Sobre Stranger Things

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Eu sou simplesmente péssima para assistir séries. Vi pouquíssimas e, até mesmo as que eu realmente amava, abandonei antes do final/cancelamento. Por isso, quando começaram a falar sobre Stranger Things, nem dei bola. Quando entendi que boa parte do frisson era devido às inúmeras referências aos anos 80, também não me importei, pois não sou especialmente apegada à década. As coisas mudaram um pouco de figura, porém, quando soube que a série tinha um toque de terror e mistério. E mudaram completamente quando descobri que a primeira temporada tem apenas 8 episódios – ou seja, menos chances de abandonar no meio do caminho.

No entanto, a verdade é que é praticamente impossível abandonar Stranger Things. A série “chega chegando” e é difícil não ficar intrigado já no primeiro episódio. Do terceiro em diante, então, são tantas pontas soltas, que rola até uma curiosidade “mórbida” sobre como os criadores Matt e Ross Duffer irão conectar cada fragmento da história. Mas, apesar de já começar direto ao ponto, Stranger Things segue em uma crescente e, ao mesmo tempo em que desvenda alguns mistérios, insere novos. Ou seja, o espectador chega ao oitavo e último episódio mais curioso e intrigado do que nunca!

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Com doses de ficção científica, mistério, terror, humor e até romance, Stranger Things envolve pela trama em si, mas a verdade é que uma combinação de fatores garante o sucesso da série. O primeiro é a competência que os irmãos Duffer mostraram ao criar personagens tridimensionais, com bagagens e personalidades tão reais quanto peculiares. No entanto, de nada adiantaria traçar os perfis psicológicos, se os atores não fossem igualmente precisos ao retratar tais características. E aí está o segundo “bingo” dos criadores: o elenco, formado por uma maioria de atores até então não muito conhecidos.

A turma mirim composta por Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin e Noah Schnapp representa mais do que os protagonistas de Stranger Things. Eles são as verdadeiras estrelas. Cada um é carismático à sua maneira, assim como seus personagens, e o fato determinante é que todos souberam compreender e traduzir suas respectivas características para os espectadores.

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Filmes de julho

Não sei se já comentei aqui no blog, mas houve uma fase da minha vida em que eu era muito cinéfila! Com o passar dos anos, o sono e a vontade eterna de ler me deixaram com preguiça de sentar no sofá para assistir a filmes e o cinema acabou deixando de ser um hábito. No entanto, desde que assinei Netflix, recuperei um pouco da vontade de assistir a um bom longa e decidi compartilhá-los com vocês por aqui!

Para quem não sabe, adoro Woody Allen e, em julho, mais alguns títulos do diretor ficaram disponíveis na Netflix. Então, foi praticamente um mês dedicado a ele, em que aproveitei para rever filmes que amo e assistir aos “novos”. Para completar, o queridinho dos nerds Donnie Darko e o maravilhoso (e que estava na minha lista de filmes para ver há décadas) Direito de Amar.

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Direito de Amar (A Single Man)
A primeira vez que Direito de Amar me chamou a atenção foi quando Colin Firth foi indicado ao Oscar por sua atuação no longa – e eu adoro o ator, graças à Bridget Jones. Alguns anos depois, desenvolvi um crush por Nicholas Hoult, que também está no filme. Mas, quando fui à locadora, o DVD de Direito de Amar estava com problema e eu acabei nunca mais procurando o filme para assistir. No entanto, quando o encontrei na Netflix, resolvi enfim vê-lo! E que longa maravilhoso! Colin Firth está realmente incrível, em uma atuação de sensibilidade ímpar! Sem falar na moral da história, que é tão redentora quanto dolorosa e verdadeira.

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Donnie Darko
Nunca tive curiosidade de assistir Donnie Darko, talvez porque nunca tivesse me dado ao trabalho de saber do que se tratava. Até que uma série de fatos convergiu para que eu e o Donnie nos encontrássemos: 1. a Dark Side Books lançou uma linda edição do livro homônimo e, aí sim, fiquei curiosa; 2. meu namorado manifestou interesse pelo longa, que; 3. estava disponível na Netflix. Gostei do filme, que tem como base coisas que eu adoro – viagem no tempo e universos paralelos -, mas precisei ler o livro do diretor e roteirista Richard Kelly para entender o longa um pouco melhor. Agora, preciso ver a versão estendida para a ficha cair de vez! De qualquer forma, fica a indicação para quem gosta de histórias doidas e complicadas!

