Sobre a série Boneca Russa

Sim, eu admito: me interessei por Boneca Russa porque a protagonista se chama Nadia – Nadia Vulvokov. E sem saber do que se tratava a série ou até mesmo o que esperar, comecei a assistir aos episódios. Eis que me deparei com uma história que é impossível não comparar com Feitiço do tempo, clássico dos anos 1990 estrelado por Bill Murray. Mas que, talvez por não ter sido desgastada pelo passar dos anos, é ainda mais intrigante.

Tudo começa na noite do aniversário de Nadia. Ao deixar sua festa, ela pensa ter visto seu gato desaparecido e, quando tenta alcançá-lo, é atropelada por um carro. Na próxima cena, estamos de volta à festa de aniversário da protagonista. E a partir daí, uma série de mortes tragicômicas com “ressurreições” idênticas mantêm Nadia presa em seu próprio Dia da Marmota.

Criada por Natasha Lyonne (que vive a protagonista), Amy Poehler e Leslye Headland, Boneca Russa traz uma combinação interessante entre humor e reflexões existenciais. No início, o lado cômico prevalece, mas, conforme os episódios passam, a série ganha novos contornos – ainda que sem deixar o humor de lado. Aos poucos, vemos a verdadeira Nadia por trás dos cabelos ruivos selvagens e da maquiagem pesada. Enxergamos seu passado e entendemos quem ela realmente é – e por quê.

Talvez, a princípio, você não goste de Nadia. Ou não se identifique com ela. E foi isso o que mais gostei em Boneca Russa. Porque é legal se inspirar em personagens heroicos enfrentando suas batalhas épicas. Mas também é muito bom acompanhar personagens que, na verdade, são pessoas exatamente como nós. A cada vez que morre e volta à sua festa de aniversário, Nadia tenta fazer algo diferente. Primeiro, para se libertar da “maldição”. Mas, depois, em uma espécie de movimento redentor.

E, sim, esse cenário também tem seu lado épico. No entanto, ao mesmo tempo, é uma analogia à nossa própria existência. Afinal, o hoje é,  muitas vezes, a repetição do ontem. E quem nunca foi dormir pensando “amanhã vai ser melhor, eu vou ser melhor”. Ou não tomou atitudes diferentes, buscando resultados diferentes, e acabou no mesmo lugar? E assim, vamos descobrindo quem realmente somos e o que existe em cada versão nossa. Exatamente como se fôssemos uma boneca russa.

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