Resenha de Belas Adormecidas – Stephen King e Owen King

O que seria do mundo que conhecemos sem as mulheres? E como seria iniciar um novo mundo sem os homens?

Duas perguntas que nos acompanham durante toda a leitura de Belas Adormecidas. No livro assinado por Stephen King em parceria com o filho Owen King, acompanhamos a chegada da Aurora, uma doença misteriosa que afeta apenas as mulheres, à cidade de Dooling. Quando elas dormem, não acordam mais e seus rostos e corpos são envolvidos por uma espécie de casulo. Se despertadas, se tornam violentas e, descontroladas, chegam a matar.

Menos Evie. A  enigmática Evie é imune aos efeitos da Aurora. Pode dormir e acordar quando quiser. E enquanto lutam para controlar o caos e trazer suas esposas, mães e filhas de volta, os homens da cidade tentam descobrir o que Evie é: uma maldição ou a salvação?

King pai e King filho partiram de uma premissa interessante e promissora para criar uma história surpreendente em todos os sentidos. Porém,  mais do que intrigante, Belas Adormecidas é atual e inteligente. É o tipo de livro para saborear e ler nas entrelinhas.

As analogias e paralelos que a história traz são extremamente pertinentes. Afinal, na trama, as mulheres estão literalmente adormecidas, mas será que muitas não se sentem assim, metaforicamente falando, também na realidade? Presas em seus casulos, elas são silenciadas e seus corpos e destinos ficam à mercê dos outros – especialmente dos homens. Alguém se identifica?

Stephen e Owen King ainda abordam diversas formas de machismo, tanto do ponto de vista masculino, quanto do feminino. Trabalham (ironicamente, acredito eu) com estereótipos que povoam não só o mundo real, como também a ficção. E mostram a falta de credibilidade que automaticamente acompanha as mulheres, provocando o leitor com uma série de situações que fazem refletir e repensar.

Ou seja, Belas Adormecidas é fantasia, sim. Mas fantasia dentro da realidade, assim como é realidade dentro da fantasia.

Título original: Sleeping Beauties
Autor: 
Stephen King
Tradutor: Regiane Winarski
Editora: Suma
Ano: 2017

 

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