Resenha de A Menina da Neve – Eowyn Ivey

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Jack e Mabel nunca conseguiram realizar o desejo de ter um filho e, para evitar mais sofrimento, se isolam no Alasca. No entanto, a falta de um herdeiro afeta também a dinâmica dos dois, que a cada dia se afastam mais um do outro: ele se perdendo no trabalho árduo da fazenda e ela, se afogando em solidão e tristeza. Certo dia, em um raro momento de união, o casal faz uma menina de neve e, a partir de então, tanto Jack quanto Mabel passam a avistar uma criança loira pela floresta e ao redor da cabana. E a pergunta que não quer calar é: a menina é é real ou apenas uma ilusão, fruto do desejo frustrado de serem pais?

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A Menina da Neve me conquistou pela capa e, após ler a sinopse e descobrir que o livro havia sido indicado ao Prêmio Pulitzer, minha curiosidade apenas aumentou. A escrita de Eowyn Ivey é bastante descritiva, o que torna a história um pouco parada, especialmente no início. No entanto, ao mesmo tempo em que é ligeiramente cansativa, a trama também prende o leitor e faz com que várias hipóteses sejam levantadas, aumentando cada vez mais a vontade de descobrir o mistério.

Não vou dizer que A Menina da Neve foi uma leitura ruim, não chegou a tanto. No entanto, o suspense é uma faca de dois gumes, que pode fazer com que uma história surpreenda ou deixe a desejar. E, infelizmente, no caso da obra de Eowyn Ivey, fico com a segunda opção. O mistério em torno da menina da neve permeia toda a trama, o que eleva cada vez mais as expectativas quanto ao desfecho. Mas senti falta de um clímax e, mesmo gostando de finais em aberto, esperava por mais respostas e/ou explicações.

Não sou especialista em Pulitzer – bem longe disso, aliás. No entanto, após ler obras vencedoras como Toda luz que não podemos ver e O Pintassilgo, confesso que fiquei até surpresa com a indicação de A Menina da Neve ao prêmio. Como eu disse acima, a obra de Eowyn Ivey não chega a ser ruim, mas é quase um desperdício de uma premissa extremamente promissora e intrigante.

Autor: Eowyn Ivey
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012
Páginas: 352
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Resenha de Eu te darei o Sol – Jandy Nelson

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Jude e Noah Sweetwine são irmãos gêmeos e costumavam ser inseparáveis, até que o ciúme e a disputa pela atenção dos pais e do novo vizinho os transformou em verdadeiros rivais. Quando uma tragédia, cercada por segredos e mal entendidos, acontece com a família Sweetwine, Jude e Noah precisam reencontrar a si mesmos em meio à culpa e à confusão e a relação entre eles muda de maneira definitiva. No entanto, apesar de todas as diferenças, traições e mágoas, a conexão entre os irmãos é intransponível e sempre poderá ser resgatada.

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O céu está em todo lugar, primeiro livro de Jandy Nelson, é uma das obras que tratam o luto da forma mais honesta e realista possível. E Eu te darei o Sol segue o mesmo estilo, abordando sentimentos que são intrínsecos a qualquer tipo de perda, além de dúbios e complexos, como a culpa e o egoísmo. Em seu segundo livro, a autora também aborda os relacionamentos familiares, mais uma vez com foco na relação entre irmãos, por meio da cumplicidade, da competitividade, da idolatria, da inveja e da lealdade – e de todos os dilemas que podem ser causados por estes poderosos ingredientes.

Tudo é verdade ao mesmo tempo. A vida é uma contradição. Aprendemos todas as lições. Descobrimos o que funciona.

