Resenha de As coisas que perdemos no fogo – Mariana Enriquez


As coisas que perdemos no fogo reúne 12 contos que levam o terror e a fantasiacenários e situações cotidianos. O livro me chamou a atenção pelo título e, quando vi que a autora, Mariana Enriquez, era argentina, fiquei ainda mais curiosa – afinal, eu nunca resisto a Buenos Aires!

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A orelha do livro já dá uma boa prévia do que iremos encontrar em As coisas que perdemos no fogo: “um menino assassino, uma garota que arranca as unhas e os cílios na sala de aula, adolescentes que fazem pactos sombrios, amigos que parecem destinados à morte, mulheres que ateiam fogo em si mesmas como forma de protesto, casas abandonadas, magia negra, mitos e superstições”. Ou seja, prato cheio para quem gosta de boas doses de terror, fantasia e suspense

E como se os temas já não fossem intrigantes o suficiente, a escrita crua e objetiva de Mariana Enriquez faz com que as histórias se tornem ainda mais envolventes e, claro, assustadoras. Gostei muito de como a autora explora a loucura e faz com que o leitor entre na paranoia dos personagens. A única coisa que me incomodou nos contos de As coisas que perdemos no fogo é o fraco um pouco exagerado que a autora tem por finais inconclusivos, mas que não suscitam muitas reflexões. 

Título original: Las cosas que perdimos en el fuego
Editora: Intrínseca
Autor: Mariana Enriquez
Ano: 2014
Páginas: 192
Tempo de leitura: 6 dias
Avaliação: 3 estrelas

Resenha de Agora e para sempre, Lara Jean (Para todos os garotos que já amei #3) – Jenny Han

O último ano escolar de Lara Jean não poderia ser melhor! Ela está mais apaixonada do que nunca por Peter Kavinsky, e é 100% correspondida. E o pai reencontrou o amor e não pensou duas vezes antes de pedir a Sra. Rothschild em casamento! Mas, entre o romance com Peter e a organização do casamento, Lara Jean precisa resolver em que universidade irá estudar. O problema é que essa decisão pode afastá-la de Peter…

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Ler Para todos os garotos que já amei nunca foi um plano. Mas eu sempre amei a capa e, quando a Intrínseca lançou a sequência, P.S.: Ainda amo você, não resisti! E ainda bem que dei uma chance à série de Jenny Han, porque, hoje, sou simplesmente apaixonada por Lara Jean, por Peter e por toda a história! E até arrisco dizer que ela se tornou uma das minhas séries favoritas de young adult.

Como não canso de dizer, adoro forma como a autora retrata as particularidades da relação entre irmãs, mostrando como a racional Margot, a romântica Lara Jean e a espevitada Kitty se completam perfeitamente. A ausência da mãe é outro ponto importante da trama, e simplesmente amo a forma como Jenny Han trata o assunto na história: de maneira natural, real e extremamente sensível!

Em Agora e para sempre, Lara Jean, Jenny Han consegue mostrar tanto o lado bom, quanto o ruim dessa coisa inevitável e irreversível que é crescer. E, como um bom young adult, prova que um pouco de romantismo nunca fez mal a ninguém. E, apesar de ser previsível em alguns momentos, o terceiro livro da série também consegue fugir de alguns clichês – o que torna a previsibilidade não apenas perdoável, como também deliciosa!

Ao mesmo tempo em que é pura magia, o relacionamento de Lara Jean e Peter é também verossímil. E ao final da série, é impossível não pensar no que o futuro reserva para o casal (sim, eu confesso que aceitaria mais uma ou duas sequências!). E é quando eu lembro de Emma Morley, de Um Dia, que diz: “whatever happens tomorrow, we’ve had today”.

Título original: Always and forever, Lara Jean
Editora: Intrínseca
Volumes anteriores: Para todos os garotos que já amei P. S.: Ainda amo você
Autor: Jenny Han
Ano: 
2017
Páginas: 
304
Tempo de leitura:
 3 dias
Avaliação: 
5 estrelas

Resenha de Quatro estações em Roma – Anthony Doerr

No mesmo dia em que se torna pai de gêmeos, Anthony Doerr descobre que foi contemplado com o Rome Prize, pela Academia Americana de Artes e Letras. Como prêmio, ele recebe ajuda de custo, um apartamento e um estúdio para viver um ano em Roma. Então, seis meses após o nascimento de Henry e Owen, Anthony e a esposa, Shauna, iniciam sua aventura em território italiano. E em Quatro estações em Roma, o autor narra todas as facetas, boas ou ruins, incríveis ou assustadoras, de sua experiência.

