Ligações – Rainbow Rowell

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Georgie McCool é roteirista de televisão workaholic, melhor amiga de Seth, esposa de Neal e mãe de duas meninas. Quando vê que a oportunidade de finalmente ter seu próprio programa com Seth pode estar próxima, ela diz ao marido que não poderá viajar para Omaha no Natal, como haviam planejado. Após mais uma discussão, Neal e as meninas deixam Los Angeles e Georgie percebe que este pode ser o fim de seu casamento. Longe da família e desesperada para saber o que o futuro reserva, Georgie descobre sem querer uma maneira de conversar com o Neal de 15 anos atrás. E é quando ela passa a se perguntar se pode consertar o passado e se o presente com o marido deveria mesmo existir.

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Como não poderia ser diferente, Ligações mescla passado e presente, em uma espécie de retrospectiva da vida e das escolhas de Georgie, em especial, sobre as relações dela com Seth e Neal. A narrativa é bastante fluida e mantém o leitor curioso até o final – sobre o que aconteceu no passado, o que irá acontecer no futuro e a verdade sobre as ligaçoes que levam Georgie  para sua vida de 15 anos antes.

Como é que alguém pode saber se o amor é suficiente? É uma pergunta idiota. Tipo, se você se apaixona, se tem essa sorte, quem é você pra questionar se isso basta pra te fazer feliz?

Conheci a Rainbow Rowell com seus dois livros Young Adult, o aclamado Eleanor & Park, que me desapontou, e o Fangirl, que me encantou e me fez recuperar as esperanças na autora. No entanto, na minha opinião, Rainbow é ainda melhor quando escreve sobre adultos, como em Anexos e, agora, Ligações. Acho que a autora consegue captar os problemas da vida adulta, como casamento, maternidade e trabalho, com perfeição e bom humor, e o melhor, sem resolver os conflitos de maneira previsível ou irreal, mas propondo reflexões que podem trazer soluções mais eficazes e a longo prazo.

Acho que consigo viver sem você. Mas não uma vida de verdade.

O desfecho não foi tao conclusivo quanto eu esperava – o que, na verdade, acabou não sendo ruim -, mas deixa claro que, muitas vezes, precisamos de uma espécie de epifania para olhar para nossas próprias vidas e redescobrir o que realmente vale a pena.

Título original: Landline
Editora: Novo Século
Autor: Rainbow Rowell
Ano: 2014
Páginas: 302
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Anexos – Rainbow Rowell

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Em 1999, as melhores amigas Beth Fremont e Jennifer Scribner-Snyder trabalham juntas e, apesar de saberem que os e-mails da empresa são monitorados, não se preocupam e trocam inúmeras mensagens pessoais. Lincoln O’Neill é o responsável pelo serviço de monitoramento, embora tenha imaginado, quando se candidatou para a vaga de “agente de segurança da internet”, que construiria firewalls e combateria hackers. Como era de se esperar, os e-mails de Beth e Jennifer são sempre considerados inadequados, mas Lincoln não apenas deixa de denunciá-las, como também adora ler as mensagens das duas amigas. No entanto, ele acaba se apaixonando por Beth e, então, tem a certeza de que deixou a “brincadeira” ir longe demais.

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Anexos conta, paralelamente, as histórias de Beth, Jennifer e Lincoln a partir do momento em que elas se conectam, mas também permite flashbacks, o que contextualiza a trama e apresenta ao leitor as bagagens dos personagens. Metade da história é narrada por meio da troca de e-mails entre as amigas, o que é realmente super divertido e cativante, mas não é novidade – já vimos o estilo na série Garoto, de Meg Cabot, e em @mor, de Daniel Glattauer. A “inovação”, porém, fica por conta dos capítulos narrados em terceira pessoa sob o ponto de vista de Lincoln, que resulta em uma obra ainda dinâmica, mas mais profunda e rica.

Acredito que se preocupar com algo ruim prepara você para o fato quando ele ocorrer. Se você se preocupar, a coisa não te atinge tão forte. Você pode aceitar o golpe se o vir chegando.

Diferente de Eleanor & Park FangirlAnexos tem protagonistas adultos, na casa dos 20 e tantos anos, o que acabou sendo uma grata surpresa para mim: apesar de eu ser apaixonada por Fangirl, preciso admitir que Rainbow Rowell se saiu melhor ao escrever uma história com pessoas mais velhas – e Landline, que será publicado no Brasil como Ligações, irá confirmar ou não minhas suspeitas, já que também conta com protagonistas adultos.

As coisas melhorar – doem menos – com o tempo. Se você permitir.

O primeiro amor é só isso: o primeiro. Está implícito que algo vai vir depois.

Apesar der ser uma história relativamente leve, Anexos também aborda assuntos mais densos, assim como acontece nas outras obras de Rainbow Rowell, como maternidade, os dilemas da vida a dois, as decepções e frustrações, as relações em família, a busca por autoconhecimento, etc. O ar descontraído vem com inúmeras referências à cultura pop e geek e o resultado é uma trama não apenas democrática e divertida, mas também realista, em todos os sentidos.

Existem momentos em que você não consegue acreditar que algo maravilhoso está acontecendo. E existem momentos em que toda a sua consciência é preenchida com o conhecimento absoluto de que algo maravilhoso está acontecendo.

Quando começar a ler Anexos, você pode até pensar que a história é previsível. E, em alguns pontos, ela realmente é. Mas a forma como Rainbow Rowell desenvolve a trama garante surpresas e reviravoltas que fazem a leitura realmente valer a pena. E, apesar de ser um romance típico, a história também fala muito sobre amizades e sobre ser fiel a si mesmo. Sobre não se contentar com o “bom”, tampouco com o “ótimo”, e, sim, se conhecer para, então, saber o que realmente quer.