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O Homem Irracional (Irrational Man)
O Homem Irracional tem todos os ingredientes indispensáveis nos filmes de Woody Allen, especialmente a ironia e os questionamentos existenciais. Gosto sempre da maneira como o diretor consegue abordar temas pesados (no caso de O Homem Irracional, a depressão) de maneira leve, mas nunca irresponsável. No entanto, embora tenha gostado do longa, confesso que esperava por algo um pouco menos previsível.

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Magia ao Luar (Magic in the moonlight)
Emma Stone + Colin Firth + Woody Allen só poderia ser = a muito amor! Em Magia ao Luar, a atriz explora toda sua veia cômica, enquanto o ator deixa um pouco de lado os personagens sisudos para viver o cômico, paranoico e afoito Stanley. A trama é divertida e, apesar de ter aspectos previsíveis, também surpreende em alguns momentos. E mais uma vez, Woody Allen abusa da a ironia para falar sobre pessimismo e otimismo, utilizando a mágica como metáfora.

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Ponto Final – Match Point (Match Point)
Meu amor por Woody Allen nasceu com Match Point, o primeiro filme do diretor que assisti, lá em 2006. E, até hoje, o longa é um dos meus favoritos da vida! Match Point aborda temas recorrentes nas obras de Woody Allen (e que eu adoro), como traição, mentiras, ambição, paixão e, claro, a ironia da vida. Não me canso de assistir Match Point e sempre que o faço, chego à mesma conclusão: de nada adianta esconder seus erros e pecados dos outros, já que sua consciência sempre irá saber. E é ela quem cobra o verdadeiro preço.

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Scoop – O Grande Furo (Scoop)
Match Point Scoop têm Scarlett Johansson e Londres como ambientação em comum. No entanto, enquanto o primeiro filme tem um clima sombrio, que até foge um pouco do estilo de Woody Allen, o segundo traz de volta o lado cômico do diretor. Como sempre, ele aborda as reviravoltas e ironias da vida.

Já assistiram a algum desses filmes?

 

+ 5 filmes para assistir na Netflix

Já falei aqui no blog sobre adaptações de livros e filmes de terror para assistir na Netflix e, hoje, decidi compartilhar mais alguns bons longas que andei vendo por lá nos últimos tempos. E em se tratando de mim, é claro que a pequena lista conta com vários filmes de terror! Mas também tem Woody Allen e comédia romântica :)

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Blue Jasmine
Apesar de estar longe de ter assistido a todos os filmes de Woody Allen (são tantos!!), sou muito fã do diretor. Mas, como sempre comento aqui no blog, tenho certa preguiça de ver televisão e ainda mais de ir ao cinema. Por isso, os lançamentos acabam passando batidos por mim. De qualquer forma, quando encontrei Blue Jasmine na Netflix, fui correndo assistir. Decadência, traição, neurose, pessimismo, ironia, humor ácido… Blue Jasmine tem tudo isso, que são ingredientes típicos dos filmes de Woody Allen, então, não tinha como não gostar. O longa rendeu o Oscar de Melhor Atriz a Cate Blanchett, que realmente mereceu a estatueta! Continue reading “+ 5 filmes para assistir na Netflix”

Filme: Invocação do Mal 2

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Sete anos após os acontecimentos que envolveram a família Perron (Invocação do Mal), Ed e Lorraine Warren cogitam se aposentar das investigações paranormais. É quando a igreja britânica pede que o casal viaje para Londres, a fim de observar a casa da família Hodgson, onde Janet, uma garota de 11 anos, tem sido aterrorizada por um espírito demoníaco.

Já contei aqui no blog que, desde a infância, sou muito fã de filmes de terror. Mas admito que, depois de longas como O Sexto Sentido Os Outros, que redefiniram o gênero, passamos por uma fase de títulos muito fracos e mais previsíveis do que o aceitável. E, então, em 2013, James Wan nos presenteou com Invocação do Mal. Protagonizado por Ed e Lorraine Warren, um casal de investigadores paranormais da vida real, o filme colocou o terror sob uma nova luz, mostrando que um bom longa do gênero não precisa se resumir a sustos e fantasmas.

