Resenha de Cova 312 – Daniela Arbex

Oi, gente! Aqui é a Lari (@bloglariteratura), tendo a alegria de resenhar este livro aqui no blog da Ná. Espero que gostem!

Bom, já quero começar dizendo que admiro muito a Daniela Arbex, autora de Cova 312. Para mim, ela faz exatamente o que todo jornalista deveria fazer, mas quase nenhum faz: não descansar enquanto não encontra a verdade.

É honrando sua profissão que, neste livro, Daniela aliviou não só a dor de uma família, mas encontrou respostas que os guerrilheiros da Serra do Caparaó (primeiro grupo de guerrilha após o golpe de 1964) buscavam há muitos anos, além de desmascarar diversos farsantes do período da Ditadura Militar no Brasil.

Com uma narrativa fluida na maior parte do tempo, Arbex nos apresenta a história de muitos personagens, alguns dispostos a usarem suas próprias palavras, outros que não possuem mais o luxo que é estar vivo.

Tudo começou em 2002, quando a jornalista se deparou com uma notícia sobre a Comissão Estadual de Indenização às Vítimas da Tortura e, como sempre teve paixão pela área de Direitos Humanos, achou que estava mais do que na hora de escrever sobre esse período sombrio da história de nosso país.

Fiquei surpresa ao descobrir que a Penitenciária de Linhares, localizada em Juiz de Fora, minha cidade natal, foi lugar de passagem (e também destino final) para presos políticos.

Daniela inicia seu trabalho focando no guerrilheiro Milton Soares de Castro, de 26 anos, nascido em Rio Grande do Sul e declarado morto na Penitenciária de Linhares, em 1967. Causa da morte? Suicídio. Mas… Cadê o corpo?

A família nunca o recebeu.

De repente, não é mais só sobre Milton. É sobre cada membro da resistência à Ditadura Militar Brasileira. Sobre todos que não abaixaram a cabeça. Sobre os que lutaram, mesmo que significasse traumas e cicatrizes que durariam para sempre.

Encarando mais mentiras do que verdades, acompanhamos Daniela contornar obstáculos cada vez maiores à medida que vai se aproximando de seu objetivo ao iniciar essa investigação. Nos deparamos com torturas que parecem mentira. Daquelas de livro de terror, sabe? Porque não é possível que faziam mesmo isso com as pessoas, tão pouco tempo atrás.

Mais que um memorial tardio para Milton, este livro é uma homenagem a verdade. É um exemplo palpável das conquistas que uma profissional da comunicação pode alcançar fazendo um trabalho sério e, acima de tudo, respeitoso. Essas flores são para Milton Soares de Castro, enterrado na Cova 312, uma sepultura rasa, como as designadas a um indigente.

Aqui, faço eco das palavras de Daniela Arbex ao final do livro:

Milton Soares de Castro – PRESENTE!

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