Resenha de Vitorianas macabras – Várias autoras

Não restam dúvidas de que as mulheres foram oprimidas de diferentes maneiras ao longo dos séculos. Ainda hoje, o cenário não é o ideal. A diferença é que, cada vez mais, lutamos pela igualdade de gêneros e buscamos também reparar o passado da forma que podemos. E este é o intuito de Vitorianas Macabras.

Organizado por Marcia Heloisa, tradutora e doutora em Literatura Comparada, o livro reúne 13 contos de terror assinados por autoras da Era Vitoriana. Autoras estas que foram, muitas vezes, subjugadas pelo simples fato de não serem do sexo masculino. Mas nunca desistiram.

E ainda bem! Porque elas sabiam muito bem como criar atmosferas sombrias e tramas intrigantes, que, definitivamente, são capazes de nos causar arrepios. Melancolia, casas mal assombradas, mistérios indecifráveis e, claro, mortes são os ingredientes que compõem a maioria das histórias. Mas é incrível como cada uma delas segue por caminhos particulares!

Para mim, uma das melhores partes de Vitorianas Macabras foi, enfim, entrar em contato com a escrita de autoras amplamente conhecidas, como Charlotte Brontë (com O Espectro de Napoleão) e Elizabeth Gaskell (com O Conto da Velha Ama). Mas, claro, também adorei conhecer um pouco do trabalho de outras escritoras da época, como Louisa Baldwin, Amelia B. Edwards e Rhoda Broughton, que assinam os meus contos favoritos do livro.

Com a biografia da Rainha Vitória como ponto de partida e fio condutor, Vitorianas Macabras nos traz ainda bastante do contexto histórico e social da época. Antes do início de cada conto, também temos um breve panorama da vida de cada autora. E tudo isso nos ajuda a entender a real dimensão do impacto destas (e de outras) mulheres. Afinal, elas desafiaram padrões pré-estabelecidos pelo simples desejo de ter uma voz. Enfrentaram inúmeras barreiras para viver da escrita – e, mesmo com todas as dificuldades, conseguiram.

Então, Vitorianas Macabras é uma ótima leitura, sim. Mas, mais do que isso, é uma coletânea de inspirações e um lembrete de que nós, mulheres, devemos continuar lutando para sermos o que quisermos ser.

Autor: organização de Marcia Heloisa
Editora: Darkside Books
Ano: 2020

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