Eles recomendam!

O ano está acabando e, para quem tem metas literárias, o tempo para cumpri-las também! Então, quem sabe as indicações do Eles recomendam! de novembro não seja um incentivo? Eu já li – e adoro – as escolhas da Ká e da Rafa e já coloquei a sugestão da Angel na wishlist :)

elesrecomendam-1Angela Dias – Adeus, por enquanto, Laurie Frankel
Quando comprei esse livro na Bienal de 2014, pensei: esse é de chorar, vou comprar e ler quando der. Apesar do título que já mostra que haverá uma despedida, o livro no seu começo nos faz acreditar que o pior já passou e o pior pode ser trabalhado para melhor, porém o mais engraçado da leitura é como o autor consegue mostrar que o melhor pode ser o pior ainda assim (como sempre, sou muita confusa em minhas opiniões rs). Sofrer uma perda é uma dor imensurável, ainda mais quando é de alguém muito próximo e a forma como você lida com o luto é essencial para você continuar a vida. Mas como aceitar? Como continuar a viver? E como lidar quando o luto afeta alguém próximo a você da qual você não fez parte da perda? Eu particularmente sou uma pessoa que nunca passou pelo luto e não sei como lidar de verdade. Algumas coisas são muitos fáceis na teoria, mas na prática, bom, na prática devem ser muito doloridas. Há um trecho que a autora diz: “Não sabemos realmente o que dizer para pessoas de luto. Na nossa cultura somos muito ruins nisso. Só queremos que as pessoas superem logo de uma vez. Fiquem alegres e sigam em frente. É o que pensamos quando não estamos em luto nós mesmos.”, e isso justamente sou eu hoje lidando com o luto dos demais… Nunca seremos capazes de entender se nós mesmos não vivê-los. Esse livro foi o que mais fiz marcações na vida de trechos que me identifiquei. Apesar de no começo ter achado o livro um tanto “devagar”, após uma série de acontecimentos, consegui me prender na história a ponto de sofrer com os personagens. É um livro para chorar, para se apaixonar, para ter ressaca depois e (momento clichê) para enxergar que às vezes a perda é necessária para que você possa dar valor aos pequenos momentos…

elesrecomendam-5Karina QuerozGarotas de Vidro, Laurie Halse Anderson
Garotas de Vidro é o tipo de livro que a sinopse não diz nada, absolutamente nada mesmo, sobre o real teor da história. Lia e Cassie são amigas de longa data e já passaram por muitas coisas juntas, inclusive entraram em uma situação muito perigosa para a vida de ambas: a bulimia e a anorexia. O livro é sobre uma menina que é magra, mas se acha obesa. Lia tem anorexia e assim machuca a si mesma e as pessoas ao seu redor. A leitura é tensa, a realidade (ou não) de Lia é cruel. Dói. Os pensamentos e as atitudes que ela tem são doentios, mas ela não enxerga isso. Para Lia, quem não enxerga a verdade são os outros e, de certa forma, ela tem razão. Seu pai, por exemplo, não vê que ela ainda tem um problema, ou pelo menos finge que não, porque assim é mais fácil. A escrita da Laurie H. Anderson é fantástica. A cada página que eu passava, meu coração se apertava mais e mais. Fiquei transtornada. Não é alegria, não é amor, nem paixão. Não é paz, não é ódio, tampouco pena. Um choque. A autora consegue passar em suas palavras cada angústia, cada dúvida, cada sofrimento, cada pesadelo e assombração de Lia e aquilo fica em você e é impossível ignorar. É pesado e brilhante.

