Sobre a adaptação de It: A Coisa

Desde que li It: A Coisa, em 2015, soube que o livro dificilmente sairia da minha lista de favoritos de todos os tempos. Então, imagina o meu nível de expectativa em relação à adaptação da obra (-prima, na minha opinião) de Stephen King? Foram dois longos anos de espera, mas posso dizer que cada minutinho valeu a pena!

Preciso confessar que nem sempre acreditei que essa versão cinematográfica seria boa coisa. Nunca neguei que a história merecia um remake, já que a minissérie para a televisão, produzida em 1990, é um tanto obsoleta. Mas, no início, não gostei da ideia de separar a nova adaptação em dois filmes, divididos entre passado e presente. Depois de refletir um pouquinho, porém, cheguei à conclusão de que apenas um “capítulo” provavelmente resultaria em uma trama confusasuperficial. Continue reading “Sobre a adaptação de It: A Coisa”

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Sobre a adaptação de Death Note

“Adaptação” é uma palavra muito forte para o que a Netflix fez com Death Note. “Um filme levemente baseado” na obra de Tsugumi Ohba (e que nem deveria levar o mesmo título) seria o mais apropriado. Até entendo a “ocidentalização” da história* e a mudança do nome de alguns personagens – mas precisava mesmo substituir Misa Amane por Mia Sutton? No entanto, a sensação que ficou foi a de que a Netflix apenas usou a premissa do Death Note para criar uma nova história.

Para começar, Light Turner, interpretado por Natt Wolff, é completamente diferente de Light Yagami. Enquanto o original é extremamente inteligente e ambicioso, o “adaptado” é raso (e histérico, hahaha!) e não passa de um adolescente confuso, com sede de vingança que beira o despropósito. Ao longo dos 12 volumes do mangá, podemos acompanhar toda a transformação de Yagami, o que traz inúneras reviravoltas à história. É verdade que a adaptação da Netflix também surpreende em alguns momentos, mas nunca por conta do comportamento de Turner.

Há que se admitir que Mia Sutton, vivida por Margaret Qualley, tem o mesmo nível de importância para o filme que Misa Amane tem para o mangá. No entanto, tanto a personalidade quanto as intenções da personagem foram completamente deturpadas. Sem falar que, divertida e cheia de peculiaridades, Misa dá o toque de humor perfeito ao Death Note original. Enquanto a genérica líder de torcida Mia não adiciona nada especial à história. Entendo que os trejeitos típicos de mangá de Misa não cairiam bem à adaptação ocidental. Mas que dava para ter feito melhor, isso dava!

Ao lado de Light e Misa, o detetive L é um dos alicerces do mangá, não apenas por sua inteligência, mas também pelas excentricidades. Fiquei animada quando Keith Stanfield apareceu na tela pela primeira vez, pois os trejeitos (e a paixão por doces) estavam bem fiéis. Mas logo o personagem mostrou não ter nem um terço da frieza e do equilíbrio do L original. E, como detetive, acabou se revelando um ótimo praticante de Le Parkour.

A aparência que Ryuk teria no filme era algo que preocupava os fãs de Death Note. Mas talvez o Ryuk de Willem Dafoe seja a melhor parte da adaptação. Os efeitos visuais foram capazes de entregar um shinigami (que “death god”, o quê!!) 100% fiel ao mangá e a atuação de Dafoe não deixa a desejar. É uma pena que não se possa dizer o mesmo das intenções do personagem. Apesar de ser um shinigami, Ryuk não chega a ser mau e muito menos manipulador – totalmente ao contrário do filme.

No melhor estilo “mudanças que nunca vou entender” está o background de Light. Na adaptação, a vida tranquila e a família estruturada são substituídas por um Light órfão de mãe e em uma relação conturbada com o pai. Na verdade, acredito que isso seja uma forma de criar aquele tipo de drama que Hollywood adora e também de justificar o comportamento desequilibrado de Light. Bom, não preciso dizer que não funciona muito bem.

O Death Note original tem 12 volumes. A versão anime conta com quase 40 episódios. Já o filme da Netflix tem menos de 2 horas. Por esses números, já é possível saber que não seria possível a adaptação ter sequer um terço da profundidade do original. Com isso, personagens como Near, Mello e Rem foram sacrificados. As regras do Death Note também sofreram mudanças, algumas bastante convenientes para que a nova trama (sim, nova) fizesse sentido. Além das questões de adaptação, também não gostei da pegada Premonição do filme – mortes coreografadas e sangue gratuito -, muito menos das tentativas de arrancar risadas do espectador – na verdade, a cena em que Light encontra Ryuk pela primeira vez é digna de vergonha alheia.

