Resenha de O Caso da Mansão Deboën – Edgar Cantero

Durante os verões em Blyton Hills, Peter, Kerri, Andy, Nate e o Weimaraner Sean desvendaram diversos casos misteriosos. Na última temporada que passou na cidade, o Clube dos Detetives de Blyton, como os jovens ficaram conhecidos, acabou com o suspense da mansão Deboën. No entanto, 13 anos se passaram, e Andy ainda não superou a sensação de que o caso envolvia muito mais do que uma casa mal-assombrada e um homem fantasiado de monstro.

É como se, de alguma forma, ela ainda estivesse sob os efeitos daquela noite terrível – assim como Kerri, que nunca se tornou de fato a bióloga brilhante que prometia ser; Nate, que vive em um hospital psiquiátrico; e Peter, que se suicidou após se tornar um astro de Hollywood. E então, Andy decide que chegou a hora de reunir o Clube dos Detetives de Blyton para resolver o caso da Mansão Deboën de uma vez por todas.

A obra de Edgar Cantero é um prato cheio para quem não resiste ao bom e velho horror cósmico. Nessa história, o autor espanhol combina elementos sobrenaturais com magia criaturas ancestrais, sem esquecer do ritmo frenético, que não pode faltar em um bom livro de mistério. O enfrentamento de “fantasmas do passado” pode até ser um clichê, mas Cantero soube explorá-lo com certo ineditismo, graças a Andy e a relação dela com Kerri. Culpa, segredos e plot twists, que ora realmente surpreendem, ora ocorrem como o previsto, complementam O Caso da Mansão Deboën.

É justo dizer que gostei muito mais da escrita de Cantero do que da história que ele criou – mas, justiça seja feita, horror cósmico não é tanto a minha pegada. O autor não é dado às sutilezas, algo que valorizo muito, especialmente em obras de horror. O senso de humor apurado contrasta com o estilo sensorial que, muitas vezes, beira o poético. Já o uso da personificação dá um toque pueril à narrativa, ao mesmo tempo em que cria uma atmosfera, dando a impressão de que tudo ali está muito vivo.

Outro ponto alto de O Caso da Mansão Deboën é a relação entre os personagens. Semelhante a Stephen King nesse aspecto, Cantero desenvolveu ótimos relacionamentos interpessoais e mostrou que monstros existem – seja na forma de homens fantasiados, passados conturbados ou criaturas ancestrais. E só existe uma maneira de derrotar todos ele: a soma do tanto de si que cada um está disposto a doar.

Título original: Meddling Kids
Editora: Intrínseca
Autor: Edgar Cantero
Ano: 2017
Avaliação: 3,5 estrelas

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