Resenha de O Exorcismo da Minha Melhor Amiga – Grady Hendrix

Uma história sobre exorcismo? Sim. Mas também sobre amizade.

Abby e Gretchen não se conheceram na melhor das situações. Mas, contrariando as probabilidades, as duas logo se tornam melhores amigas. Quando chegam ao Ensino Médio, porém, tudo se transforma: após um episódio traumático, Gretchen começa a agir de maneira estranhamente inexplicável. Depois de esgotar inúmeras possibilidades, Abby chega à única conclusão possível – a garota está possuída por um demônio. Ela não tem ideia de como irá salvar a melhor amiga, mas sabe que não vai desistir até conseguir.

Assim que bati os os olhos no título e na capa no melhor estilo anos 1980, eu soube que precisava ler O Exorcismo da Minha Melhor Amiga. Mas, honestamente, não esperava nada mais do que uma leitura que combinasse o terror e o humor. E sim, a obra de Grady Hendrix segue pelos dois caminhos, em doses ideias, diga-se de passagem. Mas também vai além.

Se, ao ver a capa, você pensou em Stranger Things, saiba que a associação faz todo sentido. Porque, assim como a série, o livro não se contenta em apenas evocar a atmosfera dos anos 1980, mas se preocupa em recriar o contexto social da época. Hendrix não chega a se aprofundar em nenhum assunto, mas pincela temas como machismo e retrata o falso moralismo. Também aborda o satanismo e ocultismo, então considerados os únicos causadores de inúmeros problemas do mundo.

Já as questões de classe são, de certa forma, um dos pilares da história, já que a família de Abby se encontra em uma situação financeira vulnerável, enquanto todas as suas amigas vêm de famílias ricas. E o fato de ser bolsista acaba tornando Abby descartável para a escola, que parece estar muito mais preocupada com as doações do que com o bem-estar dos alunos.

“Mas dá medo?”, foi a pergunta que mais me fizeram. E minha resposta oficial é: senti mais nojo, já que o livro recorre ao horror escatológico em alguns momentos. No entanto, se você assistiu a O Exorcista, é provável que as cenas mais clássicas do filme acabem povoando sua mente durante a leitura, consequentemente, potencializando o medo.

Eu sei que pode parecer estranho, mas o desfecho de O Exorcismo da Minha Melhor Amiga quase me fez chorar ao mostrar que a está naquilo que realmente amamos. É nisso que acreditamos verdadeiramente e isso é o que pode nos salvar – inclusive, é aí que o autor explora as inúmeras referências aos clássicos dos anos 1980 de maneira genial.

E como falei no início, O Exorcismo da Minha Melhor Amiga é, antes de mais nada, uma história de amizade. Hendrix retrata como o passar dos anos transforma as relações que, em nossa inocência, acreditávamos ser para sempre. Mas também nos deixa um lembrete: algumas podem durar uma vida, sim. E, por fim, é claro que dificilmente um de nós precisará exorcizar o melhor amigo (assim espero). Mas, em um plano metafórico, a questão é: quando o mundo parece pesado demais, com quem você pode contar para lidar com os seus demônios?

Título original: My Best Friend’s Exorcism
Editora: Intrínseca
Autor: Grady Hendrix
Tradução: Edmundo Barreiros
Publicação original: 2016

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