Resenha de Belo mundo, onde você está? – Sally Rooney

Eu estava pronta para amar Belo mundo, onde você está. Mas não foi o que aconteceu.

Alice é escritora e, quando se muda para uma pequena cidade na costa da Irlanda, conhece Felix pelo Tinder. Não se pode dizer que foi amor à primeira vista, mas os dois parecem encontrar uma conexão inegável. Em Dublin, Eileen trabalha em uma revista literária e enfrenta duas saudades: da melhor amiga, que se mudou para o litoral irlandês; e do ex-namorado, com quem terminou há pouco tempo. É quando ela volta a flertar com Simon, um amigo de longa data.

Cada um à sua maneira, Pessoas normais e Conversas entre amigos capturam muito bem a essência do que é estar na faixa dos 20 e 30 anos hoje em dia. E por isso eu me sentia pronta para amar o novo livro de Sally Rooney. Talvez, a culpa tenha sido das expectativas, que eu tive dificuldade de controlar depois de me apaixonar por Pessoas normais. Mas fato é que Belo mundo, onde você está não foi exatamente o que eu esperava.

Alice e Eileen compartilham vários questionamentos, reflexões e dilemas comigo, e com várias pessoas da minha idade que conheço. Ainda assim, não consegui me conectar a elas. Como sempre digo, não acho que se afeiçoar aos protagonistas seja imprescindível para gostar de um livro. No entanto, para algumas obras, faz toda a diferença – e acho que é o caso de Belo mundo, onde você está.

Rooney sempre recorre a personagens de certa forma caricatos para traduzir a “essência de uma geração”, digamos assim. Em seus livros anteriores, acertou em cheio na dose. Já em Belo mundo, achei um pouco exagerado. Outro ponto que me incomodou foi o fato de que a autora parece sempre submeter suas protagonistas a situações abusivas. Sei que é algo real e que deve ser retratado. Mas acontece nas três obras da escritora, e de formas bastante similares.

Como em Conversas entre amigos, Belo mundo, onde você está parece nos transportar para as conversas que temos em mesas de bar. As discussões sobre temas como política e o futuro soam reais porque são reais, em alguma medida. Gosto muito de como a autora sempre nos faz refletir sobre oportunidades, especialmente as ligadas a questões de classe, do ponto de vista do privilegiado, mostrando que todos podemos e devemos pensar sobre isso.

Belo mundo, onde você está é uma história sobre a longa e árdua jornada de se tornar alguém, e mostra como as nossas relações interpessoais impactam essa transformação. E o livro cumpre muito bem o papel de fazer tal dissecação. Só não funcionou para mim.

Título original: Beautiful world, where are you
Editora: Companhia das Letras
Autora: Sally Rooney
Tradução: Débora Landsberg
Publicação original: 2021

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