Resenha de Morte na Mesopotâmia (Hercule Poirot #14) – Agatha Christie

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Quando a enfermeira Amy Leatheran aceitou cuidar de Louise, a excêntrica esposa do arqueologista Dr. Leidner, ela não poderia imaginar que teria que ajudar o célebre detetive Hercule Poirot a desvendar um misterioso assassinato.

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Assim como nos deparamos com livros bons, mas cansativos de ler, existem as obras não tão interessantes, mas extremamente fluidas. E Morte na Mesopotâmia faz parte do segundo grupo. A primeira metade da história é bem arrastada e a trama só fica mais envolvente com a chegada de Hercule Poirot. No entanto, diferente de O Assassinato no Expresso do Oriente, em que o enredo gira muito mais em torno da resolução do crime, Morte na Mesopotâmia foca um pouco mais nos personagens e suas características, embora não tanto quanto em O Caso dos Dez Negrinhos

Este é apenas o terceiro livro que leio de Agatha Christie e confesso que já se tornou fácil sacar os padrões da autora. Não estou dizendo que costumo adivinhar as resoluções do caso, mas sabe quando fica aquela sensação de “não fui completamente surpreendida”? Pois é. E eu hei de admitir que, embora a história seja, mais uma vez, muito bem amarrada e inteligenteMorte na Mesopotâmia exagera em alguns pontos, tanto nas reviravoltas da trama, quanto na resolução do mistério.

No entanto, Agatha Christie não recebeu o título de Rainha do Crime à toa e se mostra sempre capaz de criar histórias mirabolantes e que, muito embora forcem a barra em alguns momentos, conectam todos os aspectos, sem deixar uma ponta sequer desamarrada. Talvez, o segredo para que a autora surpreenda mais seja ler seus livros em longos intervalos, para “desintoxicar” de suas fórmulas padrão. Afinal, quem não gosta de jogar Detetive de vez em quando?

Título original: Murder in Mesopotamia 
Editora: Nova Fronteira
Autor: Agatha Christie
Ano: 1936
Páginas: 225
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Resenha de Com amor, Anthony – Lisa Genova

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Após a morte do filho autista Anthony, Olivia se divorcia do marido, David, e se refugia na ilha de Nantucket, onde espera encontrar a paz que precisa para superar a dor da perda. Enquanto isso, Beth, que vive na ilha há muitos anos, não pensa duas vezes em se separar de Jimmy, seu marido e pai de suas três filhas, após descobrir a traição de longa data. Sem saberem da existência uma da outra, Olivia e Beth tentam reencontrar a si mesmas, sem saber se isso é possível após tantas reviravoltas da vida. É quando o caminho das duas se cruzam e, de formas inesperadas, elas encontram respostas para muitas de suas perguntas.

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Eu já havia lido Para Sempre Alice Nunca Mais Rachel, em que Lisa Genova abordam o mal de Alzheimer e a Negligência Esquerda, respectivamente, e adorado a escrita direta da autora e a forma como ela, que é neurocientista, explica as doenças de maneira didática e dinâmica. Por isso, eu já sabia mais ou menos o que esperar de Com amor, Anthony. Mas Lisa conseguiu não apenas atender minhas expectativas, como também superá-las. A forma como a autora narrou e conectou as histórias de Beth e Olivia me lembrou bastante o estilo de Liane Moriarty, o que é um elogio e tanto, já que adoro O Segredo do Meu Marido e Pequenas Grandes Mentiras.

Seguindo a linha dos outros dois livros, Com amor, Anthony aborda o Autismo. No entanto, embora seja o assunto central da trama, a doença não é o ponto principal da história. Vou tentar explicar melhor: eu confesso que nunca soube exatamente como a condição “funcionava” e, depois de ler o livro, posso dizer que tenho uma noção muito melhor; no entanto, ao mesmo tempo em que dá detalhes sobre a doença, Lisa Genova também é capaz de se aprofundar em outras temáticas, tornando a obra muito mais rica em termos literários, interessante e tridimensional.

Em Para Sempre Alice Nunca Mais Rachel, a autora já abordou temas como vida a dois (principalmente em relação às consequências das doenças) e maternidade e, em Com amor, Anthony, ela não apenas se aprofunda ainda nestas temáticas, como também trata de outros assuntos polêmicos, como traição e luto.

