Resenha de Crave a marca – Veronica Roth

Em uma galáxia onde quase todos são beneficiados pelo dom da corrente, Cyra e Akos desenvolvem poderes que parecem não trazer muitas vantagens. O de Cyra pode matar, mas também causa dores que a impedem de viver em paz. Para piorar a situação, seu irmão, o poderoso soberano shotet Ryzek, a usa como instrumento de tortura contra seus inimigos. Já Akos é capaz de interromper a corrente e, depois de sequestrado pelos shotet, decide se unir a Cyra para ter uma chance de resgatar o irmão.

Encontre o melhor preço de Crave a marca

Divergente é, ao lado de Jogos Vorazes, minha série distópica favorita (três anos se passaram, e eu ainda não consegui decidir qual amo mais). Então, foi impossível não elevar as expectativas em relação a Crave a marca, mesmo sabendo que ele dificilmente se igualaria ao best-seller de Veronica Roth. No entanto, nem mesmo nos meus piores pesadelos, eu imaginaria uma história tão previsível e fraca.

Apesar de Crave a marca não ser uma distopia, as semelhanças com Divergente são óbvias. Primeiro, com a criação de diferentes planetas e sociedades. Embora não segreguem tanto quanto as facções, os habitantes/membros de cada um têm características específicas e personalidades semelhantes. Depois, e principalmente, com Avok e Cyra. Os protagonistas estão longe de ser complexos e tridimensionais como Four e Tris. Mas, para mim, é evidente que a autora tentou recriar o casal de Divergente. E o resultado deu a sensação de uma cópia barata, que, definitivamente, não funcionou. O que mais me incomodou foi a “síndrome do mocinho” de Avok e Cyra, que têm “medo” da capacidade que têm de ferir e matar as pessoas. Alguém lembra dos dilemas de Four e Tris (especialmente ela, em Insurgente)?

A primeira informação sobre Crave a marca era que o novo livro de Veronica Roth teria uma pegada Star Wars. Independentemente de ser coerente ou não, essa comparação sempre será um tiro pela culatra. Afinal, trata-se de uma das franquias mais bem-sucedidas de todos os tempos, que tem os fãs mais “chatos” do mundo. Então, não existe razão para gerar (mais) uma expectativa que nunca será atendida. No entanto, esse foi o primeiro chamariz de Crave a marca e, óbvio, só piorou a situação. Não é só porque a história se passa em outra galáxia, com a disputa entre “o bem e o mal”, e tem um wannabe de Kylo Ren, que podemos compará-la a Star Wars.

Para completar a tragédia, Crave a marca é previsível em tudo: traições, mortes, dramas, confabulações, romance, reencontros… TUDO! Parece que Veronica Roth reuniu as histórias do gênero e decidiu seguir a mesma fórmula e usar todos os clichês. Além disso, tudo é muito conveniente e, em nenhum momento, senti aquela tensão “gostosa” ou a curiosidade de saber o que iria acontecer depois. E sabe aquela vontade de nunca mais largar o livro? Pois é, não se aplica a Crave a marca – pelo contrário, chegar ao fim foi um suplício. Só não dei uma estrela para a obra porque, apesar de todos os problemas no enredo, Veronica Roth escreve muito bem. E com tudo isso, acho que fica claro o quanto detestei Crave a marca e que as chances de eu terminar a série são nulas.

Título original: Carve the mark
Editora: Rocco
Autor: Veronica Roth
Ano: 2017
Páginas: 480
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 2 estrelas

Livro x Filme: A Série Divergente: Insurgente

CONTÉM SPOILERS DE INSURGENTE (LIVRO E FILME)!

insurgente1

Um ano se passou desde a estreia de Divergente e chegou a hora de assistir à adaptação cinematográfica do segundo volume da saga, Insurgente. Para ser bem sincera, já prevendo que ele seria pouco fiel à obra original, tentei desapegar da história de Veronica Roth e enxergar o longa como apenas um filme. Mas eu. Não. Consigo. É verdade que Shailene Woodley e Kate Winslet dão um show de atuação e o resto do elenco (de peso) também não deixa a desejar. Mas as divergências (RÁ!) que já existiam entre o primeiro livro e o primeiro filme foram agravadas em Insurgente e algumas são difíceis de entender e beiram o inaceitável. Tudo bem que ainda existem duas chances de reparação (os dois próximos filmes da saga), mas a verdade é que vai ficando cada vez mais difícil consertar esses pormenores. Enfim, segue uma humilde comparação:

