Resenha de A Hora do Lobisomem – Stephen King

A pequena Tarker’s Mill era uma cidade pacata, até que sangrentos e misteriosos ataques passam a aterrorizar seus habitantes. A carnificina acontece sempre sob a lua cheia e os moradores ficam divididos em dois grupos: os que se recusam a acreditar na existência de um lobisomem e os que não enxergam outra alternativa. No entanto, o massacre não tem fim, assim como o apetite inesgotável da criatura.

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Se antes eu quase torcia o nariz para Stephen King, depois de ler It: A Coisa, o autor virou um dos meus preferidos! E como a Suma de Letras está relançando os clássicos do escritor (no projeto Biblioteca Stephen King) em lindas edições de capa dura, aproveitei para solicitar A Hora do Lobisomem. E, como sempre, o rei do terror não decepciona!

Para quem tem estômago fraco, é melhor evitar a leitura, afinal, Stephen King não se preocupa em economizar detalhes sangrentos. As (lindas!) ilustrações de Bernie Wrightson também não poupam o leitor e contribuem para a criação de uma atmosfera sinistraA Hora do Lobisomem é dividido em 12 capítulos/meses, que narram os 12 ataques protagonizados pela criatura ao longo de um ano. Todos os “contos” são curtinhos, como se fizessem alusão à ferocidade e letalidade do lobisomem.

Mais uma vez, Stephen King mostra como a loucura e o mal vêm de dentro e surgem onde já existe um “terreno fértil”. Mas, em A Hora do Lobisomem, o autor brinca com os contrastes entre sagrado e profano, suscitando reflexões e discussões morais – como sempre. Com direito a um anti-herói, o final é surpreendente e mostra como a força é relativa.

Título original: Cycle of the Werewolf
Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
Ano: 1983
Páginas: 152
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Resenha de Sempre vivemos no castelo – Shirley Jackson

Uma dose letal de arsênico no pote de açúcar matou quatro membros da família Blackwood. Sobrevivente da tragédia ao lado da irmã, Mary Katherine, e do tio, Julian, Constance é acusada pelo crime, mas logo é inocentada. Quando ela volta para casa, os três passam a viver isolados e Mary Katherine assume a responsabilidade de proteger a irmã da hostilidade dos vizinhos. Conforme os anos passam, Constance, Merricat e tio Julian constroem uma nova dinâmicareencontram o equilíbrio. No entanto, tudo é colocado à prova com a chegada do primo Charles.

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Companhia das Letras/Suma de Letras anunciou que publicaria Sempre vivemos no castelo no Encontro de blogueiros, que aconteceu durante a Bienal do ano passado. E desde então, fiquei louca pelo livro – que teve o lançamento marcado para novembro/17, depois adiantado para o primeiro semestre e, enfim, foi lançado em julho. Ou seja, nem preciso dizer que as expectativas estavam no céu! Afinal, além de ter me interessado pela sinopse, o livro é um clássico e Shirley Jackson é uma lenda, que influenciou muitos atores, inclusive Stephen King.

Mas, como geralmente acontece nesses casos, Sempre vivemos no castelo deixou um pouquinho a desejar. Não me entendam mal! A história é super envolvente e o mistério é muito bem conduzido. Os personagens dúbios mesclam ingenuidade e perversidade, o que apenas aumenta a curiosidade em torno do que realmente aconteceu com os Blackwood. No entanto, o desfecho é quase um anti-clímax e fica aquele gostinho de “quero mais” – e modéstia à parte, eu adivinhei o plot twist, então a história perdeu mais um pouquinho da graça para mim.

De qualquer forma, Shirley Jackson tem todo o mérito por envolver o leitor com uma história construída à base de detalhes e sutilezas. Dessa forma, a autora foi capaz de retratar as neuroses das personagens não só de maneira plausível, como também interessante para quem lê. Não posso explicar exatamente por que não gostei taaaaanto de Sempre vivemos no castelo, porque seria um spoiler. Mas posso dizer que, para muitos, isso talvez não seja um problema. Então, leitura mais do que recomendada!

Título original: We have always lived in the castle
Editora: Suma de Letras
Autor: Shirley Jackson
Ano: 1962
Páginas: 193
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 3 estrelas

Resenha de O Bazar dos Sonhos Ruins – Stephen King


O Bazar dos Sonhos Ruins reúne 20 contos de Stephen King, que, mais uma vez, mostra toda sua criatividadeversatilidade. A maioria das histórias é inédita no Brasil, no entanto, algumas foram reescritas para serem relançadas na coletânea. Antes de cada conto, o leitor pode se deliciar com as introduções escritas pelo próprio autor, em que ele conta um pouco sobre os “bastidores” de cada história: inspirações, alterações na trama, contextos… Enfim, prato cheio para os fãs de Stephen King!

