Resenha de Apenas uma garota – Meredith Russo

Nova na cidade, Amanda Hardy tem a chance de recomeçar e enterrar os fantasmas de seu passado. Logo ela faz novos amigos e passa a viver uma vida que nunca pensou que poderia ser sua. Apesar de não se sentir pronta para um romance, Amanda não consegue resistir quando conhece o bondoso e divertido Grant. No entanto, conforme os dois se entregam à relação, ela sente que precisa contar a verdade sobre sua história e revelar que, antes de ser Amanda, ela era Andrew.

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Sempre comento por aqui que gosto muito de livros sobre preconceito. A maioria das obras fala sobre discriminação racial, mas as tramas que abordam o universo LGBT (que ainda não são muitas) também entram nessa categoria. O que mais me chamou a atenção em Apenas uma garota foi o fato de que Meredith Russo também é transgênero e se inspirou em algumas situações de sua própria transição para contar a história de Amanda. E o resultado foi uma trama que foca não nos questionamentos da personagem em relação a quem ela é e, sim, na afirmação de sua identidade.

Não fosse a temática LGBT, Apenas uma garota seria um young adult típico. Ou seja, é uma história de certa forma leve, mas não superficial, que expõe o tabu principalmente entre os jovens adultos – o que é extremamente pertinente e necessário! Gostei muito de como Meredith Russo explorou a dualidade da situação de Amanda: a felicidade por, enfim, poder ser quem é; a sensação angustiante de guardar um enorme segredo; e o receio de perder os amigos ao se mostrar como verdadeiramente é.

Além de retratar as dificuldades da personagem, Apenas uma garota também mostra como os cisgêneros (ou não transgêneros) lidam com a transexualidade. Ou seja, muitos dizemos não ter preconceito, mas como será que reagiríamos ao descobrir que nos apaixonamos por um homem que nasceu mulher (ou vice-versa)? E é essa a proposta de Apenas uma garota: nos fazer não apenas refletir, mas nos solidarizar com a questão e, principalmente, nos colocarmos no lugar do próximo.

Acredito que Meredith Russo até poderia ter se aprofundado um pouco mais na transição e na autoafirmação de Amanda. Mas a verdade é que Apenas uma garota cumpre seu papel de fazer enxergar o preconceito, muitas vezes velado, que existe em torno do assunto. Longe de ser pedante, o livro é quase redentor e, por ser realista, nos faz acreditar em um mundo em que todos possam ser o que realmente são.

Título original: If I was your girl
Editora: Intrínseca
Autor: Meredith Russo
Ano: 2016
Páginas: 240
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 4 estrelas

selo2016

 

Resenha de Victoria e o Patife – Meg Cabot

Após a morte dos pais, Victoria Arbuthnot foi criada pelos tios na Índia. Aos 16 anos, a jovem é enviada de volta a Londres para que possa encontrar um marido – afinal, estamos falando do século 19. Ainda na longa viagem de navio à Inglaterra, Victoria aceita o pedido de casamento de Hugo Rothschild, o nono Conde de Malfrey. E tudo estaria às mil maravilhas se o desagradável Jacob Carstairs não estivesse tão disposto a acabar com o noivado da jovem.

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Meg Cabot foi a grande responsável por eu me tornar uma leitora assídua, lá em 2005. Na época, comprei todos os livros que encontrei da autora – em português e em inglês. E Victoria e o Patife, que ainda não havia sido publicado no Brasil, fazia parte dessa lista – mas nunca o encontrei para comprar, nem mesmo na internet. Por isso, quando a Galera Record traduziu a obra, não pensei duas vezes antes de colocá-la na minha lista de leituras!

Eu já imaginava que a história seria bobinha e previsível, e não estava errada quanto a isso. No entanto, como sempre digo, não vejo problemas em “tramas fáceis”, desde que nossas expectativas estejam alinhadas. E foi exatamente por saber que seria uma leitura tranquila, que a escolhi para suceder o denso Tudo o que nunca contei. E era tudo o que eu precisava: uma história leve, fofa e deliciosa!

Em Victoria e o Patife, Meg Cabot combina o romance dos contos de fadas com suas personagens fortes e independentes, que estão sempre à frente de seu tempo. E é claro que seu senso de humor, assim como o estilo de escrita sempre divertido, não poderia faltar! Como disse acima, a história é 100% previsível e não tem grandes surpresas. No entanto, é ótima pedida para quando precisamos de uma leitura fácil e envolvente!