A história é narrada por Noah e Jude em capítulos alternados, mas cada um dos irmãos retrata um momento diferente na linha do tempo: Noah conta o passado, quando ele e Jude têm 13 anos; e ela, o presente, aos 16. Com o recurso, Jandy Nelson manipula o afeto e torcida do leitor, que provavelmente irá “mudar de lado” a cada capítulo. Toda a trama é permeada por um clima sobrenatural, já que Jude acredita ter herdado o dom da família Sweetwine, que permite que ela converse com a falecida avó. E esse foi um dos motivos pelos quais eu dei apenas 3 estrelas para o livro. Não me entendam mal, adoro um toque sobrenatural, mas talvez a autora tenha exagerado um pouco na dose, o que tornou a obra previsível em alguns momentos e uma daquelas histórias cheias de sinais do destino – o que me incomoda um pouco.

Ou talvez uma pessoa seja feita de várias pessoas. Talvez estejamos acumulando novas personalidades o tempo todo. Carregando-as ao fazermos nossas escolhas, boas e más, enquanto erramos, organizamos, perdemos a cabeça, encontramos nossa cabeça, nos retiramos do mundo, mergulhamos no mundo, ao criarmos coisas e destruirmos coisas.

Jandy Nelson também encontrou espaço para falar sobre outras temáticas delicadas, como a homossexualidade, e o faz de uma maneira tão sensível, natural e livre de preconceitos, que chegou a me lembrar de David Levithan. Eu te darei o Sol é uma história sobre o luto e sobre como as perdas nos transformam e destroem, ao mesmo tempo em que nos levam à reconstrução. Com uma trama regada a traições, grandes e pequenas, e sentimentos mesquinhos, a autora mostra a verdade nua, crua e feia das relações mais íntimas, mas também ressalta a importância da verdade e principalmente do amor.

Título original: I’ll give you the sun
Editora: Novo Conceito
Autor: Jandy Nelson
Ano: 2014
Páginas: 377
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 3 estrelas

Resenha de Primeiro e Único – Emily Giffin

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Walker, no Texas, respira futebol americano, assim como Shea Rigsby. Por conta do amor pelo esporte e pelo time da faculdade local, ela se recusa a deixar a pequena cidade onde nasceu e cresceu, e até arranjou um emprego no departamento de esportes da universidade. Fruto de um lar desfeito, Shea encontrou tranquilidade e segurança na família de sua melhor amiga Lucy, que é filha do lendário treinador do time de futebol americano da Walker, Clive Carr, seu ídolo. No entanto, quando Connie, a mãe de Lucy, perde uma batalha para o câncer, muitas coisas se transformam na vida de todos que estavam ao seu redor e Shea decide que está na hora de sair da zona de conforto. Mas, talvez, a mudança que mais deseja esteja, literalmente, ao seu lado.

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Emily Giffin é uma das autoras que eu mais gosto, por ser capaz de criar dilemas realmente complicados de resolver e, principalmente, por retratar as questões femininas sem precisar recorrer aos “contos de fadas modernos”. Por isso, nem mesmo as críticas negativas sobre Primeiro e Único me fizeram desanimar, mas devo confessar que o mais recente livro da autora deixa um pouco a desejar em relação aos seus melhores – para mim, Questões do Coração, O Noivo da Minha Melhor Amiga e Presentes da Vida, respectivamente.

– Tem certeza disso? – perguntei, protelando, mas também pensando que amar alguém significa, muitas vezes, ter confiança nessa pessoa.

O primeiro ponto negativo de Primeiro e Único é o ritmo: o início é um pouco truncado e a história demora para engrenar. Mas, lá pela página 100, a trama pega no tranco e a leitura começa a fluir e a se parecer mais com uma obra de Emily Giffin. O aspecto que mais me deixou com o pé atrás, porém, eu não posso revelar, pois seria um spoiler sem perdão. De qualquer forma, bizarro ou não, o fato é que esse aspecto pode ter me incomodado, mas é também um sinal de coragem da autora e é exatamente o que dá o tom à toda a obra.

O amor faz tudo parecer instável e, quando paramos para pensar nisso, tudo na vida é frágil, fugaz e, por fim, trágico.