* Eu soube que a Tris do filme não seria a mesma Tris do livro assim que assisti ao trailer, em que ela manipula armas de fogo sem qualquer problema. Para quem não leu Insurgente, esse é um detalhe irrelevante, mas quem leu sabe que, no segundo livro da série, Tris fica muito traumatizada por ter matado Will e não consegue mais manusear armas de fogo, nem mesmo quando está em perigo extremo. O filme explora o trauma de Tris transformando-a em uma garota violenta e cheia de raiva, em vez de paralisada pelo medo e pela culpa. Uma pena porque esse é um dos pilares de Insurgente, que não apenas sustenta a história, como nos leva a refletir sobre o que realmente é ser divergente na trama de Veronica Roth.

* Naomi Watts como Evelyn, a mãe do Four, está uma PI-A-DA. Porque: 1. ela é sem facção e, embora os sem facção de fato não sejam tão pobretões quanto nos fazem pensar em Divergente, ela está sempre penteada, maquiada, bem vestida e tem uma casa incrível; 2. eu acredito que os conflitos entre o Four e a mãe não sejam muito expostos em Divergente (filme)  e, em Insurgente (filme), continuam nebulosos, pois nada é explicado; 3. eu adoro a Naomi Watts e acho que ela personificou bem a personagem, mas ela definitivamente não parece mãe do Four. Além de não aparentar a idade que tem, Naomi tem apenas 16 anos a mais que Theo James. Por isso, quando soube que ela seria Evelyn, pensei que ia rolar uma maquiagem para envelhecê-la. Não rolou e o resultado é que ela parece, tipo, a irmã do Four.

* Na resenha de Divergente (filme), eu disse: “outra cena importante que, na minha opinião, fez falta foi a do Peter esfaqueando o Edward. Primeiro porque, sem este evento, ele é apenas um personagem que pega no pé da Tris e não o mau caráter covarde que de fato é – e isso pode não ser suficiente para justificar alguns acontecimentos lá na frente. Além disso, sem ser esfaqueado, o Edward não fica cego de um olho e não vai embora da Audácia. Então, de duas, uma: em Insurgente, ele vai aparecer do nada entre os sem-facção ou simplesmente será ignorado – eu voto na segunda opção”. Ponto para mim. Evelyn tem um braço direito entre os sem facção, sim, mas o nome do garoto não é pronunciado durante todo o filme e ele não é o ator que interpretou Edward em Divergente (a cena da faca, aliás, existe – só que nos extras do DVD).

insurgente2

* Sabe todo o jogo político entre Erudição, Audácia, Abnegação, Amizade e os Sem Facção? Pode esquecer. O filme foca no duelo entre Tris e Jeanine, ignorando quase completamente personagens como Marcus, Johanna e Tori – até mesmo Eric tem a participação bastante reduzida.

* Apesar de ser uma distopia Young Adult, a série Divergente é bem sisuda e não sobra tanto espaço para romance e piadas. No filme, o toque de humor fica por conta das tiradas irônicas do Peter, dos trejeitos atrapalhados de Caleb e, por incrível que pareça, da falta de compaixão de Jeanine Matthews – Kate Winslet, aliás, arrasou, como sempre.

* Apesar de ter bastante ação, Insurgente (livro) também conta com problemas típicos de relacionamentos “normais” entre Tris e Four, além de conflitos causados por desconfianças e segredos. No filme, nada disso existe e, se não fosse por toda a batalha que está rolando, os dois poderiam estar em lua de mel.

* Lembro que, quando li Insurgente, fiquei CHO-CA-DA com a traição do Caleb. Foi, tipo, um dos pontos altos do livro para mim. No filme, porém, o fato tem o impacto reduzido a quase nada e, assim, o personagem também perde a importância. Triste.

