Resenha de Gente Ansiosa – Fredrik Backman

Um assalto a banco. Uma visita a um apartamento à venda. E uma situação de reféns. Esse é o ponto de partida de Gente ansiosa.

A mais recente obra de Fredrik Backman foi uma das mais comentadas e elogiadas de 2021. Por achar que era exatamente o meu estilo de leitura, a minha expectativa era amar. E eu gostei do livro, principalmente pela originalidade, mas ele passou longe de se tornar um favorito.

Acredito que a minha principal dificuldade com Gente ansiosa tenha sido o senso de humor. Entendo que é o estilo de Backman e que é a proposta da obra. No entanto, achei que, em doses um pouco exageradas, as piadas acabaram me distanciando dos personagens – os interrogatórios foram o meu maior incômodo. Sei que a situação irreal é proposital e faz parte da premissa. Mas, para mim, tais trechos ficaram escrachados demais.

Outro ponto que comprometeu a minha experiência foi a tradução. Vocês sabem que ressalto a importância dos tradutores sempre que posso, então, a intenção não é criticar o trabalho de ninguém. No entanto, um detalhe (que seria spoiler se eu explicasse) acabou atrapalhando um pouco a minha leitura. Não é nada absurdo ou que nos faça gostar ou não do livro. Mas acredito que, se tivesse sido feito de outra forma, o impacto da história teria sido maior para mim.

Agora, vamos aos pontos altos de Gente ansiosa. Gostei muito de como Backman inseriu questões de classe e gênero na trama, assim como aspectos específicos da sociedade sueca. E claro, adorei a maneira como a história realmente capta as ansiedades de cada personagem, e as diferentes formas como elas se manifestam. O arco de desenvolvimento de Zara me conquistou e, mesmo sabendo que não seria possível desenvolver todos da mesma forma, gostaria de ter visto um pouco mais de cada um.

A Netflix adaptou Gente ansiosa em uma minissérie, e confesso que a história funcionou melhor para mim nesse formato – inclusive o humor. Me conectei com os personagens, ri e chorei. É verdade que muitas mudanças aconteceram, mas, na minha opinião, a essência da trama ficou ainda mais evidente: o ser humano é difícil, porém, mesmo entre nossas ansiedades e angústias, encontramos espaço para acolher a dor do outro, se assim quisermos. E essa, talvez, seja a maior generosidade de que somos capazes.

Título original: Folk med ångest
Editora: Rocco
Autor: Fredrik Backman
Tradução: Maira Parula
Publicação original: 2019

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