Resenha de Pax – Sara Pennypacker

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Quando é convocado para servir ao exército durante a guerra, o pai de Peter o convence a abandonar sua raposa, Pax, em meio à floresta. O garoto não vê outra alternativa a não ser obedecer à ordem. No entanto, quando se dá conta do erro que cometeu, ele decide consertá-lo, custe o que custar.

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Quando vi a capa de Pax, achei que se tratava de um livro simples e até infantil. E eu não estava errada. A obra de Sara Pennypacker é realmente simples e até infantil, mas no melhor sentido das palavras, porque conta com a beleza de um e a pureza do outro. A primeira coisa que me chamou a atenção no livro foi a carga sensorial que a autora imprimiu na trama, principalmente nas partes narradas por Pax. Se mergulharmos na história, quase somos capazes de sentir o cheiro da grama e o farfalhar das árvores.

Como narra a jornada de Peter em busca da raposa (e vice-versa), Pax tem um tom épico. No entanto, em meio a tantas aventuras e reviravoltas, há muito espaço para mostrar aspectos como as descobertas dos protagonistas, a amizade verdadeira, a confiança inabalável e os valores da sociedade em geral. E pode-se dizer que nada disso seria possível, ou pelo menos não seria tão divertido, se Sara Pennypacker não tivesse construído personagens tão cativantes, tridimensionais e, de alguma forma, reais.

Pax fala bastante sobre aquela história de que nosso lar são aqueles que amamos. Mas, ao mesmo tempo em que reforça essa ideia, Sara Pennypacker também faz questão de mostrar que cada indivíduo permanece único e que sempre há espaço para novas descobertas. A amizade é o grande pilar da história e, com Peter e Pax, a autora mostra que o sentimento tipo poderoso de amor. E o amor é a vontade de estar junto. Mas, acima de tudo, é o desejo de ver a felicidade do outro. Por mais que, ironicamente, isso signifique abrir mão exatamente daquilo que mais amamos. E, com uma relação que transcende as barreiras do tempo e do espaçoPax mostra tudo isso e mais pouco.

Título original: Pax
Editora: Intrínseca
Autor: Sara Pennypacker
Ano: 2016
Páginas: 288
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Semana Especial Pax: a importância da guerra no livro

Pax é o “lançamento-xodó” da Intrínseca e, para espalhar a linda mensagem da obra de Sara Pennypacker, a editora convidou os blogs parceiros a participar de mais uma Semana Especial (já fizemos de LoneyO Regresso Toda luz que não podemos ver).

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Se  eu dissesse que a guerra é o pano de fundo de Pax, não estaria mentindo. No entanto, o papel que ela desempenha na história de Sara Pennypacker é muito maior do que isso. Em primeiro lugar, se não fosse a guerra, o pai de Peter teria que encontrar outro bom motivo para convencer o filho a abandonar Pax – e poucos seriam tão urgentes e determinantes quanto este.

A guerra também contribui para o clímax da jornada dos protagonistas em busca do reencontro. Além de não saberem nada sobre o paradeiro e a situação um do outro, Peter e Pax veem o tempo se tornar um inimigo implacável. Isso porque os “doentes de guerra” logo irão chegar aos arredores do ponto onde o garoto deixou a raposa, e também onde ele acredita que ela ainda esteja. E por mais que o leitor sempre saiba onde Peter e Pax estão (a obra é narrada sob os pontos de vista dos dois), é angustiante testemunhar as dúvidas e os medos dos protagonistas e também não saber se haverá tempo para um reencontro e um final feliz.

Ao longo do livro, a autora prova que a guerra não foi um ingrediente escolhido por acaso. Além de servir de contexto para a trama, ela expõe completamente a crueldade e o egocentrismo humanos, seja entre os próprios homens ou para com outras espécies. No entanto, para mim, o principal papel da guerra em Pax é transformar a história em uma metáfora da vida e em um espelho dos contrastes da realidade. Porque no mesmo mundo em que existem o egoísmo, a ganância e a violência de uma guerra, há também a lealdade, o respeito e o companheirismo de uma amizade.

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Semana Especial Pax: a mensagem da história

Pax é o “lançamento-xodó” da Intrínseca e, para espalhar a linda mensagem da obra de Sara Pennypacker, a editora convidou os blogs parceiros a participar de mais uma Semana Especial (já fizemos de LoneyO Regresso Toda luz que não podemos ver).

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Pax é o tipo de livro que encanta do início ao fim. E, entre tantos aspectos que chamam a atenção na obra de Sara Pennypacker, é justo dizer que a moral da história se destaca. A amizade é o grande pilar da trama, mas a mensagem central não se resume a isso. A primeira lição que aprendemos com Pax é que, por mais que haja amor e lealdade, todos estamos sujeitos a erros – e dos graves. No entanto, justamente porque há amor e lealdade, há humildade para se redimir e disposição para perdoar.

A determinação é outro ponto em que Sara Pennypacker foca bastante, tanto por meio de Pax, quanto de Peter. Mas, mais do que retratar a importância de perseguir um objetivo, a autora mostra que a determinação não vence sem perseverança. E isso os dois protagonistas da história têm de sobra! E é aí que entra Vola, com o papel de fazer Peter (e o leitor) entenderem que nem tudo se resume a seguir o coração. Ser determinado e perseverante é fundamental, mas também é preciso uma dose de racionalidade.

Já diria Stephanie Perkins, em Anna e o Beijo Francês, que lar não é um lugar e, sim, uma pessoa. Pax e Peter sabem disso muito bem. No entanto, durante a jornada narrada no livro, os dois descobrem que, ao mesmo tempo em que dois podem se tornar um, cada indivíduo permanece único. E durante o tempo que passam separados, cada um com suas angústias, dúvidas e medos, Pax e Peter se redescobrem e redefinem seus lugares no mundo.