Título original: Victoria and the Rogue
Editora: Galera Record
Autor: Meg Cabot
Ano: 2003
Páginas: 210
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Resenha de Agora e para sempre, Lara Jean (Para todos os garotos que já amei #3) – Jenny Han

O último ano escolar de Lara Jean não poderia ser melhor! Ela está mais apaixonada do que nunca por Peter Kavinsky, e é 100% correspondida. E o pai reencontrou o amor e não pensou duas vezes antes de pedir a Sra. Rothschild em casamento! Mas, entre o romance com Peter e a organização do casamento, Lara Jean precisa resolver em que universidade irá estudar. O problema é que essa decisão pode afastá-la de Peter…

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Ler Para todos os garotos que já amei nunca foi um plano. Mas eu sempre amei a capa e, quando a Intrínseca lançou a sequência, P.S.: Ainda amo você, não resisti! E ainda bem que dei uma chance à série de Jenny Han, porque, hoje, sou simplesmente apaixonada por Lara Jean, por Peter e por toda a história! E até arrisco dizer que ela se tornou uma das minhas séries favoritas de young adult.

Como não canso de dizer, adoro forma como a autora retrata as particularidades da relação entre irmãs, mostrando como a racional Margot, a romântica Lara Jean e a espevitada Kitty se completam perfeitamente. A ausência da mãe é outro ponto importante da trama, e simplesmente amo a forma como Jenny Han trata o assunto na história: de maneira natural, real e extremamente sensível!

Em Agora e para sempre, Lara Jean, Jenny Han consegue mostrar tanto o lado bom, quanto o ruim dessa coisa inevitável e irreversível que é crescer. E, como um bom young adult, prova que um pouco de romantismo nunca fez mal a ninguém. E, apesar de ser previsível em alguns momentos, o terceiro livro da série também consegue fugir de alguns clichês – o que torna a previsibilidade não apenas perdoável, como também deliciosa!

Ao mesmo tempo em que é pura magia, o relacionamento de Lara Jean e Peter é também verossímil. E ao final da série, é impossível não pensar no que o futuro reserva para o casal (sim, eu confesso que aceitaria mais uma ou duas sequências!). E é quando eu lembro de Emma Morley, de Um Dia, que diz: “whatever happens tomorrow, we’ve had today”.

Título original: Always and forever, Lara Jean
Editora: Intrínseca
Volumes anteriores: Para todos os garotos que já amei P. S.: Ainda amo você
Autor: Jenny Han
Ano: 
2017
Páginas: 
304
Tempo de leitura:
 3 dias
Avaliação: 
5 estrelas

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Resenha de Meu coração e outros buracos negros – Jasmine Warga

Aysel Seran está pagando caro pelos erros cometidos por seu pai. Por isso, está decidida a cometer suicídio. Mas, como não tem coragem de fazê-lo sozinha, acessa o site Passagens Tranquilas, onde conhece RobôCongelado – ou Roman. Os dois planejam o fim juntos, no entanto, no meio do caminho, Aysel redescobre que é possível ser feliz novamente. O problema será convencer Roman de que ele também pode recuperar a vontade de viver.

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Não é novidade que adoro livros que tratam questões como o suicídio. E por algum motivo, sempre achei que Meu coração e outros buracos negros seria uma boa história sobre o assunto. Mas me enganei e não foi bem assim. Para começar, a obra de Jasmine Warga não conta com personagens cativantes. Em vez de alguém que sofre de depressão, Aysel parece ser uma adolescente ligeiramente egoísta e com autopiedade em excesso. Roman, por sua vez, faz jus ao codinome RobôCongelado.

O pior talvez seja o fato de que, como casal, Aysel e Roman não convencem. Desde o primeiro momento, você sabe que eles vão se apaixonar, e isso não seria um problema se o sentimento e o romance tivessem sido bem construídos. Mas, no final das contas, a sensação que dá é que eles se apaixonam porque era assim que tinha que ser. Como sempre digo, não ligo de uma história ser previsível, contanto que ela convença de alguma forma. E não é isso que acontece em Meu coração e outros buracos negros. 

No entanto, o que mais me incomodou no livro foi a sensação de que a história de Aysel e Roman banaliza e até romantiza o suicídio. Tenho certeza de que não foi a intenção de Jasmine Warga, mas aconteceu. Isso porque, no final, tudo se resolve fácil demais e muitas pontas ficam soltas. A impressão que fica é que a ideia de se matar não passava de um capricho, especialmente por parte de Aysel.

