Semana Toda luz que não podemos ver: trechos preferidos

A semana Toda luz que não podemos ver, proposta pela Editora Intrínseca aos blogs parceiros, chega em sua reta final e eu encerro minha participação por aqui :) Adorei contar por que a obra de Anthony Doerr é inesquecível, eleger meus personagens favoritos e escrever uma carta para Marie-Laure.

E, hoje, para fechar com chave de ouro, é dia de contar quais são nossos trechos preferidos da história. Eu sempre marco as quotes que gosto durante a leitura e, se considerarmos que Toda luz que não podemos ver tem mais de 500 páginas e é um livro incrível, até que escolhi poucas. Mas, como não poderia ser diferente, são incríveis e arrebatadoras!

Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre.

 

Seu problema, Werner, é que você ainda acredita que a sua vida lhe pertence.

 

Quando perdi a visão, Werner, as pessoas disseram que eu era corajosa. Quando meu pai foi embora, as pessoas disseram que eu era corajosa. Mas não era coragem; eu não tinha escolha. Acordo todos os dias e vivo minha vida. Você não faz a mesma coisa?

 

Algumas tristezas nunca deixam de existir.

É isso <3 Espero que tenham gostado da semana Toda luz que não podemos ver tanto quanto eu!

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Semana Toda luz que não podemos ver: uma carta para Marie-Laure

Chegamos ao meio do caminho da semana Toda luz que não podemos ver, proposta pela Editora Intrínseca aos blogs parceiros, e o desafio de hoje é difícil: escrever uma carta para um personagem da obra de Anthony Doerr. Eu amo escrever e ler cartas, então, apesar de ter ficado com receio de não escrever algo decente, decidi participar da brincadeira e escolhi Marie-Laure como minha destinatária :) E aí está o resultado!

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Querida Marie-Laure,

Quando conheci você, já órfã e prestes a perder a visão, me perguntei por que Deus, ou quem quer que seja, pode reservar tantos infortúnios a uma pessoa só. Acreditei que você, tão pequena e vulnerável, precisaria receber mais cuidados e proteção do que qualquer outra pessoa. Por um lado, eu acertei. Mas, por outro, errei – e muito feio.

Talvez você tenha precisado dos olhos e das esculturas do inesquecível Daniel LeBlanc, seu pai, para aprender a enxergar o mundo novamente. Afinal, como diria John Donne, “nenhum homem é uma ilha”. Mas a verdade é que você, Marie-Laure, ainda tão jovem e ingênua, aprendeu, como em um passe de mágica, a lição que, para muitos, nem mesmo uma vida inteira é o suficiente: o que realmente importa é invisível aos olhos.

Sim, eu me perguntei por que Deus, ou quem quer que seja, pode reservar tantos infortúnios a uma pessoa só. Mas a verdade é que, como minha própria mãe costumava dizer, “cada um recebe a missão que é capaz de cumprir”. E, mesmo sem ainda saber se acredito ou não em Deus ou em uma força maior, tenho a certeza de que minha mãe estava certa. E de que você, Marie-Laure, pode ter precisado de proteção e cuidados físicos – embora tenha se virado muito bem sozinha -, mas sempre protegeu todos ao seu redor e que conheceram a sua história com a força da esperança e o poder de “toda luz que não podemos ver” – que, para mim, é o amor. E por isso, Marie, eu sempre vou ser grata.

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É difícil, talvez impossível, escrever algo que esteja à altura de Toda luz que não podemos ver, mas confesso que é divertido entrar na brincadeira e deixar as palavras fluírem :) Para ver os posts dos outros dias da semana dedicada à obra de Anthony Doerr, clique aqui e aqui!

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Semana Toda luz que não podemos ver: meu(s) personagem(s) favorito(s)

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A semana Toda luz que não podemos ver, proposta pela Editora Intrínseca aos blogs parceiros, continua e hoje é dia de falar sobre nosso personagem favorito. Bom, eu confesso que falhei em eleger apenas um, porque a obra de Anthony Doerr é repleta de personagens incríveis e inesquecíveis. Mas consegui escolher “apenas” três: os protagonistas, Marie-Laure e Werner, e Daniel LeBlanc. Quem leu o livro com certeza vai entender tanto a minha dificuldade quanto as minhas escolhas e, aí embaixo, vou falar um pouquinho sobre cada um – sem spoilers!