* Outra coisa que não ficou muito clara no filme foi: por que, afinal de contas, Peter resolveu ajudar Tris a escapar da simulação, se ele, em tese, a odeia e estava do lado de Jeanine? Quem sabe expliquem melhor no próximo filme.

*Logo no início do longa, aparece uma caixa que nem quem leu o livro sabe o que é. Acaba que é nela que está o vídeo que revela toda a verdade sobre a sociedade em facções. A criação da caixa foi uma forma inteligente de transformar em algo palpável o motivo da briga entre Tris e Jeanine. No entanto, quando o vídeo é exibido, quem leu Insurgente vai sentir falta do nome Edith Prior, que, por si só, já levanta suspeitas sobre a verdadeira ligação de Tris com toda a história.

insurgente3

* Se os efeitos especiais de Divergente deixam a desejar (especialmente na linda, porém pobre, cena da tirolesa), Insurgente é um espetáculo. Como sempre digo, não entendo bulhufas do lado técnico do cinema (nem do não técnico, mas ok), no entanto, dá pra perceber a qualidade dos efeitos especiais, além do uso de vários ângulos diferentes e inversões da câmera.

* Uma das coisas que eu amo em Divergente é a trilha sonora, que captou bem toda a essência do filme. As músicas de Insurgente são ok, mas não são tão marcantes e não se destacam. Senti falta.

* A título de curiosidade, as “garras” da simulação (que, até onde eu sei, não existem no livro) me lembraram as de Fahrenheit 451.

* Just for the record: Tris e Tobias NÃO FAZEM SEXO (e se fazem, não é em Insurgente).

* A pergunta que não quer calar: é sério que contrataram a vencedora do Oscar Octavia Spencer para aparecer por, tipo, uns três minutos e só?

* Pontos altos do filme: Tris Prior se revela uma grande cabeleireira ao cortar os fios curtinhos, com direito a efeito desfiado, camadas e reflexos; e Caleb Prior exibe, mais uma vez, sua desenvoltura e elegância para a corrida. (É brincadeira, mas não podia deixar de comentar).

Eu confesso que, na essência, livro e filme são praticamente idênticos. E até entendo a omissão ou alteração de alguns detalhes da história. Mas outros, como eu disse lá em cima, são praticamente impossíveis de entender ou aceitar. Estou curiosíssima desde já para saber como serão os próximos filmes da saga, mas cada vez espero menos fidelidade enquanto adaptação :(

Título original: Insurgent
Filme anterior: Divergente
Filmes seguintes: A Série Divergente: Convergente – Parte 1 A Série Divergente: Convergente – Parte 2
Diretor: 
Robert Schwentke
Ano: 2015
Minutos: 119
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Ansel Elgort, Miles Teller, Kate Winslet, Naomi Watts, Octavia Spencer
Avaliação: 3 estrelas

Leia as resenhas de:
Divergente
Insurgente
Convergente

*Pensei em reler Insurgente antes de assistir à adaptação, já que faz mais de um ano que terminei a série. Mas, a cada teaser e trailer que saia, eu tinha mais e mais certeza de que o longa seria muito pouco fiel à obra original. Então, desisti de reler para evitar a fadiga – não que tenha funcionado – e, por isso, talvez eu tenha deixado passar alguns detalhes e diferenças entre livro e filme. 

Four: A Divergent Collection e outras leituras complementares (Quatro) – Veronica Roth

four-2
Assim que terminei Insurgente, lá no final de janeiro, aproveitei para ler Free Four The Transfer, duas short stories narradas por nosso querido Four – ou Quatro -, enquanto esperava pelo lançamento de Convergente no Brasil. Acontece que eu estava louca para saber como iria terminar a saga de Veronica Roth e, como comprei um Kindle em fevereiro, não resisti e terminei a série com a obra em inglês. Fiquei de ressaca por um tempo porque o desfecho realmente me pegou de surpresa e mexeu demais comigo. Mas nem deu tempo de sentir saudades de verdade porque, em abril, veio o filme e, em seguida, foi divulgado que o Four teria um livro só dele, Four: A Divergent Collection, com mais três short stories, que seria lançado em julho.
quatro

