#LivroNamanita – Parte 12

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Capítulo 42

Sarah

Passei a última noite praticamente em claro. Porque faltam apenas quatro dias para eu ir embora e eu simplesmente não sei o que fazer. Não seria exagero dizer que estou entrando em desespero. Até ontem à tarde, eu tinha certeza absoluta de que, por mais dolorido que tenha sido e que ainda vá ser, eu havia feito a coisa certa em relação ao Nicolas. No entanto, depois que encontrei o bilhete da minha mãe, algumas coisas mudaram dentro de mim e eu já não tenho mais tanta certeza sobre a minha decisão. E o pior é que talvez seja tarde para voltar atrás.

Não dá para dizer que foi amor à primeira vista, até porque eu não acredito nesse tipo de coisa. Mas eu estaria mentindo se dissesse que nada aconteceu quando vi o Nicolas naquele bar. É claro que os olhos indecisos entre o verde e o castanho e os cabelos da cor do outono foram as primeiras coisas que me chamaram a atenção. No entanto, ele não foi o primeiro homem bonito que vi na vida e, verdade seja dita, o Leo também não deixa nada a desejar neste quesito. Por isso eu sempre soube que a conexão, ou sei lá que nome se dá a isso, que eu e o Nicolas tivemos foi muito além do superficial e chegou perto do inexplicável.

Em condições normais, eu acho que não aceitaria o convite do amigo do cara com quem eu estava saindo – mesmo que eu descobrisse depois que eles nem eram tão amigos assim. Mas eu vim para Buenos Aires na tentativa não apenas de recomeçar a minha vida, mas também de encontrar uma nova Sarah. E, tudo bem, essa nova Sarah provavelmente não teria aparecido se o Nicolas não fosse tão lindo e não parecesse tão incrível. Mas ele é e parecia e, assim, foi inevitável arriscar. E depois de tudo o que aconteceu desde o dia em que eu cheguei aqui, posso dizer que aceitar aquele convite foi a melhor coisa que eu fiz. E a pior também.

Estar com o Nicolas era delicioso, não só porque nos dávamos bem, mas principalmente porque, com ele, eu não precisava pensar em como eu deveria me sentir. Era apenas deixar que as sensações tomassem conta de mim. Era livre, despretensioso, espontâneo e, exatamente por tudo isso, é que era tão real. Quando o Douglas veio me visitar, é claro que fiquei dividida, afinal, nós havíamos feito planos e promessas e só eu sei a dor que senti quando ele me deixou sozinha naquele apartamento. Mas, no fundo, que talvez nem fosse tão “no fundo” assim, eu sabia que, naquele momento, tudo o que eu era pertencia ao Nicolas e ninguém mais.

A maior ironia desse “triângulo amoroso”, no entanto, é que encontrar o Nicolas naquela noite foi fundamental para que eu entendesse que a minha história com o Douglas já havia chegado ao fim, antes mesmo da nossa última briga. E, ao mesmo tempo em que a vinda do Douglas a Buenos Aires quase arruinou o que eu e o Nic tínhamos, depois, acabou fazendo com que eu me abrisse para o Nicolas e compartilhasse com ele (quase) todos os meus problemas e inseguranças. E quando ele simplesmente entendeu o que eu fiz, me perdoou, me escutou e me aceitou, como se toda a minha bagagem fosse leve e simples, eu entendi que ser sozinho nessa vida é a única opção para algumas pessoas. Mas, para mim, não é e não precisa ser.  E, meu Deus, como isso é assustador.