elesrecomendam-3Priscila BritoExtremely Loud & Incredibly Close (Extremamente Alto & Incrivelmente Perto), Johnathan Safran Foer
Escrever sob o ponto de vista de uma criança com certeza é desafiador. Ironicamente, como adultos, sentimos que não temos muito embasamento para isso, mesmo já tendo passado pela fase da infância. No entanto, Jonathan Safran Foer conseguiu, com maestria, retratar muito bem como funciona a cabeça de uma criança muito especial – e que também passou por uma situação muito difícil – em Extremely Loud & Incredibly Close. O jovem Oskar Schell, de 10 anos, perdeu a sua pessoa preferida no mundo (o seu pai) no ataque às torres gêmeas no 11 de setembro, nos Estados Unidos. Acostumado a fazer jogos de caça ao tesouro com ele pelas ruas de Nova York, agora Oskar começa uma caçada pela cidade sozinho, acreditando que o pai deixou uma última pista para ser resolvida. Durante esta grande busca, Foer mescla o passado com o presente, nos mostrando Oskar pelas ruas da cidade hoje e a vida de sua avó e avô, que passaram por muitas dificuldades na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Essa viagem no tempo, e ao mesmo tempo o modo como Oskar encara as situações mais felizes e tristes de sua vida torna a leitura viciante. É impossível não se emocionar com o modo imaginativo e poético com o qual o autor descreve os pensamentos do menino, mesmo que desde o começo do livro o leitor já saiba sobre a sua grande perda.  É através dos olhos de Oskar e da vida de sua família que Foer nos mostra que é possível sim, sobreviver às coisas mais terríveis, e que também é possível, mesmo que não de forma instantânea, transformar as coisas ruins pelas quais passamos em coisas boas quando olhamos para trás. Essa é uma leitura que vou demorar muito para tirar da cabeça e que eu recomendo a todos!

elesrecomendam-2Rafaela Gomes Olho por Olho, Jenny Han e Siobhan Vivian
Se você gosta de livros que intercalam pontos de vistas baseados em conflitos e segredos, Olho por Olho é uma decisão certeira.  Primeiro livro de uma trilogia, ambientado no mundo adolescente, Olho por Olho irá mostrar a pequena ilha de Jar através de Lillia, Kat e Mary, que juntas irão compartilhar a vontade de vingança e o desafio de superar sentimentos contraditórios em relação ao outro. Vai além do simplório, do certo ou errado, afinal, o que somos é aquilo que o outro vê. Três meninas que a vida se encarregou de colocar frente a frente pela primeira vez ou mais uma vez, com um objetivo em comum: vingança contra quem as fizeram sofrer de alguma maneira. Extremamente fluída, a narrativa irá te prender do início ao fim. Às vezes irá fazer com que você tenha pena dos vingados, outras irão fazer com que torça pelo fim deles. Aliás, este é o ponto alto da narrativa das autoras, tentando fazer com que os personagens sejam bilaterais, mostrando que nem sempre é tudo preto no branco e que nem tudo o que parece, realmente é. E não se esqueça de manter a mente aberta a tudo, tudo é possível e imaginável em um livro em que a premissa são segredos e revanche.

CONVIDADAS ESPECIAIS :)
Neste mês, por falta de uma convidada especial, temos duas: a Amanda e a Laura, que comandam dois perfis literários no Instagram que eu amo, já que são cheios de fotos lindas e recomendações ótimas <3 E o mais curioso é que elas escolheram O MESMO livro para indicar para vocês – o Beleza Perdida, da Amy Harmon -, acreditam? Mas não tem problema, o blog é democrático e vamos aproveitar para ler as opiniões das duas sobre a mesma obra :)

elesrecomendam-4Amanda Ferreira (@mandy_itbook)
“Você age como se a beleza fosse a única coisa que nos faz dignos de amor.” O que dizer desse livro… Bom, eu sei exatamente o que dizer! Incrível, sensível e maravilhoso são algumas das palavras que o descrevem tão bem.
Conhecemos dois adolescentes que possuem o perfil para algo já visto, no entanto Amy Harmon foi ousada e trouxe algo novo e encantador, não somente no quesito romance. Beleza Perdida é o tipo de livro que não se espera muito, mas no final das contas se recebe tudo. Uma história linda e delicada sobre amizade, família e amor incondicional, seja ele entre namorados ou amigos. A primeira vez li em e-book a segunda o físico, aproveitando para marcar todas as partes maravilhosas, que não são poucas. Minha dica é leiam, leiam e leiam! Querem conhecer algo profundo e emocionante, essa é a história perfeita. Sem contar a capa maravilhosa que não tem como não amar.