Os três primeiros contos (The TransferThe Initiate The Son) narram fatos do passado de Four, ou seja, antes da chegada de Tris na Audácia, que é o ponto de partida de Divergente. No entanto, o fato de já saber tudo o que irá acontecer no futuro do personagem não torna as histórias menos interessantes porque, por meio delas, é possível conhecer outras facetas do misterioso Four, que justificam algumas de suas atitudes, além de entender melhor alguns pontos da saga de Veronica Roth – já que o primeiro e o segundo livros da série são narrados apenas pela Tris.

Já o quarto conto (The Traitor) se passa ao mesmo tempo que Divergente, então é divertido porque o Four conta o ponto de vista sobre algumas situações com a Tris (e que nós já conhecemos por meio dela), além de narrar outras que aconteciam ao mesmo tempo. Antes de qualquer coisa, as short stories do personagem são ótimas contextualizações para a trama cheia de reviravoltas, surpresas e conspirações desenvolvida por Veronica Roth. Four começa a trilogia como misterioso e inalcançável, mas é bastante humanizado pela autora ao longo da série – especialmente em Convergente. No entanto, com os contos, é possível descobrir que ele é mais vulnerável e sensível do que demonstra.

 Ler Four: A Divergent Collection foi uma experiência mais intensa do que eu esperava. Não pelas histórias em si, mas por saber tudo o que ainda irá acontecer até o final de Convergente e, principalmente, porque, desta vez, eu sei que a última página do livro não é apenas um final e, sim, um “adeus”. Sentirei tantas saudades do Four <3
foto
The Transfer (0.1)*
The Transfer é o primeiro conto de Four: A Divergent Collection e já havia sido publicado em ebook em 2013. A história narra a conturbada transferência da Abnegação para a Audácia e como Tobias Eaton se tornou o lendário Four.
The Initiate (0.2)
The Initiate é o segundo conto do livro e narra a iniciação de Four na Audácia. É quando ele conhece Eric e Zeke, que já aparecem em Divergente, e Amar, que só irá surgir na história em Convergente. Em The Initiate, Four fica intrigado com as aparições misteriosas de Jeanine Matthews, da Erudição, na sede da Audácia e já começa a investigar os planos dos líderes. The Initiate também traz mais detalhes sobre a relação de Four com Eric e com os comandantes da Audácia, pontos que são mencionados brevemente em Divergente.

 

The Son (0.3)
Em The Son, Veronica Roth explora um pouco mais o que Four sente em relação ao pai, Marcus, e à mãe, Evelyn. O conto também esclarece porque Four não aceitou se tornar um dos líderes da Audácia e como se transformou no instrutor dos iniciantes transferidos de facção. Apesar de focar na relação de Four com os pais, The Son prepara o território para o próximo conto, The Traitor, e cria um background para a conspiração que se desenrola pelos três livros da série.

 

The Traitor (0.4)
A história de The Traitor se passa ao mesmo tempo em que a de Divergente, então, Tris e os outros personagens já estão na trama. Na última short story, Four faz mais descobertas sobre os planos da “parceria” entre a Audácia e a Erudição contra a Abnegação e entra no dilema moral sobre se deve ou não tomar um dos lados da batalha – do jeitinho que Veronica Roth já mostrou que adora fazer. No conto, Four também fala bastante sobre Tris e conta seu ponto de vista sobre algumas cenas de Divergente.

 

four

 

Extras (First Jumper – Tris!Careful, Tris You look good, Tris)
Four: A Divergent Collection traz também algumas “cenas” extras: em First Jumper – Tris!, Four narra o momento em que conhece Tris, quando ela é a primeira a pular do prédio durante o primeiro dia da iniciação da Audácia; Careful, Tris conta a cena em que Tris senta ao lado de Four no refeitório e mostra que não se intimida com o jeito misterioso e rude do instrutor; e You look good, Tris narra a noite em que Tris encontra Four bebendo com os amigos no fosso.