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Invocação do Mal foi sucesso de crítica e público e não demorou para que fosse anunciada a sequência do filme – além de Annabelle, de 2014, que é um spin-off da história. Foram quase 3 anos de espera e, embora tudo indicasse que o segundo longa seria tão bom quanto o primeiro, altas expectativas são sempre facas de dois gumes. Eis que, em Invocação do Mal 2, James Wan repete a fórmula do sucesso, mas também traz novos elementos.

Um dos grandes trunfos da franquia é o fato de as histórias serem baseadas em personagens e fatos reais. E muito embora fossem investigadores paranormais, ou seja, charlatões para muitos, Ed e Lorraine Warren inspiravam certa credibilidade e foram responsáveis por muitos casos célebres, incluindo o famoso episódio de Amityville. A escolha de Patrick Wilson, que já havia trabalhado com Wan em Sobrenatural, e Vera Farmiga como os protagonistas foi certeira: além de carismáticos, os atores convencem como casal e fazem com que o espectador se envolva com os personagens enquanto pessoas e não espere apenas por bons sustos (admito que me emocionei na cena em que Ed/Patrick canta Elvis Presley para a família Hodges). E é justamente esse “toque de drama”, exatamente como O Sexto Sentido, por exemplo, que diferencia a franquia de muitos outros filmes do gênero.

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No entanto, apesar de bater na tecla de que Invocação do Mal é mais do que um franquia genérica de horror, há que se ressaltar que também não deixa a desejar no quesito “terror por terror”. Assim como no primeiro longa, Wan faz uso dos clichês do gênero, mas nas cenas certas e na medida ideal. Em compensação, também sabe ser sutil e manipular o espectador, criando falsos momentos de clímax, que são compensados por sustos inesperados.

A trilha sonora, com faixas que marcaram os anos 1960 até o início dos anos 1980, é um destaque à parte. E, com músicas como Bus Stop, do The Hollies, e I started a joke, dos Bee Gees, não apenas contextualizam a história, que se passa na década de 1970, como também criam uma atmosfera particular e, em alguns momentos, até ironicamente leve e alegre. O figurino típico da época e a caracterização dos personagens, em especial de Madison Wolfe, que interpreta Janet brilhantemente, também contribuem bastante para a criação desse “universo”.

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O fato de Invocação do Mal 1 e 2 serem baseados em fatos reais torna tudo mais assustador, mas não é novidade para ninguém que Hollywood se apropria de histórias verídicas, exagerando alguns aspectos e até criando novos fatos. E lendo sobre o Poltergeist de Enfield, como ficou conhecido o caso que inspirou o segundo filme, fica evidente que esta não é uma exceção. No entanto, a “romantização” não diminui em nada a qualidade de Invocação do Mal 2 ou os méritos de James Wan. E se a batalha final entre os Warren e a entidade demoníaca deixa um pouco desejar, o plot twist (que obviamente não vou entregar para não dar spoiler) é, senão inédito, um grande diferencial entre os filmes de terror.

Título original: The Conjuring 2
Diretor: James Wan
Ano: 2016
Minutos: 133
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Madison Wolfe e Franka Potente
Avaliação: 4 estrelas

6 histórias para ler e assistir em 2016

Eu sei, estou um “pouco” atrasada com este post, mas só agora percebi que não havia falado sobre as adaptações que estreiam em 2016! Para compensar meu atraso, fiz uma breve pesquisa sobre os filmes inspirados em livros que serão lançados este ano e escolhi os que quero ler e assistir. Na minha pequena lista, tem alguns títulos que já entraram e saíram de cartaz (e que, por algum motivo, ainda não assisti) e outros pelos quais não aguento mais esperar!

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A Garota Dinamarquesa
Confesso que, antes do burburinho por conta das indicações ao Oscar, eu não havia dado muita bola para A Garota Dinamarquesa. No entanto, quando soube que o filme/livro conta uma trama ficcional inspirada na história real de Lili Elbe, a primeira transexual a se submeter a uma cirurgia de troca de sexo, me interessei e decidi lê-lo antes de assistir ao longa. Para me deixar com ainda mais vontade, gosto muito de O Discurso do Rei, também dirigido por Tom Hooper, e estou super curiosa para ver as atuações de Eddie Redmayne, que concorreu ao Oscar de Melhor Ator pelo segundo ano consecutivo, e Alicia Vikander, que faturou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante.

