Resenha de Victoria e o Patife – Meg Cabot

Após a morte dos pais, Victoria Arbuthnot foi criada pelos tios na Índia. Aos 16 anos, a jovem é enviada de volta a Londres para que possa encontrar um marido – afinal, estamos falando do século 19. Ainda na longa viagem de navio à Inglaterra, Victoria aceita o pedido de casamento de Hugo Rothschild, o nono Conde de Malfrey. E tudo estaria às mil maravilhas se o desagradável Jacob Carstairs não estivesse tão disposto a acabar com o noivado da jovem.

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Meg Cabot foi a grande responsável por eu me tornar uma leitora assídua, lá em 2005. Na época, comprei todos os livros que encontrei da autora – em português e em inglês. E Victoria e o Patife, que ainda não havia sido publicado no Brasil, fazia parte dessa lista – mas nunca o encontrei para comprar, nem mesmo na internet. Por isso, quando a Galera Record traduziu a obra, não pensei duas vezes antes de colocá-la na minha lista de leituras!

Eu já imaginava que a história seria bobinha e previsível, e não estava errada quanto a isso. No entanto, como sempre digo, não vejo problemas em “tramas fáceis”, desde que nossas expectativas estejam alinhadas. E foi exatamente por saber que seria uma leitura tranquila, que a escolhi para suceder o denso Tudo o que nunca contei. E era tudo o que eu precisava: uma história leve, fofa e deliciosa!

Em Victoria e o Patife, Meg Cabot combina o romance dos contos de fadas com suas personagens fortes e independentes, que estão sempre à frente de seu tempo. E é claro que seu senso de humor, assim como o estilo de escrita sempre divertido, não poderia faltar! Como disse acima, a história é 100% previsível e não tem grandes surpresas. No entanto, é ótima pedida para quando precisamos de uma leitura fácil e envolvente!

Título original: Victoria and the Rogue
Editora: Galera Record
Autor: Meg Cabot
Ano: 2003
Páginas: 210
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Resenha de A Cor Púrpura – Alice Walker

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Por ser negra e pobre, Celie não leva uma vida fácil no sul dos Estados Unidos, na primeira metade do século 20. Durante a infância e a adolescência, foi abusada física e psicologicamente por aquele que chamava de pai. Mais tarde, foi separada de seus filhos e de sua irmã, Nettie. E adulta, continuou a sofrer repetidos abusos por parte do marido. Quando conhece a deslumbrante Shug Avery, no entanto, Celie vê tudo se transformar. E descobre que, se houver amor, a vida pode ser leve e deliciosa, ainda que não seja livre de dificuldades e tristezas.

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Eu gosto muito de livros que abordam a segregação racial e adoro narrativas epistolares. Por isso, sempre tive a certeza de que iria gostar de A Cor Púrpura, que rendeu a Alice Walker National Book Award e o Prêmio Pulitzer, em 1983. Mesmo assim, a obra me surpreendeu por retratar não apenas o racismo, como também o “estigma duplo” que as mulheres carregavam (e, infelizmente, ainda carregam) nesse contexto. Ou seja, além de sofrerem com o preconceito por serem negras, elas ainda eram vítimas de machismoabusos de todos os tipos por parte de seus pais, maridos e irmãos também negros.

Por meio de cartas que Celie escreve para Deus e para a irmã, A Cor Púrpura narra 40 anos de história da personagem. E é assim que Alice Walker explora por completo os sentimentos da protagonista, bons e ruins, tornando-os ainda mais intensos e palpáveis para o leitor. Gostei muito de como a autora manteve a dramaticidade e a gravidade da trama, mas também trouxe levezabeleza à história. Tudo na medida certa, tanto para emocionar, quanto para fazer sorrir.

A Cor Púrpura foi lançado em 1982, mas é extremamente atual. Por falar sobre racismo, sim, mas também por abordar o amor em todas as formas e retratar, como poucas obras, a tal da sororidade. No entanto, talvez a maior mensagem da obra de Alice Walker seja sobre a resiliência, que permite que as pessoas mudem, se adaptem e sempre encontrem razões e coragem para amar.

