Resenha de Morte na Mesopotâmia (Hercule Poirot #14) – Agatha Christie

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Quando a enfermeira Amy Leatheran aceitou cuidar de Louise, a excêntrica esposa do arqueologista Dr. Leidner, ela não poderia imaginar que teria que ajudar o célebre detetive Hercule Poirot a desvendar um misterioso assassinato.

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Assim como nos deparamos com livros bons, mas cansativos de ler, existem as obras não tão interessantes, mas extremamente fluidas. E Morte na Mesopotâmia faz parte do segundo grupo. A primeira metade da história é bem arrastada e a trama só fica mais envolvente com a chegada de Hercule Poirot. No entanto, diferente de O Assassinato no Expresso do Oriente, em que o enredo gira muito mais em torno da resolução do crime, Morte na Mesopotâmia foca um pouco mais nos personagens e suas características, embora não tanto quanto em O Caso dos Dez Negrinhos

Este é apenas o terceiro livro que leio de Agatha Christie e confesso que já se tornou fácil sacar os padrões da autora. Não estou dizendo que costumo adivinhar as resoluções do caso, mas sabe quando fica aquela sensação de “não fui completamente surpreendida”? Pois é. E eu hei de admitir que, embora a história seja, mais uma vez, muito bem amarrada e inteligenteMorte na Mesopotâmia exagera em alguns pontos, tanto nas reviravoltas da trama, quanto na resolução do mistério.

No entanto, Agatha Christie não recebeu o título de Rainha do Crime à toa e se mostra sempre capaz de criar histórias mirabolantes e que, muito embora forcem a barra em alguns momentos, conectam todos os aspectos, sem deixar uma ponta sequer desamarrada. Talvez, o segredo para que a autora surpreenda mais seja ler seus livros em longos intervalos, para “desintoxicar” de suas fórmulas padrão. Afinal, quem não gosta de jogar Detetive de vez em quando?

Título original: Murder in Mesopotamia 
Editora: Nova Fronteira
Autor: Agatha Christie
Ano: 1936
Páginas: 225
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Assassinato no Expresso do Oriente (Hercule Poirot #10) – Agatha Christie

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Hercule Poirot se preparava para se hospedar na Turquia, quando recebeu um telegrama que exigia sua volta à Londres. Logo após o chamado, o detetive embarca no surpreendentemente lotado Expresso do Oriente, mas uma forte nevasca impede que o trem continue a viagem. Durante a interrupção do trajeto, um dos passageiros do Expresso do Oriente é brutalmente assassinado e, naturalmente, Poirot se torna o responsável por descobrir quem foi o autor do crime.

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Não é necessário dizer que o suspense é o principal ingrediente de Assassinato no Expresso do Oriente. No entanto, por ser um caso do célebre detetive Hercule Poirot, a história gira muito mais em torno da resolução do crime em si e pouco explora a personalidade ou características dos personagens. Confesso que sinto um pouco de falta desse approach mais “pessoal e intimista”, no entanto, também gosto de mergulhar a fundo em uma investigação criminal, com direito a interrogatórios, revistas e discussões sobre as provas e depoimentos coletados.

Apesar de serem histórias bem diferentes, Assassinato no Expresso do Oriente e O Caso dos Dez Negrinhos (minha outra experiência com Agatha Christie) têm suas semelhanças: a trama mirabolante, o enredo extremamente bem amarrado, o desfecho surpreendente e, principalmente, a discussão moral sobre “fazer justiça com as próprias mãos”. Li apenas duas obras da autora, mas já arrisco dizer que Agatha Christie é mais do que a Rainha do Crime: é a arquiteta de histórias envolventes, intrigantes e inesquecíveis.

Título original: Murder on the Orient Express
Editora: Nova Fronteira
Autor: Agatha Christie
Ano: 1934
Páginas:
200
Tempo de leitura:
4 dias
Avaliação:
3 estrelas

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O Caso dos Dez Negrinhos – Agatha Christie

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O misterioso U. N. Owen convidou 10 pessoas para passar alguns dias em uma luxuosa casa na Ilha do Negro, porém, nunca apareceu para recepcioná-las. Quando os convidados já estão instalados e cada vez mais ressabiados com o suspense em torno do excêntrico anfitrião, uma voz gravada toma conta do ambiente, acusando cada um deles de ter cometido um crime no passado. A princípio, todos negam a veracidade da mensagem, mas o pânico toma conta dos convidados de U. N. Owen e estranhas mortes começam a acontecer.

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Eu adoro thrillers e livros de mistério, mas nunca havia lido nada de Agatha Christie. Falha minha! No entanto, aproveitei uma das categorias do Desafio de Leitura para reparar esse erro e, por recomendação do meu pai, escolhi O Caso dos Dez Negrinhos para começar a conhecer a obra da Rainha do Crime. E posso dizer que adorei a minha estreia, já que a trama, além de ser um thriller com todos os ingredientes que eu gosto, ainda conta com uma aura sinistra e super macabra.

Confesso que Agatha Christie (e/ou quem traduziu a edição que eu li) usa palavras difíceis, algumas que eu nunca havia ouvido. Mas, apesar desse detalhe, a leitura é muito fluida e a curiosidade para descobrir qual a verdade por trás de todo o mistério, faz com que seja fácil devorar o livro. No entanto, não adianta ler com muita pressa porque, como toda boa trama de suspense, O Caso dos Dez Negrinhos é repleto de reviravoltas e acontecimentos determinantes e mudar de opinião em relação aos suspeitos é automático. Então, é melhor prestar bastante atenção.

Obviamente, quando leio um thriller, espero por muito mistério e, apesar de tentar desvendar o enigma, quero ser surpreendida no final. E, sim, de certa forma, fui pega de surpresa pelo desfecho de O Caso dos Dez Negrinhos, mas, depois de tanto suspense durante todo o livro, confesso que esperava uma revelação um pouco mais embasbacante e/ou menos mirabolante. De qualquer forma, é preciso lembrar que este livro foi escrito em 1939 e, até hoje, é considerado um clássico e, mesmo depois de tantas obras do gênero, ainda é capaz de surpreender o leitor.

Título original: Ten Little Niggers*
Autor: Agatha Christie
Ano: 1939
Páginas: 228
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 4 estrelas

*Ten Little Niggers é o título original que foi usado para a publicação da obra de Agatha Christie no Reino Unido. Na década de 1940, o livro chegou aos Estados Unidos e, por ser considerado racista, foi rebatizado Ten Little Indians. Anos depois, alguém percebeu que usar tanto “niggers” quanto “indians” era preconceituoso e o livro passou a circular como And then there were none, que é um trecho do poema que faz parte da obra.