Eu sei que isso tudo parece uma grande estupidez da minha parte, e é provável que realmente seja. Mas a verdade, por mais idiota que possa ser, é que seria muito mais fácil não apenas me entregar, mas confiar no que eu e o Nicolas temos, se tudo não fosse tão… errado. Se eu fosse uma romântica incorrigível, eu usaria a palavra “perfeito”, mas eu sei que o que temos não é perfeito e é exatamente isso o que nos torna não apenas reais, mas também mais fortes. Porque ele entende de onde eu venho e o que eu carrego e, talvez ele ainda não tenha descoberto como lidar com a minha complexidade, mas ele sabe que ela existe e a ama simplesmente por fazer parte de mim. E são exatamente todas essas coisas boas que me impedem de deixar o meu orgulho e a minha covardia de lado e voltar atrás, admitir que me arrependi e pedir que ele me perdoe mais uma vez. Elas me impedem de me permitir viver essa história, sem me importar com como e quando e se tudo isso vai acabar. Porque se eu perdê-lo, eu vou perder mais um pedaço de mim, mais um pedaço que eu nunca vou recuperar. E, sinceramente, eu acho que não poderia suportar.

Meu desespero aumenta a cada segundo que passa, e não é mais porque eu tenho dúvidas. É justamente porque sei o que eu quero. E o que eu quero é desviar o meu caminho do café e ir para o apartamento do Nicolas. Mas o meu lado racional não para de me dizer que é sensato, e não covarde, não assumir riscos quando eu sei que não posso suportar as consequências deles. Quando eu tenho a certeza de que a melhor opção é ser forte o suficiente agora para me poupar do sofrimento depois, eu escuto barulhos altos e metálicos e fico confusa porque estou na calçada, mas alguns carros também estão. Então, eu tento correr, mesmo sem saber o porquê, mas, antes que eu possa entender, sou jogada para o lado com muita força e sinto algo duro e pesado cair sobre a minha cabeça. E a última coisa que eu me lembro de pensar é que, talvez, não haja mais depois com que me preocupar.

43

Nicolas

É oficial. Como se já não bastasse ter me apaixonado, quando o que eu mais queria era manter distância de todas as mulheres, estou sofrendo. Não do jeito que os homens sofrem nos filmes, com latas e mais latas de cerveja vazias e caixinhas com sobras de comida chinesa sobre a bagunçada mesa de centro da sala, com a barba por fazer e o cabelo desgrenhado. Calma, eu ainda tenho dignidade. Mas, mesmo quando tenho coisas importantes para fazer, me flagro distraído, pensando no que eu poderia ter feito para evitar que a Sarah surtasse. Eu achei que, por ela já ter passado por tantas coisas na vida, o melhor seria fazê-la se sentir segura ao meu lado. Mas, talvez, eu tenha me precipitado e a tenha assustado. Quando eu disse que a amava, eu só quis me manter fiel ao nosso trato de não fazer joguinhos, só que agora eu me arrependo por ter dito as três palavras que toda mulher quer ouvir. Não porque não seja verdade. Porra, é muito mais verdade do que eu gostaria de admitir. Mas eu acho que a Sarah não é como a maioria das mulheres – ou das pessoas, em geral.

A Sarah tem um senso de humor inteligente e sabe rir de si mesma. Ela também tem uma das minhas qualidades preferidas, a perspicácia, bem diferente da Débora e da maioria das garotas com quem me envolvi. Falar que gosto dos olhos verdes e dos cabelos loiros da Sarah seria redundância porque, com certeza, são as primeiras coisas que encantam a maioria. Mas talvez nem todos saibam que os olhos dela são capazes de ficar ainda maiores quando ela está animada com alguma coisa. Também adoro a forma como ela movimenta apenas a sobrancelha esquerda quando finge estar desconfiada e o jeito como faz biquinho sem perceber quando está concentrada.

Sei que a conheço há pouco tempo, e que ainda há muito para descobrir, mas eu já poderia passar horas listando todas as coisas, pequenas e grandes, que a fazem tão… única? Especial? Perfeita? Ela até pode ser tudo isso, mas a palavra que eu mais gosto para descrevê-la é “real”. A Sarah é a pessoa mais real que eu já conheci. E ela ainda parece uma garota e, muitas vezes, realmente é. Mas é também a mulher mais corajosa que já vi. Ok, preciso admitir também que, às vezes, a Sarah é um pouco estúpida e, às vezes, como agora, ela se deixa levar pelo medo, mas sei que nunca vai escolher o caminho mais fácil – e é exatamente aí que está a coragem dela. E é por isso que eu sei que ela não precisa ficar comigo, mas quer – e muito -, e que essa é a razão pela qual ela fugiu.

