Sobre Os 13 porquês

Vou começar esse post com uma confissão.

Sempre me interessei por livros que abordam suicídio, e acho extremamente importante tratar do tema, principalmente entre os adolescentes. Então, quando descobri Os 13 porquês, automaticamente adicionei-a à minha lista de leituras. Acontece que, há uns 4 anos, era praticamente impossível encontrar o livro nas livrarias – e, na internet, era caro demais! Por isso, demorei para lê-lo, o que apenas aumentou minhas expectativas. No fim de 2014, decidi acabar com o suspense e comprei o e-book em inglês. E a conclusão? Me decepcionei.

E foi por isso que, admito, torci o nariz para a série da Netflix antes mesmo de assisti-la. Vi os dois primeiros episódios, que não me agradaram, e pensei seriamente em desistir. Cheguei até a escrever um post falando sobre o que tanto me incomoda na história de Hannah Baker. Mas eu sabia que não conseguiria publicá-lo sem terminar de assistir à adaptação da obra de Jay Asher. Sem sentir que eu realmente tenho alguma propriedade pra fazê-lo. E fico feliz em dizer que, 13 porquês depois, estou aqui editando a primeira versão deste post.

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Semana Especial Dia Internacional da Mulher: sobre Jojo Moyes

Para o segundo dia da semana especial Dia Internacional da Mulher, escolhi falar sobre Jojo Moyes. A princípio, pode parecer que a autora é especialista em romances água com açúcar, no melhor estilo chick lit. E, em partes, é verdade. No entanto, os livros de Jojo vão muito além – como descobri logo na primeira obra que li dela, o maravilhoso A Última Carta de Amor.

Mais do que histórias DE amor, a autora cria histórias SOBRE o amor. E, assim, suas tramas se tornam lições valiosas, que retratam a força e a essência do amor verdadeiro sem serem românticas ou açucaradas demais. Para isso, Jojo lança mão de dilemas complicados, enredos paralelos, roteiros originais e muita contextualização – muitas vezes, até social e política.

Mas o que realmente me conquistou na obra de Jojo é como ela é capaz de mostrar que o amor torna as mulheres mais fracas e vulneráveis e, ao mesmo tempo, mais fortes e resistentes. Como a força do amor muitas vezes não destrói barreiras, mas constrói formas de contorná-las. O que quero dizer é que Jojo não escreve histórias em troca de suspiros vazios. Ela cria personagens e situações que nos fazer enxergar o amor como algo complicado, doloroso, uma faca de dois gumes. E exatamente por isso, real, possível e altamente desejável.

selo2016

Semana Especial Dia Internacional da Mulher: sobre Elena Ferrante e Lionel Shriver

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, a Intrínseca convidou os parceiros para participar de mais uma semana especial <3 E para celebrar em grande estilo, nada melhor do que falar um pouco sobre as autoras incríveis que são publicadas pela editora! Escolhi quatro nomes e, para começar, vamos falar sobre Elena Ferrante e Lionel Shriver.

Embora tenha que estar em um estado de espírito específico para ler Lionel, ela é, provavelmente, a autora mais genial que já tive o prazer de ler. Meu primeiro livro dela foi Precisamos falar sobre o Kevin, que já seria genial se fosse “apenas” uma história sobre um adolescente que decide protagonizar mais um massacre escolar nos Estados Unidos. No entanto, porque é Lionel é Lionel, decidiu transformá-lo em muito mais do que isso.

Entre muitas qualidades, o que mais me chamou a atenção em Precisamos falar sobre o Kevin foi a forma como a autora abordou a maternidade. Especialmente o lado difícil, frustrante, excruciante e doloroso.  E, por mais cruel que Eva Katchadourian possa parecer ao se revelar ao leitor, é praticamente impossível julgá-la por seus piores pensamentos e sentimentos. Porque Lionel fez Eva não apenas honesta e verdadeira, mas extremamente real. A maioria das mães não terá um filho psicopata e criminoso. Mas provavelmente todas irão se sentir, em algum momento, em algum grau, exatamente como Eva. E Lionel nos faz entender que tudo bem, que faz parte. Que a maternidade, como todas as outras coisas na vida, não tem só o lado bom. E, principalmente, que o lado ruim pode ser BEM ruim.

