Resenha de O dia em que a morte morreu de confusão – Fernanda Sucharski Matzenbacher

Já repararam que passamos boa parte da vida lidando com a morte? Desde as formas mais óbvias e agudas, como a perda de alguém próximo ou a nossa própria mortalidade, até as mais sutis e subjetivas, como o medo do desconhecido e a busca por um sentido.

E acredito que O dia em que a morte morreu de confusão seja muito sobre isso.

No livro de Fernanda Sucharski Matzenbacher, conhecemos Átina, aprisionada por sua cangalha desde o nascimento, e Aristo, que acredita que a total liberdade é o caminho para se encontrar, e encontrar a felicidade. A  morte de Beltrano, um mendigo rejeitado pelo céu, acaba adiando uma despedida entre os dois e dando início a uma jornada em que, de certa forma, a morte dá sentido à vida e a vida dá sentido à morte.

Também conhecemos Baltazar, um artista frustrado que acabou deixando de pintar quadros para maquiar defuntos. E Florida Panihila, o quadro mais emblemático de Baltazar, que representa tanto a vida, quanto a morte, ambas em seus contrastes e dissonâncias. E assim, se forma um cenário perfeito para que os quatro personagens mergulhem nas verdades de suas existências.

O realismo fantástico permite que O dia em que a morte morreu de confusão seja livre para explorar essas verdades de maneira muito crua e profunda. Tudo nesta trama possui uma simbologia muito forte, seja na cangalha de Átina, no nome de Beltrano ou em tantos outros aspectos da obra. E isso faz com que o significado deste livro tenha muito a ver com a vivência de quem o lê. Exatamente como a morte e a vida acabam sendo para cada um de nós.

Em alguns momentos da leitura, me vi um pouco confusa pela intensidade do fluxo de consciência dos personagens. Na verdade, gostaria que O dia em que a morte morreu de confusão tivesse mais páginas, para que as reflexões propostas (e muito pertinentes, diga-se de passagem) ficassem um pouco mais diluídas.

Se você gosta de refletir sobre a vida e sobre a morte, recomendo a leitura do livro. Prepare os post-its, pois não faltam frases de efeito e que nos colocam para pensar. Para mim, a lição que fica é sobre o quanto o amor e a verdade libertam. E só a partir de então, somos livres para sermos quem quisermos e pudermos.

Título originalO dia em que a morte morreu de confusão
Autor: Fernando Sucharski Matzenbacher
Ano: 2018

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s