Só queria saber se ela é corajosa e estúpida o suficiente de aparecer novamente na minha frente. Porque se ela o fizer, espero que saiba que nunca mais a deixarei fugir.

É sexta-feira e, com o cansaço da semana acumulado, acabo acordando atrasado, às 10h15. Quando pouso o braço do outro lado da cama, ainda antes de tirar o rosto do travesseiro, me assusto ao perceber que estou sozinho. Pegadinha. Quase duas semanas depois, ainda esqueço que a Sarah foi embora e me lembro de como é realmente fácil se acostumar ao que é bom. Aliás, ela já me enviou 15 mensagens, ligou 10 vezes e deixou cinco recados nos últimos dois dias. Não disse muita coisa em nenhum deles, mas entendi, pelo tom manso e cheio de remorso, que quer se retratar. Como não sou de guardar rancor, pretendo perdoá-la (de novo) se ela realmente quiser se desculpar (de novo). Mas, como também não sou idiota, não vou facilitar. Ela que apareça no meu apartamento se realmente quiser resolver os nossos problemas.

Quinze minutos depois de acordar, já estou pronto para ir para a pauta do dia. Assim que saio do elevador, o porteiro novo, cujo nome sempre esqueço, me entrega um papel dobrado muitas vezes. “O senhor chegou tarde ontem e o porteiro da noite esqueceu de entregar este recado. Lamento e espero que não seja muito importante”, ele diz. Digo que não tem problema, porque não faço ideia do que seja, e começo a desdobrar o papel, enquanto caminho em direção à porta. Quando abro o bilhete, reconheço a letra perfeitamente redondinha e tenho vontade de ir até o porteiro novo e dizer que, puta que pariu, tem problema, sim, e era muito importante, sim, e não adianta mais lamentar.

Nicolas,

Tentei falar com você pelo celular, mas acho que você não recebeu minhas ligações e mensagens. Vim até sua casa e você não está. Só queria avisar que estou voltando para o Brasil nesta sexta-feira. Meu voo parte do Aeroparque, às 13h05.

Com amor,

Sarah

Meus olhos ficam presos às palavras “com amor” por alguns segundos e, então, automaticamente se dirigem ao meu relógio de pulso. São 10h33. Se eu encontrar um táxi agora e não pegar muito trânsito, talvez consiga chegar ao aeroporto um pouco depois das 11h e, com sorte, encontrar a Sarah antes que ela entre na sala de embarque.

Capítulo 44

Sarah

Eu não sei o que dói mais: um tornozelo torcido, uma concussão ou um coração partido. Mentira, eu sei, sim, e é a terceira opção. Quando eu senti o peso sobre a minha cabeça e tudo ficou preto, achei que eu havia morrido. Mas, alguns minutos depois, acordei dentro de uma ambulância e descobri que, na verdade, nada havia caído sobre a minha cabeça. Um dos três carros envolvidos na batida, que aconteceu em uma travessinha da rua Lavalle, invadiu a calçada e atropelou algumas pessoas. Uma delas deve ter caído sobre mim, o que me fez desmoronar e bater a cabeça no chão. Fui levada para o hospital, onde foram constatadas a torção no tornozelo e uma concussão. Os médicos disseram que não era nada grave, por isso, fiquei algumas horas em observação e, logo depois, fui liberada, apenas com uma bota ortopédica, para voltar para casa, que, no meu caso, é um quarto de hotel. Assim que cheguei, liguei para a dona Juliana, que ficou mais aliviada ao ouvir minha voz do que minha própria mãe talvez ficasse.

– Meu Deus, que susto você me deu – ela gritou ao telefone – ouvimos o acidente daqui do café, mas, quando consegui ir até o local para ver se você estava envolvida, já haviam removido as vítimas. Fiquei louca porque você não aparecia e não atendia ao telefone.

