Livro x Filme: Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!

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É só isso. Não tem mais jeito. Acabou.

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final foi o último filme da saga e, apesar de ser difícil analisar e processar tudo o que aconteceu – e o que não aconteceu -, acho que posso dizer que saí do cinema satisfeita. Logo no início do longa, já reencontramos o Peeta que, sofrendo com os efeitos do telessequestro, acredita piamente que Katniss é um bestante. Como eu já imaginava que aconteceria, a recuperação do personagem não foi tão longa e sofrida quanto no livro e Katniss também passa a compreendê-lo e a ajudá-lo muito mais rápido – gostaria muito de ter visto a cena em que a Prim pede que ela não desista dele. No entanto, Josh Hutcherson não deixou a desejar e, nos poucos momentos de luta entre lucidez e loucura, agressividade e vulnerabilidade, deu um show de atuação e, com certeza, foi o destaque do filme.

Apesar de rápida, a missão pelo Distrito 2 foi bem adaptada e cumpre seu papel de reacender a sede por vingança de Katniss, evidenciar as diferenças entre ela e Gale e trazer ao telespectador o primeiro clímax. Como também já havíamos previsto, Johanna, assim como Effie, aparece pouquíssimo em A Esperança – O Final – apesar de ser o suficiente para arrancar algumas risadas – e toda a parte dos treinos com Katniss foi cortada. Talvez por isso tenha surgido a alteração mais desnecessária do filme, na minha opinião: em vez de se esforçar para recuperar o condicionamento físico para poder ir para a Capital, Katniss entra escondida em um aerodeslizador e, quando desembarca, já encontra Gale, Boggs e companhia. Muito estranho.

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Com muitos diálogos idênticos ao do livro, o longa também não deixou a desejar nos efeitos especiais durante a caminhada para a mansão do presidente Snow, e os casulos e o holo estavam até melhores do que imaginei. Adorei o fato de todos os personagens da obra original estarem em cena e, apesar da ordem e das causas das mortes de alguns terem sido mudadas, tentarei não ser tão preciosista e relevar, já que estas alterações não influenciaram em nada no resultado final. No entanto, ao mesmo tempo em que transmitiu toda a tensão e o medo presentes durante a caminhada pela Capital, receio que esta parte do filme tenha ficado um pouco corrida e até “fácil” demais em alguns momentos. Mas nada grave.

Outro ponto que me preocupava na adaptação de A Esperança era a justificativa para a grande reviravolta da série: a morte da presidente Coin. Ela é um pouco menos fria e calculista em A Esperança – Parte 1, mas acho que O Final conseguiu mostrar um lado mais traiçoeiro e perigoso da personagem, ao mesmo tempo em que explora a face mais sádica do presidente Snow. O triângulo amoroso também foi resolvido com sucesso, embora eu tenha algumas ressalvas: apesar das diferenças entre Katniss e Gale terem ficado bem evidentes, acho que, desde o início do filme, já está bem claro quem ela iria escolher – diferente do livro. E, no final, confesso que até eu, que não apenas sou #TeamPeeta, como não gosto do Gale, achei que a Katniss foi cruel demais com o (ex?) BFF. De qualquer forma, acho que o filme conseguiu mostrar os principais porquês para que ela tenha escolhido o Peeta e esta era uma das principais missões de A Esperança – O Final.

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Como não poderia ser diferente, a cena da morte da Prim é uma das mais emocionantes e Jennifer Lawrence mostrou porque é uma Oscar Winner na cena em que extravasa a dor do luto com Buttercup, o gato. Como também já esperávamos, todos os ferimentos de Katniss são muito mais superficiais e, para quem não leu o livro, devem causar aquela expectativa. Mas, para quem já sabe o que vai acontecer, fica aquela sensação de “mas só isso?”. Alterações à parte, o último filme da saga satisfaz e o grande clímax – a ~execução~ de Snow – é perfeito, graças às atuações de Julianne Moore, que traduz toda a arrogância da presidente Coin, e de Donald Sutherland, que dá o tom tragicômico à cena.