Laura Fernandes (@insta_reading)
Beleza Perdida foi uma grata surpresa pra mim… O livro conta a história de Ambrose Young, dono de uma beleza estonteante. Tão belo, que parecia inatingível aos olhos de Fern, que sempre foi apaixonada por ele… Mas isso foi até a guerra mudar completamente a sua vida… Amy Harmon, definitivamente, tem o dom da escrita e sabe como envolver o leitor. Beleza Perdida é, pra mim, um dos melhores livros do gênero “new adult”. É  lindo e suave, fala de amor, amizade, perdas, preconceito, superação. É um livro com personagens apaixonantes e a escrita da autora permitiu acompanhar e sentir o crescimento de cada um deles. Altamente recomendado! Ah, e não deixem de reparar nos títulos dos capítulos!

Mais recomendações aqui :)

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Eles recomendam!

Outubro chegou e o Eles recomendam! também. Neste mês, conto com as participações da Ana, da Karina e da Priscila, além da minha convidada especial, a Brenda Bellani! Fiquei especialmente feliz com as indicações deste mês porque, coincidentemente, a Ana e a Brenda indicaram livros (um que já li e amei e outro que ainda está na lista de leituras futuras) de uma das minhas autoras favoritas, a Lionel Shriver! Além disso, a Ká recomendou Tampa, que eu também adoro e super indico! Então, vamos lá :)

IMG_7594Ana PerriconeO Mundo Pós-Aniversário, Lionel Shriver
Meu primeiro contato com a Lionel: O Mundo Pós-Aniversário. Certamente não será o único, pois, após finalizar a leitura, fiquei extremamente ansiosa para ler Precisamos falar sobre o Kevin. Irina, Lawrence, Ramsey e você (sim, você, leitor, irá pensar muito ao ler esse livro) são personagens envolventes que protagonizam a história, cada um com seu drama pessoal. Instigante, curioso e reflexivo, a autora elabora, ao longo da narrativa, realidades paralelas construídas a partir de um mesmo acontecimento. Se você vive se perguntando “como seria minha vida se eu não tivesse feito aquilo no passado? Se houvesse dito não, estaria onde estou agora?”, esse será um livro necessário para eliminar de vez essas e outras questões da cabeça. Isso porque Lionel traz a reflexão de que não adianta analisar todos os aspectos da nossa vida, no decorrer das ações, não haverá outras respostas. E mesmo se houvesse – como é o caso do livro – não importa, não é mais possível voltar atrás. “O momento é tudo”.

Karina QuerozTampa, Alissa Nutting
Tampa é um livro que provoca choque na pessoa que o lê, do começo ao fim, principalmente porque ele é baseado numa história real. O início já é bem impactante e não é uma leitura para qualquer um. Tampa fala sobre uma jovem professora que sente atração por meninos que acabaram de entrar na adolescência. O desejo dela é por garotos que ainda não tenham pelos no corpo ou engrossado a voz, muito menos desenvolvido músculos. Se você não consegue lidar com a narrativa que conta como uma mulher seduz seus alunos, enquanto se esconde sob a fachada de uma mulher em um casamento perfeito, Tampa não é para você. Se você não gosta de cenas de sexo bem descritivas, definitivamente ele não é para você. Porém, se você não liga para essas coisas e se sente atraído pela complexidade perversa e doentia da mente humana, Tampa é um livro ótimo! A história é chocante, engraçada e absurda, sobretudo por ser real; e a leitura é muito rápida, já que uma vez que você começa, não quer parar até descobrir o desfecho.