Aí você me pergunta: com tantas críticas, por que você avaliou em 3 estrelas? Porque Meu coração e outros buracos negros é uma leitura fácil e quase descomprometida. E acima de tudo, porque sempre valorizo a tentativa de tratar de assuntos-tabu em livros young adult. Mas acho importante também ressaltar que, infelizmente, nem sempre o amor é suficiente.

Título original: My heart and other black holes
Editora: Rocco
Autor: Jasmine Warga
Ano: 2015
Páginas: 312
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 3 estrelas

Resenha de Paris para um e outros contos – Jojo Moyes

Como o próprio título já denuncia, o livro reúne as short stories Paris para umLua de mel em Paris e oito pequenos contos assinados por Jojo Moyes. Quem acompanha o blog sabe que eu AMO a autora, por conta de Como eu era antes de você A Última Carta de Amor. Mas também deve lembrar que Jojo deixou um pouco a desejar com Um mais um Baía da Esperança. Por isso, não estava super animada para ler Paris para um e outros contos. No entanto, para a minha surpresa (e felicidade!) comecei o livro despretensiosamente e me empolguei tanto, que terminei-o em apenas um dia! É claro que o fato de eu já ter lido Paris para um contribuiu para que a leitura fosse mais rápida. Mas a verdade é que eu realmente adorei os contos, então, não teria demorado muito mais do que isso de qualquer forma.

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Com exceção de Paris para um Lua de mel em Paris, os contos têm, no máximo, 10 páginas. E, apesar de serem curtinhos, todos são envolventes e apresentam dilemas morais passíveis de reflexão, do jeitinho que Jojo adora! Autoestima, dores e delícias da vida a dois, romantismo e até mesmo tecnologia e fama são outras temáticas abordadas pela autora. Entre os meus contos preferidos, estão Sapatos de couro de crocodiloO casaco do ano passadoA Lista de Natal.

E se o livro começa na capital francesa, com o previsível, porém fofo Paris para um, é lá também que a obra termina, com Lua de mel em Paris. A short story é perfeita para quem ama A garota que você deixou para trás, já que conta um pouco mais sobre os casais principais do livro, Liv e David e Sophie e Édouard. O conto não revela nada de bombástico sobre a trama, mas traz um retrato mais leve dos quatro personagens, antes de tragédias, guerras e caos. Enfim, Paris para um e outros contos é uma delícia de leitura, especialmente para quem adora Jojo Moyes!

Título original: Paris for one and other stories
Editora: Intrínseca
Autor: Jojo Moyes
Ano: 2016
Páginas: 281
Tempo de leitura: 1 dia
Avaliação: 4 estrelas

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selo2016

 

Resenha de Adeus, por enquanto – Laurie Frankel

Gênio da informática, Sam Elling trabalha em um site de encontros, até o dia em que cria um algoritmo capaz de mapear o par perfeito para cada pessoa. A ferramenta funciona tão bem, que se torna uma ameaça para a empresa, causando a demissão de Sam. Mesmo assim, ter criado o algoritmo faz tudo valer a pena, já que, sem ele, Sam nunca teria encontrado Meredith, sua própria alma gêmea. Logo depois que os dois começam a namorar, Livvie, a avó de Meredith, morre subitamente. Para ajudar a namorada a superar a perda, Sam cria um novo algoritmo que reúne e-mails, SMS’s, conversas por vídeo e postagens em redes sociais de quem já se foi para gerar uma simulação em texto ou em vídeo. Extremamente real, a nova ferramenta não apenas ajuda Meredith a passar pelo momento de luto, como também se torna um negócio rentável, porém duvidoso.

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O título e a sinopse de Adeus, por enquanto com certeza chamariam a minha atenção logo de cara. Mas, antes que eu me deparasse com a obra, a Angela me recomendou o livro, que entrou para a lista na mesma hora. Depois de ler Cujo, fiquei com vontade de uma leitura que fosse leve, mas não vazia ou superficial. Achei que Adeus, por enquanto se encaixava nos pré-requisitos, e acertei! Ao mesmo tempo em que é super fácil de ler, a obra de Laurie Frankel mostra como a morte (ou a iminência dela) assusta, desespera e transforma não apenas quem vai, mas também quem fica.