E é por tudo isso que me pergunto: não seria mais fácil ter criado uma espécie de spin off do mangá? Só espero que a adaptação da Netflix sirva de incentivo para ler o mangá e/ou assistir ao anime (que também tem na Netflix!).

*o que realmente me irrita não é a ocidentalização da história, e sim a quantidade de figurantes orientais, como se fosse uma tentativa (falha) de mostrar representatividade.

Livro x Filme: A Garota no Trem

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Transformar um livro em filme é sempre uma tarefa difícil. E, na minha opinião, a situação fica ainda mais complicada no caso de thrillers policiais. A maravilhosa adaptação de Garota Exemplar, no entanto, mostrou que é possível editar a obra original e, ainda assim, se manter 100% fiel a ela. O que, claro, é ótimo, mas também tem um lado ruim, que é elevar as expectativas em relação a todas as versões cinematográficas do gênero. E aí, é um passo para a decepção.

A adaptação de A Garota no Trem não chegou a desapontar, mas também não atendeu completamente às expectativas. As mudanças são inevitáveis e até acho que a escolha do que deveria entrar ou não foi bem feita. No entanto, fiquei em dúvida sobre o ritmo do filme. Enquanto o livro é extremamente fluido, tanto pela escrita de Paula Hawkins, quanto pela curiosidade em realação ao mistério, o longa me deu a impressão de ser um pouco arrastado, principalmente para quem não leu a obra original.

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Assim como o livro, o filme também conta com três pontos de vista e alterna passado e presente. Dessa forma, a trama mantém um dos principais pontos positivos e atrativos de A Garota no Trem: a manipulação do leitor/espectador. Apesar de já saber a verdade sobre a história, fiquei ansiosa para saber como o enredo se desenrolaria na tela. E, felizmente o desfecho foi bastante fiel ao livro, compensando pelo ritmo ligeiramente cansativo.

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Sobre o elenco, posso dizer que gostei das escolhas. Embora não seja nem um pouco judiada como a Rachel do livro, Emily Blunt incorporou bem o papel de problemática e não deixou a desejar na pele da protagonista. E o mesmo pode ser dito de Haley Bennett e Rebecca Ferguson, que transportaram as principais características de Megan e Anna para a adaptação. A direção de Tate Taylor não surpreende nem decepciona. A única coisa que chama a minha atenção é que o diretor foi o responsável pela versão cinematográfica de A Resposta (que virou Histórias Cruzadas), uma obra completamente diferente de A Garota no Trem e que foi até melhor adaptada.

Enfim, apesar das mudanças, algumas bem desnecessárias na minha opinião, A Garota no Trem não é uma adaptação ruim. E como filme avulso, talvez seja ainda melhor, mesmo com o ritmo um pouco truncado.

Título original: The Girl on the Train
Diretor: Tate Taylor
Ano: 2016
Minutos: 112
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Rebecca Ferguson e Justin Theroux
Avaliação: 3 estrelas

Livro x Filme: A Garota Dinamarquesa

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A minha vontade de ler A Garota Dinamarquesa surgiu justamente por causa da adaptação cinematográfica. Como disse no Instagram, sempre gostei muito do Eddie Redmayne, mesmo sem nunca ter assistido a um filme com ele. Além disso, a transformação que o ator sofreu para viver Einar Wegener/Lili Elbe teria me chamado a atenção de qualquer maneira. Então, assim que terminei de ler o livro, tratei de assistir logo ao filme, que, para a minha satisfação, é fiel à essência da obra de David Ebershoff.

E se Eddie Redmayne foi, ao lado da história real de Einar/Lili em si, o grande motivo para que eu lesse e assistisse A Garota Dinamarquesa, posso dizer que sua atuação fez tudo valer ainda mais a pena. Além de se transformar fisicamente, o ator foi capaz de captar toda a complexidade da história e de seus personagens (sim, porque são duas pessoas diferentes). É verdade que o Einar de Eddie é um pouco mais extrovertido do que o do livro, mas nada que comprometa a essência da trama. Já a Lili interpretada pelo ator é completamente perfeita, em toda sua delicadeza, determinação e coragem. E aqui, uma confissão: eu torci para que Leonardo DiCaprio enfim ganhasse o Oscar por O Regresso, mas sempre tive a sensação de que Eddie merecia ainda mais a estatueta por A Garota Dinamarquesa.E, na minha humilde opinião, não estava errada ( Leo, por sua vez, deveria ter sido premiado por O Lobo de Wall Street). Além da atuação em si, Eddie mostrou, por meio tanto de Lili, quanto de Einar, toda a sua versatilidade – afinal, um ano antes ele havia interpretado Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator.

