Sobre Stranger Things 4

Três anos de expectativas acumuladas e teorias que acabaram em apenas 3 dias. E é verdade que a 4ª temporada de Stranger Things não se tornou a minha favorita. Mas foi o suficiente para que a longa espera tenha valido a pena.

Um dos pilares de Stranger Things, o coming of age ganhou destaque na 3ª temporada e também dá o tom aos primeiros episódios da 4ª. Principalmente com Will, Mike e Eleven, a série retrata o quanto é desafiador lidar com as mudanças que o amadurecimento traz. Mas mostra também que, assim como muitas coisas se transformam, outras permanecem sempre as mesmas.

ST faz inúmeras referências à obra de Stephen King, e Eleven sempre foi uma das mais óbvias – uma combinação entre Carrie e A Incendiária. No entanto, com o bullying em evidência ao longo de todos os episódios da 4ª temporada, a relação com o livro de estreia do autor fica ainda mais forte. O arco da personagem, aliás, está incrível. É interessante vê-la enfrentando problemas de uma “garota normal”, mas que também se relacionam com o seu passado. E há ainda o embate “monstro x heroína”, presente desde a 1ª temporada e mais forte do que nunca na 4ª.

Nancy segue com um dos melhores desenvolvimentos de ST. Gosto muito de como a série mostra que o desaparecimento de Barb ainda a assombra e motiva muitas de suas atitudes. Já com Max, vemos o luto, a culpa e o trauma, de uma maneira que funciona muito bem para a trama. E sempre indo além da estética dos anos 1980 e se preocupando em, de fato, recriar a época, a série ainda mostra como os jogos e o ocultismo eram automaticamente considerados os causadores de crimes e assassinatos.

As referências, é claro, continuam (para mim, as mais marcantes foram O Silêncio dos Inocentes e Poltergeist), mas já faz tempo que ST se tornou algo único e original. A criação de vários núcleos talvez fosse inevitável, pela quantidade de personagens que a série já coleciona. Mas o foco fica, definitivamente, com a turma de Steve e Dustin, enquanto o trio Mike, Jonathan e Will decepciona pelo pouquíssimo tempo de tela. Cenas muito emocionantes acontecem no núcleo da Rússia, mas senti que o roteiro estendeu tanto essa parte da história, que a tornou cansativa em alguns momentos.

A mais trevosa e também a mais violenta, a 4ª temporada de ST conta com um vilão que leva tudo a outro patamar – tanto dentro da trama, quanto em sua construção. Os pontos altos são o 4º episódio, cujo desfecho, ao som de Running up that hill, resgata a verdadeira essência da história (e na minha opinião, já é uma das cenas mais icônicas da série); e o 7º, que amarra muitas pontas, mas também solta outras – e de maneiras surpreendentes, porém muito bem construídas.

Agora, é segurar o fôlego até o dia 1 de julho, quando a Netflix libera os dois episódios restantes da 4ª temporada. Até lá, fica a certeza de que algumas coisas realmente nunca mudam – e a forma como ST me encanta é uma delas.

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