Livro x Filme: A Garota no Trem

a-garota-no-trem-filme-1

Transformar um livro em filme é sempre uma tarefa difícil. E, na minha opinião, a situação fica ainda mais complicada no caso de thrillers policiais. A maravilhosa adaptação de Garota Exemplar, no entanto, mostrou que é possível editar a obra original e, ainda assim, se manter 100% fiel a ela. O que, claro, é ótimo, mas também tem um lado ruim, que é elevar as expectativas em relação a todas as versões cinematográficas do gênero. E aí, é um passo para a decepção.

A adaptação de A Garota no Trem não chegou a desapontar, mas também não atendeu completamente às expectativas. As mudanças são inevitáveis e até acho que a escolha do que deveria entrar ou não foi bem feita. No entanto, fiquei em dúvida sobre o ritmo do filme. Enquanto o livro é extremamente fluido, tanto pela escrita de Paula Hawkins, quanto pela curiosidade em realação ao mistério, o longa me deu a impressão de ser um pouco arrastado, principalmente para quem não leu a obra original.

GOT Props000850.RAF

Assim como o livro, o filme também conta com três pontos de vista e alterna passado e presente. Dessa forma, a trama mantém um dos principais pontos positivos e atrativos de A Garota no Trem: a manipulação do leitor/espectador. Apesar de já saber a verdade sobre a história, fiquei ansiosa para saber como o enredo se desenrolaria na tela. E, felizmente o desfecho foi bastante fiel ao livro, compensando pelo ritmo ligeiramente cansativo.

a-garota-no-trem-filme-3

Sobre o elenco, posso dizer que gostei das escolhas. Embora não seja nem um pouco judiada como a Rachel do livro, Emily Blunt incorporou bem o papel de problemática e não deixou a desejar na pele da protagonista. E o mesmo pode ser dito de Haley Bennett e Rebecca Ferguson, que transportaram as principais características de Megan e Anna para a adaptação. A direção de Tate Taylor não surpreende nem decepciona. A única coisa que chama a minha atenção é que o diretor foi o responsável pela versão cinematográfica de A Resposta (que virou Histórias Cruzadas), uma obra completamente diferente de A Garota no Trem e que foi até melhor adaptada.

Enfim, apesar das mudanças, algumas bem desnecessárias na minha opinião, A Garota no Trem não é uma adaptação ruim. E como filme avulso, talvez seja ainda melhor, mesmo com o ritmo um pouco truncado.

Título original: The Girl on the Train
Diretor: Tate Taylor
Ano: 2016
Minutos: 112
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Rebecca Ferguson e Justin Theroux
Avaliação: 3 estrelas

Livro x Filme: A Garota Dinamarquesa

a-garota-dinamarquesa-1

A minha vontade de ler A Garota Dinamarquesa surgiu justamente por causa da adaptação cinematográfica. Como disse no Instagram, sempre gostei muito do Eddie Redmayne, mesmo sem nunca ter assistido a um filme com ele. Além disso, a transformação que o ator sofreu para viver Einar Wegener/Lili Elbe teria me chamado a atenção de qualquer maneira. Então, assim que terminei de ler o livro, tratei de assistir logo ao filme, que, para a minha satisfação, é fiel à essência da obra de David Ebershoff.

E se Eddie Redmayne foi, ao lado da história real de Einar/Lili em si, o grande motivo para que eu lesse e assistisse A Garota Dinamarquesa, posso dizer que sua atuação fez tudo valer ainda mais a pena. Além de se transformar fisicamente, o ator foi capaz de captar toda a complexidade da história e de seus personagens (sim, porque são duas pessoas diferentes). É verdade que o Einar de Eddie é um pouco mais extrovertido do que o do livro, mas nada que comprometa a essência da trama. Já a Lili interpretada pelo ator é completamente perfeita, em toda sua delicadeza, determinação e coragem. E aqui, uma confissão: eu torci para que Leonardo DiCaprio enfim ganhasse o Oscar por O Regresso, mas sempre tive a sensação de que Eddie merecia ainda mais a estatueta por A Garota Dinamarquesa.E, na minha humilde opinião, não estava errada ( Leo, por sua vez, deveria ter sido premiado por O Lobo de Wall Street). Além da atuação em si, Eddie mostrou, por meio tanto de Lili, quanto de Einar, toda a sua versatilidade – afinal, um ano antes ele havia interpretado Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator.

