Resenha de Quatro estações em Roma – Anthony Doerr

No mesmo dia em que se torna pai de gêmeos, Anthony Doerr descobre que foi contemplado com o Rome Prize, pela Academia Americana de Artes e Letras. Como prêmio, ele recebe ajuda de custo, um apartamento e um estúdio para viver um ano em Roma. Então, seis meses após o nascimento de Henry e Owen, Anthony e a esposa, Shauna, iniciam sua aventura em território italiano. E em Quatro estações em Roma, o autor narra todas as facetas, boas ou ruins, incríveis ou assustadoras, de sua experiência.

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Anthony Doerr é o autor de Toda luz que não podemos ver, vencedor do Prêmio Pulitzer de 2015 e um dos meus livros favoritos. Quando o li, me apaixonei pela escrita dele, que é elegante, porém leve; rica, mas extremamente fluida; e contemporânea, muito embora beire o poético. Por isso, não pensei duas vezes antes de ler Quatro estações em Roma.

Não é preciso dizer que Quatro estações em Roma é completamente diferente de Toda luz que não podemos ver (que, aliás, era o livro que o autor tentava escrever enquanto esteve em Roma). Enquanto a primeira obra é autobiográfica e conta com uma atmosfera leve e descontraída, a segunda é ambientada durante a Segunda Guerra Mundial e, por isso, também não deixa de ser real.  Ainda assim, as duas obras compartilham da mesma essência, que é a sensibilidade que a escrita de Doerr é capaz de traduzir.

Em Quatro estações em Roma, o autor faz um relato sincero extremamente real sobre o ano que passou na capital italiana. E se por um lado, deixa claro que as diferenças culturais e o idioma se tornam barreiras a serem superadas, por outro, mostra que elas não são capazes de impedi-lo de enxergar e admirar as belas incongruências da  Cidade Eterna.

Além de um livro autobiográfico, Quatro estações em Roma é também um depósito de todo o conhecimento cultural de Doerr. Na obra, o autor faz inúmeras menções e analogias a grandes nomes e obras da arte e da literatura – mas sem ser pedante ou entediante.

Seria mentira dizer que muito acontece em Quatro estações em Roma. Embora tenha presenciado todo o burburinho em torno da morte do Papa João Paulo II, Doerr levou uma vida relativamente normal na capital italiana. No entanto, é aí que está a mágica da obra. Afinal, contar uma história extraordinária é muito mais fácil do que transformar o mundano em algo especial.

Título original: Four Seasons in Rome: On twins, insomnia, and the biggest funeral in the history of the world
Editora: Intrínseca
Autor: Anthony Doerr
Ano: 2007
Páginas: 240
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

Veja mais livros de Anthony Doerr

Resenha de Buracos Negros – Stephen Hawking

Em 2016, Stephen Hawking  ministrou uma série de palestras promovidas pela BBC, e um dos temas foram os  buracos negros. O livro homônimo é parte dessas apresentações e, em apenas 64 páginas, explica um pouco do que foi descoberto pelo físico acerca do assunto. E o mais interessante é que, ao mesmo tempo em que é extremamente técnico, o conteúdo da obra é também democrático e de fácil entendimento.

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Sempre achei os buracos negros tão fascinantes quanto assustadores. E embora não seja exatamente sobre isso, o thriller sci-fi Matéria Escura me deixou ainda mais intrigada sobre o assunto. Por isso, a leitura de Buracos Negros não poderia ter acontecido em um momento mais oportuno!

Ao mesmo tempo em que são pura ciência, os buracos negros são também mistério e, de certa forma, se conectam diretamente ao sobrenatural – outro tema que me fascina.E em sua palestra sobre o assunto, Hawking foca, claro, no lado científico do tema, mas não deixa de suscitar reflexões sobre tudo o que os olhos humanos não são capazes de enxergar. E se viagens no tempo, realidades alternativas e universos paralelos forem mais do que apenas ficção e fantasia?

Título original: Black Holes
Editora: Intrínseca
Autor: Stephen Hawking
Ano: 2016
Páginas: 64
Tempo de leitura: 1 dia
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Ninguém vira adulto de verdade – Sarah Andersen

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Em Ninguém vira adulto de verdade, Sarah Andersen compartilha suas tirinhas que retratam o que é ser um jovem adulto nos dias de hoje. Vida social, autoestima, timidez e inseguranças são apenas alguns dos temas abordados por Sarah no livro. Com mais de 1 milhão de seguidores no Facebook, a autora transforma causos cotidianos em mini-histórias honestas e, ao mesmo tempo, extremamente divertidas e de fácil identificação!

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Como disse na resenha de Repeteco, tenho gostado cada vez mais de quadrinhos. E já havia me interessado pela versão original de Ninguém vira adulto de verdade, que me lembrou um pouco do ótimo Hyperbole and a half. Então, quando soube que a Editora Seguinte iria lançá-la em português, já engordei minha wishlist.

