Resenha de Tartarugas até lá embaixo – John Green

Quando o bilionário Russell Pickett desaparece misteriosamente, Aza Holmes e a melhor amiga, Daisy, decidem descobrir seu paradeiro – afinal, a recompensa é de nada menos do que 100 mil dólares. E o fato de que Aza costumava ser amiga de Davis Pickett, filho mais velho do bilionário, com certeza irá garantir certa vantagem. Mas, além de descobrir que talvez o dinheiro não seja o mais importante, Aza está cansada de saber que tarefa  nenhuma é fácil quando se tem que lidar com crises de ansiedadeTOC.

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Como a maioria das pessoas, conheci John Green com o arrebatador A culpa das estrelas, em 2013. Depois, li todos os outros livros do autor e me tornei uma grande fã. Com o passar do tempo, porém, cheguei à conclusão de que o havíamos superestimado – porque A culpa é das estrelasQuem é você, Alasca? são incríveis, mas O Teorema KatherineCidades de Papel são bem irritantes. Somando isso tudo ao fato de que John Green ficou 5 anos inteiros sem lançar um livro novo, eu sinceramente não sabia o que esperar de Tartarugas até lá embaixo (ainda mais com esse título, né?). Mas a verdade é que isso se revelou uma ótima maneira de não gerar tantas expectativas. O que com certeza contribuiu para que eu gostasse bastante da nova história do autor.

Tartarugas até lá embaixo tem desde transtornos mentais e desaparecimento até Star Wars e tuatara (uma espécie de réptil neozelandês em extinção). O senso de humor também não deixa a desejar, contribuindo para que a leitura seja muito fluida (acabei terminando o livro em um dia) e tornando a trama mais leve e descontraída, apesar dos temas pesados que aborda. E o resultado só poderia ser uma história típica de John Green em sua melhor forma.

Vulnerável, mas também resiliente, Aza Holmes é uma anti-heroína cativante e inspiradora à sua maneira. É por meio da protagonista que John Green mergulha fundo no transtorno de ansiedade e também no TOC, o que talvez “assuste” quem nunca teve uma experiência próxima com questões do tipo. Mais uma vez, o autor não romantiza os problemas da vida real, o que talvez tenha resultado em seu livro mais honesto até aqui – porque A culpa é das estrelas é mágico e Quem é você, Alasca? é brutal,  mas Tartarugas até lá embaixo é não apenas real, como também realista.

Com as incansáveis metáforas e reflexões de Aza Holmes, John Green nos faz pensar sobre o sentido da vida (mais uma vez). Quem nos colocou aqui? Qual o propósito de tudo, se o fim é inevitável? E, de certa forma, o autor consegue dar respostas. Afinal, com Tartarugas até lá embaixo, nos damos conta de que a vida é feita de perdas e, consequentemente, saudade. Mas, apesar e por causa disso, ela sempre continua.

 

Título original: Turtles all the way down
Editora: Intrínseca
Autor: John Green
Ano: 2017
Páginas: 266
Tempo de leitura: 1 dia
Avaliação: 4 estrelas

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Resenha de A Parisiense – Inès de La Fressange 



Paris é uma das capitais mundiais da moda e, como não poderia ser diferente, a parisiense é um ícone fashion. Seu estilo é marcado por uma elegância clássica combinada a um despojamento proposital. E esse é o ponto de partida de A Parisiense, o guia de estilo assinado pela ex-modelo Inès de La Fressange em parceria com a jornalista de moda Sophie Gachet.

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Eu adoro guias de estilo, mas muitas vezes não me identifico com o conteúdo – geralmente, acho tudo glamouroso demais e prático de menos. Por isso, acabo não lendo muitos. Mas, em busca de inspiração para o trabalho, comecei a ler A Parisiense (em PDF mesmo) e gostei do que vi! Solicitei o livro para a Intrínseca e foi fácil devorá-lo!

No guia, Inès de La Fressange dá dicas práticas e que podem ser aplicadas no dia a dia de qualquer pessoa. Ela ensina, por exemplo, a ter um guarda-roupa super funcional a partir de sete itens básicos – e que parece realmente fazer sentido! Como toda amante de moda, a autora sabe que é fácil cair em “armadilhas” e se tornar uma fashion victim e tem “antídotos” para isso também. E para completar o look, o guia tem também dicas de beleza, com produtos indispensáveis e o ritual diário da ex-modelo. O livro inteiro conta com uma dose de sarcasmo e também muito senso de humor.