Priscila BritoO Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas
Muitas pessoas possuem dificuldades em ler livros antigos. Entendo quem não tem ânimo devido à diferença na língua (não tem como comparar um livro escrito no século 18 com um contemporâneo), já que a mesma não é imutável, e nem todos têm saco de tentar acompanhar um diálogo ferino cheio de formalidades pertence a determinadas épocas (“Peço para que se retire do recinto, senhor mentecapto! Ou lhe quebro a cara!” não parece uma ofensa tão terrível nos dias de hoje). Por outro lado, sabemos que muitos dos chamados “clássicos” não possuem esta denominação à toa, e O Conde de Monte Cristo não foge à regra. A obra escrita por Alexandre Dumas (o ilustre pai, não o filho) é um proto-épico que mostra a vida de Edmond Dantès, um jovem francês honesto e trabalhador que é vítima da inveja e ciúmes de outras pessoas que conseguem colocá-lo na cadeia mesmo ele sendo inocente. Catorze anos depois, Dantès foge de forma magistral e decide se vingar de todos os que o prejudicaram e a ajudar os poucos que ainda lhe foram fiéis: resolveu agir ao mesmo tempo como um anjo aplicando bênçãos e um demônio aplicando punições. Muito além de como a vingança pode destruir a vida de alguém, Dumas reflete sobre a situação política na França da época (o livro foi publicado entre 1844 e 1846) e sobre como no meio de tanta maldade e sofrimento, o homem, imperfeito por ser humano, pode sim encontrar a paz. As quase 1.000 páginas e a linguagem rebuscada podem assustar, mas garanto que será uma leitura inesquecível!

CONVIDADA ESPECIAL :)
A Brenda é mais uma bookaholic que tive o prazer de “conhecer” via Instagram! Além de sempre compartilhar fotos ótimas e dicas incríveis no Insta, ela também tem um blog – o Sobre Livros e Traduções –, onde posta resenhas, sempre com alguma observação sobre a tradução da obra! Eu já sabia que a Brenda iria recomendar algo bacana, mas fiquei muito feliz quando soube que ela havia escolhido Tempo é dinheiro, um livro que ainda não li de uma das minhas autoras favoritas, a Lionel Shriver.

IMG_7596Brenda BellaniTempo é dinheiro, Lionel Shriver
Bastou apenas um livro para Lionel Shriver se tornar uma das minhas escritoras preferidas – Precisamos Falar Sobre o Kevin, o mais famoso dela. Mas Tempo é Dinheiro mexeu bem mais comigo! O livro começa com a pergunta: “O que pôr na bagagem para o resto da sua vida?”. O objetivo de Shep é largar tudo, mudar-se para um país do terceiro mundo e começar a sua Outra Vida com a pequena fortuna que economizou ao longo dos anos. Quando está, finalmente, prestes a colocar seu sonho em prática, sua esposa, Glynis, descobre que está com um câncer muito raro. Tempo é Dinheiro tem todos os elementos que fazem das obras de Shriver tão marcantes: personagens odiosos, cativantes, outros dignos de pena, mas todos totalmente realísticos; uma sinceridade desconcertante; e temas que fazem pensar na vida e em nossas relações em família, em sociedade, com nosso corpo… Porque livro bom é aquele que mexe com a gente, mesmo que seja para sentir angústia ou raiva. E a Shriver é mestre neste aspecto. Em Tempo é Dinheiro, você acompanha uma queda vertiginosa e degradante morro abaixo para depois a autora restaurar a fé na humanidade. Definitivamente, uma das minhas melhores leituras de 2015. A escolha do título original da obra, So much for that, foi, inclusive, tema de um texto da autora muito interessante em sua coluna no The Guardian sobre mulheres no meio editorial.

Agradeço mais uma vez às meninas pela participação e, em especial, à Brenda, minha convidada da vez! Espero que vocês gostem das sugestões tanto quanto eu :)

Eles recomendam!

Agosto voou e cá estamos com as recomendações para setembro! Como sempre, conto com a colaboração das minhas fiéis escudeiras Ana, Angela, Karina, Priscila e Rafaela, além da minha convidada especial, que, neste mês, é a querida Bruna Aguiar, do blog Chez B.! Das indicações das meninas, só li – e reforço a recomendação – Nós, do David Nicholls, e sempre curti a capa de A Verdade Sobre o Caso de Harry Quebert, mas nunca havia parado para ler a sinopse. Bom, vamos ao que interessa!