Título original: The Color Purple
Editora: José Olympio
Autor: Alice Walker
Ano: 1982
Páginas: 330
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de A Garota Dinamarquesa – David Ebershoff

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A história começa quando Greta pede ao marido, Einar Wegener, que ajude-a a terminar o retrato de sua cliente.  Tudo o que ele precisa fazer é vestir as meias e os sapatos da moça e posar para a esposa. No entanto, o que era para ser apenas um favor acaba mudando completa e irreversivelmente a vida do casal. Naquela tarde, nasce Lili, uma espécie de alter-ego feminino de Einar, que cada vez mais toma conta de sua existência.   

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A versão cinematográfica de A Garota Dinamarquesa me chamou a atenção por conta da transformação física de Eddie Redmayne, que interpreta Einar/Lili no longa. Logo descobri que, além de ser inspirado em uma história real, o filme era baseado no livro homônimo de David Ebershoff. Foi quando decidi ler o livro antes de assistir à adaptação. Demorei muito mais do que gostaria para encaixar a leitura no “cronograma”, mas a espera valeu a pena, pois a história é realmente tão incrível quanto parece ser.

Logo  nas primeiras páginas, já é possível perceber que David Ebershoff é capaz de tratar de um assunto delicado com sensibilidade e riqueza de detalhes, ao mesmo tempo em que mantém a fluidez e a leveza da história. O foco da trama, claro, são as descobertas e a transformação de Einar. No entanto, o autor faz questão de contextualizar cada ponto da história com o passado, tanto de Einar, quanto de Greta, fazendo com que o leitor entenda e se afeiçoe ainda mais aos personagens.

Me interessei pelo livro porque queria saber como foi a transição de Einar para Lili – afinal, ela foi provavelmente a primeira mulher transexual a se submeter à cirurgia de mudança de sexo. E, com toda a certeza, esse é o grande atrativo da história. Mas, a cada capítulo, me encantava mais e mais com Greta e toda sua sensibilidade, força, coragem, lealdade, generosidade e, principalmente, amor em sua forma mais sublime. Ao longo da história, ela enfrenta não apenas as mudanças de Einar, como também fantasmas de seu passado e a redescoberta de si mesma. Sim, também há muita raiva, mágoa, incerteza e ressentimentos entre Greta e Einar/Lili. E é exatamente isso o que a torna uma personagem ainda mais real e incrível.

Também gostei bastante de como David Ebershoff retratou Einar/Lili. O autor foi capaz de mostrar ao leitor que Einar sempre soube da existência de Lili, mas nunca pensou que encontraria uma maneira de se tornar o que sempre foi por dentro. No entanto, a partir do momento que Greta, de certa forma, o liberta, fica impossível voltar atrás. E é por isso que A Garota Dinamarquesa trata de uma história tão atual, muito embora tenha acontecido há quase um século atrás. Naquela época, a questão dos transgêneros era cercada por ignorância, no sentido de que havia pouca ou nenhuma informação sobre o assunto. Atualmente, há espaço para a luta, sim, mas também para a ignorância e a não aceitação por convicção.

Em A Garota Dinamarquesa, David Ebershoff transforma realidade em ficção e ficção em realidade, tornando o amor e o sofrimento de Greta e Einar/Lili palpáveis. E mais do que uma história sobre transexualidade, a obra mostra a importância de se permitir ser o que se é. Afinal, com o tempo, quase tudo muda: os valores, as lutas, as barreiras, os direitos… Mas a coragem continua a mesma.

Título original: The Danish Girl
Editora: Fábrica231
Autor: David Ebershoff
Ano: 2000
Páginas: 363
Tempo de leitura: 7 dias
Avaliação: 5 estrelas

Resenha de Contos Peculiares – Ransom Riggs

Contos Peculiares é o livro dentro do livro que foi transportado para a vida real. Trata-se de uma compilação de lendas que fazem parte do universo peculiar de O lar da Srta. Peregrine para crianças peculiares e que foram reunidas por Millard Nullings. Não é segredo para ninguém que série da Srta. Peregrine não é das minhas favoritas e que as leituras dos três livros nunca foram fáceis e fluidas para mim. E exatamente por isso, Contos Peculiares foi uma verdadeira surpresa!

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Todos os contos foram criados por Ransom Riggs e realmente parecem o tipo de história que passamos de geração para geração. Ou seja, verdadeiras lendas. Os contos são curtinhos e super fluidos, mas todos contam com lições de moral poderosas. Ganância sem limites, preconceito, solidão, justiça com as próprias mãos, vergonha e o valor à aparência são apenas alguns dos assuntos abordados pelas tramas.

