Resenha de Um Amor Incômodo – Elena Ferrante

Aos 45 anos, Delia perde a mãe, Amalia, encontrada morta em uma praia, vestindo apenas um sutiã caro que nada tinha a ver com ela. É quando Delia volta à Nápoles, sua cidade natal, para acompanhar o funeral e, inundada por lembranças da infância, decide investigar a misteriosa morte de Amalia, com quem sempre teve uma relação conturbada. Mas será possível descobrir a verdade sobre a morte de uma pessoa, sem revisitar o que se sabe de sua vida?

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Depois de ler e amar A Filha Perdida, é óbvio que não contive as expectativas em relação a Um Amor Incômodo. Mas, contrariando todas as probabilidades, Elena Ferrante me decepcionou. O livro foi o primeiro romance da autora, e sua escrita elegantemente crua está ali. No entanto, a história é arrastada (5 dias para ler míseras 176 páginas!), confusa e, em muitos momentos, parece não ter um propósito.

Assim como em A Filha PerdidaUm Amor Incômodo tem a maternidade como ponto de partida. No entanto, a trama é narrada do ponto de vista da filha, em vez do da mãe. E, curiosamente, embora tivesse mais motivos para me identificar com Um Amor Incômodo, não houve conexão alguma entre Delia e eu. E quando falo em conexão e identificação, não quero dizer semelhanças objetivas e, sim, empatia, compreensão e até compaixão. Resumindo: Delia, com sua sinceridade vulgar, não me conquistou, tampouco me envolveu.

Com toque de mistério, Um Amor Incômodo mescla o presente e o passado de Delia, fórmula que eu adoro. No entanto, a narrativa difusa da protagonista é quase um tiro no pé: em vez de deixar o leitor curioso e intrigado, confunde e enerva. Mas, para mim, o pior mesmo é que, diferente de A Filha PerdidaUm Amor Incômodo não suscita reflexão. Até porque não tem como existir nesse mundo sem ser filha de alguém e não se escolhe de quem se nasce.

Título original: L’amore Molesto
Editora: Intrínseca
Autor: Elena Ferrante
Ano: 1992
Páginas: 176
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 2 estrelas

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Semana Especial Dia Internacional da Mulher: sobre Elena Ferrante e Lionel Shriver

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, a Intrínseca convidou os parceiros para participar de mais uma semana especial <3 E para celebrar em grande estilo, nada melhor do que falar um pouco sobre as autoras incríveis que são publicadas pela editora! Escolhi quatro nomes e, para começar, vamos falar sobre Elena Ferrante e Lionel Shriver.

Embora tenha que estar em um estado de espírito específico para ler Lionel, ela é, provavelmente, a autora mais genial que já tive o prazer de ler. Meu primeiro livro dela foi Precisamos falar sobre o Kevin, que já seria genial se fosse “apenas” uma história sobre um adolescente que decide protagonizar mais um massacre escolar nos Estados Unidos. No entanto, porque é Lionel é Lionel, decidiu transformá-lo em muito mais do que isso.

Entre muitas qualidades, o que mais me chamou a atenção em Precisamos falar sobre o Kevin foi a forma como a autora abordou a maternidade. Especialmente o lado difícil, frustrante, excruciante e doloroso.  E, por mais cruel que Eva Katchadourian possa parecer ao se revelar ao leitor, é praticamente impossível julgá-la por seus piores pensamentos e sentimentos. Porque Lionel fez Eva não apenas honesta e verdadeira, mas extremamente real. A maioria das mães não terá um filho psicopata e criminoso. Mas provavelmente todas irão se sentir, em algum momento, em algum grau, exatamente como Eva. E Lionel nos faz entender que tudo bem, que faz parte. Que a maternidade, como todas as outras coisas na vida, não tem só o lado bom. E, principalmente, que o lado ruim pode ser BEM ruim.

Elena Ferrante é um nome novo na minha biblioteca pessoal, mas já de grande prestígio. Da autora, li apenas A Filha Perdida, que, embora tenha seu próprio estilo e seus próprios méritos, me fez lembrar bastante da maneira como Lionel fala sobre maternidade. Na trama, Elena conta a história de Leda, uma professora bem-sucedida que se vê “livre” de suas filhas já adultas e decide tirar férias no litoral italiano. E se Eva Katchadourian acaba “se redimindo” como mãe com Celia, Leda realmente parece não ter a maternidade dentro de si. A professora é uma personagem cheia de segredos e peculiaridades, mas propõe uma discussão interessante: será que todas as mulheres nasceram para ser mães? Será que a maternidade é um dom, um talento? Talvez seja e, em um momento em que as mulheres lutam para redefinir seu papel no mundo, vale demais refletir sobre o assunto – dentro e fora de si.

A capacidade de retratar a maternidade com honestidade brutal é, provavelmente, um dos grandes destaques das obras de Elena e Lionel. No entanto, as autoras também merecem destaque por criarem personagens femininas tão fortes e donas de si. Excêntricas e muitas vezes até egoístas, sim, mas extremamente notáveis por não terem pudor em mostrar quem são.

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Resenha de A Filha Perdida – Elena Ferrante

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Aliviada depois que as duas filhas adultas sem mudam para o Canadá com pai, a professora universitária Leda decide tirar férias no litoral italiano. A rotina de Leda consiste em ler e preparar aulas na praia e, logo nos primeiros dias, Nina e sua filha pequena, Elena, chamam sua atenção. Ao observar a jovem mãe e sua família, a professora se lembra de si mesma e de suas expectativas naquela idade. E a dose de nostalgia faz com que memórias e segredos do passado de Leda venham à tona, lembrando-a de por que nunca falamos sobre certas coisas.

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Confesso que nunca havia ouvido falar de Elena Ferrante (que, aliás, é um pseudônimo). Mas, por conta do frisson nas redes sociais, fiquei curiosa para conhecê-la. E cheguei à conclusão de que é fácil entender o porquê de tantos elogios! Elena Ferrante é dona de uma escrita rica e elegante, mas, ao mesmo tempo, simples e extremamente fluida. Prova disso é que, com apenas 176 páginas, A Filha Perdida conta com pouquíssimos grandes acontecimentos – e o primeiro acontece apenas lá pela página 50. E mesmo assim, se revela uma trama super envolvente, intrigante e surpreendente.

A maternidade, ao lado das expectativas e frustrações que a cercam, é o tema principal de A Filha Perdida. E a forma brutalmente honesta com que Elena Ferrante aborda o assunto me fez lembrar muito do estilo de Lionel Shriver, especialmente no épico Precisamos falar sobre o Kevin. É verdade que Leda, com seus segredos e atitudes inexplicáveis, é um caso atípico. Mas até que ponto ela é assim, tão diferente, de muitas mulheres “reais e normais”? Acredito que, em uma época em que a mulher luta para redefinir o seu papel na sociedade, vale repensar que nem todas têm o sonho e/ou o dom para se tornarem mães. E é essa reflexão que os devaneios de Leda propõem.

Em A Filha Perdida, Elena Ferrante criou uma atmosfera única, que transporta o leitor para dentro do cenário da trama. Apesar de ser um livro curto e de poucos acontecimentos, conta com surpresas que mudam o rumo da história, transformando-a de maneira determinante. O final, tão sutil quanto arrebatador, é um espetáculo à parte. E, assim como o restante da trama, deixa o caminho aberto para as reflexões e conclusões do leitor.

Título original: La Figlia Oscura
Editora: Intrínseca
Autor: Elena Ferrante
Ano: 1992
Páginas: 176
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 5 estrelas

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