Marie-Laure perdeu a visão quando ainda era criança, mas não deixou que a deficiência a definisse ou limitasse. Pelo contrário, a personagem enfrenta os medos de forma real e encontra maneiras de superar suas dificuldades e enxergar além do visível e do invisível. No entanto, tudo seria ainda mais difícil sem o pai, Daniel LeBlanc, que, mesmo após perder a esposa e ter a filha acometida pela cegueira, se recusou a se entregar à amargura. E o fato de Daniel ter construído bairros em miniatura para ajudar Marie a “enxergar” as cidades de Paris e Saint-Malo é apenas uma amostra da generosidade e do amor que o personagem transborda.

Tão incrível quanto Marie, Werner é o outro protagonista de Toda luz que não podemos ver e eu não poderia deixar de citá-lo. O personagem seria louvável apenas pela genialidade, que rendeu a ele uma vaga em uma concorrida escola nazista e, automaticamente, um lugar no “lado mais forte” da Segunda Guerra Mundial. No entanto, Werner não deixa que os privilégios a que tem acesso tomem conta de quem ele é, transformando-o em apenas mais um fantoche de Hitler, e, apesar do medo, enfrenta o Nazismo, ainda que à sua maneira. E apesar de toda inteligência, compaixão é a principal característica de Werner e foi exatamente o que me deixou encantada pelo personagem.

Se você também leu Toda luz que não podemos ver, qual foi o seu personagem preferido? <3

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Semana Toda luz que não podemos ver: o que o torna inesquecível?

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Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr, venceu o Prêmio Pulitzer de ficção em 2015, o que já seria o suficiente para que muitas pessoas se interessassem pela obra. No entanto, a história de Werner e Marie-Laure, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, conquista e encanta o leitor com muito mais do que isso. Nas redes sociais (especialmente no Instagram), é possível constatar como o livro é querido por quem o leu e desejado por quem ainda não se entregou à experiência. Exatamente por isso, a Editora Intrínseca convidou os blogs parceiros a participar da semana dedicada à obra de Anthony Doerr – e, tendo amado o livro como amei, não poderia recusar – e nesta segunda-feira é dia de contar o que torna Toda luz que não podemos ver um romance inesquecível!

A primeira coisa que me chamou a atenção na obra foi o estilo de escrita de Anthony Doerr: poético e profundo, mas, ao mesmo tempo, contemporâneo e democrático. Marie-Laure é deficiente visual e o autor transforma esta característica da personagem em um recurso para explorar cores, formas, aromas e sensações de maneira ímpar. Mas o melhor é que Doerr leva essa experiência sensorial além dos trechos narrados sob o ponto de vista de Marie, criando uma história repleta de detalhes que não são cansativos e, sim, enriquecedores.

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O segundo grande mérito de Toda luz que não podemos ver é narrar uma trama que se passa durante a Segunda Guerra Mundial e não transformá-la em uma história sobre as atrocidades pelas quais passaram os judeus. Não me levem a mal, eu gosto muito de ler obras que têm o Nazismo como pano de fundo, mas também é muito bom ser surpreendido por uma história que foge do lugar comum e que, nem por isso, é menos impactante. Aliás, pelo contrário: ao retratar como uma garota cega francesa e um menino gênio alemão foram afetados pela Segunda Guerra Mundial, Doerr nos mostra como a magnitude deste evento pode ter sido – e com certeza foi – ainda maior do que conseguimos imaginar, tantos anos depois.

Por fim, Toda luz que não podemos ver fala sobre moral e ética sem ser pedante ou óbvio e nos brinda com personagens fortes e generosos, mas que também são extremamente reais, já que possuem medos a serem superados e dilemas a serem solucionados. E é com uma história arrebatadora que o autor resgata, de dentro de todas as tristezas daquele e deste mundo, a certeza de que sentimentos bons podem nascer em tempos difíceis e, de alguma forma, prevalecer.