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Ana Carolina Perricone – NósDavid Nicholls
Nós
vai além da história de um casamento em crise e traz reflexões importantes sobre coragem, compaixão e amor – no caso – o amor de casal. Algumas questões há muito me intrigam e martelaram em minha cabeça durante a leitura: há como amar o companheiro e a relação construída sem excluir a possibilidade de amar o companheiro e não amar mais essa relação? E ainda: amar a relação e não amar mais o companheiro? Talvez estejamos condicionados a acreditar que um amor está restrito ao outro ou, por vezes, falta força para aceitarmos quando algo não está funcionando mais. O livro aborda o tema de maneira suave e do ponto de vista do marido. Encarei isso como estratégia para compreendermos, aos poucos, que era só Douglas que ainda estava na relação. Acho possível e válido separarmos sentimentos e compreendermos que relacionamentos e indivíduos são delicados e complexos demais para generalizações.

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Angela DiasOuro, Chris Cleave
Iniciar uma leitura sem esperar nada dela é bom. Ser surpreendida por ela exceder expectativas que não existiam é melhor ainda. Confuso? Um pouco. Não consigo expressar de outra forma a minha experiência ao ler Ouro, de Chris Cleave. O autor é conhecido pelo sucesso do seu livro Pequena Abelha, que ainda não li. Chega até a ser um fato curioso sobre mim nos últimos anos: quase nunca leio o livro mais famoso de um autor que tenha mais de um livro “novo” da minha coleção, sempre começo por um não considerado “o melhor”. Essa é a minha história com David Nicholls, que até agora não consigo amar e ainda não li o Um Dia para saber se vai rolar a química, que até agora não rolou (risos). O autor (Chris) também possui um fato curioso: em seus livros não há sinopse sobre a história de fato. Fala-se sim do que se trata mas, não dá margem para interpretações. Confuso ainda? Acho que sim (risos), mas só vendo para entender. Ouro fala sobre sacrifícios: o que estamos dispostos a sacrificar por aqueles que amamos? O quanto abrimos mão de nossos sonhos, metas e futuro para fazer com que outra pessoa seja feliz dentro de suas particularidades? A história se baseia na vida de duas amigas, uma amizade que iniciou-se um tanto conturbada em um local de pura rivalidade: nos esportes (ciclismo, para ser mais precisa). Acompanhar a história e a rotina de Kate e Zoe dentro do esporte e da vida me fez entender muito a rotina do atleta fora das competições: só sabemos da existência de um atleta se ele se mantém em glamour de conquistas e somente durante olimpíadas, campeonatos e etc., e o depois? Ninguém sabe do depois e ninguém se interessa pelo depois e acredito que isso afeta muito a vida dos atletas. A forma como a história de Kate e Zoe caminha me fez ter mais compaixão pelos esportes e pelas “pessoas” dos esportes. Me fez enxergar que por mais que pareçam somente “feitas e treinadas” para as competições, elas são seres humanos por trás de toda a “lycra” dos uniformes (no caso) e que em seu peito não há somente o peso da medalha, há o peso de sentimentos. É um livro muito bom. Gostei muito e gostaria de que todos que lessem tivessem o mesmo prazer de ler que eu tive.

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Karina Queroz – Is everyone hanging out without me?Mindy Kaling
Talvez vocês já tenham ouvido o nome da Mindy por aí. Ela é uma comediante americana e tem sua própria série: The Mindy Project. Além disso, atuou e foi roteirista do The Office. Em Is everyone hanging out without me?, Mindy nos conta sobre sua vida e carreira com todo o bom humor que ela tem a oferecer. Ela consegue fazer piada com tudo, inclusive com ela mesma. O melhor é que Mindy não se esforça para isso, você percebe que fazer piada é parte de quem ela é, é natural. Sendo assim, o livro é cheio de tiradas engraçadíssimas e com as quais a gente se identifica, afinal a Mindy é gente como a gente, super autêntica e humilde. Para quem curte The Office, tem um capítulo inteiro falando da série e como foi a empreitada da Mindy até chegar lá. Is everyone hanging out without me? é um livro super fluido e ótimo para passar o tempo, se divertir, rir de verdade e ainda refletir sobre nossas escolhas na vida.

