Perdida – Carina Rissi

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Sofia Alonzo mora em uma grande cidade, não tem tempo para muitas coisas além do trabalho e não vive sem tecnologia. Como perdeu os pais há alguns anos, está acostumada a se virar sozinha, é independente e não acredita muito em amor nem em contos de fadas. Em uma happy hour com a melhor amiga, Nina, Sofia bebe um pouco demais e acaba derrubando o celular na privada. No dia seguinte, ela compra um novo aparelho que, de forma misteriosa, a transporta para o ano de 1830. Sofia não faz ideia do que aconteceu, mas começa a buscar desesperadamente pela resposta que irá levá-la de volta a 2010. No entanto, pode ser que ela descubra muito mais do que pensa procurar.

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A premissa de Perdida, primeiro romance de Carina Rissi, não é exatamente a mais original do mundo, mas viagens no tempo sempre chamam a minha atenção. A parte que mais gosto em histórias do tipo é aquele momento em que a personagem percebe que está no passado/futuro e tem dificuldades para se adaptar – e, logo, acaba criando várias confusões e constrangimentos. E, neste ponto, Carina não decepciona: com humor ácido e perspicaz, Sofia diverte demais o leitor. E, embora tenha optado por não citar a escravidão (a explicação está no final do livro), a autora conseguiu contextualizar muito bem a história, com a riqueza de detalhes sobre vestimentas e costumes da época.
Assim como Procura-se um marido, o segundo livro de Carina, Perdida é um chick lit clássico, com todos os ingredientes do gênero – uma protagonista atrapalhada e divertida, um príncipe encantado (desta vez, quase literalmente), várias confusões que poderiam ser facilmente evitadas, resoluções simples e, claro, muito romance. Embora a trama de Perdida seja menos trabalhada e, por isso, mais previsível do que a de Procura-se um marido, o livro de estreia de Carina me agradou mais, principalmente pelo fato de que Sofia é confusa, mas divertida, enquanto Alicia, a protagonista do segundo romance, é simplesmente insuportável.
Como falei na resenha de Procura-se um marido, já estou um pouco cansada dessa fórmula de conto de fadas moderno dos chick lits e, por isso, a minha avaliação de Perdida – e de todos os livros do gênero – fica um pouco prejudicada. No entanto, posso dizer que a obra de Carina Rissi cumpre muito bem a proposta do estilo, de entreter, divertir e relembrar que, sim, toda garota pode sonhar.
Título original: Perdida
Editora: Verus
Volume seguinte:
 Encontrada
Autor: Carina Rissi
Ano: 
2011
Páginas: 
361
Tempo de leitura:
 5 dias
Avaliação: 
3 estrelas
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Procura-se um marido – Carina Rissi

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Alicia Moraes de Bragança e Lima perdeu os pais quando tinha apenas 5 anos e, desde então, passou a ser criada pelo vô Narciso, de quem se tornou muito próxima. Única herdeira da fortuna da família, aos 24 anos, ela vive como bem entende e não pensa duas vezes antes de causar muitas confusões, que sempre são resolvidas pelo paciente e amoroso avô. No entanto, quando seu Narciso morre, repentinamente, Alicia se vê não apenas sozinha, mas também pobre e encurralada por um testamento que só a permite acessar a gigantesca herança quando se casar – e, assim, quem sabe, tomar juízo. Acostumada a ter tudo do seu jeito, ela decidi resolver a questão com um plano que pensa ser perfeito e que inclui um marido de aluguel.

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No início de Procura-se um marido, a mimada e arrogante Alicia é uma das personagens mais insuportáveis da história da literatura mundial. E Max, o marido de aluguel, e Mari, a melhor amiga, também irritam, não por suas personalidades, mas por fazerem tudo o que Alicia quer – veja bem, existe uma diferença entre lealdade e idiotice. No entanto, como previsto, com o desenrolar da trama, a protagonista até que consegue se redimir, ainda que sem perder suas características mais notáveis e insuportáveis.

Assim que comecei a ler Procura-se um marido, já sabia praticamente tudo o que iria acontecer. E não porque sou um gênio, mas porque a obra de Carina Rissi é um típico chick lit: do ponto de vista positivo, tem humor, romance, intrigas e dilemas; do negativo, tem personagens imaturos, afobados e teimosos, diálogos clichês e muita previsibilidade. No entanto, acredito que a autora tenha mesmo se inspirado em ícones do gênero, como Sophie Kinsella e Meg Cabot, o que torna Procura-se um marido um livro muito bem-sucedido.

Eu costumava ser viciada em chick lits, mas, de uns anos pra cá, passei a me irritar ao lê-los porque sempre sinto que a maioria das problemáticas poderia ser resolvida com uma pequena dose de maturidade e honestidade, atributos que sempre faltam às protagonistas. Além disso, os títulos do gênero sempre contam com cenas pouco prováveis e príncipes encantados que não são apenas irreais (e, muitas vezes, superficiais), mas que parecem existir apenas para fazer as mocinhas felizes. Por ter sempre todas essas características, todos os chick lits que li até hoje foram fáceis de sacar e trouxeram poucas surpresas. E com Procura-se um marido não foi diferente: a obra de Carina Rissi tem um roteiro não muito original, mas que é bem desenvolvido. Na minha opinião, possui muitas páginas para ser apenas um passatempo, mas é bastante fluido e, para quem é fã de chick lit, uma ótima opção.

Título original: Procura-se um marido
Editora: Verus
Autor: Carina Rissi
Ano: 2013
Páginas: 472
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

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