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Anthony Doerr é o autor de Toda luz que não podemos ver, vencedor do Prêmio Pulitzer de 2015 e um dos meus livros favoritos. Quando o li, me apaixonei pela escrita dele, que é elegante, porém leve; rica, mas extremamente fluida; e contemporânea, muito embora beire o poético. Por isso, não pensei duas vezes antes de ler Quatro estações em Roma.

Não é preciso dizer que Quatro estações em Roma é completamente diferente de Toda luz que não podemos ver (que, aliás, era o livro que o autor tentava escrever enquanto esteve em Roma). Enquanto a primeira obra é autobiográfica e conta com uma atmosfera leve e descontraída, a segunda é ambientada durante a Segunda Guerra Mundial e, por isso, também não deixa de ser real.  Ainda assim, as duas obras compartilham da mesma essência, que é a sensibilidade que a escrita de Doerr é capaz de traduzir.

Em Quatro estações em Roma, o autor faz um relato sincero extremamente real sobre o ano que passou na capital italiana. E se por um lado, deixa claro que as diferenças culturais e o idioma se tornam barreiras a serem superadas, por outro, mostra que elas não são capazes de impedi-lo de enxergar e admirar as belas incongruências da  Cidade Eterna.

Além de um livro autobiográfico, Quatro estações em Roma é também um depósito de todo o conhecimento cultural de Doerr. Na obra, o autor faz inúmeras menções e analogias a grandes nomes e obras da arte e da literatura – mas sem ser pedante ou entediante.

Seria mentira dizer que muito acontece em Quatro estações em Roma. Embora tenha presenciado todo o burburinho em torno da morte do Papa João Paulo II, Doerr levou uma vida relativamente normal na capital italiana. No entanto, é aí que está a mágica da obra. Afinal, contar uma história extraordinária é muito mais fácil do que transformar o mundano em algo especial.

Título original: Four Seasons in Rome: On twins, insomnia, and the biggest funeral in the history of the world
Editora: Intrínseca
Autor: Anthony Doerr
Ano: 2007
Páginas: 240
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

Resenha de Buracos Negros – Stephen Hawking

Em 2016, Stephen Hawking  ministrou uma série de palestras promovidas pela BBC, e um dos temas foram os  buracos negros. O livro homônimo é parte dessas apresentações e, em apenas 64 páginas, explica um pouco do que foi descoberto pelo físico acerca do assunto. E o mais interessante é que, ao mesmo tempo em que é extremamente técnico, o conteúdo da obra é também democrático e de fácil entendimento.

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Sempre achei os buracos negros tão fascinantes quanto assustadores. E embora não seja exatamente sobre isso, o thriller sci-fi Matéria Escura me deixou ainda mais intrigada sobre o assunto. Por isso, a leitura de Buracos Negros não poderia ter acontecido em um momento mais oportuno!

Ao mesmo tempo em que são pura ciência, os buracos negros são também mistério e, de certa forma, se conectam diretamente ao sobrenatural – outro tema que me fascina.E em sua palestra sobre o assunto, Hawking foca, claro, no lado científico do tema, mas não deixa de suscitar reflexões sobre tudo o que os olhos humanos não são capazes de enxergar. E se viagens no tempo, realidades alternativas e universos paralelos forem mais do que apenas ficção e fantasia?

Título original: Black Holes
Editora: Intrínseca
Autor: Stephen Hawking
Ano: 2016
Páginas: 64
Tempo de leitura: 1 dia
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Matéria Escura – Blake Crouch

Jason Dessen é um professor universitário muito bem casado com Daniela Vargas, com quem tem um filho de 15 anos, Charlie. Mas, apesar da vida feliz e confortável que levam, Jason e Daniela vivem à sombra do que poderiam ter sido se tivessem escolhido caminhos diferentes – ele, um gênio da física, e ela, uma artista de sucesso. Certa noite, Jason é raptado por um homem mascarado e, quando acorda em um laboratório, se descobre em um mundo paralelo, onde é exatamente tudo o que poderia ter sido.

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Qualquer história que envolva realidades paralelas automaticamente chama a minha atenção. E quando a obra em questão é também um thriller, não existe a menor possibilidade de eu não querer lê-la. Esse é exatamente o caso de Matéria Escura, de longe a trama mais louca que li nos últimos tempos. A história já começa com tudo, intrigando o leitor e construindo um enredo no melhor estilo “bola de neve”. O resultado é uma leitura angustiante, frenética, enervante e quase impossível de largar.

Em uma mistura de Efeito Borboleta com InterstellarMatéria Escura tem a Teoria do Caos como base. Ou seja, durante a leitura, você vai esbarrar muitas vezes no famoso “e se…?”, tanto em relação à história de Jason, quanto suas próprias escolhas e arrependimentos. Um dos pontos que mais me chamou a atenção no livro foi a forma como Blake Crouch equilibrou todos os ingredientes da trama: ficção científica, suspense, romance, psicologia e reflexões que o leitor leva para a vida.