a-garota-dinamarquesa-2

E o que dizer de Alicia Vikander? Greta é uma personagem incrível e uma das mais tridimensionais que já “conheci”. E posso dizer que Alicia realmente mereceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por incorporar de forma tão perfeita todas as características da personagem. Admito que a Greta do filme não é tão complexa quanto a do livro, no entanto, acho que a personagem foi “transportada” da obra original da forma mais fiel e coerente possível. Se mais aspectos de Greta fossem abordados, o longa correria o risco de perder o ritmo e até um pouco do propósito.

Isso se aplica também aos detalhes do livro que foram ignorados pelo filme. Senti falta de alguns personagens e também de todo o contexto e passado que David Ebershoff criou. No entanto, devo admitir que a “edição” do que entraria ou não foi certeira e nada que pudesse mudar o rumo da trama foi deixado de lado. Uma alteração curiosa foi a substituição de Anna por Ulla, o que acabou não impactando muito na história. Isso porque Ulla desempenhou o mesmo papel de Anna no livro e a atuação de Amber Heard foi ótima – provavelmente, chegaram à conclusão de que a atriz parecia mais com uma bailarina do que com uma cantora de ópera…

a-garota-dinamarquesa-3

A direção ficou por conta de Tom Hooper, que, novamente na minha humilde opinião, sabe muito bem como contar histórias que exigem certa sensibilidade (ele também dirigiu Os Miseráveis e ganhou o Oscar de Melhor Diretor por O Discurso do Rei, que eu amo de paixão!). Ou seja, apesar de todas as pequenas mudanças,  A Garota Dinamarquesa é um filme quase tão incrível quanto o livro.

Título original: The Danish Girl
Diretor: Tom Hooper
Ano: 2015
Minutos: 119
Elenco: Eddie Redmayne, Alicia Vikander e Amber Heard
Avaliação: 4 estrelas

Livro x Filme: O Iluminado

theshining-1

A adaptação cinematográfica de O Iluminado, dirigida pelo aclamado Stanley Kubrick, é tão clássica quanto o livro de Stephen King. Mas ouso dizer que não seria nem justo comparar uma obra com a outra. Como todas as histórias de King, O Iluminado é uma trama complexa e que seria difícil de adaptar de qualquer maneira. No entanto, o longa omite muitos aspectos da obra original, tornando-a superficial e comprometendo a integridade dos personagens.

E não sou apenas eu que tenho essa opinião: o próprio Stephen King detesta a adaptação de O Iluminado e já declarou que Shelley Duvall como Wendy Torrance é “uma das personagens mais misóginas do cinema”. E (obviamente) eu não poderia tê-la definido melhor do que o autor. No livro, Wendy é submissa em alguns momentos, mas nunca por pura covardia, no entanto, também demonstra sua força quando é necessário. Já no filme, a personagem foi transformada em uma mulher fraca, irritante e completamente sem personalidade. “Ela está lá basicamente para gritar e ser estúpida e esta não é a mulher sobre a qual eu escrevi”, disse King. Assino embaixo.

theshiningstanleykubric

Ainda sobre os personagens, Danny Lloyd não deixou a desejar na pele de Danny, mas, por culpa da roteirização, também não foi extremamente exigido. A verdade é que, diferentemente do que muitos pensam, O Iluminado não é sobre Jack Torrance e, sim, sobre Danny. Na obra original, o garoto narra muitos pontos da história, o que faz com que ele seja muito mais do que uma “criança especial”, como o filme faz parecer.

