Resenha de Garotas em chamas – C. J. Tudor

Mártires queimados, duas adolescentes desaparecidas, um reverendo suicida… E essa é apenas uma parte da estranha história da pequena cidade de Chapel Croft.

Depois de tudo que aconteceu, Jack Brooks precisa de um recomeço. Por isso, aceita se tornar a nova vigária de Chapel Croft, para onde se muda com Flo, sua filha adolescente. No entanto, as boas-vindas, em forma de um kit de exorcismo acompanhado de um bilhete anônimo ameaçador, já dão uma amostra do que será a vida das duas por lá. Em busca de respostas, mãe e filha encontram novas perguntas, além de muitos segredos e fantasmas – em todas as suas formas.

Não poderia falar sobre Garotas em chamas sem compartilhar mais uma vez a minha relação com C. J. Tudor. Tudo começou em 2018, quando li O Homem de Giz. As expectativas estavam altas e acabei me decepcionando um pouco, pelas semelhanças com It, a coisa e também pelas muitas pontas soltas. Depois, veio O que aconteceu com Annie, em que as similaridades com um livro de Stephen King passaram um pouco dos limites, na minha opinião – a autora é fã do escritor. E então, veio As outras pessoas, que não se tornou um favorito, mas se revelou o livro mais original de C. J. até então.

Garotas em chamas parece potencializar todos os pontos altos do trabalho da autora. A escrita fluida e envolvente encontra uma trama muito bem construída e surpreendente – mas ainda possível, dentro da proposta do livro. Os diálogos, que me incomodaram um pouco em Annie pelo excesso de frases de efeito, ainda não são os meus preferidos, mas soaram muito mais reais. E com cenas bem gráficas e outras fantasmagóricas, não deixa nada a desejar no quesito terror.

Gostei muito de como C. J. propôs reflexões sobre fé, explorando o conceito para além da questão religiosa. Garotas em chamas também aborda temas atuais e pertinentes, principalmente o machismo, tanto nos dias de hoje, quanto ao longo da história da Igreja Católica. As referências, principalmente a King, mas não só a ele, estão presentes, de maneira direta e indireta. No entanto, achei que, dessa vez, foram realmente referências, e apenas isso.

Inegavelmente dark, bem-construído e repleto de reviravoltas, Garotas em chamas é, com certeza, o melhor livro de C. J. Tudor até aqui.

Título original: The Burning Girls
Editora: Intrínseca
Autora: C. J. Tudor
Tradução: Regiane Winarski
Publicação original: 2021

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