Não restam dúvidas de que Pax é uma história cheia de mensagens. No entanto, para mim, a obra de Sara Pennypacker é, acima de tudo, sobre o sentimento de pertencer. E sobre a coragem de respeitar a liberdade de quem não nos pertence mais.

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Semana Especial Pax: personagens do livro

Pax é o “lançamento-xodó” da Intrínseca e, para espalhar a linda mensagem da obra de Sara Pennypacker, a editora convidou os blogs parceiros a participar de mais uma Semana Especial (já fizemos de LoneyO Regresso Toda luz que não podemos ver).

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Pax é um livro encantador, e muitos aspectos contribuem para isso. A começar pela edição, com capa dura e ilustrações tão delicadas quanto a história. Mas são os personagens encantadores que fazem com que a obra de Sara Pennypacker se destaque e seja realmente especial.

Pax é uma raposa, mas esse “detalhe” não impediu que a autora criasse um personagem tão tridimensional quanto qualquer outro. Gostei bastante da forma como ela usou a inocência da raposa para explorar toda a sua gama de sentimentos: angústia, tristeza, mágoa, medo, dúvida, raiva, alegria e, acima de tudo, o desejo de reencontrar seu garoto. Em sua busca por Peter, Pax embarca em uma jornada de autoconhecimento tão envolvente e convincente que, em vários momentos, esquecemos que se trata de uma raposa.

Peter, além de também ser multifacetado, foi construído sobre um pilar de contrastes. Ao mesmo tempo em que é sensível e inseguro, é também decidido, corajoso e determinado. E, apesar de teimoso e às vezes até intransigente, o garoto sabe escutar e capta cada sutileza daquilo que ouve. Peter é sempre transparente em relação a seus sentimentos, especialmente quando se trata de Pax. Por isso, nunca sobra espaço para interpretar mal suas ações e pensamentos.

Extremamente generosa, Vola é uma espécie de fada madrinha para Peter e faz o estilo durona – e não à toa, afinal, viu e cometeu atrocidades durante a guerra. E é exatamente aí que está a maior virtude da personagem: as experiências traumáticas que viveu endureceram, sim, seu coração. Mas não ao ponto de cegá-la para aquilo que é puro e verdadeiro. É assim que enxergamos toda a vulnerabilidade da personagem, o desejo de se reconstruir e a possibilidade de, de certa forma, se redimir ao guiar Peter ao reencontro com Pax. E, no final das contas, o que ela faz acaba sendo muito mais do que isso!

A mãe de Peter é uma onipresença na história. Mas o pouco que aparece, por meio das memórias do garoto, é o suficiente para que o leitor entenda de onde veio toda a doçura do personagem. Em contrapartida, o pai é desprezível e egoísta, mas também fundamental à trama. Primeiro porque, sem ele, o conflito jamais aconteceria. Mas a verdade é que um dos aspectos que constrói o bom caráter de Peter é justamente o medo de se tornar um homem como o pai.

Além de ter criado personagens coerentes e cativantes, Sara Pennypacker foi capaz de conectá-los de maneira plausível e determinante para a história. Enquanto o pai e a mãe são o background de Peter, ele é o de Pax. E Vola se torna, ao mesmo tempo, a voz da razão, o porto seguro e aquilo que permite que o garoto tenha esperança.

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Semana Especial Pax: a amizade presente na história

Pax é o “lançamento-xodó” da Intrínseca e, para espalhar a linda mensagem da obra de Sara Pennypacker, a editora convidou os blogs parceiros a participar de mais uma Semana Especial (já fizemos de LoneyO Regresso Toda luz que não podemos ver).

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Não há dúvidas de que a amizade é o grande pilar de Pax. No entanto, a forma como Sara Pennypacker escolheu retratar o sentimento pode ser um pouco de tudo, menos óbvia. A primeira peculiaridade da história é o fato de explorar a amizade entre uma raposa e um menino. E a autora é tão competente ao fazê-lo que realmente cativa o leitor com a relação que existe entre Pax e “seu garoto”, Peter.

Ao mesmo tempo em que é obviamente fantasioso, já que a trama também é narrada sob o ponto de vista da raposa e conta com um tom crescente e até épico, Pax é extremamente real. Isso porque retrata a forma mais pura de um sentimento verdadeiro e que todos (espero!) já devem ter vivido. Claro que o livro é muito mais especial para quem tem animais de estimação e os trata como membros da família. No entanto, qualquer um que já teve um amigo pode se identificar, porque Pax poderia muito bem ser um menino, assim como Peter.

Já a amizade entre Pax e as outras raposas, Arrepiada e Miúdo, retrata bem o sentimento de pertencer. O que, para mim, é a pureza da amizade somada a empatia, identificação e companheirismo. Não que a relação entre Pax e Peter não tivesse esses ingredientes. Mas é diferente quando estamos em meio àquelas que são (literalmente) iguais à nós. E isso também fica claro na relação entre Peter e Vola. A troca que existe entre os dois é maior, mas não necessariamente mais importante, do que qualquer uma que poderia existir entre o garoto e a raposa.

Para mim, não tem como falar sobre amizade sem esbarrar na lealdade. Mas Pax vai além. Embora mostre bastante o quanto a raposa e o menino são leais um ao outro, o livro evidencia que amizade, especialmente a que nasce durante a infância, é crescer e amadurecer lado a lado. É se descobrir como um e como um par. É errar, perdoar e ser perdoado.É se transformar, se permitir e e se respeitar. É libertar e ser libertado. E também é, em alguns momentos, escolher caminhos diferentes e sempre ter um bom motivo para olhar para trás.

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