Resenha de A Biblioteca da Meia-Noite – Matt Haig

Nora Seed não vê motivos para continuar existindo. Aos 35 anos, ela coleciona arrependimentos e sente que transformou suas muitas possibilidades em fracassos. Quando se vê na biblioteca da meia-noite, Nora tem a chance de viver as vidas em que fez escolhas completamente diferentes. E essa jornada inusitada traz respostas, sim, mas também novas perguntas.

A Biblioteca da Meia-Noite foi um dos livros mais intensos e reflexivos que li nos últimos tempos. Com a irresistível premissa de realidades paralelas e multiverso, a história fantástica de Nora nos faz pensar sobre o inevitável “e se…?”, mas também evidencia o quanto romantizamos tudo o que não fizemos, tivemos ou fomos.

Ao conhecer as muitas versões de Nora, enxergamos o quanto seus arrependimentos a aprisionaram em sua “vida raiz”. Vemos também a forma como as expectativas que os outros tinham sobre ela a impediram de acessar seus verdadeiros anseios. E por mais que as situações sejam diferentes da nossa própria vida, os efeitos que cada realidade têm sobre Nora também se aplicam a cada um de nós. Porque, como Matt Haig nos mostra, tudo é uma questão de percepção e perspectiva.

Em A Biblioteca da Meia-Noite, o autor também nos desafia a repensar os conceitos de sucesso e perfeição. Por que os perseguimos tanto se, na verdade, nem sabemos exatamente o que são? Também explora o que há de mais humano: a busca por razões para tudo o que acontece – ou deixa de acontecer – em nossas vidas. É claro que atribuir significado às nossas experiências é importante. Mas, muitas vezes, precisamos apenas viver, sem tentar entender.

Apesar do tom melancólico, A Biblioteca da Meia-Noite é um livro positivo, que celebra a infinidade de possibilidades e potencial que cada um de nós carrega e a “grande importância das coisas pequenas”. Afinal, os acontecimentos grandiosos deixam marcas profundas em nossas lembranças. Mas são as pequenezas que damos, recebemos e vivemos que realmente constroem a nossa essência. E eu acredito que seja isso que faça a vida valer a pena: o que fomos, acima de tudo, e não o que tivemos ou fizemos.

*Contém gatilhos de suicídio de depressão

Título original: The Midnight Library
Editora: TAG Inéditos (edição comercial pela Bertrand Brasil)
Autor: Matt Haig
Tradução: Adriana Fidalgo
Publicação original: 2020

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