Eu me interesso muito por universos paralelos, tanto do ponto de vista científico, quanto do sobrenatural. Por isso, a leitura de Matéria Escura foi extremamente interessante para mim e suscitou muitas reflexões. No final das contas, explorar um pouco do multiverso reforçou duas certezas: ninguém é uma coisa só e ser feliz não significa ter tudo na vida e, sim, ter o que realmente importa.

Título original: Dark Matter
Editora: Intrínseca
Autor: Blake Crouch
Ano: 2016
Páginas: 358
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 4,5 estrelas

Resenha de Um Amor Incômodo – Elena Ferrante

Aos 45 anos, Delia perde a mãe, Amalia, encontrada morta em uma praia, vestindo apenas um sutiã caro que nada tinha a ver com ela. É quando Delia volta à Nápoles, sua cidade natal, para acompanhar o funeral e, inundada por lembranças da infância, decide investigar a misteriosa morte de Amalia, com quem sempre teve uma relação conturbada. Mas será possível descobrir a verdade sobre a morte de uma pessoa, sem revisitar o que se sabe de sua vida?

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Depois de ler e amar A Filha Perdida, é óbvio que não contive as expectativas em relação a Um Amor Incômodo. Mas, contrariando todas as probabilidades, Elena Ferrante me decepcionou. O livro foi o primeiro romance da autora, e sua escrita elegantemente crua está ali. No entanto, a história é arrastada (5 dias para ler míseras 176 páginas!), confusa e, em muitos momentos, parece não ter um propósito.

Assim como em A Filha PerdidaUm Amor Incômodo tem a maternidade como ponto de partida. No entanto, a trama é narrada do ponto de vista da filha, em vez do da mãe. E, curiosamente, embora tivesse mais motivos para me identificar com Um Amor Incômodo, não houve conexão alguma entre Delia e eu. E quando falo em conexão e identificação, não quero dizer semelhanças objetivas e, sim, empatia, compreensão e até compaixão. Resumindo: Delia, com sua sinceridade vulgar, não me conquistou, tampouco me envolveu.

Com toque de mistério, Um Amor Incômodo mescla o presente e o passado de Delia, fórmula que eu adoro. No entanto, a narrativa difusa da protagonista é quase um tiro no pé: em vez de deixar o leitor curioso e intrigado, confunde e enerva. Mas, para mim, o pior mesmo é que, diferente de A Filha PerdidaUm Amor Incômodo não suscita reflexão. Até porque não tem como existir nesse mundo sem ser filha de alguém e não se escolhe de quem se nasce.

Título original: L’amore Molesto
Editora: Intrínseca
Autor: Elena Ferrante
Ano: 1992
Páginas: 176
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 2 estrelas

Resenha de Quem era ela – JP Delaney

A casa que ocupa o nº 1 da Folgate Street, em Londres, é uma obra-prima da arquitetura minimalista. Mas, para morar lá, é necessário passar por um exigente processo seletivo e seguir regras extremamente rígidas. Em busca de um novo recomeço, Jane logo se apaixona pela casa e é aprovada pelo arquiteto responsável pela construção. No entanto, logo depois de se mudar, ela descobre que Emma, a inquilina anterior, morreu exatamente ali, na Folgate Street, nº 1, e de maneira misteriosa. Obcecada pela verdade, Jane tenta descobrir a verdade, enquanto tenta evitar que a história de Emma não se repita com ela.

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Quando vi a capa e a sinopse de Quem era ela logo me lembrei dos livros de Harlan Coben. Então, essa foi minha referência de comparação durante a leitura. E, realmente, JP Delaney segue o mesmo estilo do autor, tanto de escrita, quanto de história. No entanto, deixa a desejar no quesito “mirabolância” (enquanto Coben, diga-se de passagem, até exagera), o que acho um desperdício quando se trata de um thriller.

Mas isso não quer dizer que Quem era ela não deixe o leitor louco de curiosidade. Aos poucos, as histórias de Jane e Emma se conectam, criando inúmeras possibilidades para a resolução do mistério. O que, ironicamente, acaba levando a um dos maiores defeitos da obra de JP Delaney: a tentativa de manipular o leitor. Digo “tentativa” porque o final apenas confirma a previsibilidade da história, sem causar aquele efeito “mind fuck”, que eu acho quase obrigatório em se tratando de thrillers.

De qualquer forma, Quem era ela é um livro facílimo de ler e não pode ser considerado uma perda de tempo. Porque, apesar de prometer mais do que cumpre, a história de JP Delaney é super envolvente e realmente intriga o leitor.

Título original: The girl before
Editora: Intrínseca
Autor: JP Delaney
Ano: 2017
Páginas: 336
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 3 estrelas