Elena Ferrante é um nome novo na minha biblioteca pessoal, mas já de grande prestígio. Da autora, li apenas A Filha Perdida, que, embora tenha seu próprio estilo e seus próprios méritos, me fez lembrar bastante da maneira como Lionel fala sobre maternidade. Na trama, Elena conta a história de Leda, uma professora bem-sucedida que se vê “livre” de suas filhas já adultas e decide tirar férias no litoral italiano. E se Eva Katchadourian acaba “se redimindo” como mãe com Celia, Leda realmente parece não ter a maternidade dentro de si. A professora é uma personagem cheia de segredos e peculiaridades, mas propõe uma discussão interessante: será que todas as mulheres nasceram para ser mães? Será que a maternidade é um dom, um talento? Talvez seja e, em um momento em que as mulheres lutam para redefinir seu papel no mundo, vale demais refletir sobre o assunto – dentro e fora de si.

A capacidade de retratar a maternidade com honestidade brutal é, provavelmente, um dos grandes destaques das obras de Elena e Lionel. No entanto, as autoras também merecem destaque por criarem personagens femininas tão fortes e donas de si. Excêntricas e muitas vezes até egoístas, sim, mas extremamente notáveis por não terem pudor em mostrar quem são.

selo2016

Sobre Colleen Hoover

Minha história com Colleen Hoover começou em 2013, quando a Karina, do Cotidiano Aleatório, me falou sobre Métrica. Sem saber exatamente do que se tratava (como sempre), comecei a leitura, e acabei devorando o livro e me apaixonando. Apesar de ter achado a história um pouquinho dramática demais, lembro de ter me identificado bastante com as questões de Layken e com a relação dela com Will. E foi por isso que Métrica (ao lado da sequência, Pausa) se tornou tão especial para mim e me fez querer ler tudo de Colleen Hoover.

E então veio Um Caso Perdido (e Sem Esperança), com Holder (amor eterno <3) e Sky abalando completamente as minhas estruturas. Novamente, achei que a autora exagerou um pouco na dose de drama (sério, eles demoram praticamente o livro todo pra dar UM beijo). Mas, além de ter gostado bastante da história, adorei a forma como CoHo explorou um assunto-tabu com responsabilidade, ao mesmo tempo em que manteve a “aura” Young Adult do livro.

Depois, no final de 2014, veio o  O Lado Feio do Amor, em que Colleen mostra todo o seu talento para a literatura erótica. Como não sou fã do gênero, fiquei um pouco incomodada com o excesso de detalhes. Mas também admito que a autora soube mesclar cenas (BEM) quentes com uma trama bem amarrada e toques surpreendentes. Ou seja, agradou a gregos e troianos. Devorei o livro e me emocionei tanto, mas tanto, que foi aí que a autora se tornou uma das minhas preferidas EVER.

Mas, então, tudo começou a desmoronar. Talvez porque eu tenha decido fazer uma maratona das obras de CoHo, praticamente emendando um livro no outro. O seguinte foi Talvez um dia, que, mais uma vez, me irritou um pouco com o excesso de drama. No entanto, é preciso ressaltar que a autora foi muito corajosa ao criar Ridge (não vou ser específica para não dar spoiler), fazendo com que a intensidade da história tivesse certa justificativa. O problema, nesse caso, foi que não me identifiquei nem um pouco com os personagens. Então, os elementos que me incomodaram nos livros anteriores me irritaram muito mais nesse.

Never Never: Part One, que Colleen assina com Tarryn Fisher, foi uma experiência intrigante e a trilogia tinha tudo para ser interessante. Mas, no segundo e terceiro livros, a história degringolou e perdeu o rumo. A conclusão a que cheguei é que ela poderia ter sido melhor aproveitada se não tivessem insistido em dividi-la em três partes. Uma pena!