Priscila BritoAtonement (Reparação), Ian McEwan
Nós cometemos muitos erros ao longo da vida. Quando pensamos neles, geralmente nos referimos aos erros de julgamento, falta de iniciativa para tomar decisões, entre outros. Há também aquelas besteirinhas que fazemos quando crianças e que o tempo apaga por muitos anos, mas que às vezes voltam à nossa mente do nada e nos fazem até sorrir. Em Atonement, acompanhamos um desses erros cometidos na infância e as suas consequências pelas décadas seguintes. A obra de Ian McEwan explora as motivações infantis de um ato que se estende por muitos anos e resulta na mudança radical da vida de diversas pessoas, além da forma como as pessoas prejudicadas reagem a ele. O autor não julga a personagem principal, que vive em um estado constante de culpa e vontade de expiar o seu pecado (daí o título do livro em português, Reparação), e o que realmente nos absorve neste livro é a riqueza com a qual diversos microassuntos são abordados no meio do caos, como a guerra e a arte de escrever. São justamente essas mudanças de foco que indicam o que já sabemos: que a vida sempre continua, e que se o que fizemos no passado, com ou sem intenção de ferir, não pode mais ser desfeito, talvez haja alguma possibilidade de amenizar tudo. Ou de pelo menos fazer a vida valer a pena ser vivida, de qualquer forma.

Rafaela Gomes – Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie
Poderia falar que Americanah é apenas mais um livro que aborda o racismo. Sim, poderia. Mas Americanah é muito mais do que apenas mais um livro. Nele vamos acompanhar a jovem Ifemelu, uma blogueira nigeriana que irá retratar sua experiência nos EUA e também o seu retorno para sua cidade natal, Lagos. O romance inicia mostrando um panorama da família de Ifemelu e a sociedade em que vivem. Somos apresentados também a Obinze, o jovem com quem Ifemelu teve um relacionamento na juventude e com quem irá partilhar a narrativa do livro. Misturando o passado com o presente, assim como alguns posts do blog da protagonista, Chimamanda irá abordar temas como racismo, noção de sujeito, feminismo e muitos outros, mostrando a capacidade de falar sobre diversos tópicos de maneira simples, sem ser pedante. Assim, vemos a habilidade que Chimamanda teve de colocar a história de amor como pano de fundo do que realmente importa no enredo. E não se assuste com a quantidade de páginas, garanto que a escrita é tão boa que você sequer percebe. E aqui vai mais um motivo pelo qual você deveria dar uma chance para esse livro: ele vai te tirar da sua zona de conforto, que basicamente sempre são os livros de autores norte americano ou europeu. Dê uma chance para uma obra africana, vamos nos permitir :D

CONVIDADA ESPECIAL :)
Conheci a Bru lá em 2010, quando nós duas tínhamos blogs sobre moda e beleza. Demos um tempo na vida de blogueira, mas, como nos adicionamos nas redes sociais, sempre mantivemos o contato de alguma forma. Há algum tempo, voltamos à blogosfera e a Bru é uma super parceira, recomendando o Além do Livro sempre que possível lá no Chez B., que, aliás, é incrível e vale a visita!