Agora, Jack Torrance. Como de costume, Jack Nicholson está realmente brilhante em O Iluminado e, na minha opinião, é quem salva a adaptação com sua leitura quase perfeita do personagem. Digo quase porque, na obra original, Stephen King narra todo o passado de Jack Torrance, o que, se não justifica algumas atitudes dele, faz com que o leitor pelo menos o compreenda um pouco melhor. E na adaptação, Kubrick não mostra toda a transição do caráter do personagem, tampouco seu background, fazendo-o parecer apenas um (perdão pelo palavreado) filho da puta qualquer. Além disso, quase todo o histórico do Hotel Overlook foi completamente ignorado pelo filme, o que faz com que todos os acontecimentos percam um pouco da mística envolvida.

5-girls

Sempre reforço que não entendo de cinema, o que não me impede de dar minha opinião sobre o assunto. E, para mim, como “filme avulso”, O Iluminado não tem nada de especial. Como um longa de terror, deixa a desejar – a cena da mulher na banheira no livro me assustou muito mais do que no filme. E como thriller, também não agrada completamente, já que falta ação – e mostrar toda a saga de Halloran para chegar ao Hotel Overlook teria sido uma ótima maneira de aumentar a tensão.

Eu sei que é complicado criticar um clássico do calibre de O Iluminado. Mas quero deixar claro que, embora não tenha muito apelo para mim enquanto terror e esteja longe de ser uma adaptação fiel, reconheço a importância da obra de Stanley Kubrick para o cinema, especialmente na época em que foi lançado.

Título original: The Shining
Diretor: Stanley Kubrick
Ano: 1980
Minutos: 146
Elenco: Jack Nicholson
Avaliação: 3 estrelas

Livro x Filme: Como eu era antes de você

me-before-you-2

Os 3 anos de espera pela adaptação de Como eu era antes de você chegaram ao fim! E, embora tenha algumas ressalvas a fazer sobre o filme, posso dizer que valeu a pena criar as inevitáveis expectativas. Quando reli a obra de Jojo Moyes, em fevereiro deste ano, aproveitei para fazer um post com meus palpites sobre o que esperar do longa e, agora, vamos descobrir quais foram meus erros e acertos.

Sam Claflin (como já era esperado) é o Will Traynor perfeito: indiscutivelmente lindo e insuportavelmente sarcástico. E, sem poder usar nada além das expressões faciais e da voz para interpretar o personagem, pode-se dizer que Sam não deixou nada a desejar. Afinal, é difícil ignorar a acidez, o sofrimento e o carinho em cada uma de suas palavras, assim como as sobrancelhas extremamente expressivas – que só perdem para as de Emilia Clarke. No entanto, acho que, principalmente para quem não leu o livro, a impressão que fica é que Will muda de comportamento muito rápido, o que definitivamente não é uma crítica a Sam e, sim, à construção do roteiro.

me-before-you-1

Também não consigo imaginar nenhuma atriz melhor para interpretar Louisa Clark. Como não assisto a Game of Thrones, não conhecia o trabalho de Emilia até os primeiros teasers da adaptação de Como eu era antes de você. Quando ela foi anunciada como Lou, confesso que torci o nariz, pois acho que não havia imaginado a personagem assim fisicamente. No entanto, quando vi a primeira foto de Emilia caracterizada, consegui enxergar nossa protagonista nela. E quando assisti ao primeiro vídeo, foi impossível não me encantar. Emilia é contagiante e, apesar de ser extremamente alegre, guarda uma certa tristeza, exatamente como Lou! E que senso de humor! A atriz simplesmente arrasou, tanto nas cenas felizes, quanto nas tristes, levando os espectadores de um extremo a outro.