Por fim, o epílogo é extremamente emocionante e exatamente como imaginei e, assim como acontece no livro, é o desfecho ideal para a saga. Afinal, mesmo com tantas vidas perdidas e apesar de toda a manipulação e a crueldade de que o ser humano é capaz, o amor e aqueles que o sentem verdadeiramente sempre encontram um jeito de prevalecer. Real or not real?

Título original: The Hunger Games: Mockingjay – Part 2
Filmes anteriores: Jogos Vorazes, Jogos Vorazes: Em Chamas e Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1
Diretor: Francis Lawrence
Ano: 2015
Minutos: 137
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Philip Seymour Hoffman e Julianne Moore
Avaliação: 4 estrelas

Ps: na cena em que um dos casulos explode e começa a metralhar qualquer coisa que se mexa, o Finnick aparece rindo loucamente. E isso me causou ataques de riso, o que comprometeu algumas cenas emocionantes. Só queria desabafar.

Resenha de Jogos Vorazes
Resenha de Em Chamas
Resenha de A Esperança
Livro x Filme de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1
Como foi reler Jogos Vorazes?
Jogos Vorazes:
8 questões pertinentes por trás da história

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Jogos Vorazes: 8 questões pertinentes por trás da história

Jogos Vorazes é um distópico Young Adult, e isso não tem como negar. No entanto, a obra de Suzanne Collins é muito mais rica do que aparenta e, apesar de ter clichês como um triângulo amoroso, aborda questões pertinentes e que não podem ser ignoradas. Como toda distopia, Jogos Vorazes leva problemáticas atuais ao extremo e por isso é tão fácil de se identificar, apesar de, a princípio, parecer uma história tão distante da nossa. E assim nasceu a minha divagação do dia.

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A sociedade do espetáculo
Em Jogos Vorazes, os Estados Unidos receberam o nome de Panem que, em latim, significa “pão”. Pode parecer uma escolha arbitrária ou, no mínimo, curiosa da parte de Suzanne Collins. No entanto, a verdade é que a autora se inspirou na expressão “panem et circenses”, que conhecemos como “pão e circo” e que descreve a política criada pelos antigos romanos para aplacar a insatisfação do povo com os governantes. E é exatamente isso o que os Jogos Vorazes representam em Panem: além de um lembrete da primeira guerra no país, os Jogos também são um espetáculo sangrento usado para entreter e alienar ainda mais os habitantes da Capital.

Pode até ser que, na vida real, os reality shows (ainda) não sejam usados como arma do governo, no entanto, com certeza entretêm – muitas vezes, até demais – a população.  Mas a maior e mais assustadora semelhança entre os Jogos Vorazes e os realities de verdade é a manipulação dos participantes e, consequentemente, dos telespectadores. E com os programas cada vez mais mostrando a “realidade” sobre tudo e com a loucura que parece habitar o mundo, não me seria uma surpresa tão grande se um dia existisse algo mais parecido com os Jogos Vorazes.

A preocupação excessiva com a aparência
A preocupação excessiva com a aparência recebe muitas críticas de Suzanne Collins em Jogos Vorazes, a começar pelo visual excêntrico e cirurgicamente alterado dos habitantes da Capital – e qualquer semelhança com a realidade com certeza não é mera coincidência. Assim que se torna tributo, é a vez de Katniss passar por uma verdadeira transformação de beleza que, mesmo sendo aceitável, parece ligeiramente desnecessária, já que ela está prestes a lutar até a morte. As críticas à ditadura da beleza continuam ao longo de toda a série e atingem o ápice com as revelações de Finnick sobre o que acontece com os vitoriosos “desejáveis” dos Jogos Vorazes.

O poder das mulheres
Mais do que protagonista de uma história sobre revolução ou de um triângulo amoroso, Katniss é a personificação da força e da independência da mulher. Antes mesmo de se oferecer como tributo no lugar de Prim e ir para os Jogos Vorazes, Katniss já havia assumido os postos de provedora e chefe de família, deixados pelo pai, morto nas minas anos antes. Ao ir para os Jogos, ela demonstra também força e inteligência físicas e se responsabiliza por Peeta, recusando  qualquer gesto de cavalheirismo do personagem. Além de Katniss, a presidente do Distrito 13, Alma Coin, e a comandante do Distrito 8, Paylor, também representam o poder e a capacidade de liderança das mulheres.