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E o que dizer de Alicia Vikander? Greta é uma personagem incrível e uma das mais tridimensionais que já “conheci”. E posso dizer que Alicia realmente mereceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por incorporar de forma tão perfeita todas as características da personagem. Admito que a Greta do filme não é tão complexa quanto a do livro, no entanto, acho que a personagem foi “transportada” da obra original da forma mais fiel e coerente possível. Se mais aspectos de Greta fossem abordados, o longa correria o risco de perder o ritmo e até um pouco do propósito.

Isso se aplica também aos detalhes do livro que foram ignorados pelo filme. Senti falta de alguns personagens e também de todo o contexto e passado que David Ebershoff criou. No entanto, devo admitir que a “edição” do que entraria ou não foi certeira e nada que pudesse mudar o rumo da trama foi deixado de lado. Uma alteração curiosa foi a substituição de Anna por Ulla, o que acabou não impactando muito na história. Isso porque Ulla desempenhou o mesmo papel de Anna no livro e a atuação de Amber Heard foi ótima – provavelmente, chegaram à conclusão de que a atriz parecia mais com uma bailarina do que com uma cantora de ópera…

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A direção ficou por conta de Tom Hooper, que, novamente na minha humilde opinião, sabe muito bem como contar histórias que exigem certa sensibilidade (ele também dirigiu Os Miseráveis e ganhou o Oscar de Melhor Diretor por O Discurso do Rei, que eu amo de paixão!). Ou seja, apesar de todas as pequenas mudanças,  A Garota Dinamarquesa é um filme quase tão incrível quanto o livro.

Título original: The Danish Girl
Diretor: Tom Hooper
Ano: 2015
Minutos: 119
Elenco: Eddie Redmayne, Alicia Vikander e Amber Heard
Avaliação: 4 estrelas

Livro x Filme: O Iluminado

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A adaptação cinematográfica de O Iluminado, dirigida pelo aclamado Stanley Kubrick, é tão clássica quanto o livro de Stephen King. Mas ouso dizer que não seria nem justo comparar uma obra com a outra. Como todas as histórias de King, O Iluminado é uma trama complexa e que seria difícil de adaptar de qualquer maneira. No entanto, o longa omite muitos aspectos da obra original, tornando-a superficial e comprometendo a integridade dos personagens.

E não sou apenas eu que tenho essa opinião: o próprio Stephen King detesta a adaptação de O Iluminado e já declarou que Shelley Duvall como Wendy Torrance é “uma das personagens mais misóginas do cinema”. E (obviamente) eu não poderia tê-la definido melhor do que o autor. No livro, Wendy é submissa em alguns momentos, mas nunca por pura covardia, no entanto, também demonstra sua força quando é necessário. Já no filme, a personagem foi transformada em uma mulher fraca, irritante e completamente sem personalidade. “Ela está lá basicamente para gritar e ser estúpida e esta não é a mulher sobre a qual eu escrevi”, disse King. Assino embaixo.

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Ainda sobre os personagens, Danny Lloyd não deixou a desejar na pele de Danny, mas, por culpa da roteirização, também não foi extremamente exigido. A verdade é que, diferentemente do que muitos pensam, O Iluminado não é sobre Jack Torrance e, sim, sobre Danny. Na obra original, o garoto narra muitos pontos da história, o que faz com que ele seja muito mais do que uma “criança especial”, como o filme faz parecer.

Agora, Jack Torrance. Como de costume, Jack Nicholson está realmente brilhante em O Iluminado e, na minha opinião, é quem salva a adaptação com sua leitura quase perfeita do personagem. Digo quase porque, na obra original, Stephen King narra todo o passado de Jack Torrance, o que, se não justifica algumas atitudes dele, faz com que o leitor pelo menos o compreenda um pouco melhor. E na adaptação, Kubrick não mostra toda a transição do caráter do personagem, tampouco seu background, fazendo-o parecer apenas um (perdão pelo palavreado) filho da puta qualquer. Além disso, quase todo o histórico do Hotel Overlook foi completamente ignorado pelo filme, o que faz com que todos os acontecimentos percam um pouco da mística envolvida.

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Sempre reforço que não entendo de cinema, o que não me impede de dar minha opinião sobre o assunto. E, para mim, como “filme avulso”, O Iluminado não tem nada de especial. Como um longa de terror, deixa a desejar – a cena da mulher na banheira no livro me assustou muito mais do que no filme. E como thriller, também não agrada completamente, já que falta ação – e mostrar toda a saga de Halloran para chegar ao Hotel Overlook teria sido uma ótima maneira de aumentar a tensão.

Eu sei que é complicado criticar um clássico do calibre de O Iluminado. Mas quero deixar claro que, embora não tenha muito apelo para mim enquanto terror e esteja longe de ser uma adaptação fiel, reconheço a importância da obra de Stanley Kubrick para o cinema, especialmente na época em que foi lançado.

Título original: The Shining
Diretor: Stanley Kubrick
Ano: 1980
Minutos: 146
Elenco: Jack Nicholson
Avaliação: 3 estrelas

Livro x Filme: Como eu era antes de você

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Os 3 anos de espera pela adaptação de Como eu era antes de você chegaram ao fim! E, embora tenha algumas ressalvas a fazer sobre o filme, posso dizer que valeu a pena criar as inevitáveis expectativas. Quando reli a obra de Jojo Moyes, em fevereiro deste ano, aproveitei para fazer um post com meus palpites sobre o que esperar do longa e, agora, vamos descobrir quais foram meus erros e acertos.

Sam Claflin (como já era esperado) é o Will Traynor perfeito: indiscutivelmente lindo e insuportavelmente sarcástico. E, sem poder usar nada além das expressões faciais e da voz para interpretar o personagem, pode-se dizer que Sam não deixou nada a desejar. Afinal, é difícil ignorar a acidez, o sofrimento e o carinho em cada uma de suas palavras, assim como as sobrancelhas extremamente expressivas – que só perdem para as de Emilia Clarke. No entanto, acho que, principalmente para quem não leu o livro, a impressão que fica é que Will muda de comportamento muito rápido, o que definitivamente não é uma crítica a Sam e, sim, à construção do roteiro.

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Também não consigo imaginar nenhuma atriz melhor para interpretar Louisa Clark. Como não assisto a Game of Thrones, não conhecia o trabalho de Emilia até os primeiros teasers da adaptação de Como eu era antes de você. Quando ela foi anunciada como Lou, confesso que torci o nariz, pois acho que não havia imaginado a personagem assim fisicamente. No entanto, quando vi a primeira foto de Emilia caracterizada, consegui enxergar nossa protagonista nela. E quando assisti ao primeiro vídeo, foi impossível não me encantar. Emilia é contagiante e, apesar de ser extremamente alegre, guarda uma certa tristeza, exatamente como Lou! E que senso de humor! A atriz simplesmente arrasou, tanto nas cenas felizes, quanto nas tristes, levando os espectadores de um extremo a outro.

Como eu já imaginava, a família de Lou foi totalmente coadjuvante no filme: Treena mostra como é chata em alguns momentos, mas nada que se compare ao livro; a mãe de Lou também economiza comentários desagradáveis, no entanto, verdade seja dita, desempenha a parte fundamental de seu papel (que não vou revelar para não dar spoiler); o pai, embora com poucas participações, é tão amável quanto na obra original; já Patrick foi o personagem mais negligenciado: apesar de protagonizar algumas cenas engraçadas, não aparenta ser o insuportável egoísta que é e até parece realmente gostar de Lou.

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Do lado de Will, o pai é uma pessoa infinitamente melhor no filme e a irmã aparece em, literalmente, uma cena. E como eu já imaginava, mostrar o lado de Camilla Traynor realmente não foi uma das prioridades de Hollywood. A personagem tem sua importância bastante reduzida na trama e, embora seja sisuda e distante, exatamente como no livro, exerce muito menos influência na história de Will e Lou. Na minha opinião, havia espaço para desenvolver Camilla com mais profundidade, mas também acredito que, na adaptação, este aspecto não seria de tanta relevância.

Um dos meus principais receios era que a adaptação de Como eu era antes de você não mostrasse a realidade da tetraplegia. Ok, não é o filme mais profundo sobre o tema, mas também não passa batido pelas dificuldades que a situação impõe. Por outro lado, Lou convence Will a sair de casa com muita facilidade e, apesar dos percalços na cena do hipódromo, tudo corre bem demais. Outro medo meu era de que o filme não mostrasse o lado de Will e entregasse de bandeja a moral da história. Mas, para minha felicidade, isso definitivamente não aconteceu.

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Apesar do teor dramático, a adaptação de Como eu era antes de você conta com um senso de humor imbatível! E até arrisco dizer que, graças a Sam e a Emilia (além dos próprios recursos do cinema, é claro), o filme diverte muito mais do que o livro. Sobre as lágrimas, é claro que chorei, mas os soluços e fungadas coletivos não permitiram que eu me concentrasse nas minhas próprias emoções. O que não quer dizer que o filme não seja arrebatador, assim como a história original.

Quando vi que a versão cinematográfica de Como eu era antes de você teria apenas 109 minutos de duração, fiquei preocupada. Afinal, embora não seja exatamente grande, o livro apresenta certa complexidade e é rico em detalhes e acontecimentos. Sim, a adaptação poderia ter 20 ou até 30 minutos a mais. Mas, se era para desenvolver a trama em menos de 2 horas, a missão foi cumprida com êxito e a edição do que entraria ou não foi muito bem feita. Porque a verdade é que a adaptação de um livro nunca será 100% fiel e, no final das contas, o que realmente importa é que a essência seja a mesma. E Como eu era antes de você é uma boa prova disso.

Título original: Me Before You
Diretor: Thea Sharrock
Ano: 2016
Minutos: 109
Elenco: Emilia Clarke, Sam Claflin, Matthew Lewis e Janet McTeer
Avaliação: 4 estrelas

Semana Especial O Regresso: Livro x Filme

A Editora Intrínseca convidou os blogs parceiros a realizar a Semana Especial O Regresso, a obra de Michael Punke que deu origem ao filme homônimo, estrelado por Leonardo DiCaprio.

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Sim, eu admito que provavelmente não leria O Regresso, não fosse pela adaptação cinematográfica da obra de Michael Punke, que rendeu o tão aguardado Oscar a Leonardo DiCaprio. Mas caí em tentação e, apesar de não ser o meu tipo favorito de história, foi uma boa experiência e em dose dupla. E hoje é dia de falar sobre as principais diferenças entre obra original e adaptação cinematográfica.

O primeiro grande choque do filme é Hawk, o filho de Hugh Glass que simplesmente não existe no livro. A princípio, fiquei bastante um pouco revoltada com o personagem, que inevitavelmente mudaria os rumos da história. No entanto, depois compreendi (o que não quer dizer que concordei) que Hawk foi uma maneira sutil de contextualizar a convivência passada de Glass com os Pawnees – e, claro, de adicionar mais dramaticidade à história, porque no final das contas Hollywood sempre será Hollywood.

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Mas se Hollywood tem certas manias que odeio quando o assunto são as adaptações cinematográficas, é inegável que não deixa a desejar no quesito efeitos especiais. Não sou especialista em cinema, mas o visual de O Regresso é impecável – aliás, muito graças à neve que, no filme, aparece muito mais rápido e por muito mais tempo do que no livro. Não é surpresa que tenha vencido os Oscar de Melhor Fotografia e Melhor Diretor (e, na minha modesta opinião, poderia ter vencido outras categorias técnicas).

A cena mais esperada do filme, assim como do livro, é o fatídico ataque do urso-cinzento. E, também como na obra original, a cena não deixa a desejar, dando um show de efeitos especiais e de atuação (por parte de Leo DiCaprio, e não do urso, HA HA!). No entanto, como eu já havia imaginado, os ferimentos de Glass no filme parecem menos graves do que no livro e, claro, o rosto e a cabeça de Leo foram estrategicamente poupados.

Apesar de ter o passado ligeiramente modificado no filme (provavelmente para contextualizar a ação dos Arikaras), Fitzgerald continua mau-caráter e consegue ser ainda mais insuportável na adaptação. Tom Hardy, aliás, está irreconhecível, surpreendente e absolutamente impecável no papel do grande vilão da história. Merecia o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante! Já sobre a atuação de ouro de Leo DiCaprio falaremos no post de sexta-feira!

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O Regresso é um livro curto, mas por ser extremamente descritivo, se torna um pouco cansativo em alguns momentos. Já o filme, apesar de longo, tem um bom ritmo e, mesmo tendo excluído vários acontecimentos da trama original, consegue manter a essência e focar nos pontos certos. É verdade que, no longa, Glass se recupera com mais facilidade e muitos encontros e desencontros são cortados. Mas o ar épico da história permanece, graças ao grand finale.

O final da adaptação, aliás, sofreu mudanças drásticas, o que normalmente me revoltaria bastante. Mas a verdade é que o desfecho da obra original me deixou com a sensação de anti-clímax, enquanto o filme me presenteou justamente com o fim que eu desejei. Desta vez, sou obrigada a admitir: ponto para Hollywood!

Título original: The Revenant
Diretor: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2015
Minutos: 156
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Will Poulter e Domhnall Gleeson
Avaliação: 4 estrelas

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