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Apesar de abordarem diversos temas e serem narrados com diferentes recursos, todos os contos têm o estilo inconfundível da escrita de Stephen King – ou seja, são capazes de aterrorizar, divertir e até emocionar! Sempre democrático, o autor não economizou na quantidade de assuntos abordados: vida após a morterealidade alternativa, criaturas misteriosas, dilemas morais, situações sobrenaturaissuperpoderes… Literalmente, de tudo um pouco!

Meus contos preferidos foram: A Duna, em que um homem descobre uma ilha onde nomes de pessoas que irão morrer em breve aparecem escritos na areia; UR, que fala sobre a existência de milhões de realidades alternativas – algumas bem assustadoras; Indisposta, um conto curto e sem muito propósito, mas com aquele final divertidamente aterrorizante; Obituários, que conta a história de um redator que descobriu o poder de assassinar pessoas ao escrever seus obituários (sim, com uma pegada totalmente Death Note); e Trovão de Verão, que retrata um cenário apocalíptico de maneira inquietante, porém sensível.

Outros contos que me chamaram a atenção foram Milha 81, que me lembrou bastante de CujoMoralidade, em que King coloca o conceito de moral (sempre presente em suas histórias) em perspectiva; e Vida após a morte, que, como o título já diz, especula sobre o que acontece depois que morremos. Enfim, O Bazar dos Sonhos Ruins tem todos os ingredientes principais das tramas assinadas por Stephen King. Ou seja, é boa leitura tanto para quem já ama o autor, quanto para quem quer conhecer um pouco sobre sua obra!

Título original: The Bazaar of Bad Dreams
Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
Ano: 2015
Páginas: 527
Tempo de leitura: 8 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Resenha de Último Turno (Bill Hodges #3) – Stephen King

Cinco anos se passaram desde que o diabólico Brady Hartsfield entrou em estado vegetativo. De acordo com os médicos, as possibilidades de recuperação são mínimas. No entanto, o Assassino do Mercedes descobriu uma maneira absurdamente assustadora de se vingar de seu inimigo, o detetive aposentado Bill Hodges, e instalar o caos em toda a cidade.

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Vamos à confissão da vez: eu li Último Turno em novembro de 2016, mas, por alguma razão misteriosa, simplesmente esqueci de escrever a resenha. O que é uma pena, porque eu gostei muito de como Stephen King encerrou a trilogia Bill Hodges. Por isso, esse post provavelmente não faz jus ao livro. Mas, como dizem, antes tarde do que nunca, não é?

Diferentemente de Mr. Mercedes e Achados e PerdidosÚltimo Turno engrena logo nos primeiros capítulos. O fato de já conhecermos bem os personagens com certeza contribui para a fluidez. No entanto, o que realmente faz com que fique difícil largar o livro é a forma como Stephen King desenvolve a história, misturando ingredientes de um bom thriller policial com toques sobrenaturais.

Assim como nos dois primeiros volumes, o leitor sabe praticamente de todos os lados da história. Mas é impossível não ficar curioso para saber como o autor irá explicar os acontecimentos extraordinários. E, no melhor estilo Stephen King, ele o faz. Extremamente doentio e sombrio, Último Turno mostra, sim, o pior lado humano (e também sobre-humano), mas não deixa de retratar a bondade, o amor e a lealdade – como King sabe bem fazer. E para tornar a obra um pouco mais leve, o autor lança mão de uma dose certeira de humor.

Com a responsabilidade de fechar a trilogia Bill Hodges, Último Turno segue em uma crescente. Na verdade, já começa em ponto de tensão, graças ao intrigante e inesperado desfecho de Achados e Perdidos. E, ao longo de suas 384 páginas, o livro chega ao clímax da história, que tem de tudo um pouco: drama, suspense, ação, humor… A verdade é que não poderia ter imaginado um final melhor para a série!

Título original: End of Watch
Editora: Suma de Letras
Volumes anteriors: Mr. Mercedes Achados e Perdidos
Autor: Stephen King
Ano: 2016
Páginas: 384
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Resenha de Escuridão total sem estrelas – Stephen King

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Em Escuridão total sem estrelas, Stephen King compartilha quatro contos perturbadores e doentios. E o mais assustador é que, apesar de contarem com pitadas sobrenaturais, todas as histórias são, de certa forma, possíveis. Como o próprio título do livro ja denuncia, Escuridão total sem estrelas retrata os aspectos mais escusos e sombrios da alma humana. E ninguém melhor do que Stephen King para mergulhar nesse universo.