O governo totalitário e o poder
Talvez a guerra particular entre Katniss e o presidente Snow seja um tanto fantasiosa e exagerada para a vida real. No entanto, retrata bem a sede pelo poder e coloca mais uma vez em discussão aquilo que Maquiavel já cansou de dizer – que “os fins justificam os meios”. Será? Em Jogos Vorazes, não existem limites para que o presidente Snow mantenha não apenas o controle, mas principalmente o poder sobre Panem. De certa forma, é ele quem escolhe quem morre e quem vive, não só por meio dos Jogos, mas também através das condições extremas em que vivem os habitantes de alguns distritos – o que, claro, nunca é por acaso e sempre é conveniente para a Capital. E se ignorarmos as licenças poéticas da história, será que não é exatamente isso que vivemos atualmente?

A desigualdade social
Com a ditadura imposta pelo presidente Snow, seria impossível que Panem não sofresse com a desigualdade social. A verdade é que, dos 12 distritos, apenas o 2 tem certas regalias, já que apoia a Capital e, de certa forma, os Jogos Vorazes, com os carreiristas. Os outros 11 vivem em maior ou menor grau de pobreza, fome, condições precárias, exploração e violência.

A moral e a ética
A discussão sobre moral e ética permeia toda a obra de Suzanne Collins e aparece em diversas situações. Mas é claro que Katniss é quem enfrenta a maior batalha entre o que é certo, o que é errado e até onde é aceitável ir para proteger aqueles que amamos.

A resiliência
A realidade de Katniss pode ser uma exceção, mas a verdade é que não é tão diferente assim de tragédias como os conflitos no Oriente Médio, os recentes ataques terroristas em Paris, entre outros acontecimentos lamentáveis. Acredito que para a maioria de nós, felizmente, seja difícil realmente mensurar o que é ser “o Tordo da revolução” ou ter que lidar com a realidade calamitosa que muitos têm que enfrentar. Mas a lição de resiliência serve para todos, em quaisquer situações, porque, no fim das contas, a maior dor do mundo é sempre a nossa. E não é questão de egocentrismo ou falta de empatia, é questão de ser humano.

A heroína e o mocinho
Desde o início de Jogos Vorazes, é possível perceber a intenção de Suzanne Collins de inverter os papéis entre Katniss e Peeta: ela, uma atiradora exímia, caçadora imbatível e chefe da família; ele, um padeiro talentoso, ótimo decorador de bolos e habilidoso com as palavras. Embora nos filmes, o Peeta seja muito mais frágil do que nos livros, fato é que em ambas as “versões” da história ele é, na verdade, o mocinho a ser resgatado por Katniss – seja na arena ou na Capital. Mas se ela o resgata fisicamente, será que ele não faz o mesmo por ela no, só que psicologicamente?

Eu, como fã incondicional do personagem, sempre defendi sua inteligência emocional que, em muitas situações, pode ser mais importante do que a física e, definitivamente, é mais útil a longo prazo. Mas, infelizmente, muitas vezes, ouvi deboches por ele ser “padeiro, fracote, baixinho (no caso dos filmes) e inútil” e que “o Gale é muito mais bonito, másculo e forte”. E a reflexão que eu proponho aqui é social e transcende as barreiras de #TeamPeeta e #TeamGale: se nós, mulheres, queremos ser fortes e independentes, não deveríamos aceitar homens que não são o estereótipo do macho alfa? E se desejamos ser vistas como iguais, o primeiro passo não é vê-los também como tal?

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Resenha de Jogos Vorazes
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Resenha de A Esperança
Livro x Filme de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1
Como foi reler Jogos Vorazes?

O que esperar de Jogos Vorazes: A Esperança – O Final?

