O Presente do Meu Grande Amor

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Não sou fã de contos, muito menos de Natal. Mas quando soube que O Presente do Meu Grande Amor era uma compilação organizada por Stephanie Perkins, que é “apenas” a autora de dois dos meus livros favoritos de todos os tempos, Anna e o Beijo Francês Isla and the Happily Ever After, ficou difícil ignorar. E não parou por aí: além ter a curadoria de Stephanie, a obra ainda traz contos de Gayle Forman, de Se eu ficar, Jenny Han, co-autora da saga Olho por Olho, David Levithan, de Todo Dia e Will & Will, e Rainbow Rowell, de Eleanor & Park FangirlComo resistir?

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Apesar de serem todos contos de Natal e que, de alguma forma, falam sobre perdas, as histórias de O Presente do Meu Grande Amor não poderiam ser mais diversas. Criaturas misteriosas, seres fantásticos e fenômenos paranormais fazem parte dos contos, assim como os romances, as relações em família e, claro, aquele toque mágico do Natal.

Quando perdemos alguém, perdemos também parte de nós. – Ally Carter

Eu, particularmente, adorei os contos de Rainbow Rowell, Matt de la Peña, Stephanie Perkins, Gayle Forman e Kiersten White. Já o de David Levithan, embora tenha os toques característicos do autor, me decepcionou um pouquinho, assim como o de Jenny Han. Também tem alguns contos que eu definitivamente não gostei, como os de Kelly Link e Laini Taylor. No entanto, apesar de não ser meu estilo de leitura favorito, O Presente do Meu Grande Amor é, em sua maioria, a reunião de muitas histórias fofas e ótimas para entrar no clima de final de ano.

Título original: My True Love Gave to Me
Editora:  Intrínseca
Autores: Holly Black, Ally Carter, Matt de la Peña, Gayle Forman, Jenny Han, David Levithan, Kelly Link, Myra McEntire, Stephanie Perkins, Rainbow Rowell, Laini Taylor e Kiersten White
Ano: 2014
Páginas: 350
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Garoto Encontra Garoto – David Levithan

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Paul é gay, mas isso não é um problema, já que ele tem os pais mais legais e compreensivos do mundo e estuda em um colégio onde o homossexualismo não é alvo de bullying ou preconceito – e o fato de a estrela do time de futebol americano da escola, que costumava se chamar Daryl, mas agora é Infinite Darlene, ser também a rainha do baile é apenas uma das provas. No entanto, nem todos têm a mesma sorte. Tony, por exemplo, tem pais extremamente religiosos, que não aceitam a homossexualidade do filho. Já Kyle não sabe bem que é e tem medo do que irá descobrir quando souber. Por isso, Paul aproveita a sorte que tem para ajudar os amigos a trilhar o melhor caminho, mas a vontade de ajudar pode acabar custando caro.

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A primeira coisa que pensei ao terminar Garoto Encontra Garoto foi: “quem dera o mundo fosse assim”.  E a triste conclusão a que cheguei logo depois foi que ter um quarterback que seja também a rainha do baile é uma grande utopia ainda hoje, 11 anos depois de David Levithan ter escrito este livro. No entanto, apesar de ter criado um pequeno universo livre de preconceito e intolerância, Levithan também manteve os pés no chão, ao inserir as problemáticas de Tony e Kyle – a falta de aceitação dos pais e própria, respectivamente – e questões mais simples e comuns, como os conflitos entre Paul e o namorado, Noah, e Paul e a melhor amiga, Joni.

Paul é o protagonista e sua generosidade e solidariedade garantem o carisma junto aos leitores. No entanto, a quarterback/rainha do baile Infinite Darlene rouba a cena em muitos momentos, com seu jeito espontâneo, corajoso e bruto e frágil ao mesmo tempo – prova disso é que, ao final do livro, uma short story narra seu primeiro encontro amoroso. E é por causa de Infinite que quem leu Will Grayson, Will Grayson (ou Will & Will), que Levithan assina em parceria com John Green, e gostou de Tiny Cooper já tem uma ótima razão para ler Garoto Encontra Garoto – e vice-versa.

