Resenha de Doutor Sono (O Iluminado #2) – Stephen King

Danny Torrance sobreviveu ao horror do Hotel Overlook. Mas é claro que um pesadelo como aquele deixaria sérias e duradouras sequelas. Décadas depois, Danny, agora Dan, luta para não seguir o mesmo caminho que o pai – o do alcoolismo e da violência. Quando, enfim, retoma o controle de sua vida, ele conhece Abra Stone, uma garota que, aos 12 anos, já é mais iluminada do que ele jamais foi ou será. E Dan terá que enfrentar todos os fantasmas do seu passado – inclusive o Overlook – para impedir que o pior aconteça a Abra.

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O Iluminado foi uma das minhas leituras favoritas de 2016. Então, foi inevitável querer ler Doutor Sono e descobrir o futuro da Danny. Mas também foi impossível não ter certo receio quanto à sequência de uma das histórias mais célebres de Stephen King. Como sempre, a curiosidade falou mais alto e decidi correr o risco. E apesar do início levemente arrastado, não é que Doutor Sono superou minhas expectativas?

É claro que tudo o que aconteceu no Hotel Overlook serve de pano de fundo para a continuação de O Iluminado. No entanto, apesar de estar inevitavelmente ligado ao primeiro livro, o segundo também consegue ser independente e contar uma nova história. A obra gira em torno do passado de Dan e do futuro de Abra, que pode não existir, graças ao Verdadeiro Nó (uma tribo que se alimenta da morte de crianças como ela). A trama é narrada sob três pontos de vista (Dan, Abra e Verdadeiro Nó), o que torna o leitor onisciente, curiosamente aumentando a tensão da leitura.

Em Doutor Sono, Stephen King mostra mais uma vez que é especialista em criar histórias assustadoras e, ao mesmo tempo, emocionantes. Em O Iluminado, é a relação de Danny e Dick Hallorann que retrata a lealdade e a compreensão que podem existir entre duas pessoas. Já na sequência, a missão cabe a Dan e Abra, que não deixam a desejar. E, como sempre, é isso que faz com que Doutor Sono (e todas as obras do autor) não seja apenas um bom livro de terror, mas também uma ótima história sobre companheirismo e amor.

Doutor Sono é também um grande thriller. A tensão está presente em toda a leitura, mas, no confronto final, se eleva a um novo patamar – e fica difícil largar o livro! A trama também surpreende com plot twists realmente inesperados, mas que acabam fazendo todo o sentido e explicando boa parte do enredo. Mas, como de costume quando o assunto é Stephen King, Doutor Sono não é para qualquer um. Isso porque é preciso se entregar completamente à história, mergulhando nas realidades paralelas que só King é capaz de criar.

Título original: Doctor Sleep
Volume anterior: O Iluminado
Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
Ano: 2013
Páginas: 480
Tempo de leitura: 7 dias
Avaliação: 4 estrelas

Resenha de Cujo – Stephen King

Cujo é um dócil são-bernardo, que, certo dia, decide caçar um coelho e acaba preso em uma caverna infestada por morcegos contaminados. Ele consegue se libertar, mas não sem consequências devastadoras, que irão mudar drasticamente a vida de toda a pacata cidade de Castle Rock, no Maine.

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Stephen King tinha duas opções: narrar a luta de mãe e filho, presos dentro de um carro e encurralados por um cão com raiva; ou criar subtramas para que o livro fosse muito mais do que mãe e filho encurralados por um cão com raiva. E sendo quem é, é claro que o autor escolheu a segunda opção, criando personagens tridimensionais, com dilemas complexos e que os tornam completamente reais.

Cujo já começa com doses de tensão. Mas, antes do “circo pegar fogo”, viajamos um pouco no tempo, para que a trama que vem a seguir seja completamente contextualizada. No entanto, quando a ação realmente começa, o terror (seja ele psicológico ou sanguinolento) toma conta da história e a tensão se torna constante. E como King é sempre surpreendente e não tem medo de “decepcionar” o leitor, os plot twists realmente pegam de surpresa, ao mesmo tempo em que fazem todo o sentido.

O que mais gostei em Cujo foi o fato de que, na verdade, não existem vilões e mocinhos nessa história. Todos os personagens são, em maior ou menor grau, vítimas de algo maior do que qualquer coisa: o destino.

Título original: Cujo
Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
Ano: 1981
Páginas: 376
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 5 estrelas

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A Colônia (A Colônia #1) – Ezekiel Boone

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Ninguém poderia imaginar que a massa negra que devorou um turista americano em meio à floresta peruana se tratava de milhões de exemplares de uma espécie de aranhas adormecida há mais de mil anos. No entanto, com velocidade impressionante, as misteriosas criaturas invadem lugares espalhados por todo o mundo, se tornando uma verdadeira ameaça à existência da humanidade.

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A capa costuma ser o suficiente para deixar claro que A Colônia não deve ser lido em caso de aracnofobia. Mas a verdade é que a obra de Ezekiel Boone é tão detalhista em relação à invasão e ao ataque das aranhas, que você só deve apostar na leitura se realmente não se importar com as criaturas. Caso contrário, serão muitos momentos de pura aflição.

Dito isso, vamos à história em si. Quem acompanha o blog sabe que eu amo livros que mesclam terror e cenários apocalípticos. Por isso, as expectativas em relação a A Colônia eram altas. A história demorou para engrenar, o que me desanimou um pouco no início da leitura. No entanto, isso só acontece porque Ezekiel Boone quis criar mais do que uma boa história de terror. Com narrações sob vários pontos de vista e tramas paralelas que envolvem aspectos extremamente pessoais dos personagens, o autor oferece ao leitor uma obra nada superficial e que vai muito além da invasão das aranhas.

E quando digo “sob vários pontos de vista”, não quero dizer apenas que Ezekiel Boone criou uma série de protagonistas em A Colônia. Por meio de cada personagem, a história retrata como a invasão das aranhas impactou o mundo. Entre os narradores, temos desde um turista e um agente do FBI até a presidente dos Estados Unidos e uma cientista especialista em aranhas. Aos poucos, as subtramas se interligam e acredito que essas conexões apenas cresçam no segundo volume da série. E se o começo do livro exige um pouco de paciência, justiça seja feita: toda a contextualização vale a pena e, quando realmente começa, a história se torna difícil de largar. O final completamente em aberto deixa o terreno pronto para uma continuação em que tudo pode acontecer.

Título original: The Hatching
Editora: Suma de Letras
Volume seguinte: Skitter
Autor: Ezekiel Boone
Ano: 2016
Páginas: 272
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 3 estrelas

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