– Ah, dona Juliana, me desculpe. Não tive como avisar antes.

– Imagina, querida, que bom que está bem. Tem certeza de que não precisa de nada?

– Tenho, sim – respondi, feliz por ter alguém que se importava comigo nessa cidade.

– Bom, como faltam apenas quatro dias para você ir embora e você nem pode se locomover direito, acredito que não a verei mais.

– É, eu acho que não – eu disse e percebi que sentiria mais falta do café, ou da dona Juliana, do que pensava.

– Nesse caso, se cuide. E lembre-se: viver é correr riscos.

– Vou lembrar – eu sorri, embora ela não pudesse ver através do telefone. Mas eu acho que ela também sorriu.

– E venha me visitar quando voltar a Buenos Aires. Agora preciso desligar.

Sem dizer “até mais” ou mandar sequer um beijo, dona Juliana desliga o telefone e me deixa sozinha comigo mesma. E, então, começo a pensar na minha experiência de quase-morte. Ok, é injusto classificar o que aconteceu comigo dessa forma, já que as pessoas que foram realmente atropeladas tiveram que ficar internadas no hospital, embora, conforme o que me disseram, ninguém corra risco de morte. Enfim, só estou pensando em como o que aconteceu entre o momento em que estava tudo normal e o instante em que eu bati a cabeça no chão parecia estar em câmera lenta e, ao mesmo tempo, avançada. Foi tudo rápido e repentino demais para que eu entendesse, mas devagar o suficiente para que o famoso filme da minha vida passasse diante dos meus olhos. Tudo bem, talvez não tenha sido exatamente o filme da minha vida, mas, com certeza, uma pergunta ficou visível, antes que tudo ficasse preto: e se eu morresse agora, em que extremo eu estaria?

Mesmo agora, no conforto da minha cama de hotel e com o tornozelo dolorido para cima, não sei dizer em qual extremo eu estou. A verdade é que eu poderia estar mais feliz, assim como também poderia estar mais triste. A grande diferença entre um extremo e outro neste momento é que o que – ou quem – poderia me fazer mais feliz está a apenas alguns quilômetros de distância. Mas e se esse algo – ou alguém – também for o responsável pelo lado da tristeza pesar mais em um futuro próximo? Ok, isso está ficando confuso. Acho que os efeitos colaterais da concussão estão se manifestando.

Acordo na terça-feira e a primeira coisa que sinto ao abrir os olhos é uma dor de cabeça latejante. No entanto, assim que recobro as lembranças do dia anterior, a resposta que eu tanto procurei surge tão rápido e tão clara que me sinto ridícula por ter demorado tanto para entender: se eu tivesse morrido ontem, minha existência provavelmente se resumiria ao extremo da tristeza. Mas, como eu sobrevivi, o lado da felicidade está em ligeira vantagem porque eu ainda tenho a chance de consertar os meus erros. E, então, antes que eu possa repensar a minha descoberta ou fazer uma lista mental de prós e contras, pego meu celular e ligo para o Nicolas. Porque, eu espero com todas as minhas forças que ele me perdoe, mas, mesmo que ele não seja capaz de me desculpar (de novo), pelo menos eu poderei morrer, hoje ou daqui a 60 anos, com a certeza que eu tive coragem para fazer o que eu quis.  

O grande problema de ser corajoso é precisar estar pronto para suportar as consequências. E a consequência dos meus erros com o Nicolas é a indiferença. Porque ele não atendeu nem retornou nenhuma das minhas 10 ligações, muito menos as 15 mensagens que enviei e os cinco recados que deixei. Bem, talvez eu não seja muito ou sempre corajosa, mas, quando eu coloco uma ideia na cabeça, posso fazer coisas estúpidas para conseguir o que eu quero. Então, ignoro o médico, que recomendou que eu repousasse ao máximo até embarcar para o Brasil, e decido ir até o apartamento do Nicolas no início da noite, quando ele já deve estar em casa.