Para fazer jus ao título, A Parisiense é também um guia sobre Paris. Além de dicas de moda e beleza, Inès de La Fressange sugere lojas de roupas e artigos de decoraçãorestauranteshotéis e até mesmo programas para as crianças. Ou seja, leitura indispensável para quem quer entender (e vivenciar um pouco) do je ne sais quois da parisiense.

Título original: La Parisienne
Editora: Intrínseca
Autor: Inès de La Fressange
Ano: 2010
Páginas: 240
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 4 estrelas

Resenha de Amor & Gelato – Jenna Evans Welch

Antes de morrer, vítima de uma doença fulminante, a mãe de Lina Emerson a fez prometer que passaria uma temporada na Itália. Quando o pior acontece, Lina se vê obrigada a cumprir a promessa, o que significa morar com Howard, um homem que mal conhece, em uma casa que fica no Cemitério e Memorial Americano, em Florença. A princípio, Lina só pensa em voltar para os Estados Unidos. No entanto, quando começa a ler o diário que sua mãe escreveu quando morava em território italiano, a aventura ganha novos contornos. Com direito a muitas doses de romance, as memórias da mãe trarão muitas surpresas, que irão ajudar Lina a descobrir mais sobre si mesma.

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A capa foi a primeira coisa que me chamou a atenção em Amor & Gelato. Depois de ler a sinopse, achei que o livro parecia ter uma pegada estilo Anna e o Beijo Francês (um dos meus young adults preferidos!) e decidi que merecia uma chance. Bom, não poderia ter acertado mais, já que, com a belíssima Florença como pano de fundo, a obra de Jenna Evans Welch encanta, diverte, emociona e traz aquela sensação deliciosa que só os bons young adults são capazes de proporcionar!

Amor & Gelato é uma leitura leve, mas, por abordar o luto, também tem um tom mais sério e profundo. Esse mix, aliás, é um dos pontos altos do livro! Isso porque a autora consegue ser honesta e realista em relação à perda, ao mesmo tempo em que mantém a aura mágica que a história promete. Não importa o cenário, o livro seria uma graça de qualquer maneira. No entanto, é claro que a viagem por Florença torna tudo ainda mais único e especial – dentro e fora das páginas!

Um young adult típico, no melhor sentido da expressão, Amor & Gelato é previsível, sim, mas também traz  boas reviravoltas. Jenna Evans Welch consegue manipular o leitor tanto em relação à história de Lina, quanto ao conteúdo do diário. E o resultado é um livro difícil de largar, com um clímax que arranca suspiros e não deixa a desejar. Apesar de ter o romance como base, a trama é muito mais sobre as surpresas que a vida traz e como, muitas vezes, perder também significa ganhar.

Título original: Love & Gelato
Editora: Intrínseca
Autor: Jenna Evans Welch
Ano: 2016
Páginas: 320
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Piano Vermelho – Josh Malerman

Depois de fazer muito sucesso com o hit Be here, os Danes caem no ostracismo e passam a trabalhar com a produção de outras bandas. Até o dia em que o governo dos Estados Unidos os convoca para ir à África investigar a origem de um som desconhecido, poderoso e assustador. Seis meses depois da viagem, o líder da banda, Philip Tonka, acorda em um hospital e descobre que teve todos os ossos do corpo quebrados. No entanto, ninguém parece saber o que realmente aconteceu com ele, tampouco onde estão seus companheiros de Danes.

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Já se tornou redundante dizer isso por aqui, mas vou ter que repetir: ainda não descobri como como controlar as expectativas e não me frustrar. Conheci o trabalho de Josh Malerman em 2015, com seu romance de estreiaCaixa de PássarosEntão, foi praticamente impossível não esperar muito de Piano Vermelho, ainda mais quando a trama se revela intrigante e envolvente desde as primeiras páginas. Mas, como tem se tornado frequente, a história acabou deixando um pouco a desejar da metade para o final.

Se em Caixa de Pássaros, Josh Malerman aflige o leitor com a privação da visão, em Piano Vermelho, o sentido explorado é a audição. Gosto muito da escrita objetivarepleta de detalhes do autor. E mais uma vez, ele consegue traduzir o terror e a angústia em palavras. A história é contada no passado e no presente, sob os pontos de vista de diferentes personagens. Com isso, Piano Vermelho fica não só mais dinâmico, como muito mais intrigante. Além disso, conforme a leitura avança, mais dúvidasmistérios vão surgindo.