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Bruna Aguiar – A Verdade Sobre o Caso Harry QuebertJoël Dicker
Comprei A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert de presente para o meu marido, já que se trata de um suspense policial, gênero que ele adora e eu nem tanto. Porém, após devorar o livro freneticamente, ele fez coro com mais duas amigas minhas, na insistência de que eu deveria lê-lo a todo custo! Meio contrariada, mas muito curiosa, encarei a leitura e… amei! O livro conta a história do grande escritor Marcus Goldman que, num período de bloqueio criativo, sai de Nova York rumo à Aurora, uma pequena e pacata cidade no interior de New Hampshire, onde vive seu amigo e mestre Harry Quebert. Lá, descobre que 33 anos antes, o admirado Harry, aos 34 anos, relacionou-se secretamente com Nola, uma garota de 15 anos. Naquele período, Nola desapareceu sem deixar rastros. Entretanto, seus restos mortais são encontrados enterrados no jardim de Harry, motivo pelo qual ele passa a ser acusado de assassinato. Intrigado, Marcus inicia uma grande investigação sobre o caso, a fim de desvendar o grande mistério sobre o assassinato da jovem. Com enredo fácil e fluido, A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert é daqueles livros que nos prendem do começo ao fim, instigando o leitor desde os primeiros capítulos e mantendo o ritmo até o surpreendente final. Super indico!

Super me interessei por Ouro e já coloquei A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert na wishlist. E vocês?

Mais recomendações aqui :)

Eles recomendam!

Há quase dois anos, recomendo centenas e centenas de livros por aqui e, outro dia, pensando em novos conteúdos para o blog, tive a ideia de pedir para meus amigos leitores me ajudarem nessa tarefa! Convidei a Ana Carolina Perricone e a Angela Dias, duas fofas que conheci no Instagram por causa da literatura e que migraram para o meu “mundo real”, e minhas companheiras de vida e de longa data, Karina Queroz, Priscila Brito e Rafaela Gomes. Também pensei que seria legal contar com uma participação especial e, para a estreia, convidei a Julia G, do Conjunto da Obra. Minha ideia é que o Eles recomendam! vá ao ar no primeiro dia útil de cada mês, sempre repleto de sugestões incríveis de leitura – assim, expandimos ainda mais nossos horizontes e, de quebra, eu ainda roubo algumas recomendações também, hehe <3

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Ana Carolina Perricone – Saga Harry Potter, J. K. Rowling
História de bruxo? Passo! Esse foi meu pensamento na época em que Harry Potter virou sucesso e único assunto na escola. Aos 12 anos meu interesse por leitura era mínimo e certamente não imaginava que quinze anos depois iria devorar os livros e ter minha primeira ressaca literária. Levei quatro meses para concluir a leitura dos sete volumes e confesso que várias vezes quis ler devagarinho para adiar o fim. Mas quem consegue frear uma boa leitura? Fico imaginando a angústia de quem precisou esperar a disponibilidade dos lançamentos em português.  Hoje não tenho vergonha de assumir minha paixão tardia pela história. E agora posso compreender esse montão de gente viciada em HP. Não foi à toa que o bruxo fez tanto sucesso; a história é envolvente, divertida, criativa e cativante. Gente! Deem uma chance ao Harry! (Ao Hagrid, Dumbledore, Dobby, Hermione, Rony, Snape, Sirius… rs).

IMG_5456Angela Dias – O Segredo do Meu Marido, Liane Moriarty
Todos temos segredos… Alguns maiores, outros menores, alguns sem perigos e outros altamente destruidores. Fico extremamente fissurada quando consigo identificar no livro algo real, algo que eu sinta que pode acontecer com qualquer um ao meu redor, ou até mesmo, comigo. Estava com esse livro há muuuito tempo na minha fila de espera e sempre criei expectativas sobre ele, expectativas estas que foram bem atendidas e até superadas. Comecei a leitura já folheando sempre uma página à frente para tentar adiantar o segredo (curiosa MASTER) e, quando cheguei na bendita página, céus, não larguei. Enredo maravilhoso, personagens maravilhosos. Adoro livros que tem um monte de personagens meio que entrelaçados e soltos, hahahaha, é divertida a dificuldade inicial de decorar quem é quem e mais legal ainda é quando você já sabe e se identifica no amor ou no ódio com algum. Posso dizer que dos poucos livros que li nesse ano (buáááá, quero e pretendo aumentar a lista), O Segredo do Meu Marido está ali no primeiro lugar! A-M-E-I e estou ansiosíssima para babados, confusões e gritarias de Pequenas Grandes Mentiras.