É AMANHÃ!
Sim, mais um ano voou e amanhã já é o dia de assistir a Jogos Vorazes: A Esperança – O Final! E por aqui, estou com muitos mixed feelings: ansiedade louca, saudade antecipada, medo das mudanças, curiosidade monstra… Enfim! E pra tentar driblar tudo isso, resolvi me distrair com um post sobre o que esperar do último filme da saga. Bom, quem lê o blog ou me segue no Instagram sabe que, no último mês, reli os três livros e assisti novamente aos três filmes. E é claro que, com tudo fresquinho na memória, fui inundada por muitas dúvidas e receios sobre qual será o final da franquia – e resolvi compartilhar tudo com vocês por aqui :)

Ps: nem preciso avisar que este post está LOTADO de spoilers, né? Cuidado!

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Effie rebelde?
Nos livros, Effie Trinket conta com a ajuda de Cinna e Portia, que cuidam dos looks dos tributos do Distrito 12, e do prep team, composto por Venia, Octavia e Flavius, que dá um jeitinho na beleza de Katniss. Nos filmes, o grupo é reduzido a Effie e Cinna (que, infelizmente, é assassinado ainda em Em Chamas) e a Srta. This is Mahogany é a responsável por arrancar risadas dos espectadores no sombrio Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1. No entanto, a verdade é que, na obra original, é o prep team quem cuida de Katniss também no Distrito 13 e Effie só volta a aparecer no finalzinho da história, quando é revelado que ela sempre foi uma rebelde – aí, sim, fomos surpreendidos! Como Venia, Octavia e Flavius foram ignorados desde o princípio, será que ainda haverá espaço para descobrirmos que Effie sempre foi parte do plano?

Delly who?
Delly Cartwright é rapidamente citada no início de Jogos Vorazes (livro), quando Katniss reconhece uma avox (termo que só é explicado no terceiro filme) no Centro de Treinamento e Peeta evita maiores problemas dizendo que a menina lembra Delly, que foi colega de escola dos dois. Em A Esperança, ela volta à cena como uma das poucas sobreviventes do Distrito 12 e tem papel fundamental na recuperação de Peeta, que foi telessequestrado pela Capital. Quais são as opções para o último filme? 1. Eles vão arranjar um jeito de inserir Delly na história; 2. Outro personagem assumirá este papel; 3. O Peeta terá que se virar sozinho. Façam suas apostas!

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Peeta muito louco
Aliás, falando em Peeta telessequestrado, na obra original, nosso querido padeiro sofre muito e demora bastante para se recuperar. Eu amo os filmes, mas convenhamos que, no cinema, tudo é um pouco mais fácil do que nos livros. Então, o meu palpite é que o Peeta irá retomar as rédeas de sua própria mente mais rápido do que deveria. No entanto, o meu desejo é ver o Josh Hutcherson ralando para retratar as muitas batalhas internas do personagem. Quem sabe?

“Em vez disso, assisto a mim mesma levando um tiro na TV”
Como eu disse acima, nos filmes, a Katniss se ferra, mas bem menos do que nos livros. E no final da missão no Distrito 2 (que deve acontecer logo no início de Jogos Vorazes: A Esperança – O Final), o nosso Tordinho leva um tiro de raspão e eu tenho a leve sensação de que esse detalhe será omitido. Oremos para que eu esteja errada!

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Jogos políticos e vorazes
A Esperança contém muita ação, principalmente do meio para o final do livro. No entanto, os jogos políticos entre Katniss, Coin e Snow são a base da história. O que me preocupa é que a presidente do Distrito 13 é um tanto quanto mais boazinha e menos fria e calculista em Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 do que na obra original. Então, no último filme, Coin terá que mostrar o seu lado negro, caso contrário, algumas reviravoltas ficarão comprometidas – se é que vocês me entendem.

We love Johanna
Johanna Mason roubou a cena em Em Chamas (livro e filme), mas, no penúltimo longa da série e na primeira metade de A Esperança, ela quase não aparece, já que está como refém na Capital. No entanto, nesta segunda metade da história, Johanna ganha mais espaço e a relação dela com a Katniss quase pode ser chamada de amizade. Algo me diz que essas partes serão cortadas, já que, verdade seja dita, não são de extrema importância para a trama. Mas eu espero que Johanna seja usada pelo menos para nos fazer rir um pouco.