Título original: Attachments
Editora: Novo Século
Autor: Rainbow Rowell
Ano: 2011
Páginas: 368
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Fangirl – Rainbow Rowell

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Cath Avery é viciada em Simon Snow, mas, para ela, ser fã é muito mais do que apenas ler os livros da série: ao escrever fanfictions da saga, Cath se tornou um fenômeno na internet. Ela costumava escrever as histórias de Simon junto com Wren, sua inseparável irmã gêmea,  mas tudo mudou quando chegou a hora de ir para a faculdade e Wren não quis dividir o quarto com Cath, para que pudessem conhecer pessoas novas. Obrigada a sair da sombra da irmã, Cath precisa aprender a lidar sozinha com o peso da ausência da mãe, que as abandonou na infância, a preocupação com o pai, o distanciamento de Wren, a paixão pela escrita e a relação com os novos amigos.

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Criei expectativas altas demais em relação a Eleanor & Parkprimeiro livro de Rainbow Rowell publicado no Brasil, e talvez por isso a leitura tenha me desapontado um pouco. Com Fangirl, no entanto, foi o contrário: após a leve decepção com Eleanor & Park e a opinião negativa de uma amiga, deixei as expectativas lá embaixo e acabei surpreendida e apaixonada. Em Fangirl, Rainbow Rowell criou um universo fácil de se identificar, mas nem por isso menos profundo ou conturbado.

E quanto mais gosto de alguém , mais certeza tenho de que a pessoa vai se cansar de mim e pular fora.

Nunca li Harry Potter, mas para mim ficou evidente o fato de que Simon Snow é uma homenagem de Rainbow Rowell à saga de J. K. Rowling. No entanto, devo dizer que o principal motivo para eu não ter dado 5 estrelas para Fangirl foram justamente os trechos da fanfiction de Cath, que são bem escritos, mas não me cativaram – o que não compromete em nada a leitura. Em contraponto, os conflitos com Wren e o mistério em torno do possível romance de Cath mantêm a trama atrativa e, acreditem, pouco previsível.

Felizes para sempre, ou mesmo juntos para sempre, não é boboca. É a coisa mais nobre, tipo, mais corajosa, que duas pessoas podem almejar.

Cath é uma personagem extremamente tridimensional e me conquistou pela sua paixão pela escrita, o que me inspirou a escrever ainda mais, entre outras características. Mas estes são apenas mais alguns dos (grandes) pontos positivos do livro porque, para mim, o que realmente faz de Fangirl um livro diferenciado é a forma como Rainbow Rowell aborda diversas questões que podem ser consideradas clichês, como a relação com a família e os amigos e também o amor, de uma forma bastante verdadeira e, por isso, autêntica e enriquecedora como uma experiência da vida real.

Não se pode desistir às vezes? Não é ok dizer ‘isso tá me machucando demais, então vou parar de tentar?’.

Sensível, sincera e bem-humorada, Fangirl é uma história sobre como duas pessoas podem lidar de formas tão diferentes com a mesma situação. Sobre encontrar o equilíbrio entre ser capaz de mudar tanto em tão pouco tempo e se apegar a algo que já se transformou a ponto de permanecer no mesmo lugar. No entanto, é, acima de tudo, sobre quão difícil é encarar a necessidade de crescer e se reinventar quando não se sente preparado para tal.

Título original: Fangirl
Editora: Novo Século
Autor: Rainbow Rowell
Ano: 2013
Páginas: 421
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Eleanor & Park – Rainbow Rowell

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Em 1986, Eleanor e Park têm 16 anos e moram próximos um do outro, mas se conhecem apenas no ônibus escolar. Park é descendente de coreanos, ama música e histórias em quadrinhos; Eleanor vem de uma família problemática, que não deixa espaço para que ela aprecie os pequenos prazeres da vida. Park não faz parte do grupo dos populares, mas também não costuma ser importunado por eles; já Eleanor, com suas roupas esquisitas e os cabelos ruivos, logo se torna alvo de gozações. No começo, Park apenas deixa que Eleanor se sente ao seu lado, mas, com o tempo, ele passa a emprestar para ela os seus gibis, além de gravar fitas cassete com suas músicas preferidas. E, assim, aos poucos, eles experimentam sensações e sentimentos inéditos, que podem ser muito bons ou muito ruins.

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Eleanor & Park mostra o amor da forma mais inocente e sincera possível e parece conseguir destrinchar o “passo a passo” do que é se apaixonar. Se, por um lado, Eleanor é uma garota que já viu e viveu muitas situações complicadas, por outro, ela carrega a esperança de que ainda há tempo e espaço para (muitas) novas descobertas.

Ao mesmo tempo em que é extremamente romântica, a obra de Rainbow Rowell tem um humor ácido e sarcástico, com diálogos dinâmicos e perspicazes. E como é de se esperar, a história gira em torno de Eleanor e Park, que são personagens profundas e com muita bagagem – especialmente ela. Para os nerds e amantes da música, não faltam referências, que vão desde X-Men, Watchmen e Star Wars até The Smiths, Joy Division e The Cure.

Apesar de explorar temas delicados, a obra de Rowell é mais leve do que densa e, por ser narrada tanto por Eleanor, quanto por Park, mostra como, muitas vezes, a imagem que temos de nós mesmos não é exatamente a que corresponde à verdade ou como focamos apenas nas piores partes. E essa é a maior mensagem de Eleanor & Park: o amor verdadeiro é a maior generosidade que podemos dar e receber.

Título original: Eleanor & Park
Editora: Novo Século
Autor: Rainbow Rowell
Ano: 2013
Páginas: 328
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 3 estrelas

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