De repente acontece – Susane Colasanti

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Sara é uma garota estudiosa e romântica, que sonha em viver o amor verdadeiro e acha que pode encontrá-lo em Dave, um dos meninos mais bonitos e populares da escola. No entanto, quando ele finalmente a chama para sair e os dois começam a namorar, ela descobre que, talvez, Dave não seja o namorado que procura. Ao mesmo tempo, Sara fica sabendo que Tobey, um aspirante a músico, pode estar apaixonado por ela e, então, ambos passam a experimentar sensações completamente inéditas.

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A sinopse de De repente acontece já não é a mais original e intrigante do universo, no entanto, se fosse bem desenvolvida, poderia cativar o leitor. Porém, o que encontrei na obra de Susane Colasanti foi um festival de clichês, diálogos fracos, previsíveis e que não dizem nada, além de personagens rasos, caricatos, incoerentes e irritantes.

A história começa com Sara apaixonada por Dave e Tobey apaixonado por Sara – o livro é narrado por ambos, em capítulos alternados. Ao mesmo tempo em que percebe que Dave talvez não seja o garoto perfeito, Sara também passa a prestar mais atenção em Tobey, depois de descobrir pela melhor amiga, Laila, que ele está interessado nela. Nesta parte da trama, Colasanti poderia ter desenvolvido um triângulo amoroso interessante, que teria enriquecido muito mais a história. No entanto, a autora optou por tornar a escolha entre Tobey e Dave simples e fácil, tanto para o leitor como para a protagonista: enquanto um se mostra completamente diferente do ideal, o outro ganha espaço com as atitudes apaixonadas.

Em De repente acontece, Colasanti ainda tenta abordar assuntos mais sérios, como divórcio, traição, sexo e a relação conturbada com os pais. No entanto, a impressão que fica é que a autora quer tratar de tantos assuntos polêmicos que o faz de forma superficial e fora de contexto. A atitude negligente da mãe em relação a Sara, por exemplo, poderia ter sido muito melhor explorada, mas, como todo o resto do livro, fica relegada a diálogos sem significado e resoluções simples.

Também fica clara a intenção de Colasanti de criar aquele personagem secundário, que é sábio à sua maneira e tem os melhores conselhos para o protagonista (exemplos: Herr Silvermann, de Perdão, Leonard Peacock, e o professor Bill, de As Vantagens de Ser Invisível). Em De repente acontece, este personagem seria o Sr. Slater, que, adivinhem só, não cativa, tampouco tem bons conselhos.

Para completar a catástrofe que é De repente acontece, a autora parece ter se empenhado em escrever diversas frases de efeito, que ora são completos clichês, ora nem sentido fazem. Além de tudo isso, Colasanti ainda usa detalhes que viriam a ser utilizados em suas futuras obras, como a vontade de Sara de ir para Nova York (como Brooke, de Bem mais perto) e a mania de acreditar em sinais do universo (como Lani, de Tipo Destino, que, obviamente, acredita no destino).

A única qualidade do livro é que a leitura flui bastante, e acho que só por isso consegui terminá-lo. Quando cheguei ao final de De repente acontece, percebi que, na verdade, a obra de Susane Colasanti simplesmente não tem uma história a ser desenvolvida: sem um ponto de partida consistente, também não tem linha de chegada determinante.

Título original: When it happens
Editora: Novo Conceito
Autor: Susane Colasanti
Ano: 2006
Páginas: 286
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 1 estrela

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Bem Mais Perto – Susane Colasanti

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Brooke sempre foi apaixonada por Scott, mesmo que eles nunca tenham conversado. Com a aproximação do final do ano letivo, ela toma coragem de se declarar, mas desiste quando descobre que ele está de mudança para Nova York. Brooke sempre quis viver na “cidade grande” e, como seu pai já mora por lá, ela decide que este é o sinal de que a hora certa chegou. Se adaptar à Nova York não é problema para Brooke, tampouco encontrar Scott e se aproximar dele. Mas nem tudo ocorre como o esperado.

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No início, apesar de alguns imprevistos, os acontecimentos se desenrolam com muita rapidez e tudo começa a dar certo demais. A história criada por Susane Colasanti é bastante permeada por clichês do gênero e Brooke se mostra uma adolescente por vezes irritante e cega de amor.

Após o início morno e previsível, porém, a trama ganha novos contornos. A verdadeira moral da história começa a tomar forma e, como diz o subtítulo “Acordando para uma vida nova”, Brooke entende que sua mudança para Nova York pode ser muito mais do que apenas uma forma de conquistar Scott. E, então, depois de ser muito teimosa, mimada e impulsiva, Brooke, enfim, enxerga os fatos e entende a magnitude da oportunidade que está tendo. É verdade que ela encontra a resolução com muita facilidade, mas isso não desvaloriza a essência da trama. 

Comparado a Anna e o Beijo FrancêsBem mais perto não é capaz de criar a atmosfera quase mágica da obra de Stephanie Perkins, mas é uma leitura leve, fluida e agradável.

Título original: So much closer
Editora: Novo Conceito
Autor: Susane Colasanti
Ano: 2011
Páginas: 240
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Tipo Destino – Susane Colasanti

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Lani é uma adolescente que se importa com o meio-ambiente e nunca deixa de ler o horóscopo. Ela acredita em destino e está sempre em busca de sinais que possam mostrar qual caminho deve seguir. Muito ligada aos melhores amigos, Erin, a quem se sente eternamente ligada por conta de um acidente misterioso, e Blake, de quem guarda um grande segredo, Lani nunca teve problemas em manter e demonstrar sua lealdade. Mas tudo pode mudar quando ela se apaixona por Jason, namorado de Erin, e é correspondida. E, então, todos os sinais que o destino enviar podem ajudar Lani a descobrir qual deve ser o próximo passo.
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O enredo de Tipo Destino é baseado em traições, dilemas e segredos e, por isso, promete uma boa história. Mas a execução de Susane Colasanti não corresponde à expectativa que a sinopse causa. A autora tenta criar personagens profundas, com bagagem e tramas paralelas, mas não o faz com perfeição.
As obras de Susane costumam ser comparadas às de Stephanie Perkins, de Anna e o Beijo Francês (2010), e a associação tem fundamento. Em Tipo Destino, Colasanti procura criar uma relação intensa, com tensão constante, entre Jason e Lani, mas a tentativa não é 100% bem-sucedida. Já Perkins é capaz de trazer ao leitor uma conexão quase mágica entre Anna e St. Clair, que permeia todo o livro e culmina em um desfecho incrível.
Como o título já denuncia, o destino tem papel de destaque na história de Colasanti. Mas, em alguns momentos, Lani força a barra e trata o assunto como se tudo na vida já estivesse traçado e como se qualquer detalhe fosse digno de ser considerado um sinal. E, infelizmente, o desfecho confirma que, para Lani, o destino pode, sim, resolver tudo. Tipo Destino é uma leitura fluida e agradável, no entanto, os dilemas, que tinham tudo para manter o leitor interessado até a última página, são reduzidos a resoluções simples e rápidas demais. A sinopse promete e o livro não cumpre.
Título original: Something Like Fate
Editora: Novo Conceito 
Autor: 
Susane Colasanti
Ano: 2010
Páginas: 288
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 2 estrelas