As minhas histórias preferidas foram Os Esplêndidos Canibais, que mostra como, muitas vezes, os bens materiais tomam o lugar de valores como a amizade e a humildade; A primeira ymbryne, que conta como surgiu a primeira fenda temporal; A mulher que era amiga de fantasmas, que mostra o desespero da solidão; e A menina que domava pesadelos, que retrata a subjetividade da justiça.

O projeto gráfico de Contos Peculiares é um espetáculo à parte. Assim como os outros volumes da série publicados pela Intrínseca, a obra tem capa dura (sem jacket) e realmente parece um livro antigo. A arte da capa é maravilhosa e tem tudo a ver com as histórias. E, para completar, o início de cada conto tem uma ilustração de Andrew Davidson.

Título original: Tales of the Peculiar
Editora: Intrínseca
Volumes da série: O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, Cidade dos EtéreosBiblioteca de Almas
Autor: Ransom Riggs
Ano: 2016
Páginas: 208
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Resenha de Biblioteca de Almas (Srta. Peregrine #3) – Ransom Riggs

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Depois de perder o avô, conhecer as Crianças Peculiares, partir em busca da Srta. Peregrine e correr perigos que jamais imaginou, Jacob irá enfrentar forças ainda mais poderosas. No entanto, ele acaba descobrindo que possui uma rara habilidade, que será fundamental para resgatar as ymbrynes e os amigos peculiares. E, ao lado de Emma Bloom, é exatamente essa aventura que Jacob irá viver. O que eu ele não sabe é se conseguirá sair vivo dela.

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Como falei nas resenhas de O lar da Srta. Peregrine para crianças Peculiares e Cidade dos Etéreos, os livros da série nunca são leitura fácil para mim. A história é repleta de mistérios e reviravoltas, mas existe algo na escrita de Ransom Riggs que não me cativa. De qualquer forma, Biblioteca de Almas me surpreendeu e, embora não tenha sido a leitura mais rápida de todos os tempos, realmente me envolveu e foi um final digno para a aventura extraordinária de Jacob Portman.

O ritmo do terceiro volume é ainda mais frenético do que nos livros anteriores. Tudo acontece a todo tempo! No entanto, achei que alguns problemas se resolvem de maneira muito conveniente. Sabe quando parece certo que personagem irá morrer e, de repente, acontece algo completamente improvável que o salva? Pois é…Isso acontece demais em Biblioteca de Almas! Mas, há que ser dito, a história é tão louca e movimentada, que tudo acaba fazendo um certo sentido.

Eu comecei a ler a série Crianças Peculiares por causa das fotos assustadoras. Elas são reais (algumas poucas foram editadas) e inspiraram Ransom Riggs a escrever muitas cenas dos livros. Ou seja, influenciaram a história de maneira direta. No entanto, devo admitir que as imagens que compõem Biblioteca de Almas não são tão legais quanto as dos outros volumes. Entendo que fotos bizarras não deem em árvores e, graças à criatividade do autor, isso acaba não sendo um problema. Mas também não pode ser ignorado, afinal, é o grande chamariz da série.

Épica. Essa com certeza é a melhor palavra para definir toda a saga das Crianças Peculiares e, especialmente, o último volume. E depois de todas as bizarrices e loucuras que permeiam os três livros, Biblioteca de Almas termina com dilemas “comuns” que, enfim, fazem com que o leitor realmente se conecte a Jacob e Emma.

Título original: Library of Souls
Editora: Intrínseca
Volumes anteriores: O lar da Srta. Peregrine para crianças peculiares e Cidade dos Etéreos
Volume complementar: Contos Peculiares
Autor: Ransom Riggs
Ano: 2015
Páginas: 416
Tempo de leitura:  6 dias
Avaliação: 3 estrelas

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Resenha de Vá, coloque um vigia – Harper Lee

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Vinte anos após os acontecimentos de O Sol é para todos, Jean Louise Finch – a Scout – está morando em Nova York e volta à sua cidade natal para visitar o pai, Atticus. No entanto, o que prometia ser um agradável reencontro com a família e os amigos se torna uma decepção quando Jean Louise descobre, em meio aos debates sobre segregação racial, que a comunidade que a criou não é exatamente o que ela pensava ser.