Como eu já imaginava, a família de Lou foi totalmente coadjuvante no filme: Treena mostra como é chata em alguns momentos, mas nada que se compare ao livro; a mãe de Lou também economiza comentários desagradáveis, no entanto, verdade seja dita, desempenha a parte fundamental de seu papel (que não vou revelar para não dar spoiler); o pai, embora com poucas participações, é tão amável quanto na obra original; já Patrick foi o personagem mais negligenciado: apesar de protagonizar algumas cenas engraçadas, não aparenta ser o insuportável egoísta que é e até parece realmente gostar de Lou.

mebeforeyou-birthdaybumblebeesocks

Do lado de Will, o pai é uma pessoa infinitamente melhor no filme e a irmã aparece em, literalmente, uma cena. E como eu já imaginava, mostrar o lado de Camilla Traynor realmente não foi uma das prioridades de Hollywood. A personagem tem sua importância bastante reduzida na trama e, embora seja sisuda e distante, exatamente como no livro, exerce muito menos influência na história de Will e Lou. Na minha opinião, havia espaço para desenvolver Camilla com mais profundidade, mas também acredito que, na adaptação, este aspecto não seria de tanta relevância.

Um dos meus principais receios era que a adaptação de Como eu era antes de você não mostrasse a realidade da tetraplegia. Ok, não é o filme mais profundo sobre o tema, mas também não passa batido pelas dificuldades que a situação impõe. Por outro lado, Lou convence Will a sair de casa com muita facilidade e, apesar dos percalços na cena do hipódromo, tudo corre bem demais. Outro medo meu era de que o filme não mostrasse o lado de Will e entregasse de bandeja a moral da história. Mas, para minha felicidade, isso definitivamente não aconteceu.

maxresdefault

Apesar do teor dramático, a adaptação de Como eu era antes de você conta com um senso de humor imbatível! E até arrisco dizer que, graças a Sam e a Emilia (além dos próprios recursos do cinema, é claro), o filme diverte muito mais do que o livro. Sobre as lágrimas, é claro que chorei, mas os soluços e fungadas coletivos não permitiram que eu me concentrasse nas minhas próprias emoções. O que não quer dizer que o filme não seja arrebatador, assim como a história original.

Quando vi que a versão cinematográfica de Como eu era antes de você teria apenas 109 minutos de duração, fiquei preocupada. Afinal, embora não seja exatamente grande, o livro apresenta certa complexidade e é rico em detalhes e acontecimentos. Sim, a adaptação poderia ter 20 ou até 30 minutos a mais. Mas, se era para desenvolver a trama em menos de 2 horas, a missão foi cumprida com êxito e a edição do que entraria ou não foi muito bem feita. Porque a verdade é que a adaptação de um livro nunca será 100% fiel e, no final das contas, o que realmente importa é que a essência seja a mesma. E Como eu era antes de você é uma boa prova disso.

Título original: Me Before You
Diretor: Thea Sharrock
Ano: 2016
Minutos: 109
Elenco: Emilia Clarke, Sam Claflin, Matthew Lewis e Janet McTeer
Avaliação: 4 estrelas

Semana Especial O Regresso: Livro x Filme

A Editora Intrínseca convidou os blogs parceiros a realizar a Semana Especial O Regresso, a obra de Michael Punke que deu origem ao filme homônimo, estrelado por Leonardo DiCaprio.

o-regresso-4

Sim, eu admito que provavelmente não leria O Regresso, não fosse pela adaptação cinematográfica da obra de Michael Punke, que rendeu o tão aguardado Oscar a Leonardo DiCaprio. Mas caí em tentação e, apesar de não ser o meu tipo favorito de história, foi uma boa experiência e em dose dupla. E hoje é dia de falar sobre as principais diferenças entre obra original e adaptação cinematográfica.

O primeiro grande choque do filme é Hawk, o filho de Hugh Glass que simplesmente não existe no livro. A princípio, fiquei bastante um pouco revoltada com o personagem, que inevitavelmente mudaria os rumos da história. No entanto, depois compreendi (o que não quer dizer que concordei) que Hawk foi uma maneira sutil de contextualizar a convivência passada de Glass com os Pawnees – e, claro, de adicionar mais dramaticidade à história, porque no final das contas Hollywood sempre será Hollywood.

o-regresso-3

Mas se Hollywood tem certas manias que odeio quando o assunto são as adaptações cinematográficas, é inegável que não deixa a desejar no quesito efeitos especiais. Não sou especialista em cinema, mas o visual de O Regresso é impecável – aliás, muito graças à neve que, no filme, aparece muito mais rápido e por muito mais tempo do que no livro. Não é surpresa que tenha vencido os Oscar de Melhor Fotografia e Melhor Diretor (e, na minha modesta opinião, poderia ter vencido outras categorias técnicas).