O que mais me incomodou em Primeiro e Único, porém, não tem nada a ver com a trama em si e, sim, com a tradução. É comum encontrar um errinho ou outro nos livros, afinal, tradutores, editores e revisores não são máquinas. Mas o que encontrei no livro de Emily Giffin não pode ser chamado de “errinhos”: falta de padrão e checagem (tipo escrever Gisele – a Bündchen – com dois L’s) e erros que acredito serem de digitação são os mais comuns, no entanto, o mais doloroso me fez até perder um pouco da fé na humanidade: alge. Sim, com L em vez de U.

No fim das contas, todo mundo, em algum momento da vida, não se ilude com sua própria narrativa?

Voltando ao livro, gostei muito da forma como Emily Giffin retratou como a morte de uma mãe afeta a dinâmica de uma família, a relação de idolatria e, principalmente, o amor pelo esporte que eu, como corintiana fanática, entendo muito bem. Apesar de ter algumas conveniências que tornaram os dilemas de Shea mais fáceis de resolver e ser um pouco previsível, Primeiro e Único não é um livro ruim: apesar de todos os pesares, ele apresenta as melhores e principais características de Emily Giffin – dilemas universais, como maternidade, casamento, trabalho e amor, de um ponto de vista inegavelmente realista e feminino.

Título original: The One and Only
Editora: Novo Conceito
Autor: Emily Giffin
Ano: 2014
Páginas: 446
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Resenha de Uma Prova de Amor – Emily Giffin

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Aos 35 anos, Cláudia é independente, bem-sucedida e tem uma certeza na vida: não quer ter filhos. Casada com Ben, ela vive uma relação sólida, feliz e à prova de bebês, já que o marido também não almeja ser pai. Mas, quando um casal de amigos conta que está esperando o primeiro filho, Ben muda de opinião e tenta convencer Cláudia de que, no fim, ter um bebê não é uma ideia tão ruim. Irredutível, ela mantém a convicção de sempre, o que abre as portas para um caminho que pode não ter mais volta.

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Em Uma Prova de Amor, Emily Giffin apresenta, mais uma vez, uma história que poderia acontecer de verdade e, livre de vilões ou mocinhos, mostra os personagens exatamente como as pessoas reais são: cada uma com suas questões, cheias de dúvidas, sentimentos conflitantes e medos e nem 100% boas ou 100% ruins. Ou seja, humanas.

Além da história principal, Uma Prova de Amor traz uma série de tramas paralelas que, de alguma forma, estão ligadas ao dilema de Cláudia e Ben. E esses casos não servem apenas para “engordar” o livro e, sim, para mostrar, ainda que de forma indireta, os outros lados da história. Diferente de outros livros de Emily, como Questões do Coração e Laços Inseparáveis, Uma Prova de Amor é narrado em primeira pessoa apenas por Cláudia. E o esquema funciona muito bem e enriquece a narrativa, pois o dilema principal é dela e é interessante saber como ela reage aos diferentes acontecimentos.

Você pode pensar que já sabe qual será o desfecho, mas a história permanece totalmente em aberto até as últimas páginas. Quando comecei a ler Uma Prova de Amor, tive receio de que a trama terminasse da forma mais simples e previsível possível. Mas Emily não decepcionou: o final é, como todo o resto da história, coerente, realista e desprovido de forçações, mas sem perder aquela dose de emoção.

Título original: Baby Proof
Editora: Novo Conceito
Autor: Emily Giffin
Ano: 2006
Páginas: 410
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Resenha de Seis Coisas Impossíveis – Fiona Wood

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Dan Cereill levava uma vida confortável e tranquila, até que tudo de ruim resolveu acontecer ao mesmo tempo: seu pai faliu, assumiu a homossexualidade e pediu o divórcio. O fato de a mãe ter recebido uma casa de herança seria uma boa notícia, se o imóvel não cheirasse mal, não fosse frio como uma geladeira e não tivesse sido tombado como patrimônio histórico – o que não permite que ele seja reformado. Para piorar ainda mais a situação, se é que é possível, Dan e a mãe estão sem dinheiro a ponto de passar fome e ele está apaixonado pela vizinha Estelle, que nunca notou sua existência. Para se orientar no meio de tanta bagunça, Dan faz uma lista de seis coisas impossíveis, que incluem beijar a vizinha, arrumar um emprego, animar a mãe, tentar não ser um nerd completo, falar com o pai e descobrir como ser bom.