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Nunca fui a favor de Vá, coloque um vigia e, por um bom tempo, relutei em lê-lo. Mas, no final das contas, a curiosidade falou mais alto do que o medo e acabei me rendendo. E, como já era esperado, não gostei do que li. O livro começa com uma espécie de transição entre a Scout que conhecemos em O Sol é para todos e a Jean Louise que iremos conhecer em Vá, coloque um vigia, por meio de lembranças da infância e da adolescência da personagem. O que seria natural e esperado, se não se estendesse pelas 100 primeiras páginas, fazendo com que a trama pareça não ter propósito.

Quando a história finalmente começa a se desenrolar, nos deparamos com uma Jean Louise que é completamente o oposto de Scout: arrogante, intransigente, egocêntrica e nada carismática. Ou seja, um dos maiores – se não o maior – trunfos de O Sol é para todos simplesmente deixa de existir neste segundo livro. De certa forma, a personagem tem o direito de se sentir decepcionada e até traída – embora ache que a segunda seja uma palavra muito forte. No entanto, Jean Louise se tornou tão, mas tão desagradável, que é praticamente impossível se conectar a ela do ponto de vista emocional e “comprar” sua briga. Ainda mais porque Atticus, o “vilão” da história, ainda é o personagem sereno e envolvente que conhecemos no primeiro livro.

Sei que O Sol é para todos retrata uma situação utópica, enquanto Vá, coloque um vigia narra uma realidade 100% possível. No entanto, o primeiro livro parecia ter sido escrito justamente para se tornar válvula de escape para tantas injustiças que acontecem no mundo, especialmente as motivadas pelo racismo. E o que eu me pergunto: por que destruir esse sopro de esperança, desmistificando Atticus Finch e transformando Jean Louise em uma personagem intragável?

Sim, o senso de humor apurado de Vá, coloque um vigia é inegável, assim como a contextualização histórica é irretocável. Mas, para mim, também é indiscutível que o mundo da literatura estaria melhor se ele simplesmente não existisse.

Título original: Go Set a Watchman
Editora: José Olympio
Volume anterior:
O Sol é para todos
Autor: Harper Lee
Ano: 
2015
Páginas:
 252
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 
2 estrelas

Resenha de A Menina da Neve – Eowyn Ivey

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Jack e Mabel nunca conseguiram realizar o desejo de ter um filho e, para evitar mais sofrimento, se isolam no Alasca. No entanto, a falta de um herdeiro afeta também a dinâmica dos dois, que a cada dia se afastam mais um do outro: ele se perdendo no trabalho árduo da fazenda e ela, se afogando em solidão e tristeza. Certo dia, em um raro momento de união, o casal faz uma menina de neve e, a partir de então, tanto Jack quanto Mabel passam a avistar uma criança loira pela floresta e ao redor da cabana. E a pergunta que não quer calar é: a menina é é real ou apenas uma ilusão, fruto do desejo frustrado de serem pais?

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A Menina da Neve me conquistou pela capa e, após ler a sinopse e descobrir que o livro havia sido indicado ao Prêmio Pulitzer, minha curiosidade apenas aumentou. A escrita de Eowyn Ivey é bastante descritiva, o que torna a história um pouco parada, especialmente no início. No entanto, ao mesmo tempo em que é ligeiramente cansativa, a trama também prende o leitor e faz com que várias hipóteses sejam levantadas, aumentando cada vez mais a vontade de descobrir o mistério.

Não vou dizer que A Menina da Neve foi uma leitura ruim, não chegou a tanto. No entanto, o suspense é uma faca de dois gumes, que pode fazer com que uma história surpreenda ou deixe a desejar. E, infelizmente, no caso da obra de Eowyn Ivey, fico com a segunda opção. O mistério em torno da menina da neve permeia toda a trama, o que eleva cada vez mais as expectativas quanto ao desfecho. Mas senti falta de um clímax e, mesmo gostando de finais em aberto, esperava por mais respostas e/ou explicações.

Não sou especialista em Pulitzer – bem longe disso, aliás. No entanto, após ler obras vencedoras como Toda luz que não podemos ver e O Pintassilgo, confesso que fiquei até surpresa com a indicação de A Menina da Neve ao prêmio. Como eu disse acima, a obra de Eowyn Ivey não chega a ser ruim, mas é quase um desperdício de uma premissa extremamente promissora e intrigante.

Autor: Eowyn Ivey
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012
Páginas: 352
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas