Resenha de Scott Pilgrim – Bryan Lee O’Malley

Scott Pilgrim leva uma vida confortável: aos 20 e poucos anos, não trabalha e sua única obrigação são os ensaios com a (péssima) banda Sex Bob-Omb. Para completar, tem uma espécie de relacionamento platônico com a chinesa de 17 anos, Knives Chau. No entanto, tudo começa a mudar quando Scott conhece Ramona Flowers, uma americana recém-chegada ao Canadá. Mas, antes de ficar em paz com sua nova namorada, Scott terá que terminar com Knives e enfrentar a Liga dos Ex-namorados do Mal de Ramona.

Nunca dei muita bola para Scott Pilgrim, até o dia em que assisti à adaptação, estrelada por Michael Cera, só porque estava passando na televisão. Contrariando as expectativas, acabei adorando o filme, que é divertido de uma maneira muito peculiar e criativa. E aí, nasceu a vontade de ler a obra original. Mas, com tantos livros na fila de leitura, sempre fui deixando para depois. Até que li Repeteco, também de Bryan Lee O’Malley, amei e decidi não fugir mais de Scott Pilgrim.

A série conta com três volumes, e como todos giram em torno da mesma trama, decidi fazer apenas uma resenha. O toque de fantasia está presente em toda a história, tornando-a mais divertida e envolvente. Logo no primeiro volume, já fica claro que Bryan Lee O’Malley tem um estilo único e muito marcante – não apenas de ilustração, mas também na forma de construir o enredo.

Divertido, o primeiro livro de Scott Pilgrim é uma leitura rápida, divertida repleta de senso de humor. O segundo mantém o mesmo estilo, mas, talvez porque já conhecemos os personagens, a história se torna mais envolvente. As loucuras da história são o ponto forte da saga, mas também uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que deixam a trama mais dinâmica, às vezes se tornam um pouco confusas.

Editora: Companhia das Letras
Autor: Bryan Lee O’Malley

Resenha de A Gigantesca Barba do Mal – Stephen Collins

Em Aqui, tudo está onde deveria estar. As ruas estão sempre limpas, as pessoas são organizadas, as árvores perfeitamente aparadas e os homens nunca, jamais usam barba. Dave, que quase não tem pelos, não é uma exceção. Até o dia em que se torna refém de uma barba inexplicável, que cresce incontrolavelmente a um ritmo absurdo. E logo, além de um problema de segurança pública, Dave se torna também uma ameaça ao peculiar estilo de vida de Aqui.

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Eu amo histórias que conseguem ser tão sensíveis quanto brutais. E A Gigantesca Barba do Mal com certeza é uma delas. Em uma fábula moderna, Stephen Collins mostra como o ser humano é paradoxal: assim como tem enorme dificuldade em sair da zona de conforto, também possui facilidade de se adaptar às mudanças; e da mesma forma que se utiliza das adversidades para promover grandes mudanças de comportamento, tem tendência a simplesmente livrar-se daquilo que incomoda.

Outro ponto que adorei em A Gigantesca Barba do Mal foi a analogia ao desejo de se (re)descobrir, se (re)adaptar e de sempre ser quem se é. Não importa onde, quando e muito menos o porquê. O único problema é que isso pode custar caro…

Título original: The Gigantic Beard That Was Evil
Editora: Nemo
Autor: Stephen Collins
Ano: 2013
Páginas: 245
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 4 estrelas

Resenha de Ninguém vira adulto de verdade – Sarah Andersen

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Em Ninguém vira adulto de verdade, Sarah Andersen compartilha suas tirinhas que retratam o que é ser um jovem adulto nos dias de hoje. Vida social, autoestima, timidez e inseguranças são apenas alguns dos temas abordados por Sarah no livro. Com mais de 1 milhão de seguidores no Facebook, a autora transforma causos cotidianos em mini-histórias honestas e, ao mesmo tempo, extremamente divertidas e de fácil identificação!

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Como disse na resenha de Repeteco, tenho gostado cada vez mais de quadrinhos. E já havia me interessado pela versão original de Ninguém vira adulto de verdade, que me lembrou um pouco do ótimo Hyperbole and a half. Então, quando soube que a Editora Seguinte iria lançá-la em português, já engordei minha wishlist.

E como esperado, a leitura do livro de Sarah Andersen foi rápida (tive que me controlar pra não ler tudo de uma vez) e regada a risadas. A autora tem um senso de humor que mescla ingenuidade com acidez e me identifiquei de verdade com várias tirinhas! Com Ninguém vira adulto de verdade, Sarah não apenas retrata a vida moderna de um jovem adulto, como também mostra que todos temos inseguranças que parecem ser bobas, mas afetam nossa vida e convivência social diretamente. Ou seja, ninguém está sozinho!

E para dar uma amostra do que Ninguém vira adulto de verdade realmente é, separei três das muitas tirinhas que amei:

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Título original: Adulthood is a myth
Editora: Seguinte
Autor: Sarah Andersen
Ano: 2016
Páginas: 120
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Repeteco – Bryan Lee O’Malley

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Katie é  uma chef bem-sucedida, que comanda o conceituado restaurante Repeteco. Sua vida não poderia estar melhor, até o dia em que tudo dá errado: o caso com outro chef sai dos trilhos, os negócios não parecem fluir, a melhor garçonete do restaurante se machuca e, para piorar, seu ex- namorado reaparece. Quando esse terrível dia chega ao fim, Katie encontra uma misteriosa garota em sua casa, que tem a receita para uma segunda chance. Sem pensar duas vezes, a chef aceita a oferta sem pensar nas consequências.

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Eu AMO histórias com viagem no tempo e realidades paralelas! Por isso, quando vi a sinopse de Repeteco (no Encontro de blogueiros da Companhia das Letras), fiquei louca para ler – e ainda é em quadrinhos, gênero que estou gostando cada vez mais! Ainda não conhecia a obra de Bryan Lee O’Malley, que é autor de Scott Pilgrim, mas foi inevitável elevar as expectativas. O que acabou não sendo um problema, porque adorei a leitura!

É verdade que o enredo de Repeteco não é o mais original do mundo. E também há que se dizer que o autor não explora o tema de maneira particularmente inédita ou especial. Mas o diferencial do livro é justamente a arte, o que acredito que seja o foco. As ilustrações de O’Malley são muito engraçadinhas e o texto não fica atrás, tornando a obra ainda mais divertida e fácil de ler.

No entanto, apesar de ser um livro descontraído, Repeteco nos faz refletir bastante sobre nossas atitudes e o quanto, muitas vezes, nos deixamos levar por uma ambição cega e descabida. No caso, Katie deseja que tudo seja perfeito e, com a chance que lhe é dada, não admite abrir mão de nada, nem priorizar um aspecto de sua vida. E quantas vezes nós não fizemos exatamente mesmo, com a diferença de que não tivemos uma segunda chance para consertar nossos erros?

Título original: Seconds
Editora: Quadrinhos na Cia. 
Autor: Bryan Lee O’Malley
Ano: 2014
Páginas: 336
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Retalhos – Craig Thompson

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Retalhos conta a história do próprio autor, Craig Thompson, desde a infância até a vida adulta. Deus e fé são assuntos que permeiam toda a trama, já que a família do protagonista é extremamente religiosa. A relação com o irmão mais novo também é uma das bases da obra, principalmente o distanciamento durante a adolescência e o remorso que Thompson sente por nem sempre ter sido justo com ele. O outro pilar da história é Raina, o primeiro amor do protagonista, que muda a forma como ele enxerga a vida e a religião e lhe dá coragem para seguir seu próprio caminho.

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Já fazia um bom tempo que eu queria ler Retalhos! Estava super curiosa, pois só ouvi opiniões positivas a respeito da obra de Craig Thompson. Como é em formato de quadrinhos, o livro é super fluido e leve, apesar de não tratar de temáticas tão tranquilas assim. E por ser autobiográfico, pode-se dizer que, justamente por não contar com acontecimentos bombásticos, Retalhos é brutal, ao mesmo tempo em que é delicado e sutil.

Desde o início, percebi que a simplicidade e a honestidade seriam as tônicas da obra. E teriam mesmo que ser para que Craig Thompson abordasse assuntos como bullying, crenças, relações em família e expectativas de maneira real, sem ser pedante ou dramático demais. Como mostra boa parte da adolescência do protagonista, Retalhos tem uma dose de descobertas pessoais, em relação ao mundo e a si mesmo. E o fato de que Craig Thompson se sente tão diferente de todos, tanto em casa quanto perante à sociedade, faz com que seja automático se identificar com o personagem.

Mas, apesar de ter tratar de temáticas polêmicas e delicadas – e com méritos -, para mim, Retalhos é um livro sobre o primeiro amor e como ele dura para sempre. Se não na realidade, de maneira indireta, na forma como transforma as pessoas. Ao mesmo tempo, é também uma história sobre os tormentos de ser diferente, as delícias de sonhar a dois e a necessidade de reconstruir relações – com os outros e com si mesmo.

Título original: Blankets
Editora: Companhia das Letras
Autor: Craig Thompson
Ano: 2003
Páginas: 592
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 5 estrelas

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Quadrinhos dos anos 10 – André Dahmer

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Em Quadrinhos dos anos 10, André Dahmer faz críticas mordazes ao estilo de vida moderno em tirinhas ácidas, sim, mas também repletas de senso de humor. Capitalismo, tecnologia, narcisismo, liberdade de expressão, política, relações pessoais e o comportamento humano em geral são alguns dos temas polêmicos e pertinentes abordados de forma divertida e inteligente pelo autor.

