer você chorar mais do que outro.

– Li que A Sangue Frio é seu livro favorito. Como a obra-prima de Truman Capote influenciou você?
Junto com Shirley Jackson (minha autora favorita, depois da minha mãe), Truman Capote me ensinou muito sobre escrever sobre assuntos pesados, mas de maneira leve, e como as duas coisas podem co-existir. Jackson e Capote também me ensinaram como escrever uma história forte, mas sem me estender demais. Eles fazem com que cada palavra faça a diferença, e é algo que eu tento fazer também.

– Você tem diferentes influências na literatura. Como você acha que elas se conectam ao seu estilo de escrita e a forma como você cria os personagens?
Todos os autores e livros que me atraem, independentemente de quão diferente são entre eles, compartilham do elemento da honestidade. Da verdade. Eles escrevem com o coração. Eles escrevem de forma direta e sucinta. E ainda assim, poderosa. Eles foram e são grandes observadores da vida real e das pessoas . Eles são capazes de transformar os menores e mais mundanos detalhes em algo vívido e importante. Eles não têm medo de falar sobre assuntos difíceis e personagens que têm problemas. E essas são coisas que dou o melhor para fazer.

– Ao longo dos anos, questões importantes, como suicídio, depressão, bullying e doenças mentais em geral, têm sido discutidas com os adolescentes por meio dos livros Young Adult. Para você, qual o poder da literatura YA quando o assunto é democratizar essas questões?
A literatura YA é imensamente poderosa e imensamente importante. Uma das razões pelas quais sempre gostei de YA como leitora é que há muitas histórias fortes, criativas e honestas sendo escritas. Muitas histórias necessárias. Mais e mais escritores estão falando sobre assuntos difíceis, sobre os quais os adolescentes precisam ler sobre, para que entendam que não estão sozinhos. Para mim,essa é a mais poderosa e a mais importante mensagem: você não está sozinho. Você é importante. Você é querido. Você é amado. A ajuda está por aí. Eu me sinto muito grata e honrada por escrever YA nesse momento em especial. Por ser capaz de espalhar essa mensagem aos adolescentes que precisam ouvi-la é mais significante do que eu posso expressar.

***

There are books that move us, become unforgettable and even favorite ones. And there are books that destroy us by touching our hearts in a very deep and personal way. All the bright places was one of these for me.

I had the pleasure of meeting Jennifer Niven in person and made sure that she is as (or even more) kind, humble and helpful as she seems in social media. A few days after the meeting, I sent Jennifer a message, hoping she could answer an interview for the blog. I confess I wasn’t very hopeful (after all, Jennifer is working on the screen adaptation of her book!). But, for my surprise, she said yes and, after a few more days, she answered my questions with all the patience and dedication!

We talked about All the bright places, real-life Finch, the book adaptation for the screen, Holding up the universe, literary influences and inspiration and young adult books. I’m very grateful for this interview, once All the bright places means a lot to me and helped me understand and accept very personal issues. So, I hope you like it too <3

– You have always loved writing and creating stories. Somehow, have you always known you would do it for a living? 
I knew when I was a little girl that writing was what I loved doing most. My mom was also an author, and we would have “writing time”—she would sit at her desk, and I would sit at mine, and we would write our individual stories together. I think part of me always knew I would grow up to be a writer, however for a long time what I really wanted to be was a rock star.

– When you wrote All the bright places, did you ever think the book would be such a huge success?
I had no idea. I wrote the story because I needed to write it. Years ago I loved a boy like Finch, and this was my way of writing about that experience. Ever since All the Bright Places was released, I’ve heard from thousands and thousands of readers all over the world who have seen themselves in the book. I thought I was writing it for me—to help myself feel less alone— but it turns out I was really writing it for them, to remind them they are not alone.

– All the bright places is a wonderful book, that has touched so many people around the world. How does it feel sharing such a personal and strong story?
Thank you so much! It was terrifying at first to share such a personal story. My relationship with the boy I loved was magical in many ways, but it was also very painful. It was hard to dig back in to that pain when I was writing, but it was necessary. What was even harder at first was talking about the book to readers who wanted to know about my real-life experience, who had questions about Finch and the choices he makes. In the early days of touring with the book, I got very emotional talking about it. Now I get very emotional meeting teens who say the book saved their lives. I can’t describe how that feels and how deeply honored I am to have helped in any way.