Dizer que este livro aborda temas polêmicos de forma leve, natural e totalmente livre de preconceitos é até redundante, já que essa é a principal marca de provavelmente todos os livros de Levithan – Todo Dia não deixa mentir -, mas é também inevitável porque este é um mérito e tanto. Apesar de ter ganhado o título de Garoto Encontra Garoto, esta história é muito mais sobre amizade, companheirismo e lealdade do que o amor romântico. E, ao lê-la, você não espera exatamente a solução dos problemas dos personagens porque, quando se tem estes ingredientes como as essências da vida, o maior conforto não é a utopia de acabar com os conflitos e, sim, saber que sempre terá com quem contar.

Título original: Boy Meets Boy
Editora: Galera Record
Autor: David Levithan
Ano: 2003
Páginas: 185
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Todo Dia – David Levithan

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A é um adolescente de 16 anos que acorda no corpo de uma pessoa diferente a cada dia. Para lidar com as mudanças diárias, ele procura não se envolver, nem interferir nas vidas de seus “hospedeiros”. Mas, quando assume o corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon, A se apaixona e começa a quebrar as próprias regras. A partir daí, ele inicia uma jornada em busca do direito de amar e ser correspondido.

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Todo Dia me encantou pela premissa original e intrigante, mas a leitura me surpreendeu ainda mais. Se a princípio o objetivo de A é poder viver uma história de amor, ao longo do livro, David Levithan transforma a trajetória do protagonista em um rápido, porém profundo, mergulho na vida de pessoas dos mais diferentes perfis e com os mais diferentes problemas. Com Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música e, principalmente, Will Grayson, Will Grayson, o autor já havia deixado claro que falar sobre temas polêmicos não era um problema. Em Todo Dia, porém, ele comprova que nenhum assunto-tabu o assusta e mostra mais uma vez a incrível capacidade de abordá-los com extrema naturalidade e sensibilidade.

Se tem uma coisa que aprendi, é isso: todos nós queremos que tudo fique bem. Nem mesmo desejamos que as coisas sejam fantásticas, maravilhosas ou extraordinárias. Satisfeitos, aceitamos o bem, porque, na maior parte do tempo, bem é o suficiente.
Com humor sutil e inteligente, Levithan apresenta temáticas como a obesidade, a depressão, a homossexualidade, o bullying e a religião – e todas elas somadas à fase já conturbada da adolescência – de forma realista e totalmente livre de preconceitos. Ok, abordar assuntos como estes pode não ser exatamente uma novidade na literatura, mas o grande diferencial da história de A é que, por viver cada dia em um corpo diferente, ele cria uma perspectiva muito mais ampla do que é enfrentar cada uma destas questões, tanto para quem vê de “dentro”, como para quem vê de fora.
Simples e complicado, como a maior parte das coisas verdadeiras.
Ao ler Todo Dia, a frase que mais surgia na minha cabeça era: “everyone you meet is fighting a battle you know nothing about. Be kind. Always” (“todo mundo que você encontra está lutando uma batalha sobre a qual você não sabe nada. Seja gentil. Sempre”, em tradução livre). Afinal, por mais óbvia e clichê que seja, a frase nos faz lembrar que já se tornou automático julgar os outros sem conhecer ou enxergar além da embalagem. Todo Dia nos faz pensar que, em um mundo onde ninguém mais parece se encaixar perfeitamente, um pouco mais de empatia poderia fazer toda a diferença.
 
Título original: Every Day
Editora: Galera Record
Autor:
 David Levithan
Ano: 2012
Páginas: 277
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 5 estrelas

Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música – Rachel Cohn e David Levithan

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Nick é o baixista de uma banda amadora e está tentando superar o término do namoro com Tris. Norah é filha de um famoso produtor musical e também tenta deixar o passado com Tal para trás. Certa noite, em uma casa noturna, Nick e Norah se conhecem em uma situação inusitada e, sem imaginar o quanto têm em comum, iniciam uma jornada regada à sinceridade, medos, mal-entendidos, música e descobertas sobre o amor e, principalmente, sobre si mesmos.

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Escrito a quatro mãos por David Levithan e Rachel Cohn, Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música impõe um ritmo agitado, assim como a noite vivida pelos personagens principais e narrada por todo o livro. Os capítulos são alternados e a história é contada em primeira pessoa pelos dois protagonistas. Na maioria das vezes, a narrativa de Nick não complementa a de Norah e, sim, reconta a história sob seu ponto de vista – e vice-versa. Em outros livros, essa repetição pode se tornar cansativa, mas, como a obra de Cohn e Levithan retrata apenas uma noite e conta com ritmo acelerado, o recurso funciona.

