Resenha de N. – Marc Guggenheim, Stephen King e Alex Maleev

Durante uma visita às misteriosas Terras de Ackerman, N. se depara com uma formação de pedras que lembra o lendário Stonehenge, no Reino Unido. O estranho é que a quantidade de pedras parece variar e, no centro delas, N. jura sentir uma força maligna e poderosa. A partir de então, ele não consegue parar de pensar em “números bons e ruins”, desenvolvendo um grave quadro de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). É quando N. procura o Dr. Bonsaint, dando início a um ciclo vicioso – e perigosíssimo.

No mundo ideal, eu teria lido N. (conto do livro Ao cair da noite, de Stephen King) antes da adaptação de Marc Guggehneim e Alex Maleev. Mas, em se tratando de duas paixões- graphic novel e o Rei do Terror -, a ansiedade não permitiu. Então, vou falar primeiro sobre a HQ e, quando eu ler a short story, volto para fazer a comparação.

Quem já leu Stephen King sabe que o autor não economiza detalhes, criando não apenas histórias inquietantes, como também atmosferas densas que são quase como um personagem da trama. E partindo do pressuposto que N. não foge à regra, imagino o quanto deve ter sido difícil transformar o conto em uma graphic novel, que é relativamente pequena.

No entanto, acredito que as ilustrações de Alex Maleev tenham conseguido transportar a atmosfera de N. para os quadrinhos com sucesso. Já o enredo talvez tenha deixado a desejar. Digo isso porque tive a sensação de que a história se tornou repetitiva. Por um lado, essa repetição pode ser algo bem típico de Stephen King, que adora brincar com tudo aquilo que é intrínseco ao ser humano – nesse caso, curiosidade e medo. No entanto, pode ser que esse recurso tenha funcionado melhor no conto do que na graphic novel.

Também senti falta de um desfecho mais impactante. De novo: quem já leu o Rei do Terror sabe que ele não gosta de objetividade: pelo contrário, prefere deixar o leitor bem livre para imaginar o que quiser. Mas digamos que N. fica em cima do muro e a sensação é a de que termina antes do que deveria.

Pode não parecer, mas a leitura valeu a pena. Como disse antes, só terei uma opinião melhor sobre a graphic novel depois que ler o conto. Sou fã de Stephen King, e é muito legal poder ver suas histórias em outros formatos. E, de qualquer maneira, Marc Guggenheim e Alex Maleev foram bem-sucedidos em traduzir aquilo que é mais característico do Rei do Terror: a incômoda sensação de que a trama é uma fantasia, mas todos os sentimentos que corroem os personagens são reais.

Título original: N.
Editora: DarkSide Books
Autor: Marc Guggenheim (adaptação), Stephen King (short story original) e Alex Maleev (ilustração)
Ano: 2008
Avaliação: 3,5 estrelas

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