Resenha de Rose Madder – Stephen King

Ao se casar com Norman Daniels, Rose McClendon não imaginava que viveria em uma prisão por longos 14 anos. Mas foi o que aconteceu, pois logo ele revelou seu lado violento, cruel e perverso – ou seria apenas sua verdadeira personalidade? No entanto, tudo começa a mudar no dia em que Rose decide fugir. Ela sabe que, em algum momento, terá que enfrentar a fúria do marido. Mas Norman não sabe que a esposa é muito mais forte do que ele pensa.

Em Rose Madder, assim como muitos outros livros de Stephen King, o terror não está em fantasmas, vampiros ou palhaços. Está na violência e nos variados tipos de abuso sofridos por Rose. E, principalmente, no fato de sabermos que a história da protagonista não é apenas ficção para tantas mulheres mundo afora. Norman é, com toda a certeza, um dos piores vilões já criados, e não apenas por King. Além de agressor, o marido de Rose é racista, machista, misógino, homofóbico, gordofóbico, e a lista não para por aí. E, mais uma vez, o pior defeito de Norman é justamente existir em tantos homens na vida real.

Acredito que, mesmo não tendo passado por isso, King tenha sido preciso ao retratar a mente de uma vítima de violência doméstica. Rose é uma personagem bastante complexa, que escancara os sentimentos de vergonha e, principalmente, culpa que uma mulher em tal situação pode sentir – ainda que não deva. E também mostra o quanto sair de um relacionamento abusivo não é tão simples quanto muitos acreditam.

Como de costume, King não abre mão do sobrenatural e confesso que, em Rose Madder, gostei muito mais da “parte real” da história – talvez seja culpa do famigerado capítulo 6. Mas não dá para negar que o autor usa a fantasia sombria e, desta vez, a mitologia grega, para criar mais uma história assustadoramente real. E é importante lembrar que, em 1995, quando o livro foi lançado, temas como relacionamento abusivo e violência doméstica não eram discutidos como hoje.

Sem “homens salvadores” e exaltando a força das mulheres, individual e coletivamente, Rose Madder traz uma metáfora poderosa ao que a violência doméstica faz com suas vítimas. E foi doloroso acompanhar todas as violações absurdas pelas quais Rose passou, mas também foi redentor vê-la desabrochar e se libertar.

*Contém gatilho de violência doméstica e sexual

Título original: Rose Madder
Editora: Suma
Autor: Stephen King
Tradução: Myriam Campello
Publicação original: 1995

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