Resenha de Isso que a gente chama de amor – Maurene Goo

Desi Lee acredita que, para conseguir o que quer, basta montar um plano e segui-lo à risca. Foi assim que ela se tornou uma aluna brilhante e uma grande atleta. Mas, quando o assunto é amor, a garota é uma verdadeira colecionadora de desastres!

Quando Luca chega à escola, a conexão entre eles parece ser instantânea. Então, para conquistá-lo de vez, Desi decide estabelecer um passo a passo, baseado nas novelas coreanas em que seu pai é viciado. Mas será que tudo pode ser conquistado por meio de um bom plano?

No ano passado, li Um lugar só nosso, também de Maurene Goo, e adorei, o que me deixou com expectativas de ao menos gostar de Isso que a gente chama de amor. Porém, não vou mentir: cheguei muito perto de detestar a história de Desi. Não existe outro adjetivo para definir a protagonista que não seja “obcecada”. Ela demonstra tal comportamento com tudo, desde o início da trama, mas consegue piorar quando Luca surge na história.

Desi é descendente de coreanos, o que não ganha muito destaque na trama – a não ser com as comidas e os k-dramas. Isso não seria um problema, o porém é que, com a preocupação de Desi em ser boa em tudo, a autora acaba, de certa forma, reforçando estereótipos e o conceito de minoria modelo.

Órfã de mãe, Desi tem uma relação bem próxima com o pai, o que teria tudo para aquecer o nosso coração. Mas, como ele permite que a personagem faça tudo o que bem entende, não foi o que aconteceu para mim. A ausência da mãe também não foi um ponto bem explorado. Não acho que era uma obrigatoriedade, o problema é que a questão parece ser abordada apenas para contextualizar o comportamento injustificável de Desi.

Agora, vamos ao que realmente me revoltou em Isso que a gente chama de amor: o famigerado passo a passo baseado nos k-dramas. Eu poderia relevar se a lista fosse apenas irreal. Mas me incomodou bastante a mensagem que as atitudes de Desi transmitem – ainda mais em se tratando de um livro young adult.

Afinal, não existem receitas prontas para nada na vida – e aí você pensa que é exatamente o que a trama irá mostrar. Mas não. Desi é o tipo de protagonista que não aprende com os erros e os personagens secundários, além de mal desenvolvidos, servem apenas para patrocinar os absurdos que ela inventa. Esperei que Isso que a gente chama de amor pudesse se redimir no final. No entanto, o desfecho apenas confirmou os meus incômodos ao longo da leitura.

Título original: I believe in a thing called love
Editora: Seguinte
Autora: Maurene Goo
Tradução: Lígia Azevedo
Publicação original: 2017

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s