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Toda luz que não podemos ver – Anthony Doerr

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Após ficar cega, aos 6 anos de idade, Marie-Laure ganha do pai, o chaveiro do Museu de História Natural de Paris, uma maquete do bairro em que moram, para que ela possa memorizar os caminhos e se locomover pela região. Em Zollverein, na Alemanha, o órfão Werner e a irmã descobrem um rádio em meio ao lixo e, apaixonado pelo aparelho, o garoto acaba se tornando um especialista no assunto, o que rende a ele uma vaga em uma concorridíssima escola nazista. Quando os alemães invadem Paris, Marie-Laure e o pai fogem para a cidade de Saint-Malo, carregando a pedra mais preciosa do museu, ao mesmo tempo em que Werner recebe a missão de rastrear a origem de importantes transmissões de rádio. No final da Guerra, os caminhos de Werner e Marie-Laure se encontram, enquanto ambos tentam superar os obstáculos para sobreviver.

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A primeira coisa que preciso falar sobre Toda luz que não podemos ver é: que livro maravilhoso! Não por acaso, a obra de Anthony Doerr foi a vencedora do Prêmio Pulitzer de Ficção em 2015 e, de uma sensibilidade e riqueza indescritíveis, é também um dos melhores livros que li no ano e, provavelmente, na vida. Minha outra experiência com uma obra contemplada pelo Pulitzer foi com O Pintassilgo, que também se trata de uma história incrível, mas é uma leitura um pouco cansativa (tanto é que li em três “rodadas”). Por isso, eu estava esperando o mesmo de Toda luz que não podemos ver e fui completamente surpreendida por uma escrita repleta de detalhes e descrições, sim, mas também muito fluida e envolvente.

Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fecham para sempre.

Outra coisa que me encantou na obra foi a forma como Doerr explorou os sentidos, oferecendo ao leitor uma experiência extremamente sensorial. É claro que o fato de Marie-Laure ser deficiente visual contribui para isso, no entanto, o autor explora cores, sensações e aromas em todo o livro e como poucos são capazes. Narrado em terceira pessoa sob o ponto de vista de vários personagens, principalmente de Werner e Marie, Toda luz que não podemos ver é uma viagem pelo tempo e alterna o início e o final da Segunda Guerra Mundial, culminando no encontro dos dois momentos. Os capítulos são super pequenos e, na maioria das vezes, alternam entre Werner e Marie, o que contribui para a agilidade da leitura e, claro, a curiosidade do leitor.

Quando perdi a visão, Werner, as pessoas disseram que eu era corajosa. Quando meu pai foi embora, as pessoas disseram que eu era corajosa. Mas não era coragem; eu não tinha escolha. Acordo todos os dias e vivo minha vida. Você não faz a mesma coisa?

Eu me interesso muito por histórias sobre a Segunda Guerra Mundial e é claro que o fato de Toda luz que não podemos ver ser ambientado nesta época me chamou a atenção. No entanto, mais uma vez, fui surpreendida por Doerr, que conseguiu fugir dos clichês quase inevitáveis das obras que abordam o assunto, deixando judeus e campos de concentração em último plano. E se a história da Segunda Grande Guerra e de todas as tramas que a têm como pano de fundo, ficcionais ou não, são repletas de crueldade e atrocidades, o autor recompensa o leitor com personagens incríveis – tridimensionais, extremamente bondosos e, ainda assim, reais.

Algumas tristezas nunca deixam de existir.

Seria injustiça, porém, dizer que Toda luz que não podemos ver é uma história sobre a Segunda Guerra Mundial, sobre um garoto extremamente inteligente ou uma menina cega. A obra de Anthony Doerr é uma lição sobre a compaixão e a esperança em tempos difíceis e a capacidade de, contra todas as perspectivas, ainda acreditar em dias melhores. Profunda e extremamente bela, Toda luz que não podemos ver é uma história que emociona, mas não de uma maneira arrebatadora e, sim, delicada e duradoura. Afinal, o que realmente importa pode ser invisível aos olhos, mas nunca ao coração.

Título original: All the light we cannot see
Editora: Intrínseca
Autor: Anthony Doerr
Ano: 2014
Páginas: 528
Tempo de leitura: 8 dias
Avaliação: 5 estrelas

Se você gostou de Toda luz que não podemos ver, leia também A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak.

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