 

Título original: Four: A Divergent Collection
Editora: Rocco
Autor
Veronica Roth
Ano: 
2014
Páginas: 
285
Tempo de leitura:
 4 dias
Avaliação: 
5 estrelas

 

Free Four (1.5)*
Free Four também foi publicado em ebook em 2013 e conta o ponto de vista de Four da cena do arremesso de facas, durante a iniciação de Tris na Audácia.

 

The Path to Allegiant (2.5)*
Como o próprio título denuncia, The Path to Allegiant conta os “bastidores” da série de Veronica Roth até o último livro da Saga, Convergente. O livreto não tem nenhuma história, mas traz uma entrevista com a autora, as quotes que inspiraram Divergente, as playlists dos dois primeiros volumes da série e os processos de criação dos nomes das facções e dos personagens. Um “teste de aptidão” e os manifestos de cada facção encerram The Path to Allegiant. 

 

*Free Four e The Transfer foram publicados em ebook no Brasil, pela Rocco, como Quatro Medos A Transferência. Free Four e The Path to Allegiant não estão inclusos em Four: A Divergent Collection

 Veja mais livros de Veronica Roth

Livro x Filme: Divergente

ATENÇÃO! Contém muitos spoilers!

divergente-filme-02

E, então, depois de meses de espera, chegou a hora de assistir à versão cinematográfica de Divergente e, claro, comentar o nível de fidelidade da adaptação. Para começar, o elenco foi muito bem escolhido: Theo James e Shailene Woodley captaram bem as essências do Four e da Tris e são perfeitos para os papéis; Ansel Elgort pode não ser o meu Augustus Waters (de A Culpa é das Estrelas) perfeito, mas é um bom Caleb; Jai Courtney é um Eric mais bonito do que imaginava, mas personificou bem o desagradável personagem; e Zoë Kravitz, Ben Lloyd-Hughes e Miles Teller têm pouco destaque como Chris, Will e Peter, mas dão conta do recado. Agora, vamos às observações sobre o longa em si:

* A minha primeira crítica vai para a importância que Jeanine Matthews (Kate Winslet) ganhou na trama. Ok, ela é realmente fundamental no enredo, principalmente em Insurgente, no entanto, nada justifica o fato da personagem aparecer na cerimônia de escolha e vira e mexe visitar a Audácia. Isso simplesmente não existe. Kate Winslet, porém, está perfeita no papel.

* No livro, é a Tori quem conta a Tris que ela é divergente e o que isso significa, logo após o teste de aptidão, e não a mãe. Aliás, aquela cena do carregamento do caminhão é desnecessária e poderia ter sido substituída pelo dia da visita da família, quando a mãe da Tris de fato vai à sede da Audácia para encontrá-la e já dá pistas de que, um dia, pertenceu àquela facção.

* Outra cena importante que, na minha opinião, fez falta foi a do Peter esfaqueando o Edward. Primeiro porque, sem este evento, ele é apenas um personagem que pega no pé da Tris e não o mau caráter covarde que de fato é – e isso pode não ser suficiente para justificar alguns acontecimentos lá na frente. Além disso, sem ser esfaqueado, o Edward não fica cego de um olho e não vai embora da Audácia. Então, de duas, uma: em Insurgente, ele vai aparecer do nada entre os sem-facção ou simplesmente será ignorado – eu voto na segunda opção.

divergente-filme-03

* O romance da Christina com o Will também não ganha nenhum destaque no filme. Os dois apenas dão a entender, em um diálogo curtíssimo, que algo poderia rolar. Eu acho que era um detalhe importante para Insurgente porque é o melhor meio de trabalhar a culpa que a  Tris sente por tê-lo matado, uma das principais questões do segundo livro, e explicar o receio dela de usar armas.

* E se Jeanine Matthews ganha mais destaque na versão cinematográfica de Divergente, Uriah, iniciando que já era da Audácia, e Marcus Eaton, pai de Tobias, têm suas participações reduzidas. No entanto, ainda há espaço para que os personagens sejam mais desenvolvidos nos próximos filmes da série.