Devo ser sincera e dizer que esperava um pouco mais de Adeus, por enquanto, especialmente em relação à emoção (sim, eu estava a fim de dar uma choradinha!). E tenho certeza de que o que me impediu de me envolver mais com a trama foram os personagens: Meredith me irritou bastante com seu jeito de “dona da verdade” mimada, enquanto Sam se revelou um belo pau mandado, com muita genialidade e pouca personalidade. Entre os personagens secundários, nenhum realmente me cativou – o divertido e espontâneo Dash foi de quem mais gostei, mas meio que por falta de opção.

Em uma mistura de Be right back (episódio de Black Mirror, lançado um ano depois do livro) com Inteligência Artificial, Adeus, por enquanto propõe também dilemas morais interessantes. E a principal discussão é: até que ponto conversar “em tempo real” com um ente querido falecido realmente ajuda no processo de luto? Eu mesma, confesso, não cheguei a uma conclusão. E é assim, tratando o luto de forma honesta e realista, que Adeus, por enquanto nos faz refletir e ver que, no fim das contas, partir ou ficar levam ao mesmo caminho: o da redenção.

Título original: Goodbye for now
Editora: Paralela
Autor: Laurie Frankel
Ano: 2012
Páginas: 376
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

Resenha de Crave a marca – Veronica Roth

Em uma galáxia onde quase todos são beneficiados pelo dom da corrente, Cyra e Akos desenvolvem poderes que parecem não trazer muitas vantagens. O de Cyra pode matar, mas também causa dores que a impedem de viver em paz. Para piorar a situação, seu irmão, o poderoso soberano shotet Ryzek, a usa como instrumento de tortura contra seus inimigos. Já Akos é capaz de interromper a corrente e, depois de sequestrado pelos shotet, decide se unir a Cyra para ter uma chance de resgatar o irmão.

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Divergente é, ao lado de Jogos Vorazes, minha série distópica favorita (três anos se passaram, e eu ainda não consegui decidir qual amo mais). Então, foi impossível não elevar as expectativas em relação a Crave a marca, mesmo sabendo que ele dificilmente se igualaria ao best-seller de Veronica Roth. No entanto, nem mesmo nos meus piores pesadelos, eu imaginaria uma história tão previsível e fraca.

Apesar de Crave a marca não ser uma distopia, as semelhanças com Divergente são óbvias. Primeiro, com a criação de diferentes planetas e sociedades. Embora não segreguem tanto quanto as facções, os habitantes/membros de cada um têm características específicas e personalidades semelhantes. Depois, e principalmente, com Avok e Cyra. Os protagonistas estão longe de ser complexos e tridimensionais como Four e Tris. Mas, para mim, é evidente que a autora tentou recriar o casal de Divergente. E o resultado deu a sensação de uma cópia barata, que, definitivamente, não funcionou. O que mais me incomodou foi a “síndrome do mocinho” de Avok e Cyra, que têm “medo” da capacidade que têm de ferir e matar as pessoas. Alguém lembra dos dilemas de Four e Tris (especialmente ela, em Insurgente)?

A primeira informação sobre Crave a marca era que o novo livro de Veronica Roth teria uma pegada Star Wars. Independentemente de ser coerente ou não, essa comparação sempre será um tiro pela culatra. Afinal, trata-se de uma das franquias mais bem-sucedidas de todos os tempos, que tem os fãs mais “chatos” do mundo. Então, não existe razão para gerar (mais) uma expectativa que nunca será atendida. No entanto, esse foi o primeiro chamariz de Crave a marca e, óbvio, só piorou a situação. Não é só porque a história se passa em outra galáxia, com a disputa entre “o bem e o mal”, e tem um wannabe de Kylo Ren, que podemos compará-la a Star Wars.

Para completar a tragédia, Crave a marca é previsível em tudo: traições, mortes, dramas, confabulações, romance, reencontros… TUDO! Parece que Veronica Roth reuniu as histórias do gênero e decidiu seguir a mesma fórmula e usar todos os clichês. Além disso, tudo é muito conveniente e, em nenhum momento, senti aquela tensão “gostosa” ou a curiosidade de saber o que iria acontecer depois. E sabe aquela vontade de nunca mais largar o livro? Pois é, não se aplica a Crave a marca – pelo contrário, chegar ao fim foi um suplício. Só não dei uma estrela para a obra porque, apesar de todos os problemas no enredo, Veronica Roth escreve muito bem. E com tudo isso, acho que fica claro o quanto detestei Crave a marca e que as chances de eu terminar a série são nulas.

Título original: Carve the mark
Editora: Rocco
Autor: Veronica Roth
Ano: 2017
Páginas: 480
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 2 estrelas

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