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Beijo, Gale, tchau!
Presumo que seja IMPOSSÍVEL que a Katniss fique com o Gale em vez do Peeta no filme – mas Hollywood é complicada e nunca se sabe, né? Enfim, considerando que ela realmente irá ficar com o padeiro lindo, espero que fique claro no longa que não se trata exatamente de uma escolha uni-duni-tê, pelo contrário: ao longo de toda a série e, especialmente, em A Esperança, Katniss percebe as diferenças intransponíveis que não apenas existem entre ela e Gale, mas que se intensificam com os acontecimentos finais. Agora, o que me preocupa: em Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, o Gale é muito mais “dependente” da Katniss do que no livro e, talvez, não fique tão claro o porquê do Tordinho ficar com o Peeta no final.

“Turn your weapons to the Capitol”
A segunda meta de A Esperança gira em torno da caminhada de Katniss, Gale, Boggs e companhia para a Capital e acredito eu que o último filme seguirá o mesmo caminho. No entanto, a jornada até a mansão do Snow é longa e repleta de reviravoltas e mortes (nem quero pensar nisso, aliás) e, talvez, o longa reduza consideravelmente a quantidade de personagens envolvidos e, por consequência, toda a aventura. De novo, oremos para que eu esteja errada!

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E que Jogos Vorazes: A Esperança – O Final bombe tanto quanto…
Piadas à parte, a maior ironia, e talvez também uma das maiores sacadas, da série de Suzanne Collins é: o que começou como uma tentativa de salvar a vida de Prim culmina justamente na morte dela. Mas acho que a mensagem que fica é que, obviamente, Katniss preferiria ter a irmã viva, mas, muitas vezes, é preciso sacrificar tudo o que temos por um bem maior. No entanto, eu confesso que não estou 100% convencida de que a Prim irá morrer na adaptação – e se morrer, será que vão explicar a suposta origem das bombas?

Não há aprendizados sem manchas
As bombas que mataram Prim também feriram Katniss e Peeta gravemente, queimando boa parte de seus corpos. Eu sei, é detalhe, é preciosismo, mas como o Peeta nunca perdeu a perna e a Katniss nunca ficou surda após os primeiros Jogos Vorazes, será que vão se dar ao trabalho de fazer essa maquiagem toda? Eu voto em “não”.

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Team Peeta Forever!
Eu torci pelo Peeta desde que percebi que ele não queria matar a Katniss nos primeiros Jogos Vorazes, então é claro que eu não poderia ter saltitado mais de felicidade após ler o epílogo de A Esperança. No entanto, eu reconheço que, muitas vezes, o Peeta dos filmes (te amo, Josh), especialmente em Em Chamas, parece um tanto quanto inútil. Mas, nos livros, a história é diferente e se faltam habilidades físicas a ele, sobram as emocionais, como a compaixão, a empatia e a habilidade inigualável de se expressar. E eu espero que isso tudo fique muito claro em Jogos Vorazes: A Esperança – O Final.

Pode até parecer que não, mas minhas expectativas em relação ao último filme da série são altas, baseada em tudo o que vi até agora, e eu acredito, de verdade, que elas serão pelo menos atendidas. Na quinta-feira, eu volto com o Livro x Filme do último longa da franquia e a gente vai descobrir o que eu errei e o que eu acertei.

E vocês, o que esperam de Jogos Vorazes: A Esperança – O Final?

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Resenha de Jogos Vorazes
Resenha de Em Chamas
Resenha de A Esperança
Livro x Filme de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1
Como foi reler Jogos Vorazes?

Como foi reler Jogos Vorazes?

