Resenha de Conto de Fadas – Stephen King

Charlie Reade é um adolescente como outro qualquer, mas seu passado nem sempre foi fácil. Ainda criança, ele perdeu a mãe em um trágico acidente. Logo depois, precisou cuidar de suas próprias feridas e também do pai, que, enlutado, sucumbiu ao alcoolismo. Sete anos mais tarde, a vida de Charlie parece estar nos eixos. E é quando ele salva a vida de Howard Bowditch, o vizinho desagradável que vive isolado na casa no topo da colina.

Ainda que contra a vontade do Sr. Bowditch, Charlie assume o papel de seu cuidador. E, aos poucos, nasce uma amizade inesperada, não apenas com o vizinho, mas também com Radar, sua cadela e fiel escudeira. Não demora, porém, para que o garoto comece a desconfiar que seu novo e, muitas vezes, desagradável amigo guarda um grande segredo. E é assim que ele se depara com um portal para outro mundo.

Desde o título, Stephen King não deixa dúvidas sobre suas intenções com o novo livro: criar seu próprio conto de fadas. E é exatamente o que ele faz! Com inúmeras referências a clássicos, como O Mágico de Oz e as obras dos Irmãos Grimm, a história combina perfeitamente os elementos que definem o gênero com a originalidade e o estilo inconfundível do autor.

Charlie é um personagem a quem é fácil se apegar, o que contribui muito para que a trama nos fisgue de primeira! Muitas vezes, King parece reunir duas histórias diferentes em um único livro – como em Outsider e Billy Summers -, e Conto de Fadas faz parte desse grupo. A “primeira parte” nos apresenta aos personagens e ao portal, e me lembrou bastante Novembro de 63. Já na “segunda”, mergulhamos de vez no universo fantástico criado pelo autor. Confesso que tive dificuldade de visualizar todos os elementos, mas também admito a minha falta de costume com histórias do gênero.

Com amizades e heróis improváveis, ingredientes que King adora, a história de Charlie é também uma luta entre o bem e o mal – e é impressionante como o autor sempre consegue reinventar esse embate. Entre gigantes, princesas, sereias e anões, King faz paralelos com questões atuais e, sem esforço, nos mostra a realidade dentro da ficção. Por tudo isso, não é exagero dizer que Conto de Fadas é uma aventura épica. Mas o que a torna realmente fantástica é o poder de nos fazer olhar para o que existe de mágico aqui mesmo, no mundo em que vivemos.

Título original: Fairy Tale
Editora: Suma
Autor: Stephen King
Tradução: Regiane Winarski
Publicação original: 2022

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