Resenha de Até onde houver luzes – Alexsandro Piva

A vida de Nathan era como a de qualquer outro adolescente. Até o momento em que ela se tornou algo completamente diferente. Seus pais morreram em um acidente de carro, deixando-o sozinho para lidar com um enorme segredo que haviam acabado de revelar. A partir de então, Nathan enfrenta não apenas as angústias típicas da adolescência, como também questões muito mais complexas e dolorosas.

Narrado em formato de diário, Até onde houver luzes é o tipo de livro que já começa despejando revelações e acontecimentos sobre nós – talvez, em uma alusão à situação que o próprio protagonista enfrenta. A dor da perda e da descoberta é o foco das primeiras páginas, trazendo uma forte carga emocional para a leitura. No entanto, o ponto alto é o fato de que Alexsandro Piva confronta Nathan, e também os leitores, com um fato incontestável, mas que muitos fingimos não ver: nossos pais também cometem erros.

Aos poucos, a densidade da história dá lugar à certa leveza, e a dor da perda fica em segundo plano. O foco passa a ser as novas amizades de Nathan, que, indiretamente, o ajudam a elaborar a perda dos pais e o peso do segredo revelado por eles. E assim, o livro se torna também uma história sobre coming of age e o que perdemos e ganhamos quando crescemos.

Por mais que Até onde houver luzes reforce sempre a importância dos amigos para Nathan, gostaria que o autor tivesse se aprofundado mais na construção dessas relações – principalmente com Bruna. As interações entre Nathan e David também poderiam ter sido mais exploradas, assim como a questão do luto em si.  E talvez por ter sentido falta desses aspectos, eu tenha achado o desfecho da trama um pouco corrido.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção em Até onde houver luzes foi a relação de Nathan com sua banda favorita, o Coldplay. A minha é The Killers, vocês sabem, mas a sensação de encontrar não apenas respostas, como também as perguntas certas na música sempre foi muito presente para mim também. Então, pego emprestadas as palavras de Talk, do Coldplay, para resumir a história de Nathan:

“Are you lost or incomplete?
Do you feel like a puzzle, you can’t find your missing piece?
Tell me, how do you feel?
Well, I feel like they’re talking in a language I don’t speak
And they’re talking it to me”

Autor: Alexsandro Piva
Ano: 2015

*parceria paga com Alexsandro Piva

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