E, enfim, chegou o momento em que meu amor por Colleen Hoover entrou em óbito: Confess. Meu Deus, que história clichê, que personagens chatos, que melação desnecessária!! O que realmente me incomodou na trama (além dos protagonistas, haha!) foi o exagero de tragédia, drama e mistério. A autora quis tanto manter o suspense em torno do acontecimento central do livro, que, em muitos momentos, a leitura perde o propósito. Ao longo da história, Auburn e Owen (chatooos!) acumulam problemas e mais problemas. E, no final, tchanam: tudo se resolve de maneira mágica! Resultado: peguei “bode irreversível” de CoHo.

Ainda é difícil entender como Colleen Hoover foi de deusa, diva, maravilhosa a uma autora de quem eu não pretendo ler mais nenhum livro na vida. A verdade, nua e crua, é que eu realmente não gostei de apenas um livro de CoHo. Mas, por algum motivo, foi o suficiente para me desanimar completamente em relação às outras obras da autora.

E toda vez que alguém posta uma foto no Instagram, morrendo de amores pela Colleen, eu lembro que gostaria muito de escrever esse post. Não para criar polêmica ou “julgar” quem gosta da autora. Cada um gosta do que gosta, e não tem por que discutir. Mas acho que eu queria desabafar (é muito triste passar a detestar um autor que amamos, táááá?) e saber se alguém já passou pela mesma situação.

Sobre Alucinadamente Feliz, de Jenny Lawson

Não sou de abandonar leituras, pois sempre acabo me perguntando se o livro iria melhorar ou, na pior das hipóteses, curto falar mal das obras com propriedade (hahaha!). Mas, ao mesmo tempo, sou a favor de que ler seja um hobby, um prazer, e não uma obrigação ou cobrança. Por isso, quando uma leitura não flui de jeito nenhum, abandono (quase) sem dó. Em 2016, porém, havia terminado todos os livros que comecei e estava muito orgulhosa – sempre largo alguns durante o ano. Até que comecei Alucinadamente Feliz.

Só vi elogios ao livro de Jenny Lawson, então, nem passou pela minha cabeça que a leitura poderia não me agradar. Jenny sofre de depressão, ansiedade, distúrbio de automutilação, transtornos de personalidade e despersonalização e tricotilomania. E, no livro autobiográfico, ela mostra como decidiu lidar com todas essas condições mentais: vivendo de maneira alucinadamente feliz. Então, além dos comentários positivos, fui atraída também pela sinopse e premissa da obra, já que me interesso bastante por transtornos mentais e gosto quando os tratam de maneira honesta. No entanto, mesmo assim, a leitura não me agradou e eu me vi obrigada a abandoná-la.

Não sei dizer o que exatamente deu errado. Quando comecei Alucinadamente Feliz, li umas 50 páginas rapidinho e estava achando o livro super divertido, apesar da temática. De repente, empaquei de uma maneira irritante e não conseguia sair do lugar por nada – e não era por falta de tempo ou vontade de ler. Foi quando parei de rir das piada de Jenny e comecei a achá-las forçadas demais. Eu amo humor negro/ácido, mas não conseguia encontrar uma maneira de me identificar com as piadas da autora.Então, resolvi me render e desisti.

De novo, não sei o que deu errado. Então, não estou aqui para fazer ninguém desistir da leitura e, sim, para compartilhar a minha experiência com o livro. Como disse antes, Alucinadamente Feliz recebeu muitos elogios, inclusive de gente que tem opiniões parecidas com as minhas. Então, até pretendo retomar a leitura e ver no que dá. Mas, por enquanto, a obra de Jenny Lawson é apenas a única leitura abandonada de 2016 :(

Título original: Furiously Happy
Editora: Intrínseca
Autor: Jenny Lawson
Ano: 2015
Páginas: 352

selo2016

Como foi reler Mentirosos?

