Resenha de Minha coisa favorita é monstro (Livro 1) – Emil Ferris

Você já parou para pensar sobre a real diferença entre monstros e humanos?

Karen Reyes é uma garota de 10 anos que adora desenhar. Em seu diário, a menina se retrata como uma “lobismoça”, e sempre deixa claro o quanto gostaria de se transformar em uma monstrinha. E é através destas páginas que acompanhamos a protagonista em sua busca pela verdade: afinal, quem matou Anka Silverberg, a sobrevivente do Holocausto que se tornou sua querida vizinha?

Não foi à toa que Emil Ferris faturou o Prêmio Eisner (o Oscar dos quadrinhos) com Minha coisa favorita é monstro. A obra é, com toda a certeza, a graphic novel mais densa e arrebatadora que já li! Mas, antes de falar sobre o livro em si, gostaria de contar um pouquinho da história da autora, porque vale a pena! Emil entrou no mundo dos quadrinhos aos 40 anos, quando perdeu o movimento das pernas e da mão direita (que usava para ilustrar) ao contrair a febre do Nilo Ocidental. Ela, então, decidiu aprender a desenhar com a mão esquerda e, mais de 15 anos depois, nos presenteou com o brilhante Minha coisa favorita é monstro.

Para das vida à história de Karen, Emil usou apenas canetas esferográficas, porque queria que o livro fosse exatamente como seus cadernos da infância. E o resultado foram ilustrações únicas e autênticas, que parecem realmente ter sido feitas à mão em cada exemplar. As referências a obras de arte, e a forma como elas se encaixam na trama, são impressionantes. O contexto histórico também não deixa a desejar, nos trazendo tanto o cenário político da Chicago dos anos 1960, quanto as atrocidades da Segunda Guerra Mundial.

É verdade, comecei a leitura querendo saber quem matou Anka. Mas, sem perceber, fui envolvida de tal maneira que a jornada foi muito mais importante do que o destino em si – até porque terminei a leitura com ainda mais perguntas, que devem ser respondidas no próximo volume. Isso porque, para além do mistério, Minha coisa favorita é monstro nos apresenta a uma protagonista extremamente cativante, que, com toda sua sabedoria pueril, nos faz lembrar das dificuldades da infância e retrata as complexidade das relações em família.

Com uma escrita condizente a uma menina de 10 anos, mas também incrivelmente sensível e sinestésica, a obra de Emil Ferris mostra que todos os humanos são um pouco monstros – principalmente quando não se aceitam em suas diferenças.

Título original: My favorite thing is monsters #1
Volume seguinte: Minha coisa favorita é monstro (Livro 2)
Autor: Emil Ferris
Editora: Quadrinhos na Cia.
Ano: 2017

Um pensamento sobre “Resenha de Minha coisa favorita é monstro (Livro 1) – Emil Ferris

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s