Depois de apanhar durante uma das lutas, Tris vai parar no hospital e, quando acorda, Will e Christina contam que ela está “fora” da Audácia. Em seguida, ela foge do local e sai correndo atrás do trem. Essa cena não existe no livro e, pessoalmente, achei desnecessária.

DIVERGENT

* A cena de Tris e Four na sala de controle, já no final do filme, era uma das que eu mais esperava e, por isso, me decepcionou muito. No livro, apenas os dois estão na sala de controle, enquanto que, no filme, eles estão cercados de várias pessoas da Erudição, inclusive Jeanine Matthews. Aí ficam duas dúvidas: por que estas pessoas, que estavam armadas, ficaram assistindo à luta dos dois em vez de simplesmente matar Tris – que era o que eles iam fazer algumas cenas atrás?; e por que Tris não matou Jeanine quando pôde? Eu sei, se ela matasse a Jeanine, Insurgente perderia a razão de ser, mas, então, por que enfiar a mulher lá?

Eu sei que não sabemos as razões que existem por trás das mudanças que acontecem nas adaptações dos livros e que o filme precisa fazer sentido também para quem não leu o a obra original. Mas sempre serei do time que ainda espera ver 100% de fidelidade nas telonas, embora esteja me esforçando para não ser tão exigente. Além dos tópicos acima, ainda existem algumas outras mudanças que não me agradaram, mas daí acho que já é preciosismo (demais), então vou fingir que não vi. No entanto, ao contrário do que possa parecer, eu gostei da versão cinematográfica de Divergente porque acho que a essência do filme é a mesma do livro. E isso é o mais importante.

Título original: Divergent
Filmes seguintes: A Série Divergente: Insurgente, Convergente: Parte 1 Convergente: Parte 2
Diretor: Neil Burger
Ano: 2014
Minutos: 139
Elenco: Shailene Woodley, Theo James e Ansel Elgort
Avaliação: 4 estrelas

Leia a resenha do livro aqui!

Allegiant (Convergente) – Veronica Roth

allegiant

Divergente entrou para a minha lista de leituras no final de 2013, em meio à enxurrada de distopias na minha vida literária. Em janeiro deste ano, resolvi começar a série de Veronica Roth para me preparar para a estreia da adaptação cinematográfica, que antes era março e agora é abril. Confesso que o primeiro livro foi uma leitura agradável e interessante, mas não mexeu muito comigo. Insurgente já me cativou um pouco mais, principalmente pelo final incrível. Mas Allegiant (Convergente, no Brasil) transformou a saga de Tris Prior em muito mais do que uma simples distopia.

convergente

Quando li Divergente, pensei que se tratava apenas de uma crítica aos rótulos e julgamentos com que o ser humano em geral parece estar tão acostumado – ou seria viciado? No entanto, Insurgente levantou em mim a suspeita de que, com esta série, a autora propunha algo mais do que esta simples reflexão. E Allegiant, por sua vez, confirmou que a saga de Tris Prior não tem como objetivo apenas reforçar que a repressão não leva à evolução alguma. Não, é muito mais do que isso: Divergente é uma profunda reflexão sobre a essência do ser humano. Sobre falhas e qualidades. Sobre a dificuldade em lidar com a culpa, as perdas e as responsabilidades. Sobre a reação às decepções e às frustrações. E sobre a maneira como, às vezes, fugir parece ser a melhor – ou única – saída.

O fato é que Veronica conseguiu abordar o cerne da questão. Ao dividir a sociedade em facções, ela evidenciou o comportamento humano e a maneira como ele transforma tudo ao redor. A autora mostrou ainda que o excesso de uma qualidade não necessariamente leva a sociedade a um mundo melhor. E que, muitas vezes, as boas características são mais parecidas entre si do que imaginamos e facilmente transformam-se umas nas outras.

Na teoria, todos sabemos que ninguém é apenas uma coisa o tempo todo. No entanto, Divergente nos lembra como as pessoas que amamos e as experiências pelas quais passamos são capazes de mudar quem somos e quem nos tornamos. Mas não podem nunca transformar o que existe em nossa essência.