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O primeiro conto do livro, 1922, conta a história do agricultor Wilfred, que convence o filho de que matar a esposa e mãe, respectivamente, é mais aceitável do que abrir mão das terras da família. Como não poderia ser diferente, King criou uma atmosfera macabra, doentia e repleta de detalhes pesados. A subjetividade da justiça, a loucura e a culpa permeiam toda a história, assim como os fantasmas – tanto os sobrenaturais, quanto os internos. O conto é longo, mas cada página vale a pena, pois o melhor realmente está no final.

Em Gigante do Volante, a autora de livros de mistério Tess é estuprada e deixada à beira da morte por um estranho. Apesar dos ferimentos, ela consegue escapar. No entanto, tomada pela vergonha, decide fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano de vingança contra seu estuprador. Mais uma vez, a riqueza de detalhes é perturbadora. Mas, ao mesmo tempo, é necessária para que o leitor compreenda exatamente do que se trata. A culpa e a justiça são, de novo, ingredientes fundamentais para a história. Para mim, Gigante do Volante poderia ser um pouco mais curto. No entanto, as reviravoltas realmente surpreendem e não permitem que o tédio tome conta da leitura.

Extensão Justa é o terceiro conto de Escuridão total sem estrelas e nos apresenta a Dave Streeter. O protagonista sofre de câncer terminal, mas, após fazer um pacto com um misterioso vendedor, se vê completamente livre da doença. No entanto, tamanha dádiva só poderia ter um custo alto. Apesar de ser relativamente simples, essa foi a história que mais gostei no livro. Adoro quando as tramas trazem dilemas morais e nos fazem pensar no que faríamos no lugar da personagem.

De certa forma, a última história, Um bom casamento, segue a mesma fórmula. Após mais de 20 anos de casada, Darcy encontra uma caixa que a faz perceber que tudo o que sabe sobre o até então ótimo marido é uma mentira. O clima doentio e sarcástico dá o tom ao conto e é difícil chegar a uma conclusão sobre as atitudes dúbias de cada personagem.

Escuridão total sem estrelas estava na minha lista de leituras há muito tempo. Além de ser assinado por Stephen King, o que já é um atrativo e tanto, o livro sempre me chamou a atenção pelo visual – todo preto, inclusive as laterais das páginas, fazendo jus ao título. A leitura foi mais demorada do que eu gostaria, em partes por conta da rotina, mas também porque as histórias, apesar de envolventes, poderiam ser mais fluidas. De qualquer forma, Escuridão total sem estrelas tem os ingredientes preferidos de King e, com a subjetividade da justiça como foco, nos faz realmente pensar em como somos todos suscetíveis a nossa própria escuridão.

Título original: Full Dark, No Stars
Editora: Suma de Letras
Autor: Stephen King
Ano: 2010
Páginas: 392
Tempo de leitura: 9 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Resenha de Achados e Perdidos (Bill Hodges #2) – Stephen King

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Morris Bellamy é o fã número 1 de John Rothstein, um autor consagrado que há muitos anos vive recluso. Indignado com o fim que Rothstein deu ao personagem Jimmy Gold, Morris invade a casa do escritor e, após roubar seus manuscritos inéditos, o mata. Pouco antes de ser preso por outro crime, o assassino enterra os cadernos em um lugar secreto, onde, mais de 30 anos depois, Peter Saubers os encontra. Quando Morris é solto da prisão, seu primeiro e único objetivo é recuperar o “tesouro”. É quando toda a família Saubers entra em perigo e, mais uma vez, Bill Hodges, Holly e Jerome terão que entrar em ação.

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Achados e Perdidos segue a mesma fórmula de Mr. Mercedes, mas com algumas mudanças pontuais.Enquanto o primeiro livro é narrado por Brady Hartsfield e Bill Hodges na mesma época, o segundo tem os pontos de vista de Morris Bellamy  no passado e Peter Saubers no presente. Em um segundo momento, Bill Hodges e o próprio assassino se juntam a Peter na narrativa da história. O recurso sempre torna as histórias mais dinâmicas e, no caso de Achados e Perdidos, deixa o leitor ainda mais curioso para que todos os protagonistas se encontrem.