A cena mais esperada do filme, assim como do livro, é o fatídico ataque do urso-cinzento. E, também como na obra original, a cena não deixa a desejar, dando um show de efeitos especiais e de atuação (por parte de Leo DiCaprio, e não do urso, HA HA!). No entanto, como eu já havia imaginado, os ferimentos de Glass no filme parecem menos graves do que no livro e, claro, o rosto e a cabeça de Leo foram estrategicamente poupados.

Apesar de ter o passado ligeiramente modificado no filme (provavelmente para contextualizar a ação dos Arikaras), Fitzgerald continua mau-caráter e consegue ser ainda mais insuportável na adaptação. Tom Hardy, aliás, está irreconhecível, surpreendente e absolutamente impecável no papel do grande vilão da história. Merecia o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante! Já sobre a atuação de ouro de Leo DiCaprio falaremos no post de sexta-feira!

o-regresso-2

O Regresso é um livro curto, mas por ser extremamente descritivo, se torna um pouco cansativo em alguns momentos. Já o filme, apesar de longo, tem um bom ritmo e, mesmo tendo excluído vários acontecimentos da trama original, consegue manter a essência e focar nos pontos certos. É verdade que, no longa, Glass se recupera com mais facilidade e muitos encontros e desencontros são cortados. Mas o ar épico da história permanece, graças ao grand finale.

O final da adaptação, aliás, sofreu mudanças drásticas, o que normalmente me revoltaria bastante. Mas a verdade é que o desfecho da obra original me deixou com a sensação de anti-clímax, enquanto o filme me presenteou justamente com o fim que eu desejei. Desta vez, sou obrigada a admitir: ponto para Hollywood!

Título original: The Revenant
Diretor: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2015
Minutos: 156
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Will Poulter e Domhnall Gleeson
Avaliação: 4 estrelas

selo-2015

O que esperar da adaptação de Como eu era antes de você?

me-before-you-3

Depois de tantas alterações de data de estreia e de toda a demora para a divulgação do primeiro trailer, parece que a adaptação de Como eu era antes de você está finalmente ficando pronta! Com os lançamentos do filme e de Depois de você, a sequência do livro, não faltaram motivos para reler a obra de Jojo Moyes (contei aqui como foi a experiência) e já me preparar para as mudanças que devem/podem acontecer na versão cinematográfica. Listei algumas e compartilho com vocês:

Will “feio”, chato e sarcástico
Sam Claflin será o responsável por interpretar Will Traynor e eu não acho que seja possível para ele ficar feio, hehe. Mas, no começo do livro, Will está extremamente mal-cuidado e é insuportavelmente chato e eu quero cada gota da feiura e da chatice. Outra característica muito marcante de Will é o sarcasmo e, muito embora Finnick, de Jogos Vorazes, também tenha um lado debochado, estou curiosa para ver como Sam irá personificar essa faceta do protagonista de Como eu era antes de você.

Família Clark insuportável
Confesso que não lembrava o quanto a família de Louisa Clark era chata e o quanto a irmã dela era egoísta. Mas, com a releitura, lembrei desse detalhe e acho que ele é bastante importante para a trama e para a construção de Lou.

me-before-you-2

Os vários lados da história e a realidade da tetraplegia
Quando me perguntam se Como eu era antes de você é uma história de amor clichê, eu quero morrer. Mas apenas respondo que não e explico que a obra de Jojo Moyes é muito mais do que isso, graças aos vários lados da história retratados pela autora e o choque de realidade. Digo choque de realidade porque, mesmo sabendo que a tetraplegia não é brincadeira, acho que a maioria das pessoas – eu inclusive – não tem noção de tudo o que ela acarreta. E em Como eu era antes de você dá para ter uma ideia melhor do quanto é realmente difícil levar a vida dessa forma. Então, se o filme não abordar os outros lados da história e não trouxer um pouco mais da realidade dos tetraplégicos, talvez ele se torne apenas mais uma história de amor mesmo…