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Dan é um personagem extremamente carismático, que combina perfeitamente o sarcasmo com o senso de humor apurado, a ingenuidade e a sabedoria. E, por causa disso, é pouco provável que o leitor não se sensibilize com a situação delicada de Dan e a forma como ele realmente se esforça para ser uma pessoa melhor. O resultado é uma torcida genuína para que o personagem seja capaz de realizar os seis objetivos que julga impossíveis.

Como em todas as armadilhas, entrar é fácil, mas sair pode revelar-se impossível.

Em seu livro de estreia, Fiona Wood aborda temas polêmicos e delicados, como o divórcio, a homossexualidade e o bullying, de maneira leve, mas sempre responsável. O mistério sobre alguns acontecimentos-chave da trama cria vários momentos em que você acha que algo determinante irá acontecer, o que na grande maioria das vezes não se torna realidade. E essas pequenas decepções, somadas à leve falta de clímax, são os únicos defeitos que aponto no livro.

Seis Coisas Impossíveis traz surpresas, mas também é previsível. No entanto, acredito que o principal ponto da obra de Fiona Wood não seja exatamente surpreender e/ou acompanhar Dan em sua jornada pela realização (ou não) dos itens de sua lista. Para mim, a obra de estreia da autora é mais uma celebração à lealdade, em todas as suas formas, e à descoberta de que, talvez, as coisas boas e certas não sejam tão impossíveis assim.

Título original: Six Impossible Things
Editora: Novo Conceito
Autor: Fiona Wood
Ano: 2010
Páginas: 272
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 3 estrelas

Laços Inseparáveis – Emily Giffin

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A vida de Marian Caldwell pode parecer o sonho de muitas mulheres: aos 36 anos, ela é produtora de uma série de televisão de sucesso, mora em uma cobertura em Nova York e tem um ótimo namorado – que, por acaso, é o CEO da TV para qual ela trabalha. Mas, quando Kirby Rose, uma menina de 18 anos, bate à sua porta tarde da noite, Marian sabe que o seu mundo, que muitos (inclusive ela) acreditam ser perfeito, pode estar ameaçado. E é nesse momento que ela precisa descobrir se está disposta a admitir, encarar e, o mais importante, reparar os erros do passado.

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Em Questões do Coração Presentes da Vida, ambos companion books de O Noivo da Minha Melhor Amiga, Emily Giffin já havia se mostrado capaz de “interpretar” vários de seus personagens. E em Laços Inseparáveis, a autora apenas confirma essa habilidade, uma vez que a história é contada em primeira pessoa pelos pontos de vista de Marian e Kirby. No entanto, nesta obra, o desafio pode ser considerado maior porque, além da “troca” de personagens, que acontece de um capítulo para outro, Emily precisou escolher bem qual parte deveria ser contada por quem – os ângulos se completam e, pelo que lembro, os fatos não se repetem.

Assim como em Ame o que é seu, em Laços Inseparáveis Emily fala sobre descobertas pessoais, passado, redenção e pessoas às quais pertencemos, que são, de alguma forma, o nosso lar. Neste livro, Kirby é uma menina deslocada que precisa encontrar seu verdadeiro eu para evoluir e achar o seu lugar; e Marian é uma mulher que, apesar de bem-sucedida, tem muitas questões mal-resolvidas escondidas em si mesma e precisa resolvê-las para que sua vida deixe de ser perfeita e passe a ser correta.