Quando se trata de Stephen King, acho que não é necessário dizer que os comportamentos psicóticos e doentios são ingrediente padrão. E o segundo volume da trilogia Bill Hodges não é exceção. Se no primeiro livro nos deparamos com a bizarra relação entre Brady Hartsfield e a mãe, em Achados e Perdidos, a obsessão de Morris por John Rothstein é igualmente assustadora. E é por meio da metalinguagem que King retrata o quanto os livros podem mudar vidas, para o bem e para o mal.

Assim como Mr. MercedesAchados e Perdidos demora um pouco para engrenar, mas nada que comprometa a leitura. No entanto, ao longo da história, a trama vai ganhando força, culminando em um final eletrizante. Apesar de ter gostado do enredo desenvolvido a partir do trio Morris, Peter e Bill, o que mais me agradou no segundo livro da série foi o toque sobrenatural que as breves, porém determinantes, aparições de Brady Hartsfield carregam. Quando se soma o final intrigante de Achados e Perdidos à sinopse de Último Turno, já é possível sentir arrepios.

Título original: Finders Keepers
Editora: Suma de Letras
Volume anterior: Mr. Mercedes
Volume seguinte: Último Turno
Autor: Stephen King
Ano: 2015
Páginas: 352
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Resenha de O Iluminado – Stephen King

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Após sofrer com o alcoolismo e episódios de descontrole, o professor Jack Torrance está em busca de um recomeço e decide aceitar o emprego como zelador do Hotel Overlook durante a temporada de inverno. Para isso, Jack se muda para o local com a esposa, Wendy, e o filho, Danny, que parece ter poderes psíquicos. A missão do professor é simples, apenas manter a integridade do hotel, enquanto aproveita a tranquilidade do local para finalizar sua peça de teatro. No entanto, o isolamento que o Overlook proporciona pode ultrapassar as barreiras físicas e geográficas.

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Eu já havia assistido a uma série de televisão baseada em O Iluminado e também à aclamada adaptação cinematográfica dirigida por Stanley Kubrick. No entanto, foi durante minha infância/adolescência, ou seja, há um bom tempo, e por isso eu não lembrava os detalhes da história. Desde que comecei a ler Stephen King, estava louca de curiosidade para ler O Iluminado, mas, por algum motivo, sempre acabava adiando a leitura. Eis que a hora chegou e eu não poderia ter ficado mais maravilhada com esta trama, que é “apenas” uma das grandes obras-primas do autor!

Sei que sou repetitiva nas resenhas dos livros de Stephen King, mas sempre sinto a necessidade de ressaltar a forma como o autor consegue mergulhar na psicologia humana e retratar tanto o melhor, quanto o pior de cada personagem, nunca perdendo o contato com a realidade apesar das fortes doses de fantasia. E O Iluminado, ao lado de It: A Coisa, é uma verdadeira obra de arte neste sentido! Durante a leitura, conhecemos a história de Jack Torrance por meio do presente e de flashbacks que nos levam ao passado distante e não tão distante. E, assim, criamos certa empatia pelo personagem e, independentemente de concordar ou não com suas atitudes, somos capazes de analisá-las um pouco mais a fundo e, às vezes, até de compreendê-las.

O Iluminado é narrado por vários pontos de vista, o que permite que Stephen King enriqueça ainda mais a trama, traçando o perfil psicológico de outros personagens – principalmente o de Danny, que é na verdade em torno de quem toda a história se concentra. O livro é indiscutivelmente uma obra de horror e é inegável que o autor sabe como provocar e transferir o desespero e o medo dos personagens para o leitor – posso dizer que a trama conta com uma das “cenas” mais assustadoras que já tive o prazer e o pavor de ler.

No entanto, mais do que uma história sobrenaturalO Iluminado não é “terror pelo terror”. Em seu livro mais célebre e clássico, Stephen King faz o que sabe fazer de melhor: cria personagens tridimensionais que atingem os limites da realidade e retrata, por meio de um profundo background, os piores e mais perigosos fantasmas que existem – os que vivem dentro de nós. Mais do que terror pelo sustoO Iluminado é uma história sobre o medo, sobre a loucura, sobre o mal e sobre o inferno. Mas, acredite, é também – e muito – sobre o amor.

Título original: The Shining
Volume seguinte: Doutor Sono
Editora: Suma das Letras
Autor: Stephen King
Ano: 1977
Páginas: 463
Tempo de leitura: 8 dias
Avaliação: 5 estrelas

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