Assim que desço do ônibus, próximo de onde ele mora, meu tornozelo já está mais dolorido do que antes, mas não desisto. Quando chego ao prédio, Jaime – se diz “Raime” -, o porteiro, me reconhece e abre logo um sorriso. “A senhora veio visitar o senhor Nicolas?”, ele pergunta e eu respondo que sim, tentando retribuir a simpatia. “Ele saiu de manhã e ainda não chegou. Quer esperar?”, Jaime diz e sinto meu sorriso desaparecer automaticamente do meu rosto. Espero por 1h30 e troco de posição na cadeira tantas vezes, que o porteiro até traz um caixote para que eu apoie meu tornozelo. Quando a dor já está quase insuportável, decido ir embora, porque sou estúpida, mas nem tanto. Antes de sair do prédio, pergunto ao Jaime se posso deixar um recado para o Nicolas e ele, simpático como sempre, diz que sim e arranja um papel e uma caneta para mim. Quando termino de escrever, dobro o bilhete muitas vezes e entrego ao porteiro, reforçando que é muito importante que o Nicolas o receba ainda hoje.

Confesso que ando ainda mais devagar do que o necessário e escolho o caminho que sei que o Nicolas faz para chegar em casa, na esperança de encontrá-lo “por acaso”. Mas, então, lembro que não estou em uma comédia romântica e que meu final feliz está longe de ser garantido.

Quando chego de volta ao hotel, já esqueci de novo que não estou em uma comédia romântica e, até entrar no banheiro e ter certeza de que tudo está como deixei, sinto aquela pontinha de esperança de que o Nicolas esteja me esperando no hall (ou no quarto, vai saber?), tenha me procurado ou, pelo menos, deixado algum recado. Mas é claro que ele não fez nada disso, afinal, se ele quisesse me ver ou falar comigo, seria muito mais fácil ter simplesmente atendido ao telefone ou respondido às minhas mensagens. E é quando eu, finalmente, caio na real e entendo que, desta vez, estraguei absolutamente tudo. Então, decido terminar de arrumar as minhas coisas e me despedir de tudo o que eu vivi aqui.

Mãe,

Nesses últimos dias, pensei muito sobre tudo e cheguei à conclusão de que sempre me escondi atrás das coisas que aconteceram na minha nossa vida, como se elas justificassem todos os erros que eu já cometi. Como se eu fosse sempre uma vítima da situação, que, inocente e  indefesa, nada podia fazer para mudá-la. Talvez, eu realmente não pudesse mudar a maioria delas, mas tenho certeza de que posso interferir em algumas das que ainda virão. Porque hoje eu entendo que só aprende com os erros quem os assume e, por isso, estou assumindo todos os que cometi nos últimos 23 anos, também conhecidos como “minha vida inteira”. E espero que não seja tarde demais.

É claro que tudo aquilo pelo que passamos define boa parte de quem nós somos, pelo bem e pelo mal. Sempre lembro daquele filósofo iluminista, o John Locke, que acredita que nascemos como uma folha em branco e que aprendemos através das experiências, das tentativas e dos erros. Mas eu acho que passei muito tempo, especialmente os últimos dois anos, culpando você por todas as palavras duras e maldosas que foram escritas na minha folha em branco, sem olhar para nada além da minha dor e das letras erradas que eu mesma escrevi. Eu deixei que as minhas experiências me definissem pelo mal.

Acho que algumas decisões que os outros tomam podem impactar mais a nossa vida do que as nossas próprias escolhas. E, por um lado, eu considero isso uma injustiça, mas também sei que faz parte da vida e dos laços que criamos enquanto estamos aqui. Quando você decidiu, conscientemente ou não – eu nunca vou saber -, descobrir se existia o “outro lado”, tudo o que eu conhecia, que era com você, não apenas mudou, como também acabou. E eu acho que fiquei tão brava que quis que o mundo pedisse perdão, mas nunca fui capaz de fazer o mesmo.

Mãe, eu sei que, na última carta, eu disse que odiava você. Bem, não é verdade e eu peço desculpas. Espero que me perdoe.

Sarah

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