É muito difícil falar muito sobre Laços Inseparáveis sem entregar alguns pontos, então vou me contentar em dizer que o que mais me agradou na obra é o “pé no chão”. Claro que a história em si não pode ser de chamada de comum, mas o seu desenrolar é perfeitamente possível e dentro da realidade, como todas as tramas criadas por Emily. Por isso, uma vez mergulhada no contexto, é fácil entender o que Marian e Kirby pensam e sentem – mesmo que a maioria de nós dificilmente vá passar por uma situação como essa. Além disso, o ritmo da história é perfeito, mantendo os níveis de mistério sem deixar cair no tédio. Sobre o final, você provavelmente irá cogitar diversos desfechos e é bem possível que o verdadeiro fim esteja entre suas apostas. No entanto, ele acontece de forma natural, o que o torna justo e plausível, mas sem perder aquele toque especial.

Título original: Where we belong
Editora: Novo Conceito
Autor: Emily Giffin
Ano: 2012
Páginas: 448
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Presentes da Vida – Emily Giffin

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS DE O NOIVO DA MINHA MELHOR AMIGA!

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Darcy Rhone tinha tudo o que uma mulher poderia querer: Dex, o noivo perfeito, Rachel, a melhor amiga leal, e um emprego glamouroso em Nova York. No entanto, tudo mudou quando Dex cancelou o casamento dos sonhos para ficar com Rachel e deixou Darcy, grávida de outro homem, para trás. Inconformada por, pela primeira vez na vida, ser colocada em segundo plano, Darcy decide, como sempre, esnobar a todos e viver sua vida de glamour em Londres, com o amigo de longa data, Ethan. No entanto, quando desembarca na cidade, Darcy descobre que nem tudo – ou quase nada – será chique e luxuoso na terra da Rainha.

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Como a Emily Giffin é uma das minhas autoras preferidas, eu já havia lido Presentes da Vida em 2011, em inglês, logo após ler O Noivo da Minha Melhor Amiga, primeiro da série de companion books. Mas, quando o livro foi lançado aqui no Brasil, quis completar a coleção em português e pensei “por que não reler?”. Há três anos, eu já havia gostado bastante de Presentes da Vida e, desta vez, não foi diferente. Embora Emily Giffin já tenha provado ter a habilidade de narrar a mesma história sob pontos de vista diferentes – a autora usa o recurso em Questões do Coração Laços Inseparáveis -, no companion book de Noivo da Minha Melhor Amiga, ela se supera. Afinal, quão arriscado é contar a continuação de uma história sob o ponto de vista da “vilã”?

Era amor como verbo, como Rachel costumava dizer. Amor que me fazia mais paciente, mais leal e mais forte.

Bem, pode até ser arriscado, mas Emily transformou o risco em acerto em cheio. Porque é claro que depois de tudo o que acontece em O Noivo da Minha Melhor Amiga, é praticamente impossível começar a leitura de Presentes da Vida gostando de Darcy – até porque a nova protagonista continua cometendo erros até piores do que os anteriores. Mas é exatamente aí que está o grande trunfo do livro: os erros humanizam Darcy e dão espaço à evolução – nada forçada, diga-se se passagem – e à redenção da personagem.

Uma das maiores virtudes de Emily Giffin é usar a própria vida como “vilã” de suas histórias. Por mais clichê que possa parecer, a autora consegue explorar de forma extremamente realista o fato de que realmente colhemos o que plantamos. E em Presentes da Vida, Emily mostra mais uma vez que nossos erros podem trazer consequências boas, ruins, irreparáveis e reversíveis. Mas que também podem ser transformadoras e redentoras, desde que haja amor e amizade verdadeiros.

Título original: Something Blue
Editora: Novo Conceito
Companion books: O Noivo da Minha Melhor Amiga Questões do Coração
Autor: Emily Giffin
Ano: 2005
Páginas: 384
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 5 estrelas

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