No entanto, para mim, o maior mérito da obra é a forma como a autora focou menos na interação marido e mulher. Ela optou por mergulhar no universo em que suas personagens não são mais esposas ou mães, o que, apesar de todas as dificuldades e da tristeza, lhes devolve a liberdade e a possibilidade de serem apenas Beth e Olivia. E é por isso que o livro não pode ser considerado “simplesmente” uma obra sobre o Autismo. Com amor, Anthony é uma história sobre se redescobrir e sobre o amor em toda sua complexidade, e as inúmeras formas, boas e ruins, que existem de demonstrá-lo.

Título original: Love Anthony
Editora:
Nova Fronteira
Autor:
 Lisa Genova
Ano: 2012
Páginas: 304
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Resenha de Assassinato no Expresso do Oriente (Hercule Poirot #10) – Agatha Christie

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Hercule Poirot se preparava para se hospedar na Turquia, quando recebeu um telegrama que exigia sua volta à Londres. Logo após o chamado, o detetive embarca no surpreendentemente lotado Expresso do Oriente, mas uma forte nevasca impede que o trem continue a viagem. Durante a interrupção do trajeto, um dos passageiros do Expresso do Oriente é brutalmente assassinado e, naturalmente, Poirot se torna o responsável por descobrir quem foi o autor do crime.

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Não é necessário dizer que o suspense é o principal ingrediente de Assassinato no Expresso do Oriente. No entanto, por ser um caso do célebre detetive Hercule Poirot, a história gira muito mais em torno da resolução do crime em si e pouco explora a personalidade ou características dos personagens. Confesso que sinto um pouco de falta desse approach mais “pessoal e intimista”, no entanto, também gosto de mergulhar a fundo em uma investigação criminal, com direito a interrogatórios, revistas e discussões sobre as provas e depoimentos coletados.

Apesar de serem histórias bem diferentes, Assassinato no Expresso do Oriente e O Caso dos Dez Negrinhos (minha outra experiência com Agatha Christie) têm suas semelhanças: a trama mirabolante, o enredo extremamente bem amarrado, o desfecho surpreendente e, principalmente, a discussão moral sobre “fazer justiça com as próprias mãos”. Li apenas duas obras da autora, mas já arrisco dizer que Agatha Christie é mais do que a Rainha do Crime: é a arquiteta de histórias envolventes, intrigantes e inesquecíveis.

Título original: Murder on the Orient Express
Editora: Nova Fronteira
Autor: Agatha Christie
Ano: 1934
Páginas:
200
Tempo de leitura:
4 dias
Avaliação:
3 estrelas

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Resenha de Nunca Mais Rachel – Lisa Genova

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Aos 37 anos, Rachel Nickerson é uma workaholic ambiciosa e muito bem-sucedida, que faz mil coisas ao mesmo tempo para dar conta dos três filhos pequenos, Charlie, Lucy e Linus. Ela sabe que precisa diminuir o ritmo, no entanto, ignora todos os sinais, até o dia em que sofre um grave acidente de carro. Rachel sobrevive à uma séria lesão cerebral, mas não livre de sequelas: devido ao trauma, ela passa a sofrer de Negligência Esquerda, ou seja, começa a ignorar tudo o que está ao seu lado esquerdo – inclusive seu próprio corpo. Impossibilitada de voltar ao trabalho, Rachel é obrigada a diminuir o ritmo, e é quando descobre que negligenciou muito mais coisas nos últimos anos do que imaginava.

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Antes do acidente acontecer, Lisa Genova retrata o dia a dia atribulado de Rachel, abordando bastante não apenas a rotina de trabalho, como também – e principalmente – a relação da personagem com a maternidade. Confesso que achei a parte pré-acidente do livro um pouco longa, mas também entendo que ela seja necessária justamente para mostrar a negligência da protagonista com sua própria vida e bem-estar. Assim como Alice, de Para Sempre Alice, Rachel é uma mulher ativa, dona de si e que dá muito valor ao intelecto, por isso, depender quase que totalmente de terceiros a faz se sentir mais debilitada – ou seria inválida a palavra certa? – do que realmente está e até humilhada.

Mais uma vez, por ser neurocientista por formação, a autora foi capaz de retratar a doença de maneira realista, o que ajuda a evitar a pieguice e os clichês. Ao se ver 100% lúcida (diferente de Alice, que sofre de Alzheimer), porém completamente debilitada fisicamente, Rachel encontra em suas dificuldades a chance não apenas de, ironicamente, reaver sua vida, mas também de se reconectar com a mãe e de compreender o filho Charlie, diagnosticado com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. E se o desfecho de Para Sempre Alice deixou a desejar, o final de Nunca Mais Rachel é ideal – plausível e realista, mas cheio de esperança.