A relação de altos e baixos de Lou e Will
A relação de Lou e Will começa no baixo mais baixo possível, já que os dois praticamente se odeiam a princípio. Mas, aos poucos, bem aos poucos mesmo, eles começam a se entender e o carinho entre eles surge de maneira real e natural. Essa relação progressiva é mais uma das características que não deixa que Como eu era antes de você seja apenas mais um romance bonitinho e fofo. E, de novo, se Hollywood romantizar esse lado da história, fazendo os dois se apaixonarem quase à primeira vista, a originalidade da trama ficará comprometida.

As tentativas de Lou
As tentativas de Lou que não deram certo são enervantes, mas precisam estar no filme. Todas, de preferência, e não em uma montage. Digo isso porque essas tentativas frustradas são ponto importante na trama e mostram tanto a perseverança de Lou, quanto a evolução da (pouca) disposição de Will.

me-before-you-1

Humanizem Camilla Traynor
Eu odeio a Camilla Traynor. Mas também consigo entendê-la. E se você realmente tentou se colocar no lugar da mãe de Will, também deve compreender algumas atitudes da personagem. Mas, sinceramente, não sei se mostrar esse lado será uma das prioridades de Hollywood.

Não se esqueçam de Will
Sempre achei curioso o fato de que, em determinada momento, Como eu era antes de você é narrado por vários personagens da história, além de Lou. Mas Will fica de fora. Sempre imaginei que esse recurso tenha sido uma maneira de Jojo Moyes mostrar que os desejos de Will sempre ficavam, de certa forma, em segundo plano. E eu espero que isso também seja mostrado de alguma maneira no filme.

E a moral da história é…
Eu sempre digo que acredito muito que a nossa história de vida influencie a forma como vemos e sentimos um livro. E Como eu era antes de você é um ótimo exemplo disso. É impossível ficar indiferente à trama, mas, no final, cada um terá uma opinião e uma reação distintas. No entanto, Hollywood adora entregar as morais da histórias de bandeja (vide As Aventuras de Pi), então não acho impossível que o filme nos faça engolir o que quer que eles tenham decidido sobre o desfecho. Oremos!

Apesar de todas as ressalvas e receios em relação à adaptação cinematográfica de Como eu era antes de você, estou extremamente ansiosa e animada para assisti-la – e também com medo do chororô, haha! E vocês, também estão na expectativa?

Livro x Filme: Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!

aesperanca-3

É só isso. Não tem mais jeito. Acabou.

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final foi o último filme da saga e, apesar de ser difícil analisar e processar tudo o que aconteceu – e o que não aconteceu -, acho que posso dizer que saí do cinema satisfeita. Logo no início do longa, já reencontramos o Peeta que, sofrendo com os efeitos do telessequestro, acredita piamente que Katniss é um bestante. Como eu já imaginava que aconteceria, a recuperação do personagem não foi tão longa e sofrida quanto no livro e Katniss também passa a compreendê-lo e a ajudá-lo muito mais rápido – gostaria muito de ter visto a cena em que a Prim pede que ela não desista dele. No entanto, Josh Hutcherson não deixou a desejar e, nos poucos momentos de luta entre lucidez e loucura, agressividade e vulnerabilidade, deu um show de atuação e, com certeza, foi o destaque do filme.