– Writing All the bright places has helped you accepting/understanding what happened to your real life Finch?
It really has. Writing the book and talking about the book with readers has been enormously cathartic, especially because the book has saved lives. I can’t tell you how much that would have meant to my real-life Finch. He had the biggest heart of anyone I’ve ever known.

– As a reader, you must know the feeling of loving the book and hating its adaptation. What can we expect from All the bright places movie? How hard is writing a screenplay for your own book?
It’s really hard and really scary and really exciting! The most important thing to me is to honor the readers who have embraced All the Bright Places, and make sure that the heart of the story is intact. It’s also hugely important to me that I include the scenes they love most and the lines they love most. I promise that I’m taking the greatest possible care in adapting the story, and I’m very lucky to besurrounded by a film team—director, producers, star Elle Fanning—who are doing the same.

– You have written adult novels and non-fiction books. What are the main differences between writing for young adults and adults, fiction and non-fiction?
To me, it’s all about the particular story you are trying to tell. With every story—regardless of genre—the most vital thing for me is telling it honestly and responsibly. I feel entrusted with each story, with each character, and I always, always want to do my best by them and by my readers.

– Which are the biggest similarities and differences between All the bright places and Holding up the universe?
The biggest similarities: they are both told in dual narration, with one male and one female protagonist. They are both romances. They both deal with characters who are struggling with issues, and trying to hide those issues from the rest of the world. They are both personal stories that were inspired by real life. They both make readers cry.

The biggest differences: Without giving any spoilers, one of them will make you cry a little more than the other.

– I’ve read that In cold blood is your favorite book . How did Truman Capote’s masterpiece influenced you?
Along with Shirley Jackson (my favorite author, after my mom), Truman Capote has taught me so much about writing dark and light, and how the two can co-exist. Jackson and Capote have also taught me how to write powerfully while also writing economically. They make every word count, and that’s something I try to do as well.

– You have different influences in literature. How do you think they connect in your style of writing and creating characters?
Every author and book I’m drawn to, no matter how different, shares the element of honesty. Of truth. They write from the heart, out of themselves. They write straightforwardly and succinctly. Yet so, so powerfully. They were and are great observers of real life and the  people in it. They can make even the smallest, most mundane detail vivid and important. They aren’t afraid of writing about hard subjects and flawed characters. These are all things I try my best to do.

– Over the years, important issues like suicide, depression, bullying and mental illness in general have been discussed with teens through young adult books. In your opinion, how powerful is YA literature in terms of spreading the word about these subjects?
It’s hugely powerful and hugely important. One of the reasons I’ve always been drawn to YA as a reader is that there is so much bold, creative, honest work being done. So much necessary work. More and more writers are tackling tough subjects, ones that teens need to read about so that they realize they aren’t alone. For me, that’s the most powerful and important message of all: you are not alone. You matter. You are wanted. You are loved. Help is out there. I feel grateful and honored to be writing in YA at this particular point in time. To be able to spread that message to teens who need to hear it is more meaningful than I can ever express.

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4 pensamentos sobre “Entrevista com Jennifer Niven, autora de Por Lugares Incríveis

  1. Oi, Ná!!

    Adorei a entrevista!! Obrigada por fzr minha pergunta! <3
    Ela é demais, né? Estou ansiosa por Holding up the universe… Mas agora fiquei com medo, qual será q faz vc chorar mais? Pq eu chorei horrores com Por lugares incríveis.

    Beijos!!

    1. Eu que agradeço por ter feito uma pergunta super legal e pertinente!
      Ela é muito, muito, muito fofa! Quem dera todos fossem assim!
      Também estou muito ansiosa pelo novo livro e ACHO que ele é o que faz chorar menos. Até porque, se eu chorar mais, vou morrer, haha!
      Beijos

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