– Estou confessando que não sei se estou pronto para isso.
– O que é ‘isso’?
Isso de estar aberto. De poder ser magoado. Gostar. Não ser gostado. Ver o sinal abrir. Ver o sinal fechar. Pular. Cair. Me espatifar.
Cohn criou uma personagem cheia de contradições: confusa e decidida, medrosa e corajosa, impulsiva e que pensa demais, recatada e desbocada, mas bastante cativante, Norah, com certeza, traz muito de muitas meninas em seus dilemas e convicções. Já Levithan nos apresenta a Nick, um garoto romântico, sonhador, inseguro e, muitas vezes, até irritante, mas que também tem seu charme. Em Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música, Levithan traz mais uma vez a temática homossexual à sua história, como sempre de forma natural, realista e sem tabus – o autor também aborda o assunto em Will Grayson, Will Grayson.
A história de Nick e Norah não é exatamente do tipo que deve acontecer a cada esquina. Mas, como muitas leituras, basta se entregar à trama para se envolver e começar a torcer pelos personagens. E se o enredo não é exatamente 100% realista, os protagonistas compensam por se mostrarem pessoas que poderiam existir – e que com certeza existem -, com todos os defeitos, qualidades, dúvidas e certezas, e na eterna busca por aquilo que são e querem ser.
Título original: Nick and Norah’s Infinite Playlist
Editora: Galera Record
Autores: Rachel Cohn e David Levithan
Ano: 2006
Páginas: 226
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 3 estrelas
**Em 2008, Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música foi adaptado ao cinema, com Michael Cera e Kat Dennings nos papéis principais. 

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Will Grayson, Will Grayson (Will & Will) – John Green e David Levithan

Um Will Grayson é um garoto de poucos amigos que segue duas regras básicas em sua vida: calar a boca e não se importar muito. O outro Will Grayson foi abandonado pelo pai, sofre de depressão e é gay. Certo dia, em uma situação inusitada e constrangedora, a vida dos dois Will Grayson’s se encontram e, aos poucos, eles descobrem um tipo especial de conexão que se tem com alguém que possui o mesmo nome que você.

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Em Will Grayson, Will Grayson, John Green e David Levithan criaram personagens homônimos, que são completamente diferentes e bastante parecidos ao mesmo tempo. Talvez as semelhanças não fiquem evidentes, mas elas existem, apenas são expressadas de formas diferentes. Os autores se alternam nos capítulos e nos apresentam a outros importantes personagens das histórias, como Tiny Cooper (que, na verdade, é um co-protagonista de ambas as tramas), Jane, Isaac, Maura e Gideon. Embora as narrativas, obviamente, sejam diferentes, elas seguem o mesmo ritmo e se completam.

A obra de Green e Levithan é corajosa, não apenas pela narrativa inusitada, mas também por abordar a homossexualidade e a sexualidade de forma aberta, natural e livre de preconceitos. Ao final de Will Grayson, Will Grayson, o leitor se depara com uma breve conversa entre os autores, que não esclarece todas as curiosidades sobre a obra (aqui, porém, tem uma sessão de FAQ bem interessante), mas vale a pena ser lida por explicar um pouco de como surgiu a ideia e como ela foi executada. O mais curioso sobre a leitura da obra a quatro mãos é que, mesmo antes de ler o FAQ, eu sempre tive certeza sobra qual Will Grayson era do John e qual era do David.

E se A Culpa é das Estrelas O Teorema Katherine já dão pistas de que Green não é fã de finais definitivos, as suspeitas podem ser confirmadas em Will Grayson, Will Grayson. Porque, na verdade, não é nos fins que estão as lições e, sim, nos meios. E o meio, neste caso, é uma jornada em busca do amor verdadeiro entre meninos e meninas, meninos e meninos, amigos e amigos, pais e mães, mães/pais e filhos, nós e nós mesmos.

Título original: Will Grayson, Will Grayson
Editora: Galera Record
Autores: John Green e David Levithan
Ano: 2010
Páginas: 310
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 4 estrelas

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