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Mentirosos foi uma das obras mais comentadas de 2014 e, até hoje, surpreende leitores por aí. Eu comprei o livro pela capa (não sei como, porque ela é feia, haha!) e o li um pouco antes do “boom”. Por isso, não sabia o que esperar e fui completamente surpreendida! Me encantei tanto por tudo – a trama, a forma como ela se desenvolve, a atmosfera, a escrita de E. Lockhart… -, que quis reler a obra já no ano passado. No entanto, com tantas histórias na fila, acabou não dando tempo. Mas de 2016 não passou!

O principal motivo para reler Mentirosos era tentar enxergar em que pontos eu poderia ter sacado a trama. Quando li o livro de E. Lockhart pela primeira vez, fiquei tão desmaiada no final, que cheguei a pensar que tinha deixado algo passar. Mas, com a releitura, cheguei à conclusão de que a autora construiu a história tão bem, que é possível tanto adivinhar o desfecho, quanto ser totalmente pego de surpresa. Isso porque, ao longo da trama, ela dá várias dicas do que está por vir. Mas é tudo tão sutil e certeiro e sua escrita é tão envolvente, que é totalmente compreensível ser surpreendido pelo final!

Outra coisa que me encantou em Mentirosos foi o estilo de E. Lockhart. A escrita da autora é leve, moderna e elegante, mas, ao mesmo tempo, tem um toque lírico, que a torna sensível e sutil como poucas. Amo as analogias e metáforas, que não apenas enriquecem a história, como também contribuem para a criação da atmosfera única da ilha de Bechwood e, por consequência, da história. E, embora nunca tenha esquecido dessas características de E. Lockhart, foi uma delícia redescobri-las e saborá-las novamente!

A grande novidade da releitura de Mentirosos foi “analisar” a obra em comparação a O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks, também de E. Lockhart. E, embora os dois livros sejam bem diferentes, também têm muitos pontos em comum. Alguns, eu notei quando os li pela primeira vez. Mas, agora, ficou ainda mais claro a consciência travestida de rebeldia que tanto Frankie, quanto Cadence, Gat, Mirren e Johnny têm. E o quanto todos eles  estavam dispostos a mudar o mundo, ainda que apenas o deles.

 

3 anos de Além do Livro <3

Eu queria ter mudado o layout do blog para comemorar os 3 anos de vida do Além do Livro (dá pra acreditar que já faz tudo isso??). E também queria fazer uma foto especial para esse dia, por isso, tive que esperar o fim de semana e não consegui postar na data certinha, que é 4 de novembro. Estou contando isso para dizer que tocar o blog não é fácil! Ler os livros, assistir às adaptações e escrever os posts são tarefas que exigem tempo e dedicação. E, por mais gostosas que sejam, é difícil conciliá-las com o trabalho, a vida pessoal, a academia e todas as outras coisas que gosto e preciso fazer. E quer saber? É exatamente isso que torna esse espaço ainda mais especial e importante para mim!

Desde 2003, eu tive incontáveis blogs, projetos e ideias. Alguns até que duraram, enquanto outros nunca saíram do papel. O Além do Livro nasceu como o depósito de resenhas que ficavam nos meus rascunhos do e-mail e eu nunca tive a pretensão de que ele fosse muito mais do que isso. Pra ser sincera, achava que seria apenas mais um para a minha lista de blogs abandonados. Bom, 3 anos se passaram e estou aqui para provar que, dessa vez, a história foi diferente!

Não canso de dizer que, por meio do blog e do Instagram, conheci muitas pessoas legais, que compartilham comigo a paixão pelos livros e que se tornaram parte do meu dia a dia. Também tive oportunidades e recompensas incríveis que nunca imaginei que teria. E nunca deixo de me surpreender com o quanto isso tudo é divertido e maravilhoso! Cada vez que alguém diz que leu um livro porque eu indiquei ou me pede recomendações de leitura, fico feliz como se fosse a primeira vez. Porque é a prova de que, ainda que seja aos pouquinhos, consigo espalhar por aí um pouco do meu amor pela literatura.

E é por tudo isso que o Além do Livro é mais do que um blog para mim. É meu universo particular e também o meu lugar no mundo. Obrigada por fazer parte dele <3

Ps: para comemorar a data, vamos ter dois sorteios super legais no Instagram :) Fiquem de olho!