E como esperado, a leitura do livro de Sarah Andersen foi rápida (tive que me controlar pra não ler tudo de uma vez) e regada a risadas. A autora tem um senso de humor que mescla ingenuidade com acidez e me identifiquei de verdade com várias tirinhas! Com Ninguém vira adulto de verdade, Sarah não apenas retrata a vida moderna de um jovem adulto, como também mostra que todos temos inseguranças que parecem ser bobas, mas afetam nossa vida e convivência social diretamente. Ou seja, ninguém está sozinho!

E para dar uma amostra do que Ninguém vira adulto de verdade realmente é, separei três das muitas tirinhas que amei:

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Título original: Adulthood is a myth
Editora: Seguinte
Autor: Sarah Andersen
Ano: 2016
Páginas: 120
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Ed e Lorraine Warren: Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais – Gerard Brittle

Em Ed e Lorraine Warren, Gerard Brittle dá voz ao casal, que narra os diversos casos sobrenaturais que compõem seus currículos de demonologista e clarividente, respectivamente. Entre eles, os célebres episódios de Enfield e Amityville, ambos contados também no cinema – em Invocação do Mal 2Horror em Amityville. Além dos relatos detalhados, o livro também contém fotos que registram fenômenos paranormais, como levitação de objetos.

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Quem acompanha o blog há algum tempo já sabe que sou muito fã de histórias de terror. E Invocação do Mal, que conta dois casos de Ed e Lorraine, é uma das minhas franquias preferidas do gênero. Sendo assim, não poderia deixar de ler Ed e Lorraine Warren! Em sua maior parte, o livro segue o estilo “perguntas e respostas”, como se o leitor estivesse realmente em uma palestra ministrada pelo casal. Ou seja, o conteúdo é extremamente detalhado e até mesmo didático. Durante a leitura, aprendi bastante sobre o tema, desde termos (como preternatural) até o que pode propiciar ou evitar uma possessão.

No entanto, ao mesmo tempo em que é uma verdadeira aula sobre o tema, Ed e Lorraine Warren é de arrepiar. A quantidade de detalhes que compõe o livro contribui para isso, mas o que realmente impressiona é pensar que (pelo menos em tese) é tudo real. E se você for como eu, e tiver uma predisposição a acreditar no “outro lado” e em manifestações sobrenaturais, tem a receita pronta para o sucesso!

É importante dizer também que o casal transmite muita credibilidade, que no cinema é reforçada pelas ótimas atuações de Patrick Wilson e Vera Farmiga. Então, para mim, foi difícil desvincular as figuras do livro dos atores, o que fez com que eu acreditasse ainda mais em cada palavra. A leitura só não foi melhor porque achei que Ed e Lorraine Warren perde o ritmo do meio para o fim e se torna até um pouco repetitivo. Mas para quem, assim como eu, ama terror (ficção ou não), vale a leitura!

Título original: The Demonologist: the extraordinary career of Ed and Lorraine Warren
Editora: DarkSide Books
Autor: Gerard Brittle
Ano: 2002
Páginas: 272
Tempo de leitura: 9 dias
Avaliação: 3 estrelas

Resenha de Sou fã. E agora? – Frini Georgakopoulos

Quando vi Sou fã. E agora? no kit de brinde do Encontro de Blogueiros da Companhia das Letras, confesso que não dei muita atenção (embora tenha achado a capa muito fofa!). Mas quando a Frini Georgakopoulos conversou com os blogueiros (ela também participou do encontro), a achei tão simpática e divertida, que decidi ler o livro. Sou fã. E agora? não é muito meu estilo de leitura, por isso, realmente não esperava me identificar com absolutamente  tudo o que lia. Mas aconteceu –  e eu adorei!

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Como o título do livro já dá a entender, Frini fala sobre a arte de ser fã e a cartase que isso provoca. A obra é divertida e a autora parece fazer questão de se mostrar “gente como a gente”. O resultado é um livro “de fangirl para fangirl (ou fanboy)” e que, apesar de não ter um pingo de pretensão, traz muita informação e desmistifica vários aspectos da literatura – especialmente os gêneros young adult e chick lit. A discussão vai ainda mais longe, abordando o preconceito literário, um tema que adoro (inclusive tem post aqui) e que dá muito pano para manga!

Além da capa super fofa e que ilustra a temática muito bem, Sou fã. E agora? também conta com uma diagramação divertida e colorida, que me lembrou o visual de revista. O estilo de escrita de Frini é simples (no bom sentido) e super objetivo, o que faz parecer que ela realmente está ali, conversando com a gente e compartilhando os surtos de fã! Para reforçar o ar interativo da obra, a autora propõe que o leitor crie as irresistíveis listas – de heróis literários favoritos, cenários de histórias marcantes, personagens que morreram e nos arrasaram e por aí vai.