IMG_5458Karina Queroz Feita de Fumaça e Osso, Laini Taylor
Feita de Fumaça e Osso conta a história de Karou, uma misteriosa garota de cabelo azul que vive em Praga. Ninguém sabe sua origem, ou conhece sua família. O problema é que nem ela mesma conhece esses detalhes sobre sua vida. Adoro literatura fantástica, mas ultimamente estava saturada com enredos mais do mesmo, entendem? Então demorei a pegar nesse livro com medo de mais uma frustração. Ah, se eu soubesse… Valeu super a pena! Fui surpreendida por essa história e todo o universo criado pela autora: muito rico em detalhes e diferente de tudo que já tinha lido. Mais que recomendado para os fãs de fantasia, seres místicos e um bom romance!

Priscila BritoA Solidão dos Números Primos, Paolo Giordano
Vamos imaginar duas pessoas que estão sempre próximas, mas que invariavelmente possuem uma parede de vidro bem fina entre elas. Conforme os anos passam, elas vão tentando se entrelaçar, mas há sempre um pequeno contraponto que as impede. Em A Solidão dos Números Primos, conhecemos Alice e Mattia, duas crianças que possuem um momento do passado que as transforma de maneira definitiva para o futuro. O autor Paolo Giordano consegue mesclar muito bem as personalidades conflitantes das duas personagens principais e tornar a narrativa muito sublime, mesmo que esta também seja excessivamente triste. No entanto, em meio a toda essa tristeza e melancolia tão silenciosas (e com as quais é inevitável se identificar), ainda há alguns lampejos de luz e felicidade que fazem valer a pena a leitura desse maravilhoso livro. Recomendo a todos que gostam de narrativas delicadas e poéticas que tratam de assuntos bastante pesados : )

Rafaela IMG_5457Gomes Amar, verbo intransitivo – Idílio, Mário de Andrade
Amar, verbo intransitivo é um romance que conta a relação de Elza “Fraülein” com a família paulistana burguesa Sousa Costa, tendo como o primogênito Carlos, objeto de seus ensinamentos, já que Fraülein foi contratada para educar e iniciar o jovem nas relações amorosas, mas se fazendo passar por professora de alemão e piano para mascarar sua verdadeira missão na família. Por que você deveria ler esse livro? Poderia listar diversos motivos que levaria mais que uma página, mas vou me ater aos principais: a desconstrução da família tradicional burguesa; a presença da personagem feminina desmistificando a marginalização da mulher na sociedade; a linguagem totalmente coloquial que foge dos tediosos clássicos da literatura nacional; e por último, mas não menos importante: porque eu tenho quase certeza que você fugiu dos clássicos na escola, mas esse, te garanto, vale totalmente a pena.

CONVIDADA ESPECIAL :)

A Julia G, do Conjunto da Obra, é minha colega de blogosfera há uns 5 anos e, desde então, blogando ou não, acompanho o trabalho dela. Por isso, pensei que ela seria a pessoa perfeita para ser minha primeira convidada especial :)

JuliaIMG_5459 G – Filme Noturno, Marisha Pessl
Em 2015, felizmente, fiz muitas boas leituras. Dentre aquelas que posso classificar como ótimas, Filme Noturno foi uma das que mais me agradou. O livro é todo construído com reportagens, e-mails, páginas de internet e outros elementos que complementam a narração de uma forma dinâmica e tão crível que era quase como se aqueles personagens realmente existissem. Tudo isso, somado ao mistério, que é o elemento chave do enredo, fez as mais de 600 páginas do livro parecerem poucas, de tão envolvida que fiquei com a história. Cheguei a sonhar com o livro. Talvez a história e o final possam não ser exatamente incríveis, mas a forma como a autora conseguiu mexer com minha imaginação fez com que eu gostasse de Filme Noturno mais do que gostei de qualquer outro livro em muito tempo.

Obrigada às meninas que me enviaram fotos e recomendações incríveis <3 E espero que gostem das sugestões!