Resenha de O Conto da Aia – Margaret Atwood

Os Estados Unidos agora atendem pelo nome de Gilead, onde universidades, jornais, revistas, livros e filmes não existem mais. Onde a liberdade está em extinção, assim como os direitos das mulheres. Nesta nova república, cada mulher pertence a uma categoria, em que é obrigada pelo Estado a desempenhar uma função específica. Offred é uma aia, e sua obrigação é única e exclusivamente a de procriar.

Eu estaria mentindo se dissesse que O Conto da Aia foi exatamente o que eu esperava. Como experiência de leitura, não foi tão agradável quanto eu imaginava: demorei um pouco para engrenar e a narrativa não-linear da protagonista me deixou confusa por um bom tempo. No entanto, eu também esperava uma história incômoda, daquelas que nos fazem questionar o mundo ao nosso redor. E isso, com certeza eu encontrei.

Publicada em 1985, a obra de Margaret Atwood se tornou um clássico distópico e foi a vencedora do Arthur C. Clarke Award. À frente de seu tempo, propôs discussões sobre temas que não eram tão discutidos como são hoje em dia – como igualdade de gênero, feminismo, direitos civis e orientação sexual. E por isso, é e acredito que ainda será por muito tempo um livro necessário e atemporal.

Como toda distopiaO Conto da Aia leva problemáticas já existentes a um extremo. E Atwood, conhecida pelo seu envolvimento com a causa feminista, optou por criar um universo que fere completamente a existência das mulheres, em diversos aspectos. É desumano, cruel e doloroso. E o tom quase casual da narrativa de Offred só torna tudo ainda mais assustador. Porque mostra o quanto os absurdos desta realidade já fazem parte da vida destas mulheres.

Então, não se engane. Não sinta alívio pelo fato de que a realidade de O Conto da Aia não se tornou a nossa. Lembre-se de que ainda existem milhões de mulheres vivendo sob diferentes tipos e graus de opressão. Lembre-se que, talvez, não tenhamos chegado à situação de Gilead na vida real porque lutamos e continuamos lutando – e sempre lutaremos, pois a capacidade que a humanidade tem de retroceder é assustadora.

A luta continua.

Título original: The Handmaid’s Tale
Autora: 
Margaret Atwood
Tradutora: Ana Deiró
Editora: Rocco
Publicação original: 1985

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