Rachel é uma personagem forte, obstinada e de espírito vencedor, mas ainda humana, e Lisa Genova foi capaz de retratar com muita honestidade sua batalha cheia de altos e baixos, que transita entre a autopiedade, a raiva, o comodismo, a aceitação e muitos outros sentimentos conflitantes. Nunca Mais Rachel é, na verdade, uma metáfora sobre o quanto negligenciamos a nós mesmos e nossas vontades. É também sobre perdoar aos outros e a si mesmo e entender que aceitar as situações como elas são não é sinônimo de desistir: é lutar com sabedoria.

Título original: Left Neglected
Editora: Nova Fronteira
Autor: Lisa Genova
Ano: 2011
Páginas: 287
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 5 estrelas

*Descobri via Goodreads que, no livro em inglês, a protagonista é Sarah, em vez de Rachel. Enviei um e-mail à editora Nova Fronteira, responsável pela publicação da obra no Brasil, e eles me informaram que essa foi uma decisão editorial da casa.

**Acredito que a editora Nova Fronteira tenha optado por “traduzir” Left Neglected para Nunca Mais Rachel para “combinar” com Para Sempre Alice. No entanto, acho importante ressaltar a inteligência do título original, que, acredito eu, se refere não apenas à doença, mas também à situação da protagonista, que foi negligenciada por si mesma.

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Resenha de Para Sempre Alice – Lisa Genova

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Alice Howland tem 50 anos, é muito bem casada e mãe de três filhos adultos. Professora de psicologia cognitiva em Harvard, ela é extremamente bem-sucedida e viaja o mundo, participando de congressos e dando palestras sobre sua especialidade. No entanto, apesar de levar uma vida bastante saudável, Alice sente que anda esquecendo muitas coisas além do que é considerado comum. Por isso, após um episódio de desorientação a poucos quarteirões de casa, ela decide ir ao médico e descobre sofrer da doença de Alzheimer de instalação precoce. A partir do diagnóstico, Alice enfrenta não apenas a condição, mas também a discriminação, as mudanças nas dinâmicas familiar, profissional e a dois e, principalmente, a necessidade de deixar a “Alice de sempre” para trás.

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Me interessei por Para Sempre Alice porque admito o meu “fraco” por histórias que envolvem doenças e afins – é mórbido, eu sei, mas realmente me identifico – e também porque gosto bastante da Julianne Moore, que interpreta a protagonista na adaptação cinematográfica. Apesar de tudo isso, comecei a leitura meio que sem saber o que esperar e, que grata surpresa!, simplesmente amei a obra de Lisa Genova. Formada neurocientista, a autora teve conhecimento o suficiente para dar detalhes precisos e científicos sobre a progressão e o tratamento da doença, conferindo mais credibilidade à obra, mas também mostrou sensibilidade e criatividade ao desenvolver a história.

Talvez eu jamais consiga recuperar o que já perdi, mas possa conservar o que tenho. E ainda tenho muito.

Apesar de ser em terceira pessoa, a narrativa de Para Sempre Alice é de uma honestidade ímpar e foi um recurso usado de forma muito interessante por Lisa Genova para retratar a progressão da doença. Extremamente realista, a história mostra todas as facetas da situação e também foca em como cada pessoa ao redor do portador da doença reage de formas diferentes e, muitas vezes, surpreendentes em relação ao problema.

Quem já conviveu com um portador de Alzheimer (não é meu caso) provavelmente irá se identificar bastante com os episódios narrados em Para Sempre Alice. Ora tristes, ora redentoras, as situações vividas pela protagonista após o diagnóstico parecem ser um retrato extremamente fiel à realidade e, portanto, angustiantes e desesperadoras, mas também, de alguma forma, redentoras, talvez pela forma como ela lida com a situação.

Esquecerei do hoje, mas isso não significa que o hoje não tem importância.

Em Para Sempre Alice, Lisa Genova foi capaz de deixar o clichê e a pieguice de lado e retratar com sensibilidade e realismo o lado cada vez menos lúcido, mas sempre humano, do portador da doença de Alzheimer. Com surpreendente leveza e a combinação perfeita entre senso de humor e drama, a autora nos faz olhar para a condição com mais compaixão do que dó e Alice nos mostra como esquecer cada vez mais de tudo pode tornar o que restou mais valioso. E quer saber? No final, o ser humano é capaz de se acostumar a tudo.

Título original: Still Alice
Editora: Nova Fronteira
Autor: Lisa Genova
Ano: 2007
Páginas: 279
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 4 estrelas