***
RESENHA COM SPOILERS DE DIVERGENTE E INSURGENTE!

allegiant-02

Após descobrirem que na verdade fazem parte de uma experiência genética, Tris e Quatro deixam Chicago e se deparam com ainda mais informações determinantes no laboratório que comanda os experimentos. No entanto, as novas descobertas podem levá-los a diferentes conclusões e, consequentemente, caminhos distintos.

Diferente de Divergente e Insurgente, Allegiant é narrado em primeira pessoa não só por Tris, mas também por Quatro. O terceiro volume da série parece ser uma distopia dentro de outra: o leitor descobre uma nova faceta da história a cada momento, o que torna a trama dinâmica, mas também um pouco cansativa. O ritmo acelerado do livro, porém, é amenizado por “cenas quentes” protagonizadas por Tris e Quatro,  que, de certa forma, “humanizam” a história.

Se em Insurgente Tris entra em uma crise de identidade e mostra dificuldades em lidar com a culpa e o sentimento de perda, em Allegiant é Quatro quem parece questionar suas ações, opiniões e, principalmente, sua essência. A protagonista, por sua vez, mostra como a crise de identidade a fez amadurecer e evoluir. É interessante também como Veronica Roth explora não apenas os dilemas pessoais dos personagens, como também as dúvidas, ponderações e divergências em relação ao sistema de facções.

Assim como os dois volumes anteriores, Allegiant é eletrizante e muito bem amarrado. No entanto, o livro, que fecha a saga de Tris Prior, parece se aprofundar em todas as questões que já foram colocadas em Divergente e Insurgente. Com final inesperado, porém coerente, Allegiant é a redenção de Tris, supera as expectativas, emociona e faz refletir sobre o que há de mais único em cada ser humano: a essência.

Título original: Allegiant
Editora: Rocco
Autor: Veronica Roth
Volumes anteriores: Divergente e Insurgente
Leituras complementares: The Transfer (0.1), The Initiate (0.2), The Son (0.3), The Traitor (0.4), Free Four (1.5) e The Path To Allegiant (2.5)
Ano:
2013
Páginas: 526
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 5 estrelas

**Assim como Divergente e Insurgente, Convergente será adaptado ao cinema e dividido em duas partes.Veja aqui a resenha do primeiro filme da saga de Tris Prior.

Veja mais livros de Veronica Roth

Insurgente – Veronica Roth

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILER DE DIVERGENTE!

insurgente

Tris e Quatro conseguiram interromper a simulação criada pela Erudição e que levou os membros da Audácia a assassinarem grande parte da Abnegação. No entanto, diferente do que se pensava, a Audácia se dividiu e parte dos integrantes se uniu à Erudição, enquanto os outros, incluindo Tris e Quatro, foram para a sede da Amizade. Mas a guerra não acabou, pelo contrário. Jeanine Matthews, a líder da Erudição, não irá desistir enquanto não conseguir criar uma simulação que manipule também os Divergentes. E para isso, ela precisará de cobaias e não medirá esforços para alcançar seu objetivo.

insurgente

Assim como DivergenteInsurgente conta com ação e tensão do início ao fim. Mesmo assim, Veronica Roth ainda encontra espaço para uma boa dose de romance, com Tris e Quatro, e muitas discussões e dúvidas típicas dos relacionamentos reais e comuns, o que gera a identificação e também quebra um pouco o ritmo acelerado da narrativa.

Apesar da guerra física, o segundo livro da saga apresenta muitos dilemas internos para Tris: em Insurgente, a impulsiva protagonista precisa lidar com perda, culpa, insegurança, responsabilidade, traição e frustração. Tris também precisa aprender a fazer suas próprias escolhas e descobrir quem ela e as pessoas à sua volta realmente são por baixo de todos os rótulos das facções.

Eles não são caracterizados por uma única virtude. Assumem todas as cores, todas as atividades, todas as virtudes e todas as falhas.