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A leitura é rápida e fluida, não apenas pelo formato de quadrinhos (e histórias que nunca se estendem por mais de seis quadros), mas também pela perspicácia e, muitas vezes, sutileza que permeiam as tirinhas. Confesso que é triste quando nos identificamos com alguns quadrinhos, mas é exatamente essa grande dose de realidade que faz com que a obra de André Dahmer seja brutal e honesta ao mesmo tempo em que é divertida e sagaz. Exatamente como a vida é.

E como dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, deixo vocês com algumas das tirinhas que mais gostei:

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Título original: Quadrinhos dos anos 10
Editora: Companhia das Letras
Autor: André Dahmer
Ano: 2016
Páginas: 320
Tempo de leitura: 1 dia
Avaliação: 5 estrelas

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Mangá e anime: Death Note – Tsugumi Ohba e Takeshi Obata

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Apesar da ascendência oriental, nunca tive vontade de ler mangás. No entanto, por ironia do destino, meu namorado, que é descendente de poloneses, sempre foi leitor assíduo dos quadrinhos japoneses e, por insistência dele, fiz minha estreia no gênero. Minha primeira e, até pouco tempo atrás, única experiência com mangás foi Peach Girl e, apesar de me divertir com a leitura, nunca terminei a série. Eis que, no final de 2014, mais uma vez incentivada por ele, decidi ler Death Note. E, meu Deus, tenho vontade de esquecer tudo só para me surpreender novamente!

A trama de Death Note gira em torno de Light Yagami, um estudante exemplar que encontra um caderno capaz de matar as pessoas cujos nomes forem escritos em suas páginas. Quando descobre o poder do Death Note, ele começa a punir criminosos a fim de se tornar o “deus” de um mundo onde o mal não exista. No entanto, as ações de Light, que logo fica conhecido como Kira, não demoram a entrar no radar da polícia. E é quando tem início um interessantíssimo duelo entre duas identidades secretas: o renomado detetive L e o misterioso e perigoso Kira.

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Pela sinopse já dá para perceber que de bobo, Death Note não tem nada! E, na minha opinião, a história escrita por Tsugumi Ohba e ilustrada por Takeshi Obata cumpre muito mais do que promete! Além de ser um thriller policial repleto de reviravoltas e jogadas inteligentíssimas, a trama propõe a velha e infindável discussão sobre moral, ambição, megalomania e até que ponto é permitido chegar em prol de um bem maior – que, no caso de Kira, é livrar o mundo do mal.

Outro grande mérito de Death Note são os personagens, especialmente Light, com a inteligência muitas vezes perversa e a mudança de personalidade ao longo da série; L, com poder de dedução e intuição extremamente aguçados e suas divertidas peculiaridades; e Misa Amane, que confere a dose certa de humor para contrabalancear com a sobriedade de todo o resto. Outros personagens, como Ryuk, Matsuda, Mello e Near, também contribuem muito não apenas para o desenvolvimento da trama, como para a criação de um universo à parte e cheio de particularidades.

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Apesar de ter amado Death Note e de já ter o blog na época em que li, nunca escrevi uma resenha sobre o mangá. O tempo foi passando e ficou cada vez mais difícil de lembrar detalhes sobre a série e meus pareceres para compartilhar aqui com vocês – ainda mais a trama sendo tão complexa, fiquei com receio de falar besteira. No entanto, há pouco mais de um mês, me rendi à Netflix e adivinhem o que encontrei por lá? Sim, a versão anime de Death Note! Terminamos de assistir na semana passada e, para não desperdiçar a chance, decidi escrever este post sobre a história em geral.

Em formato mangá, Death Note foi dividido em 12 volumes*, já o anime conta com 37 episódios. Como quase sempre, o livro (no caso, mangá) é melhor. Na versão para a televisão, a história sofreu algumas mudanças (desculpe, mas não saberei precisar aqui quais foram, já que faz mais de 1 ano que li) e, em alguns momentos, fiquei com a sensação de que detalhes determinantes do caso eram descobertos com muita facilidade por L. Mas, no geral, a adaptação foi muito bem feita e confesso que me diverti vendo Light, L, Misa e companhia “ganhando vida”.

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No final das contas, escrevi esse post apenas para não desperdiçar mais uma oportunidade de recomendar Death Note tanto para quem gosta de mangás, mas por algum motivo nunca leu este, quanto para quem não gosta ou nunca leu uma obra do gênero!

*A série tem ainda o 13º volume, com informações extras sobre a trama; o 14º, uma one-shot (ou spin off), que conta a história sobre um novo Kira que surgiu após o final da série regular; e Death Note Another Note: The Los Angeles BB Murder Cases, que narra o caso em que L e Naomi Misora trabalharam juntos antes do surgimento de Kira. 

*Já existem versões live action de Death Note, mas Hollywood está trabalhando em uma nova adaptação, que, por enquanto, tem apenas Natt Wolf, de A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel, como Light e Margaret Qualley como Misa.