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Eu não canso de falar aqui no blog sobre a delícia que é reler um livro que a gente ama. E, hoje, vim contar mais uma experiência feliz que tive com uma releitura: Jogos Vorazes. Eu li a trilogia de Suzanne Collins no finalzinho de 2013 e foi amor à primeira lida! No entanto, no ano passado, na época da estreia de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, eu confesso que já não lembrava de muitos detalhes do último livro e até comecei a relê-lo, mas logo abandonei. Eis que, já sofrendo de saudades antecipadas da série de filmes (e lembrando menos ainda dos detalhes das obras originais), decidi fazer a lição de casa direitinho e reler a trilogia toda antes do dia 18 de novembro, que é quando vou assistir Jogos Vorazes: A Esperança – O Final.

Apesar de amar a saga de Suzanne Collins, admito que, toda vez que eu pensava em reler os três livros, rolava uma preguiça. Mas, como não custava nada, resolvi tentar, principalmente porque quero escrever o Livro x Filme do último longa da série e, sem reler A Esperança, definitivamente não conseguiria fazer análise alguma. No entanto, para minha felicidade, a releitura dos dois primeiros volumes fluiu muito mais do que eu esperava e, realmente, foi como matar a saudade de velhos amigos! Mas a verdadeira surpresa ficou por conta de A Esperança: da primeira vez que li, apesar de toda a curiosidade para saber qual seria o desfecho da história, demorei 6 dias para terminar o livro e, como ele gira muito mais em torno de jogos políticos, não me cativou tanto quanto Em Chamas – meu favorito, até então.

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Com a releitura, porém, algumas coisas mudaram. Embora eu ainda goste muito do segundo volume da série, o último se tornou o meu preferido. Ironicamente, bastante por causa da guerra política (talvez meu perfil de leitora tenha mudado um pouco nestes dois anos), mas principalmente por deixar Katniss – e, consequentemente, o leitor – com os nervos à flor da pele. Sério, reler a série, especialmente Em Chamas e A Esperança, foi uma experiência muito mais intensa do que da primeira vez – e do que eu esperava.

Fiquei decepcionada comigo mesma por perceber que lembrava de pouquíssimos detalhes dos três livros – talvez por ter assistido muito aos filmes, que, apesar de serem boas adaptações, ignoram milhares de fatos da obra original. Mas acho que isso tem mais a ver com o fato de que, da primeira vez, eu estava tão enlouquecida para saber o que ia acontecer, quem mais ia morrer e quem Katniss iria escolher, que acabei indo com sede demais ao pote. Desta vez, já sabendo a respostas para todas estas e outras dúvidas, saboreei mais a história e, em vez de querer saber os “o quês”, me preocupei mais com os “comos” e “porquês”.

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Quem me conhece sabe que eu AMO o Peeta (e o Josh Hutcherson, hehe) e que, além do meu queridinho de Jogos Vorazes, ele é também um dos meus personagens preferidos de todos os tempos. E obviamente, disso eu nunca esqueci. No entanto, revisitar os três livros me fez lembrar – e perceber que nada mudou – de todos os muitos motivos pelos quais eu gosto tanto do Peeta. Resumindo, reler Jogos Vorazes foi uma das melhores decisões literárias que tomei em 2015: me apaixonei, me lembrei, me surpreendi e, principalmente, me emocionei como se fosse a primeira vez <3

Alguém aí também releu a trilogia recentemente?

Livro x Filme: Jogos Vorazes – A Esperança – Parte 1

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Foi uma longa espera. Mas, enfim, chegou o dia da estreia de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1. E eu confesso que a adaptação da primeira metade do livro não mexeu comigo como eu esperava, mas também ficou muito longe de ser uma decepção.

Se Jogos Vorazes Em Chamas não exigiram exatamente grandes atuações de Josh Hutcherson, A Esperança – Parte 1 foi diferente. No terceiro filme da saga, o ator que dá vida a Peeta Mellark foi colocado à prova e não fez feio. Pelo contrário: Peeta aparece poucas vezes em comparação aos filmes anteriores, mas todas as aparições são intensas e convincentes, além de fundamentais para a trama. A perda de peso e a maquiagem complementam a expressão de Josh e garantem uma grande interpretação. Para mim, ele protagoniza alguns dos melhores trechos do filme e, se continuar assim, tem tudo para ser o grande destaque de A Esperança – Parte 2.