Diretor: Tom Hooper
Elenco: Eddie Redmayne e Alicia Vikander Continue reading “6 histórias para ler e assistir em 2016”

Sobre A Mentira, A Letra Escarlate, a desigualdade entre os gêneros e a hipocrisia humana

Eu assisti A Mentira há muitos anos e lembro de tê-lo alugado pensando ser apenas uma comédia fofa com a Emma Stone. Não estava errada, no entanto, mais do que um filme leve e engraçadinho, A Mentira foi uma forma inteligente e bem-humorada de abordar assuntos extremamente pertinentes e transportá-los ao mundo young adult.

A sinopse é a seguinte: para evitar acampar com a família da melhor amiga Rhiannon, Olive, a personagem de Emma Stone, diz ter um encontro marcado com um amigo de seu irmão – o que, obviamente, é mentira. Olive passa um final de semana tranquilo e sem acontecimentos espetaculares, no entanto, após ser pressionada por Rhiannon, ela mente ao dizer que perdeu a virgindade durante o encontro. A católica fervorosa (e fofoqueira) Marianne escuta a confissão e, logo, a escola inteira está sabendo que Olive “perdeu a virgindade”. O boato foge ao controle e não demora muito até que rumores ainda mais graves e mentirosos estejam correndo pelo colégio todo. E é quando Olive passa a ostentar ironicamente um “A” escarlate no peito e começa a fazer uma espécie de experimento social.

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Qualquer semelhança com o clássico A Letra Escarlate NÃO é mera coincidência. Em uma releitura moderna da obra de Nathaniel Hawthorne, A Mentira mostra claramente a desigualdade entre os homens e as mulheres, especialmente quando o assunto são as diferentes consequências oriundas mesmo ato. Assim como em A Letra Escarlate, em que a Hester Prynne é extremamente discriminada após o adultério, enquanto o homem que a engravidou permanece anônimo e impune, Olive passa a ser vista como “piranha”, enquanto os meninos que alegam ter transado (ou algo do tipo) com ela são aclamados e vistos com certo respeito. Ou seja, a dinâmica era esta no século 17 e, infelizmente, 400 anos depois, nada mudou. E sabe o que é ainda pior? As Olives e Hesters da vida real não são consideradas vadias apenas pelos homens. Aliás, eu arriscaria dizer que as mulheres são até mais cruéis e radicais na hora de fazer tal julgamento e endossá-lo.

Se a dinâmica de um pequeno vilarejo, em que todos sabem tudo sobre todos, é a principal ferramenta para que a traição de Hester se torne pública, em A Mentira, além do boca a boca, a internet e a tecnologia têm papel fundamental para a “legitimidade” dos boatos sobre Olive (e ela mesma tira proveito destes recursos ao contar sua versão da história ao vivo, via internet). Agora, pense o seguinte: o filme foi lançado em 2010 e, desde então, graças ao crescimento das redes sociais e especialmente do WhatsApp, a propagação da informação tomou proporções ainda mais exageradas. Então, multiplique a gravidade de toda a situação por mil, pensando especialmente no vazamento de nudes e sex tapes, em que as julgadas são principalmente (se não exclusivamente) as mulheres.

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A Mentira ainda aborda o deprimente e inevitável “estava pedindo”, que parte da premissa que uma mulher que se veste provocativamente ou que tem fata de “piranha” é automaticamente obrigada a topar qualquer coisa com qualquer um. E é quando nos vemos em um beco sem saída, do qual não há possibilidade de sair com dignidade. Porque, se realmente aceitar, a mulher é vadia porque topou; mas se recusar, é vadia porque não aceitou. Ou seja, donas do próprio corpo e da própria vontade, sim, mas não sem consequências de proporções muitas vezes catastróficas.

O fanatismo pela religião e, principalmente, a hipocrisia também não passam despercebidas em A Mentira. Afinal, a carola Marianne não suporta o fato de Olive ser uma “piranha”, mas aparentemente não vê problemas em espalhar boatos sobre ela, sejam eles verdadeiros ou não. Mas não vou ficar aqui “dando sermão” e  prefiro apenas recomendar que todos assistam A Mentira e reflitam com seus botões – mas não sem perder o bom humor.

Título original: Easy A
Diretor: Will Gluck
Ano: 2010
Minutos: 92
Elenco: Emma Stone, Penn Badgley, Amanda Bynes, Stanley Tucci e Lisa Kudrow
Avaliação: 5 estrelas