Mais uma vez, a obra de Veronica Roth apresenta diversas surpresas e reviravoltas, além de uma trama muitíssimo bem amarrada. Incrível e completamente inesperado, o desfecho de Insurgente explica diversos pontos ainda soltos da trama, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para Convergente, o último volume da saga.

Título original: Insurgent
Editora: Rocco
Autor: Veronica Roth
Volume anterior: Divergente
Volume seguinte: Convergente
Leituras complementares: The Transfer (0.1), The Initiate (0.2), The Son (0.3), The Traitor (0.4), Free Four (1.5) e The Path To Allegiant (2.5)
Ano: 2012
Páginas: 509
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 4 estrelas

**Assim como DivergenteInsurgente será adaptado ao cinema e tem estreia prevista para 2015.Veja aqui a resenha do primeiro filme da saga de Tris Prior.

Veja mais livros de Veronica Roth

Divergente – Veronica Roth

divergente

Em uma Chicago futurista, a sociedade é dividida em cinco facções: Abnegação, Amizade, Audácia, Erudição e Franqueza. Quando completam 16 anos, os jovens passam por um teste de aptidão, seguido pela cerimônia de escolha, quando eles decidem se permancem na facção em que cresceram ou se escolhem ingressar em outra. Beatrice Prior, ou apenas Tris, é da Abnegação, que prioriza o altruísmo, mas, em seu teste, descobre que é uma Divergente. Ou seja, tem aptidão para mais de duas facções que, no caso dela, são Abnegação, Audácia e Erudição. A primeira difícil decisão de Tris é escolher se fica ao lado de seus pais na Abnegação ou se segue para uma nova vida em outra facção. O que ela não sabe é que ser Divergente lhe trará decisões ainda mais difíceis do que esta.

divergente

Divergente apresenta uma crítica à mania que o ser humano tem de julgar e rotular os outros, como se as pessoas fossem apenas uma coisa o tempo todo. E essa é uma questão que a própria Tris enfrenta quando fica em dúvida sobre qual facção escolher. Ela não se considera altruísta o suficiente para manter-se na Abnegação, mas talvez também não seja corajosa ou inteligente o bastante para ingressar na Audácia ou na Erudição. E o dilema não termina quando Tris decide que caminho seguir: mesmo depois de escolher sua facção, ela continua procurando respostas para estes questionamentos.

No início de Divergente, Veronica Roth não descreve uma sociedade tão distópica quanto à de Delírio, por exemplo, já que os jovens têm o direito de escolher se permanecem na facção em que nasceram ou se mudam para outra. E essa “liberdade” mostra o quanto pode ser difícil ter opções e como fazer escolhas requer responsabilidade. Mas, ao longo do livro, o regime ditatorial se revela e fica claro que a criação de facções é contraditória e não foi a melhor das escolhas políticas para acabar com a corrupção e conquistar a paz.

Nem todas as famílias da Abnegação são religiosas, mas meu pai diz que não devemos dar atenção a tais diferenças ou elas nos dividirão. Não sei exatamente o que pensar a respeito disso.

O ritmo de Divergente é rápido e muitas acontecem já no primeiro volume da trilogia. O clima é de tensão constante, do começo ao fim, mas, na maior parte da história, a disputa é mais emocional do que física. Os segredos, que aos poucos são revelados e acrescentam detalhes importantes à trama, e a presença do enigmático Quatro mantêm a atenção total do leitor. Bem amarrado e cheio de dilemas, Divergente oferece a possibilidade de se identificar com os personagens, mesmo que as realidades sejam (ainda) tão distantes.

Título original: Divergent
Editora: Rocco
Volumes seguintes: Insurgente Convergente
Leituras complementares: The Transfer (0.1), The Initiate (0.2), The Son (0.3), The Traitor (0.4), Free Four (1.5) e The Path To Allegiant (2.5)
Autor: Veronica Roth
Ano: 2011
Páginas: 500
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 4 estrelas

 

**Divergente ganhou uma versão cinematográfica, que tem Shailene Woodley e Theo James na pele de Tris e Quatro, respectivamente. O longa ainda conta com Kate Winslet como Jeanine Matthews. Veja a resenha do filme aqui

Veja mais livros de Veronica Roth