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Se Josh dá um show de atuação, Liam Hemsworth também não fica atrás. Enquanto nos dois primeiros filmes, Gale é um coadjuvante importante, mas ainda coadjuvante, em A Esperança – Parte 1, ele assume completamente o papel de co-protagonista. E justiça seja feita: Liam consegue levar a importância que Gale tem no livro para o filme com perfeição. Jennifer Lawrence, como de costume, também não deixa a desejar e retrata muito bem a personalidade ora apática ora explosiva, mas sempre extremamente humana, de Katniss Everdeen. Para mim, uma das cenas mais delicadas e, ao mesmo tempo, brutais do longa é a que ela canta a música The Hanging Tree.

Sam Claflin é o Finnick Odair ideal e Elizabeth Banks, Woody Harrelson e Philip Seymour Hoffman também continuam perfeitos como Effie, Haymitch e Plutarch, respectivamente. O trio é o responsável pela dose certeira de humor e acidez do longa, que, bastante intenso e pesado, precisa destes respiros. Julianne Moore, por sua vez, dá vida a uma presidente Coin muito mais tolerante e humanizada, enquanto Donald Sutherland permanece perfeitamente cruel como o presidente Snow. A única baixa do elenco é Jena Malone, que pouco aparece como Johanna Mason, mas que deve ter bem mais espaço em A Esperança – Parte 2. 

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A Esperança – Parte 1 é fiel ao livro e alguns dos melhores diálogos criados por Suzanne Collins foram reproduzidos ao pé da letra no filme. E é por isso que eu não sei dizer exatamente o que faltou no longa, na minha opinião. Talvez seja o fato de que Jogos Vorazes Em Chamas têm muito mais prática do que teoria, enquanto A Esperança – Parte 1 é o contrário, o que pode ter sido um desafio na hora da adaptação. Também acho que, apesar de ter o mesmo clima sombrio e pesado do livro, o filme deixou a desejar em matéria de drama e emoção em algumas cenas, como a do resgate dos vitoriosos.

Desde a franquia Harry Potter, Hollywood está com a mania de dividir o último livro das sagas em dois filmes. Em alguns casos, acho que pode ajudar, mas, em outros, fica a dúvida. E A Esperança está no segundo grupo. Como o longa tem menos de 2h30, o que acho “pouco” para os padrões atuais, fico pensando se não teria sido melhor adaptar o livro inteiro de uma vez. Talvez ficasse muito atribulado, mas também poderia ter sido uma boa solução para mesclar mais prática com teoria. É difícil dizer. No entanto, mesmo com essa sensação de que alguma coisa faltou, fiquei bastante satisfeita com A Esperança – Parte 1. E a pergunta que não quer calar é: falta muito para chegar novembro de 2015?

Título original: The Hunger Games: Mockingjay – Part 1
Filmes anteriores: Jogos Vorazes e Jogos Vorazes: Em Chamas
Filme seguinte: The Hunger Games: Mockingjay – Part 2
Diretor: 
Francis Lawrence
Ano: 2014
Minutos: 123
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Philip Seymour Hoffman e Julianne Moore
Avaliação: 4 estrelas