Costumo dizer que Caixa de Pássaros é daqueles livros “ame ou odeie”. Isso porque muitas pessoas não gostaram do desfecho do primeiro livro de Josh Malerman. Eu concordo que o final escolhido pelo autor foi um anti-clímax, mas também acho que ele sai do lugar comum sem deixar de fazer sentido. No entanto, a fórmula se repete em Piano Vermelho e, na minha opinião, não funciona. Gosto de finais em aberto, mas, neste caso, me senti ludibriada. O anti-clímax é realmente frustrante e o desfecho deixa muitas pontas soltas.

Título original: Black Mad Wheel
Editora: Intrínseca
Autor: Josh Malerman
Ano: 2017
Páginas: 320
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Resenha de Apenas uma garota – Meredith Russo

Nova na cidade, Amanda Hardy tem a chance de recomeçar e enterrar os fantasmas de seu passado. Logo ela faz novos amigos e passa a viver uma vida que nunca pensou que poderia ser sua. Apesar de não se sentir pronta para um romance, Amanda não consegue resistir quando conhece o bondoso e divertido Grant. No entanto, conforme os dois se entregam à relação, ela sente que precisa contar a verdade sobre sua história e revelar que, antes de ser Amanda, ela era Andrew.

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Sempre comento por aqui que gosto muito de livros sobre preconceito. A maioria das obras fala sobre discriminação racial, mas as tramas que abordam o universo LGBT (que ainda não são muitas) também entram nessa categoria. O que mais me chamou a atenção em Apenas uma garota foi o fato de que Meredith Russo também é transgênero e se inspirou em algumas situações de sua própria transição para contar a história de Amanda. E o resultado foi uma trama que foca não nos questionamentos da personagem em relação a quem ela é e, sim, na afirmação de sua identidade.

Não fosse a temática LGBT, Apenas uma garota seria um young adult típico. Ou seja, é uma história de certa forma leve, mas não superficial, que expõe o tabu principalmente entre os jovens adultos – o que é extremamente pertinente e necessário! Gostei muito de como Meredith Russo explorou a dualidade da situação de Amanda: a felicidade por, enfim, poder ser quem é; a sensação angustiante de guardar um enorme segredo; e o receio de perder os amigos ao se mostrar como verdadeiramente é.

Além de retratar as dificuldades da personagem, Apenas uma garota também mostra como os cisgêneros (ou não transgêneros) lidam com a transexualidade. Ou seja, muitos dizemos não ter preconceito, mas como será que reagiríamos ao descobrir que nos apaixonamos por um homem que nasceu mulher (ou vice-versa)? E é essa a proposta de Apenas uma garota: nos fazer não apenas refletir, mas nos solidarizar com a questão e, principalmente, nos colocarmos no lugar do próximo.

Acredito que Meredith Russo até poderia ter se aprofundado um pouco mais na transição e na autoafirmação de Amanda. Mas a verdade é que Apenas uma garota cumpre seu papel de fazer enxergar o preconceito, muitas vezes velado, que existe em torno do assunto. Longe de ser pedante, o livro é quase redentor e, por ser realista, nos faz acreditar em um mundo em que todos possam ser o que realmente são.

Título original: If I was your girl
Editora: Intrínseca
Autor: Meredith Russo
Ano: 2016
Páginas: 240
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 4 estrelas

selo2016

 

Resenha de Até que a culpa nos separe – Liane Moriarty


Amigas desde a infânciaClementineErika sempre foram opostos: enquanto a primeira cresceu em uma família bem-estruturada, a segunda teve que aprender, desde cedo, a lidar com as questões da mãe acumuladora. Depois de adultas, as diferenças se mantiveram, e a vida sem filhos e extremamente organizada de Erika não poderia contrastar mais com a rotina quase caótica de Clementine, que se tornou violoncelistamãe de duas meninas. A amizade das duas sempre foi frágil e peculiar. No entanto, depois de um inocente churrasco que se torna palco de uma proposta delicada e de uma tragédia anunciada, a relação das duas é, mais do que nunca, colocada à prova.

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Eu juro que tento, mas é muito difícil controlar as expectativas quando se trata de um autor que já me surpreendeu não apenas uma, mas duas vezes. Conheci Liane Moriarty com O Segredo do Meu Marido, que eu pensava ser um daqueles romances de banca. Então, imagina a minha surpresa quando me deparei com uma história com muito suspense e segredos? Depois, veio Pequenas Grandes Mentiras, que também envolve mistério, com direito até a assassinato. Ou seja, com esse retrospecto, foi impossível não esperar muito de Até que a culpa nos separe.