Apesar de rápida, a missão pelo Distrito 2 foi bem adaptada e cumpre seu papel de reacender a sede por vingança de Katniss, evidenciar as diferenças entre ela e Gale e trazer ao telespectador o primeiro clímax. Como também já havíamos previsto, Johanna, assim como Effie, aparece pouquíssimo em A Esperança – O Final – apesar de ser o suficiente para arrancar algumas risadas – e toda a parte dos treinos com Katniss foi cortada. Talvez por isso tenha surgido a alteração mais desnecessária do filme, na minha opinião: em vez de se esforçar para recuperar o condicionamento físico para poder ir para a Capital, Katniss entra escondida em um aerodeslizador e, quando desembarca, já encontra Gale, Boggs e companhia. Muito estranho.

jv-oqueesperar-6

Com muitos diálogos idênticos ao do livro, o longa também não deixou a desejar nos efeitos especiais durante a caminhada para a mansão do presidente Snow, e os casulos e o holo estavam até melhores do que imaginei. Adorei o fato de todos os personagens da obra original estarem em cena e, apesar da ordem e das causas das mortes de alguns terem sido mudadas, tentarei não ser tão preciosista e relevar, já que estas alterações não influenciaram em nada no resultado final. No entanto, ao mesmo tempo em que transmitiu toda a tensão e o medo presentes durante a caminhada pela Capital, receio que esta parte do filme tenha ficado um pouco corrida e até “fácil” demais em alguns momentos. Mas nada grave.

Outro ponto que me preocupava na adaptação de A Esperança era a justificativa para a grande reviravolta da série: a morte da presidente Coin. Ela é um pouco menos fria e calculista em A Esperança – Parte 1, mas acho que O Final conseguiu mostrar um lado mais traiçoeiro e perigoso da personagem, ao mesmo tempo em que explora a face mais sádica do presidente Snow. O triângulo amoroso também foi resolvido com sucesso, embora eu tenha algumas ressalvas: apesar das diferenças entre Katniss e Gale terem ficado bem evidentes, acho que, desde o início do filme, já está bem claro quem ela iria escolher – diferente do livro. E, no final, confesso que até eu, que não apenas sou #TeamPeeta, como não gosto do Gale, achei que a Katniss foi cruel demais com o (ex?) BFF. De qualquer forma, acho que o filme conseguiu mostrar os principais porquês para que ela tenha escolhido o Peeta e esta era uma das principais missões de A Esperança – O Final.

aesperanca-1

Como não poderia ser diferente, a cena da morte da Prim é uma das mais emocionantes e Jennifer Lawrence mostrou porque é uma Oscar Winner na cena em que extravasa a dor do luto com Buttercup, o gato. Como também já esperávamos, todos os ferimentos de Katniss são muito mais superficiais e, para quem não leu o livro, devem causar aquela expectativa. Mas, para quem já sabe o que vai acontecer, fica aquela sensação de “mas só isso?”. Alterações à parte, o último filme da saga satisfaz e o grande clímax – a ~execução~ de Snow – é perfeito, graças às atuações de Julianne Moore, que traduz toda a arrogância da presidente Coin, e de Donald Sutherland, que dá o tom tragicômico à cena.

Por fim, o epílogo é extremamente emocionante e exatamente como imaginei e, assim como acontece no livro, é o desfecho ideal para a saga. Afinal, mesmo com tantas vidas perdidas e apesar de toda a manipulação e a crueldade de que o ser humano é capaz, o amor e aqueles que o sentem verdadeiramente sempre encontram um jeito de prevalecer. Real or not real?

Título original: The Hunger Games: Mockingjay – Part 2
Filmes anteriores: Jogos Vorazes, Jogos Vorazes: Em Chamas e Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1
Diretor: Francis Lawrence
Ano: 2015
Minutos: 137
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Philip Seymour Hoffman e Julianne Moore
Avaliação: 4 estrelas

Ps: na cena em que um dos casulos explode e começa a metralhar qualquer coisa que se mexa, o Finnick aparece rindo loucamente. E isso me causou ataques de riso, o que comprometeu algumas cenas emocionantes. Só queria desabafar.

Resenha de Jogos Vorazes
Resenha de Em Chamas
Resenha de A Esperança
Livro x Filme de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1
Como foi reler Jogos Vorazes?
Jogos Vorazes:
8 questões pertinentes por trás da história