Leia as resenhas de:
Jogos Vorazes
Em Chamas
A Esperança

*Fotos: Leitoras Apimentadas

A Esperança – Suzanne Collins

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS DE JOGOS VORAZES E EM CHAMAS!
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Após o atribulado final do Massacre Quartenário e a destruição de sua cidade, Katniss se muda para o Distrito 13 com a família, onde também estão Gale e outros moradores do 12. No entanto, o que deveria marcar o fim da briga entre Katniss e o presidente Snow se transformou em uma verdadeira guerra de alcance nacional. Agora, cabe à tributo do Distrito 12 decidir se quer ser a líder de uma rebelião que pode custar a vida daqueles que ama ou se prefere ver mais e mais crianças e adolescentes sendo devorados pelas próximas edições dos Jogos Vorazes.
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Se Jogos Vorazes Em Chamas ainda trazem momentos de mais “tranquilidade”, A Esperança é dominado por um clima de tensão e guerra total, com crueldade, manipulação, estratégia e (muitas) mortes. Mais uma vez, fica claro que Suzanne Collins não tem piedade de Katniss, o que é uma das maiores qualidades de toda a saga.
O terceiro e último volume da série é consistente e parece combinar o que os dois anteriores têm de melhor. Assim como em Jogos Vorazes, Suzanne adia ao máximo o clímax, mas, em A Esperança, ela é capaz de criar diversos pontos altos pelo caminho sem entregar a “surpresa” final. Já de Em Chamas, a autora empresta as diversas reviravoltas e, mesmo que o leitor já esteja parcialmente preparado para algumas delas, ela ainda é capaz de surpreender com toques inesperados.
Acredito que o principal ingrediente para que a trilogia Jogos Vorazes tenha se transformado neste fenômeno é a habilidade de Suzanne em misturar doses ideais do romance adolescente, com um triângulo amoroso cativante e que mantém todas as possibilidades até o fim, e uma trama sólida e muito bem amarrada, “de gente grande”. A tudo isso, a autora ainda acrescenta críticas ácidas à sociedade do espetáculo, às relações políticas, à manipulação por parte da mídia e, claro, ao regime totalitário.
Ouvi dizer que algumas pessoas não curtiram muito o fim de A Esperança e acredito que possa ser porque o desfecho não é do tipo “felizes para sempre”. No entanto, para mim, o final do terceiro volume da saga de Katniss Everdeen é coerente, justo e digno de livros tão bem escritos. Após ler a última página, a sensação que fica é aquele vazio “bom” e a espera por outra série tão incrível.

Título original: Hunger Games – Mockingjay
Editora: Rocco
Volumes anteriores: Jogos Vorazes e Em Chamas

Autor: Suzanne Collins
Ano: 2010

Páginas: 421
Tempo de leitura: 6 dias

Avaliação: 5 estrelas

Em Chamas – Suzanne Collins

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS DE JOGOS VORAZES!

 

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Katniss e Peeta se sagraram os vencedores dos Jogos Vorazes, mas isso não quer dizer que tenham salvado suas vidas. Pelo contrário. O presidente Snow não ficou nem um pouco feliz com o episódio das amoras, que tornou a dupla do Distrito 12 a vitoriosa da 74ª edição dos Jogos e acabou incentivando alguns habitantes de Panem a promover levantes contra a Capital. Para evitar que as manifestações se transformem em revolução, Snow pretende manipular Katniss, o símbolo dos rebeldes, para manter o controle sobre a população. Mas talvez este seja, na verdade, o começo de uma guerra.

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No início, a tensão de Em Chamas é muito mais psicológica do que em Jogos Vorazes, que já começa com o dia da colheita. No entanto, este clima dura pouco tempo, já que logo uma reviravolta coloca todos os nervos à flor da pele. Em meio a tudo isso, encontramos uma Katniss assustada com tantas responsabilidades, mas, acima de tudo, confusa sobre seus sentimentos em relação a Gale e Peeta. O primeiro é aquele personagem por quem sabemos que a protagonista sente algo especial desde a primeira aparição. Mas o segundo conquista a afeição aos poucos, não só de Katniss, como também do leitor, de forma inesperada e consistente.

 

Como já era de se esperar, é difícil falar sobre Em Chamas sem dar spoilers demais. O que posso dizer é que o segundo volume da série traz dúvidas parecidas com as do primeiro, mas repaginadas e aprofundadas. O final de Em Chamas é daqueles que deixam a história totalmente em aberto e o leitor sem fôlego e ávido pelo último volume, A Esperança. 

 

Título original: Hunger Games – Catching Fire
Editora: Rocco
Volume anterior: Jogos Vorazes
Volume seguinte: A Esperança
Autor: Suzanne Collins
Ano: 2009
Páginas: 416
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 4 estrelas

 

**A versão cinematográfica de Em Chamas chegou aos cinemas em 2013. Em novembro de 2014 e novembro de 2015, serão lançados A Esperança – Parte 1 A Esperança – Parte 2, respectivamente.

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