Seria exagero dizer que o novo livro de Liane Moriarty foi uma decepção. Mas que deixou a desejar, ah, deixou! Em Até que a culpa nos separe, a autora segue a mesma fórmula das obras anteriores: boas doses de mistério com uma pitada de segredo. A isso, adicionamos negligência, culpa e consequências. Ou seja, um prato cheio para uma trama intrigante e envolvente, certo? Sim, mas só até determinado ponto.

Em Até que a culpa nos separe, Liane Moriarty narra os acontecimentos sob diferentes pontos de vista, no passado (dia do churrasco) e no presente. E, realmente, a leitura é super envolvente, até que descobrimos qual foi o acontecimento que transformou a vida de todos os envolvidos. Depois disso, a história fica arrastadaperde um pouco do propósito. Muitas vezes, a sensação chega a ser de que a autora está “enrolando” o leitor, tentando manter um clímax que, na verdade, já se perdeu. E o resultado é um final fácil, simples demais se comparado a tudo o que os personagens enfrentam durante o livro.

O que faz a leitura de Até que a culpa nos separe valer a pena é a habilidade que Liane Moriarty tem de criar personagens tridimensionaishistórias muitos bem amarradas. Também gosto muito de como a autora traz elementos do chick lit (no caso, maternidadevida a dois) para suas obras, mas de uma maneira realista. Apesar de não ter me cativado enquanto trama, Até que a culpa nos separe tem seu valor, por fazer refletir sobre como a culpa transforma as pessoas e, consequentemente, as relações.

Título original: Truly, Madly, Guilty
Editora: Intrínseca
Autor: Liane Moriarty
Ano: 2016
Páginas: 464
Tempo de leitura: 9 dias
Avaliação: 3 estrelas

Veja mais livros de Liane Moriarty

Resenha de Tudo o que nunca contei – Celeste Ng

Inteligente e dedicada, Lydia Lee sempre foi a preferida dos pais e prometia um futuro brilhante. No entanto, todas as possibilidades e promessas ficaram pelo caminho quando, na Primavera de 1970, seu corpo foi encontrado no fundo de um lago. A partir daí, a polícia inicia uma investigação oficial sobre o caso, enquanto os pais e irmãos de Lydia tentam entender o que realmente aconteceu. E é quando eles descobrem que, talvez, não soubessem quem a garota realmente era.

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Como sempre digo, ler sinopses não é meu forte. Por isso, não é raro eu começar uma leitura sem saber exatamente o que esperar de um livro. Foi o que aconteceu com Tudo o que nunca contei, que não apenas me surpreendeu, como também se tornou uma das minhas leituras preferidas de 2017. A escrita de Celeste Ng envolve, intriga e é um conjunto de paradoxos: brutalidade e delicadeza, intensidade e tranquilidade, culpa e redenção, leveza e densidade. E é com esse mix de sentimentos e sensações que a autora nos apresenta ao passado e ao presente da família Lee, o que, de certa forma, também nos transporta para a nossa própria história.

Com a proposta de dissecar a trajetória da família Lee, a trama tem dois pontos-chave: o primeiro é James, o pai de Lydia, que sempre se sentiu discriminado por ser filho de imigrantes chineses; e Marylin, a mãe, que teve seus ambiciosos sonhos interrompidos pela gravidez.  E é com esse pano de fundo que Celeste Ng cria não só um contexto histórico e social, em que aborda desde preconceito até feminismo, como também constrói um background que explica muitos aspectos da trama. 

A leitura de Tudo o que nunca contei mexeu muito comigo, e não (só) por ter luto e perdas envolvidos. Gostei muito da forma como a autora retratou as frustrações de James e Marilyn, mostrando o quanto elas guiaram a vida dos dois e, consequentemente, de seus três filhos. Com esse contexto, Celeste Ng nos faz perceber o quanto a história dos nossos pais, avós, bisavós (…) define a nossa própria trajetória – e como isso pode ser tão bom quanto ruim. No final, a mensagem que fica é que podemos errar demais, mesmo quando o que mais queremos é acertar e reparar.

Título original: Everything I never told you
Editora: Intrínseca
Autor: Celeste Ng
Ano: 2014
Páginas: 304
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 5 estrelas