Eu sou uma fangirl assumida, então, foi fácil me identificar com Frini. Mas a verdade é que, no fim das contas, ler Sou fã. E agora? exemplificou muito bem a experiência de encontrar pessoas que também amam aquilo que a gente amaJogos Vorazes, Harry Potter, A Culpa é das Estrelas, A Seleção, Por Lugares Incríveis, Divergente… Tudo isso (e mais um pouco) são referências citadas na obra! Tem como não amar?

Título original: Sou fã. E agora?
Editora: Seguinte
Autor: Frini Georgakopoulos
Ano: 2016
Páginas: 160
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Resenha de Casa das Estrelas: o universo contado pelas crianças – Javier Naranjo

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Em Casa das Estrelas, Javier Naranjo reúne as definições que seus alunos, com idade entre 3 e 10 anos, deram para palavras como amor, morte, eternidade e dinheiro. E, como não poderia ser diferente, o resultado é tão divertido quanto triste, tão espontâneo quanto comovente, e sempre surpreendente.

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Lembro que quando Casa das Estrelas foi lançado, em 2013, li uma reportagem sobre ele e me interessei bastante. Mas, por algum motivo, acabei esquecendo do livro, até que, outro dia, uma amiga comentou que a Jout Jout havia falado sobre ele em um de seus vídeos. Então, para não correr o risco de esquecer dele novamente, já aproveitei para fazer a leitura.

Eu já esperava que Casa das Estrelas fosse o tipo de livro que deixa nosso coração apertado, muito embora seja bem engraçado em alguns momentos. E, realmente, não existe melhor definição para a obra de Javier Naranjo do que heartbreaking (na falta de uma expressão equivalente em português).

Porque, assim como todos os livros com personagens infantis, Casa das Estrelas conta com a ingenuidade das crianças e o agravante de não se tratar apenas de ficção. Além disso, da mesma maneira que retrata, ainda que de forma indireta, a representatividade do futebol e da religião na Colômbia, país de origem de Naranjo, a obra nos faz refletir sobre as situações pelas quais essas crianças já passaram para terem definições muitas vezes brutalmente verdadeiras para algumas das palavras.

Algumas citações de Casa das Estrelas:

Eternidade
É esperar uma pessoa.

Alegria
A força de ser e de sentir.

Dinheiro
É o fruto do trabalho, mas há casos especiais.

Calor
É uma coisa que faz a gente ver até o diabo. 

Assassinato
Tirar o melhor de uma pessoa.

Amor
O que cada coração reúne para dar a alguém.

Título original: Casa de las Estrellas: el universo contado por los niños
Editora: Foz
Autor: Javier Naranjo
Ano: 2013
Páginas: 128
Tempo de leitura: 1 dia
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Uma Vida no Escuro – Anna Lyndsey

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Anna Lyndsey é funcionária pública e, enfim, realizou o sonho de comprar seu próprio apartamento em Londres. Quando o único objetivo se torna manter o novo padrão de vida, Anna começa a sentir um estranho desconforto na pele do rosto, que parece ser causado pela tela do computador. Logo, o incômodo se transforma em uma alergia extrema a qualquer fonte de luz, que obriga Anna a trocar o emprego, a vida social e qualquer rastro de independência por uma existência totalmente limitada e, literalmente, no escuro.

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Estava dando uma volta pela livraria quando a capa de Uma Vida no Escuro me chamou a atenção. Quando descobri que se tratava de um livro de memórias, me interessei ainda mais, já que, além de adorar o gênero, estava em busca de uma obra de não ficção para cumprir o Desafio de Leitura. Confesso que tive um pé atrás com a história, um receio de que fosse pedante por se tratar de doença, mas Anna Lyndsey (que, aliás, é um pseudônimo) soube retratar a situação de maneira profunda, mas também realistasem doses excessivas de autopiedade.

Uma Vida no Escuro têm capítulos curtos e que não seguem ordem cronológica, o que torna a história já interessante ainda mais envolvente e dinâmica. E se a escrita direta de Anna nos traduz o peso do confinamento no quarto escuro, a leveza de suas palavras contrasta com a gravidade da situação, fazendo com que o leitor sinta empatia por ela e não dó. No entanto, o mais gostei no livro foi a honestidade da autora ao mostrar os altos e baixos de sua vida após a descoberta da doença: desde o desespero e o eventual desejo de se suicidar até a busca constante e incessante pela força para continuar lutando.

Talvez por se tratar de um livro de não ficção, Anna Lyndsey fez questão de não romantizar sua história ou dar a ela um começo, um meio e um fim. E mais do que uma obra sobre viver com uma doença incurável e debilitante, Uma Vida no Escuro é sobre se redescobrir em condições adversas e ser capaz de redefinir o que é bom e o que é ruim. Em seu livro de memórias, Anna mostra que resiliência não é sorrir em momentos difíceis e simplesmente aceitar situações dolorosas, mas encontrar saídas mesmo quando a solução parece impossível.

Título original: Girl in the dark
Editora: Intrínseca
Autor: Anna Lyndsey
Ano: 2015
Páginas: 248
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 4 estrelas

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